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2.1 – Jesus var død

In document Thor Haavik, TEOL350.pdf (834.4Kb) (sider 25-28)

Saber ser e saber estar no mundo não são processos que se constroem ou se desenvolvem sozinhos. O trabalho como proposta interdisciplinar coloca-se numa posição permanente de busca: do outro, dos outros próximos e distantes e, sobretudo de si mesmo. “Percebe-se que é preciso o olhar do outro, que dá cara e visão à história da construção do conhecimento”125.

Alguns discursos puderam ser alinhados de acordo com a concepção formativa, ou seja, apresentam, em sua constituição singular, aspectos que remetem à necessidade e à presença da formação como vetor propulsor de situações de desenvolvimento humano.

Percebo que formação traz em si uma intencionalidade que opera tanto nas dimensões subjetivas (caráter, mentalidade) como nas dimensões intersubjetivas, aí incluídos os desdobramentos quanto ao trajeto de constituição no mundo do trabalho (conhecimento profissional). Portanto, não se trata de algo relativo a apenas uma etapa ou fase do desenvolvimento humano, mas sim de algo que percorre, atravessa e constitui a história dos homens como seres sociais, políticos e culturais (BATISTA, 2001, p. 135 – grifos do autor).

Josso (2004) aponta a importância do aspecto formativo no processo de autoconhecimento do sujeito, no caso dos mestrandos de 2010, e do pesquisador. Para a autora, estão em jogo, três aspectos fundamentais:

125 Colocação feita em sala de aula, sistematizada em registros de memória em 05 de setembro de 2001 –

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Apresentar o conhecimento da formação de si por meio de recordações relativas a atividades, contextos e situações, encontros [...], numa partilha com outros, bem como na diferenciação e na identificação com as recordações dos outros; Revisitar o conhecimento “deste si” por meio do que diz dele a narrativa considerada no seu movimento geral e nas suas dinâmicas [...], a fim de extrair, a partir daí, as características identitárias e as projeções de si, as valorizações que orientaram as opções [...]; Reinterrogar o conhecimento de si mesmo no jogo das semelhanças/ diferenças provocadas pela comparação com as outras narrativas (JOSSO, 2004, p. 68-69).

Da mesma forma, as expressões orais dos alunos, colhidas durante o período de convívio, possibilitam uma análise sociocultural e subjetiva dos processos formativos percorridos pelo indivíduo adulto, bem como de seu papel no grupo de mestrandos enquanto pesquisador.

Dessen (2005) acentua a necessidade de uma linguagem apropriada para facilitar a compreensão das falas dos mestrandos interessados na articulação da interdisciplinaridade e desenvolvimento humano. Esta linguagem é a comunicação interdisciplinar, que é permeada pelo diálogo entre distintas áreas do conhecimento, não deixando de privilegiar:

A trama de relações que ocorrem na estrutura de Desenvolvimento Humano – conexão entre diferentes sistemas e as influências mútuas diádicas. Esta estrutura pode favorecer ou dificultar o desenvolvimento humano e constitui o momento do processo que acontece entre as pessoas envolvidas em relações diádicas no contexto.

Temporalidade126 – a análise do desenvolvimento deve expressar eventos dentro de uma sequência histórica.

O tempo do mundo é o tempo vivido como diz Comte Sponville, interpretado por Moellwald127 (2006) em Mrs Dalloway:

126 Em 1899 Bergson publicou suas primeiras investigações “sobre a natureza de experiência do tempo: a

dureé, ou ‘tempo interior’ da experiência subjetiva em contraste com o tempo ‘exterior’, ou ‘tempo cósmico’,

mensurado pelo relógio” (apud SCHUTZ, 2012, p. 24-25).

