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Internasjonalt perspektiv på barnevern og omsorgsovertakelse .…

2. Hva vet vi om temaet?

2.1 Internasjonalt perspektiv på barnevern og omsorgsovertakelse .…

Esta pesquisa enquadra-se no campo de investigação da Linguística Aplicada (LA), visto que a LA faz o estudo da linguagem em uso nas práticas sociais, dentro de contextos específicos, além de permitir a interface com outras áreas, como assegura Moita Lopes (1998), o linguista aplicado pode recorrer a várias disciplinas para ajudar a esclarecer a questão investigada. Sendo assim, buscamos diversos fundamentos teóricos e metodológicos para compreender a construção discursiva em torno da prática educomunicativa na rádio escolar.

Ao enxergar a LA em diálogo com os campos das ciências sociais e humanas, Moita Lopes (2008), classifica-a como mestiça, no que se refere a sua natureza interdisciplinar e transdisciplinar. Nesse sentido, a LA é vista sob um ângulo diferente, rompe com as fronteiras do saber disciplinar e concede ao linguista aplicado o direito de procurar outras áreas do conhecimento para responder as suas questões de pesquisa, interessando-se pelo que diz as outras áreas sobre a linguagem e sobre o contexto sócio- histórico que envolve o objeto investigado.

Conforme Moita Lopes (2008, p. 23), pensar a LA mestiça significa usar um novo par de óculos, na alternativa de “compreender nossos tempos e de abrir espaço para visões alternativas ou para ouvir outras vozes que possam revigorar nossa vida social ou vê-la compreendida por outras histórias”. Nesse viés, os pesquisadores deveriam operar para além dos limites da Linguística e de suas bases teóricas, tais como: a Análise do Discurso, Linguística Textual e Análise da Conversação. Mas, se a busca pela interdisciplinaridade traz para a LA novos horizontes investigativos, de outro lado, paga-se o preço da indisciplina, suscitando problemas institucionais, dando margens para interpretações equivocadas no meio acadêmico e acusações de superficialidade do conhecimento produzido, devido à natureza interdisciplinar do trabalho.

Rebatendo as criticas da superficialidade, a natureza interdisciplinar da LA é, justamente, o seu ponto forte, pois está fundamentada nas trocas de diferentes conhecimentos, cuja diversidade do saber produzido permite se alcançar uma ciência mais crítica e integradora. Dentro dessa perspectiva teórica globalizadora, Portella (1992) nos dá a verdadeira dimensão do conhecimento interdisciplinar:

Enquanto que o projeto disciplinar distingue, privilegia, consagra, o programa interdisciplinar combina, solidariza, desmistifica. Ele responde, talvez, a um estágio avançado de secularização do conhecimento. (PORTELLA, 1992, p.06)

Construir conhecimento interdisciplinar significa acreditar que as outras áreas do saber têm muito a nos dizer, que seus fundamentos e métodos podem complementar a investigação sobre a linguagem em LA. Adotando esse pensamento relacional entre os saberes podemos estabelecer recortes teóricos que perpassam por diferentes disciplinas rumo a um conhecimento que atenda à complexidade de nossas práticas de linguagem situadas.

Já em relação à transdisciplinaridade, Moita Lopes (1998) assegura que o conhecimento produzido transdisciplinarmente não pode ser reduzido a nenhuma das disciplinas que contribuíram para a sua constituição, tendo em vista que a integração das disciplinas é gerada no próprio contexto de aplicação. Nesse sentido, não se pode fazer LA transdisciplinarmente, entretanto, ressalva:

Pode-se, contudo, como linguista aplicado, atuar em grupos de pesquisa de natureza transdisciplinar que estão estudando um problema em um contexto de aplicação específico para cuja compreensão as intravisões do linguista aplicado possam ser úteis. (MOITA LOPES, 1998, p.122).

Nesse panorama transdisciplinar, a LA atua para esclarecer a questão investigada, no mesmo nível de importância das outras disciplinas requisitadas, gerando uma compreensão completa do problema a partir dos seus diversos aspectos e das inter- relações entre eles. Assim, na associação dos saberes das diferentes áreas tem-se uma visão globalizada do objeto de investigação.

