Parental involvement
5.2. Ju/’hoan identity and socio-economic status
No que tange aos recursos humanos, o SAMU-Natal conta com dois grandes subgrupos de trabalhadores definidos pela Política Nacional de Atenção às Urgências e que poderiam compor a população do nosso estudo: a equipe de saúde e os profissionais não oriundos da área de saúde.
Na equipe de saúde tem-se: o coordenador do serviço, que é o gestor de toda a unidade; o médico responsável técnico, que gerencia os serviços médicos sem atividades de assistência direta aos usuários; o enfermeiro responsável técnico, que gerencia os serviços de enfermagem sem atividades de assistência direta aos usuários; os médicos reguladores, que atuam orientando a assistência de todos os envolvidos nas ocorrências por meio dos serviços de telemedicina; os médicos intervencionistas, responsáveis pelo atendimento necessário nas urgências e emergências; os técnicos de enfermagem e os enfermeiros assistenciais, que atuam nas ocorrências de forma presencial (BRASIL, 2003).
Já entre os profissionais não oriundos da área de saúde tem-se: técnicos auxiliares de regulação médica, rádio operador, condutor do veículo de urgência, profissionais responsáveis pela segurança, como por exemplo, policiais e bombeiros e ainda, trabalhadores administrativos, da manutenção e da limpeza.
Porém, para um estudo qualitativo, que não se ancora em representações numéricas como garantia de cientificidade, é fundamental a adoção de critérios estritos, que assegurem a definição de uma população de pesquisa condizente com os objetivos, o problema e os pressupostos do estudo. Nesse sentido, é necessário ter plena consciência dos subgrupos de sujeitos pertencentes ao lócus pesquisado, no intuito de fazer a escolha consciente e criteriosa daqueles que se articulem significativamente com os objetivos traçados, sendo este, um pré- requisito para a definição correta da população da pesquisa (FONTANELLA; RICAS; TURATO, 2008).
Nesse sentido, o subgrupo pré-selecionado como de interesse significativo para a pesquisa foi o dos profissionais de saúde do SAMU-Natal. Partindo do subgrupo dos profissionais de saúde, optamos pelas categorias profissionais que, segundo a dinâmica de serviços do SAMU, estabelecida nas diretrizes da Política Nacional de Urgências, atuam diretamente no socorro às urgências psiquiátricas. Isso é imprescindível para a operacionalização dos nossos objetivos, uma vez que, esses profissionais vivenciam de forma prática e rotineira as dificuldades, conflitos e potencialidades envolvidos no atendimento às urgências psiquiátricas.
Sendo assim, a população do presente estudo é composta pelos médicos reguladores, médicos intervencionistas, enfermeiros assistenciais e técnicos de enfermagem do SAMU- Natal. Portanto, o critério de inclusão dos indivíduos na população da pesquisa foi a atuação como profissional de saúde lotado no SAMU-Natal e que exerça atividades de assistência nas ocorrências. E o critério de exclusão foi ter a sua atuação profissional voltada para atividades administrativas ou que não envolva assistência direta às urgências psiquiátricas.
Diferentemente dos estudos quantitativos, a definição da amostragem em pesquisas de abordagem qualitativa não obedece a uma definição matemática que garanta a representatividade da amostra diante da população. Isso é desnecessário porque a preocupação maior não está nessa representatividade, mas na necessidade da amostra espelhar certas dimensões de um contexto em contínua construção. Isso faz com que as amostras qualitativas sejam, geralmente, menores do que nos estudos quantitativos. Nessa perspectiva, adotamos o método de definição amostral por saturação teórica de informações.
A técnica consiste em interromper a coleta de informações quando, gradativamente, não há acréscimo significativo do conteúdo apreendido, ou seja, quando a continuidade da coleta de informações traz, majoritariamente, repetições daquilo que já foi identificado em momentos anteriores (FONTANELLA; RICAS; TURATO, 2008).
Por outro lado, a definição da amostra não pode representar aquilo que os pesquisadores julgam suficiente com base em suas crenças individuais. É preciso que a avaliação da saturação teórica seja feita por meio de um processo ininterrupto de análise, que já se inicia durante o processo de coleta. Essa análise preliminar conferiu o suporte para a definição da saturação em relação ao conjunto de informações já apreendidas.
A partir das primeiras aproximações com as informações coletadas as categorias de análise foram construídas processualmente como suporte para o diagnóstico da saturação das informações. Encontramos respaldo metodológico para essa forma de definição amostral em Fontanella; Ricas; Turato (2008, p.26): “consideramos fundamental para o rigor científico e transparência das pesquisas qualitativas a menção, no relatório, do conjunto de fatores identificados que possam ter contribuído para a decisão de um determinado ponto de saturação amostral”.
Diante disso, a amostra de profissionais entrevistados foi composta por 24 sujeitos, de acordo com os critérios de saturação enunciados acima. Isso significou uma representatividade de 16,8% da população total de 143 profissionais de saúde lotados no SAMU-Natal, obedecendo-se aos critérios de inclusão.
Dos vinte e quatro sujeitos participantes da pesquisa tivemos quatro médicos, seis enfermeiros e quatorze técnicos de enfermagem. Quanto à distribuição de gêneros tivemos uma amostra composta por dezessete homens e sete mulheres. Foi identificado que os profissionais entrevistados tinham um tempo médio de atuação no SAMU-Natal de 43,9 meses, ou seja, o serviço conta pessoas com uma experiência média de três anos e meio no setor de atendimento pré-hospitalar de urgência.
No próximo item, iniciamos a discussão sobre as categorias e subcategorias identificadas a partir das observações e discursos dos profissionais de saúde do SAMU entrevistados durante a coleta de informações. Discutimos inicialmente as concepções e conceitos de urgência psiquiátrica identificadas nos discursos dos profissionais entrevistados, em seguida centraremos atenção na segunda categoria que trata da assistência prestada pelo SAMU nas urgências psiquiátricas, e por fim, o foco de discussão será a Reforma Psiquiátrica Brasileira sob o olhar dos profissionais de saúde do SAMU de Natal-RN.