127 Mrs Dalloway foi escrito por Virgínia Woolf em 1924 e publicado em 1925. O romance acontece em um

único dia numa festa oferecida pela anfitriã, onde são entrelaçadas diversas experiências temporais. O que nos interessa, neste contexto, é a agregação de outros valores à sua vida. “A agonia desse personagem resulta da tensão entre temporalidade cronológica e afetiva e entre condição singular vivida [...]. O leitor tem acesso às tensões do tempo [...]. A durabilidade do tempo e da vida é singular, podendo ser mais extensa ou intensa. Como na grande teia da vida não há fim, apenas caminhos que estão sendo traçados, Mrs. Dalloway se constitui um romance sem início e sem conclusão” (MOELLWALD, 2006, p. 119).

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O presente estava lá, quando do nosso nascimento. Ele estará lá quando da nossa morte. Ele estará lá sem a menor interrupção durante todo o tempo, que irá separar estes dois momentos. Ele está aí, sempre aí e portanto ele é o aí do ser (MOELLWALD, 2006, p. 15).

Ricoeur (1968) afirma ser difícil explorar-se a questão do tempo. A experiência humana tem sempre um caráter temporal. Em seus trabalhos ele diz que os temas filosóficos que exploram o tempo não dão conta do fechamento por completo dessa compreensão. Estabelece, no entanto, a concepção do tempo humano como “[...] o tempo que nasce do entrelaçamento da ação e sofrimento na história contada” (PELLAUER, 2009, p. 11).

Ricoeur (1968) é enfático ao dizer, que o que interessa investigar e desvelar são os

homens. O passado, o presente e o futuro são tempos humanos e assim “[...] a distância

temporal, vem, portanto ajuntar-se a essa distância específica vinculada ao fato de que o

outro é um outro homem” (RICOEUR, 1968, p. 31 – grifo nosso).

Há um tempo de juntar E um tempo de separar Aquele que entender

Este curso dos acontecimentos Toma cada novo estado

Em sua devida hora128 (MERTON, 1993 p. 83)

A preocupação com o espaço temporal está presente em muitas áreas do conhecimento. Cada disciplina utiliza uma escala de tempo129 e diferentes conceitos para abarcar a questão do tempo na nossa investigação o tempo que interessa é o ontogenético que diz respeito ao curso da vida.

Mudança: O desenvolvimento humano supõe períodos de estabilidade e continuidade e de desequilíbrio ou mudança.

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Este soneto nos remete à música “Pra não dizer que não falei de flores”, composta por Geraldo Vandré (Festival de MPB – Música Popular Brasileira, de 1968), onde eloquentemente ele expressa uma mensagem de intervenção política na realidade: “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / não espera acontecer”.

129 Tempo e temporalidade são categorias antropológicas. São também dois conceitos teológicos, pois

pertencem a ordem do aqui e do agora, mas também a ordem do ainda não e do não realizado. Tendo em vista as ordens do aqui e do agora e do ainda não, tempo e temporalidade só podem ser pensados e vividos como uma prática sociocultural. E é neste ponto, que surge na prática social que reside os maiores dilemas da vida humana. Somos seres temporais porem inacabados. Portanto é na construção da vida e da existência que desenvolvemos a percepção de que o tempo passa, o tempo voa como está para a maioria das pessoas está tornando-se comum afirmar-se “não tenho tempo”. Na verdade, o que se quer dizer é que há um confronto entre o acessório e o essencial e entre a prioridade e não prioridade (PEREIRA, 2013).

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Pensar a interdisciplinaridade e o desenvolvimento humano é obrigatoriamente pensar o movimento. E sobre este aspecto voltando a Fazenda (2001), o movimento nem sempre é previsível, pois sugere a emergência de outros novos movimentos130. A explicitação de um movimento permite mostrar aos outros as possibilidades dele mesmo.

E isto eu senti no convívio acadêmico com os mestrandos 2010, razão pela qual se opta pelo agrupamento das falas por similaridade conceitual para possibilitar a interpretação nunca, porém perdendo de vista a proposta de Fazenda (2008) de saber ser.