Portanto, defendemos que os limites disciplinares não dão conta da complexidade da nossa investigação, a saber: os discursos que emergem do processo de ensino- aprendizagem da linguagem radiofônica, dentro da perspectiva política e teórica da Educomunicação, ou seja, do uso de uma nova linguagem capaz de emancipar os sujeitos, abrir espaço para expressão e criar ecossistemas comunicativos abertos na comunidade escolar. Saber como a prática educomunicativa na rádio escolar é ensinada e apreendida pelos sujeitos, voltando-se para os discursos emitidos, é uma missão que extrapola a faceta disciplinar da Linguística Aplicada. Nesse caso, a nossa interpretação é

interdisciplinar, pois recorre a Análise de Discurso como teoria de leitura, bem como a concepção dialógica de linguagem, a Etnografia aplicada ao contexto escolar enquanto opção metodológica e aos preceitos do campo da Educomunicação que, por sua vez, já é constituído pela interface entre as áreas da Educação e da Comunicação. Esse olhar multifacetado leva-nos a compreender o processo de formação da comunidade escolar, no uso da linguagem midiática, atentando para os discursos que emergem desse processo, interpretando-os a partir da colaboração entre os saberes.

Sabendo que na Linguística chamada de Aplicada, a investigação em si ocorre no contexto de aplicação do uso da linguagem, voltamo-nos para o contexto escolar, no

habitat natural em que os discursos são enunciados. Além disso, adotamos nesta pesquisa

a LA defendida por Moita Lopes (2008), entendida como aquela que não se prende à busca de soluções para os problemas relativos ao uso da linguagem, de outro modo, pretende problematizar os contextos, compreende-los em sua essência, pois fazendo assim, as alternativas de mudança podem ser vislumbradas. Tomamos a LA como aquela que focaliza os sujeitos em suas práticas de linguagem, concentrando-se na compreensão de como os sujeitos agem no mundo através do discurso.

Quando nos propomos a estudar a linguagem atrelada ao seu contexto de uso, é essencial explicitar de qual lugar falamos ao abordar a linguagem. Assim, defendemos a concepção dialógica da linguagem, fundamentada em Bakhtin/Volochinov (2006), afirmando que o centro organizador de toda enunciação não se situa no interior, mas no exterior. Nesse sentido, adotamos a linguagem enquanto interação social, sendo constituída tanto pelo componente linguístico quanto o extralinguístico. Isso quer dizer que o sentido de um enunciado depende das condições históricas e sociais e da situação em que o sujeito que o produz se encontra.

Na perspectiva dialógica, a linguagem é mais do que um código para a realização de comunicação, de transmissão de ideias ou como base do pensamento; linguagem é uma ação social, é discurso. Por isso, para interpretarmos a construção de sentidos desses discursos (linguagem), precisamos considerar toda a complexidade em que ele é produzido: contexto social, histórico e ideológico. Essa fundamentação sobre a linguagem leva-nos a enxergá-lacomo o exercício da enunciação em sociedade. Dito de outro modo, os nossos dizeres (discursos) acontecem em um determinado local e em um tempo específico, são produzidos por sujeitos históricos e recebidos por outros seres históricos. Assim, a linguagem é uma prática social que se estrutura na interação verbal (enunciação) entre os sujeitos socialmente localizados. Por isso, Bakhtin/Volochinov

(2006, p.125) afirma que “A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua.”

Nesse contexto, revestimos o nosso dizer nesta tese com a concepção de linguagem (discurso) atrelada ao curso histórico de sua enunciação, tendo em vista que essa perspectiva atende aos nossos questionamentos sobre os discursos, dentro da Análise do Discurso que, por sua vez, contempla os contextos de enunciação (situação imediata e ampla) para se compreender os sentidos dos dizeres. A linguagem é a nossa porta de entrada para entendermos como os sujeitos (cursistas e formadores) representam a prática educomunicativa relacionando-a ao contexto socio-histórico em que vivem.