Na verdade, na extensão em que nós temos teorias sobre como as influências ambientais afetam o comportamento e o desenvolvimento, elas são teorias a respeito dos processos interpessoais – reforço, modelagem, identificação e aprendizagem social (BRONFENBRENNER, 1996, p. 10).

Fazenda (2001) afirma enfaticamente que a palavra pronunciada adquire um sentido especial de organizar o acontecido frente à porta de minha história de vida. Isto quer dizer que por trás de uma expressão existe um significado que ultrapassa o sintático para movimentar-se em direção ao semântico além das regras da aparência, mas em direção a sua significação131.

É também Fazenda (2001, p. 7) que coloca “o propósito fundamental da linguagem é elaborar as seções sobre o mundo”. A tarefa do filósofo é tentar descobris o pensamento humano tal como é e procura compreendê-lo.

Não como filósofo (o que com certeza seria por demais pretensioso de minha parte), mas como pesquisador no convívio com os mestrandos 2010, com base investigativa de Cecconelo e Koller (2003) o conjunto de fatos que considera a pessoa (mestrando 2010) como interlocutor principal de uma experiência que está sendo executada no tempo acadêmico dentro de um contexto ou curso planejado para um processo de desenvolvimento

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Colocação feita em sala de aula, sistematizada em registros de memória em 05 de setembro de 2001 – PUC/SP – contribuições do GEPI.

131 Fazenda (2001) responde: O que é significação? A maioria dos estudiosos colocam dois aspectos de

significação: um chamado sintático quando um termo consiste inteiramente nas regras sintáticas referidas no sentido do termo – isto ocorre na linguagem formal não interpretada. Outro chamado semântico – quando uma significação não se limita as regras semânticas – a linguagem é a representação de um tanto de objetos, mediante um sistema de símbolos, mediante formas orais e escritas, mas também mediante de gestos? Os signos tem um significado e precisamente por isso são signos e não meramente figuras - Colocação feita em sala de aula, sistematizada em registros de memória em 15 de abril de 2003 –PUC/SP.

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pessoal e profissional, a fim de reverberar-se na prática social no lugar onde atuam. É o desenrolar na história de vida no sentido de ser, pertencer e fazer132.

Na interconexão do modelo sistêmico proposto pela TBDH, a pessoa é considerada mobilizadora de suas potencialidades virtuais133 - motivação, estímulo pessoal, inteligência, habilidade, índole, entre outros. O processo possibilitado pela interação com os próximos e com os distantes diferencia-se a partir das características pessoais tornando relações de complexidades crescentes que são impulsionadoras do desenvolvimento que acontece na perspectiva dialética da estabilidade de mudanças.

O contexto “matriostiko”134 traduzido por Polonia et al (2005):

[...] conjunto de estruturas concêntricas onde cada uma abarca progressivamente a outra. Estas mudanças são chamadas de micro, meso, exo, macro e cronossistema. Os arranjos estabelecidos entre eles assegura a compreensão do ambiente mais próximo, (micro) ao mais remoto (macro) (POLONIA et al, (2005, p. 77).

Este vínculo ocorre por todo tempo existencial – o cronossistema que abarca todos os eventos da história individual.

As falas foram agrupadas por similaridade conceitual e serão analisadas segundo o modelo PPCT e as categorias de estrutura, temporalidade, mudança e continuidade.

A grande questão é sair do próprio ninho. Aquilo com o qual convivi deve se tornar ação. A gente aprende a colher e assim a gente aprende sobre a vida. Se planto do mesmo jeito, vou colher da mesma forma135 (mestrando 2010).

132 Fazenda (2003) apresenta uma retrospectiva teórica interessante sobre a interdisciplinaridade quando

aponta as dimensões do ser, do pertencer e do fazer como indissociáveis e necessárias à práticas e pesquisas interdisciplinares. Para a autora, é fundamental que o pesquisador conheça os fundamentos teóricos que a alicerçam, bem como suas possibilidades práticas e metodológicas. No entanto, isto de nada teria sentido (ou não valeria a pena) se ele não estivesse convencido de que este seria o melhor e verdadeiro caminho para a busca pela unicidade e totalidade do conhecimento.

133 A expressão “forças virtuais” é uma aproximação à metáfora de Fazenda (1999b) na obra “A virtude da força

nas práticas interdisciplinares”.

134 A expressão contexto “matriostiko” é usada figurativamente para indicar as interconexões sistêmicas

representadas pelas bonecas russas – metáfora dessa formulação investigativa.

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Registros de manifestações dos mestrandos 2010 colhidas nos encontros de sala de aula dos dias: 01/04/2010, 06/04/2010, 08/04/2010, 13/04/2010, 15/04/2010, 20/04/2010, 04/05/2010, 11/05/2010, 13/05/2010, 18/05/2010, 20/05/2010, 25/05/2010, 27/05/2010, 01/06/2010, 08/06/2010, 17/06/2010, 22/06/2010, 24/06/2010, 29/06/2010, 05/08/2010, 10/08/2010, 17/08/2010, 26/08/2010, 31/08/2010, 02/09/2010, 14/09/2010, 16/09/2010, 21/09/2010, 23/09/2010, 29/09/2010, 30/09/2010, 07/10/2010, 19/10/2010, 21/10/2010, 26/10/2010 e registradas sob a expressão “mestrandos 2010”.

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Ao movimentar-se em direção ao rompimento da estabilidade pessoal – sair do próprio ninho ou se planto do mesmo jeito vou colher da mesma forma -, a pessoa desenvolvente expressa ao mesmo tempo o sentido de pertencimento e a necessidade de fazer uma nova prática social, circunstante à contingência do real ou de seu contexto. Não se descuida, entretanto do passado - aquilo com o qual convivi é substrato da ação e da aprendizagem sobre a vida.

Há a consciência da existência de um tempo natural - o tempo de ser e a exigência dos desafios de sair do conforto – do próprio ninho – e plantar, questionamentos para colher de forma diferente. Sente-se o atributo da força do fazer que impele às conquistas permanentes, nunca inteiramente conquistadas em definitivo: “[...] A força é uma conquista pessoal somente quando acreditamos que algo vale a pena e temos coragem para investir nossa vida, nossas energias, sentimo-nos fortes para atingir a meta estabelecida” (PINHO, 1999, p. 121).

Transformar o convívio em ação e em práticas sociais voltadas ao bem comum é dar significado à vida. Como enfatizam Berger e Luckmann (2009, p. 55): “[...] A expressividade humana é capaz de objetivações. Estas objetivações servem de índices mais ou menos derivados dos processos subjetivos”.

O modelo sistêmico referido é representado pelo contexto matriostiko traduzido por Polonia como “conjunto de estruturas, concêntricas onde cada uma abarca progressivamente a outra...” (POLONIA et al, 2005, p. 77) Os arranjos estabelecidos entre eles assegura a compreensão do ambiente mais próximo (micro) ou mais remotos (macro).

O processo de desenvolvimento humano transita na dialética da polaridade entre o “que sou” e o que “não sou” (SHAKESPEARE, 1599/1601)136. Assim a pessoa desenvolvente movimenta-se entre a continuidade de seu comportamento e a ruptura homeostática. É o reconhecimento de que em cada estágio de desenvolvimento (tempo) há uma crise que avança com a idade. “[...] Todo homem tem suas fragilidades, seus pontos fracos. A força verdadeira se manifesta conforme nos mostramos capazes de superar fraquezas. Guiar-se pela ética implica redescobrir a virtude da força” (PINHO, 1999, p. 121).

136 Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601, onde seu personagem dirige-se a

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O reconhecimento das fraquezas é o grande passo em direção ao autoconhecimento, indispensável ao “saber ser”. Transformar fraquezas em forças é tão importante quanto transformar forças em fraquezas. Em condições produtivas as forças impelem ao aproveitamento dos estímulos colocados à nossa disposição no contexto imediato e não imediato137.

No entanto, o uso excessivo dessas forças pode nos colocar em condições defensivas, que conduzem à perda de vigilância dos atos pessoais e o não aproveitamento das oportunidades oferecidas pelo contexto. Este é um dos grandes dilemas existenciais expressos nas falas dos mestrandos – resolver esta polaridade. E isto implica em avanços e retrocessos.

Continuando nestas reflexões cabe caracterizar a ideia subjacente da interlocução entre o pertencer e o fazer como um processo de interações contínuas para o desenvolvimento.

O homem é um bem de produção de “si mesmo” para “si mesmo”, ou seja, que sua ação sobre a realidade deve ser realizada apenas em benefício para cada homem, para torná-lo mais humanizado na sua compreensão do mundo e nas relações com os semelhantes. [...] o homem se torna um bem de produção não para si exclusivamente, mas para o outro (PINTO, 1969, p. 126).

Sua ação como um produtor de “si mesmo”138 e da cultura configura-se como uma necessidade existencial que tem avanços e retrocessos. O seu compromisso é compreender o mundo e as relações com o seus semelhantes. A realidade tem que ser percebida para o equilíbrio dessa polaridade existencial.

A interação e a intenção não se constroem fora de nossa formação. Constroem-se no coletivo, a partir das pessoas. Retomar o curso da sociedade não é algo que está fora de nós. Não há relação de exterioridade. Eu faço parte disto (mestrando 2010).

137 Em 1975 fui agraciada com uma bolsa de estudos, resultado de um co-financiamento entre a Fundação

Kellogs e a Fundação Getúlio Vargas, para capacitar profissionais para a implantação das ações descentralizadas de saúde (AIS), que viriam mais tarde a subsidiar a formatação do Sistema Único de Saúde. Nesta oportunidade tive contato com interessante material que com o título “Transformar fraquezas em forças” (LUDWIG, 1975) tinha como foco a opção de lidar com forças para ultrapassar o nível de sucesso em condições habituais, em condições defensivas e de tensão. Foi um trabalho sugestivo de conhecimento da polaridade pessoal.

138 A definição de “si mesmo” deve-se à pesquisa epistemológica de Willian James (1842-1910) “Para ele, o “si

mesmo” é composto de um eu consciente que é a parte do “si mesmo” que percebe, tem sensações, mobiliza lembranças, elabora projetos. Por outro lado, o “si mesmo” é composto de um mim (me) (um “si mesmo” empírico)” (DESCHAMPS; MOLINER, 2009, p. 18 – grifo nosso).

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Quando a pessoa desenvolvente reconhece que retomar o curso da sociedade não é algo que está fora de nós remete-se pelo menos a duas considerações fundamentais:

A primeira é a afirmação de que esse processo está sim dentro de nós – eu faço parte disto. A fantasia imaginativa que temos do contexto ou realidade é uma visão interior daquilo que se deseja que seja a realidade onde se vive e, portanto o lugar onde se pode intervir para sua retomada. Não há, pois relação de exterioridade139.

A segunda é a possibilidade de retomada do curso dessa sociedade, fato este que não se constrói fora de nossa formação. As relações constroem-se no coletivo no sentido do pertencimento – a partir das pessoas. Isto é salientado subjetivamente por Bronfenbrenner (1996, p. 10): “A esta crescente capacidade de remodelar a realidade de acordo com regulamentos e aspirações humanas que, de uma perspectiva ecológica representa a mais alta expressão do desenvolvimento humano”.

Outrossim, a retomada do curso da sociedade está associada aos critérios do tempo necessário para um processo adaptativo – o contexto que tenho e aquele que se deseja e se necessita fazer. Bronfenbrenner (1996) afirma que “[...] adaptar sua imaginação aos limites da realidade objetiva e inclusive de reformular o ambiente para torna-lo mais compatível com capacidades, necessidades e desejos” (BRONFENBRENNER, 1996, p. 10).

Nas situações interativas e intencionais, no microssistema a proximidade com meus pares é mais penetrável à subjetividade e na subjetividade. Ao fazer parte dessa o outro próximo é “[...] mais real para mim que eu próprio” (BERGER; LUCKMANN, 2009, p. 46). Os autores continuam: “O que tem de maior importância é que eu sei que há uma contínua correspondência em meus significados e seus significados, que partilham em comum no que respeita a realidade dela”.

A história da trajetória profissional mostra a busca de sentido para a vida – o meu lugar como profissional. E este lugar estrutura-se numa abordagem de Desenvolvimento Humano. O que vou deixar como legado? O que vou deixar para aquele que virá? (mestrando 2010).

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A interdisciplinaridade para Fazenda (2010) é um novo que surge de vidas compartilhadas. Um novo no qual a pessoa está imersa no processo de busca de sentido para sua vida no tempo da sua existência.

Ao pensar – o lugar como profissional e procurar entendimento como abordagem de Desenvolvimento Humano é a procura do lugar de si mesmo que entra no cenário da construção dessa história.

A evidência do tempo na construção da trajetória é eloquente na expressão demonstrada, pois se alinha a busca do sentido para a vida. É a dimensão do tempo Kairológico “[...] que nos dá um momento mágico, em que a qualidade de existir no mundo pode ser transmudada em busca da criação de uma maneira de viver” (QUELUZ, 2001, p. 142). A importância da História de Vida, seja numa trajetória profissional, seja no que foi construído para deixar de legado para aquele que virá será possibilitado por meio do processo inter-geracional para a continuidade da sociedade, marcado no percurso existencial que tenho e do qual me orgulho e, portanto, pleno de significado.

Que pergunta me trouxe a este curso?

Você é capaz de se reinventar? Em algumas sociedades, isto não é possível, pois não são dadas aos homens oportunidades (mestrando 2010).

A importância dada ao contexto vivido pela pessoa e considerado como fator determinante nas possibilidades de escolha que ela tem e terá ao longo de sua vida, aparece de forma significativa neste relato oral. Ao afirmar que em algumas sociedades se reinventar não é possível significa considerar o aspecto social como determinante nos processos que a pessoa enfrenta, na medida em que não são dadas aos homens oportunidades.

Tanto quanto o contexto é apontado como determinante dos processos vivenciados pela pessoa durante o seu tempo de vida, também se menciona a possibilidade que o ser humano tem de se reinventar, sobretudo quando o discurso retorna à primeira pessoa: que pergunta me trouxe a este curso?. Reconhecer a opção pelo curso como uma oportunidade impõe ao mestrando a condição de que o contexto no qual ele está inserido, neste tempo de sua vida favoreceu sua possibilidade e inserção no âmbito acadêmico, carregando consigo a responsabilidade por torna-la útil: você é capaz de se reinventar? Para a sua própria reinvenção e para, quem sabe, a reinvenção de outros contextos.

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O contexto está ligado ao ambiente. Aqui você é observado e observador.

Você vai sofrer influência do ambiente, porque você está no lugar para influenciar e ser influenciado (mestrando 2010).

Aspesi et al (2005) diz que “o contexto refere-se à condições de vida, aos sistemas sócio-histórico-culturais, ao ambiente físico e de pessoas que compõem o cenário no qual se insere o sistema individua-ambiente em desenvolvimento” (ASPESI et al, 2005, p. 19 – grifo nosso). O contexto está ligado ao ambiente.

É, portanto uma definição que converge para o universo da totalidade, o palco das relações complexas e multiformes que a pessoa troca com o ambiente histórico, culturalmente construído ao longo do tempo. O contexto é, pois, apontado como

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