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2 – De historiske fakta: Hva skjedde etter Jesu død?

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O saber-ser interdisciplinar orienta a pesquisa para uma dimensão que tenta compreender a totalidade do fenômeno estudado que se camufla em suas diferentes manifestações. O olhar que se multiplica e que, em camadas, procura iluminar o todo só pode partir da atitude do sujeito que pesquisa. É esta a atitude interdisciplinar.

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A atitude interdisciplinar indica cinco princípios que a orientam: coerência, humildade, espera, desapego, respeito e olhar (FAZENDA, 2001).

A coerência é considerada o primeiro princípio da interdisciplinaridade por exigir que os demais encontrem nela um “fio condutor” (MOREIRA JOSÉ, 2011). Ser coerente significa compartilhar de uma harmonia entre os acontecimentos, estabelecendo uma conexão lógica entre os seus diversos elementos.

Paulo Freire (1997, p. 38) já afirmava que “[...] quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo”.

A convergência das atitudes e das palavras assume a diretriz de uma postura interdisciplinar que, de acordo com Giacon (2001, p. 37) “[...] não poderia ser diferente, pois ela é a amálgama entre o manifesto e o latente, entre o pensar, o fazer e o sentir”.

A coerência, por sua vez, prepara para o segundo princípio da interdisciplinaridade: a humildade.

Se houver a percepção de que o conhecimento não é algo fragmentado, mas que se encontra em constante processo de evolução e descoberta, haverá então a necessidade da crença de que sempre é possível – e necessário – aprender (MOREIRA JOSÉ, 2011, p. 180).

Abbagnano (2003) reconhece a humildade como uma virtude pela qual o homem pode se reconhecer como é, de fato, primeiramente diante de si mesmo para poder reconhecer o seu verdadeiro papel diante da sociedade. Recorre à Santo Agostinho para explica-la como uma contraposição da “[...] humildade cristã à soberba dos platônicos, que sabiam tantas coisas, mas ignoravam a encarnação” (ABBAGNANO, 2003, p. 519).

O princípio da humildade oferece ao pesquisador interdisciplinar a consciência de que é preciso “mergulhar fundo” para tentar compreender o objeto de pesquisa. Como na figura metafórica da matrioska, é preciso retirar todas as camadas superficiais e mais externas para descobrir a boneca maciça – a menor. Não menos importante que o resultado é o caminho que conduz a ele. Toda etapa é fundamental no processo que se constrói. O movimento de retirada das camadas das bonecas é semelhante ao movimento de

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construção da pesquisa: abrir-se para o novo que se apresenta a cada instante é desafio dos mais escancarados para o exercício da humildade. Se o pesquisador não o aceita e insiste na visão primeira o resultado final, muitas vezes, é carregado de incertezas das mais empobrecidas, disciplinares e inconsistentes. Aquele, ao contrário, que se abre ao olhar do outro, à contribuição de autores antes desconhecidos, às novas possibilidades de configuração, formatação e direcionamento metodológico e epistemológico, confere à pesquisa novos contornos de originalidade e confiabilidade, próprios de um saber mais complexo, de maior totalidade.

Nesse sentido, a espera aparece como o terceiro princípio da interdisciplinaridade, na medida em que torna o pesquisador mais atento ao universo que o rodeia durante a construção de sua investigação. Ao mesmo tempo em que a espera exige um movimento de maturação peculiar, ela incita à procura por diversas outras possibilidades para além daquelas pelas quais o pesquisador estaria confortável, seguro em seu nicho disciplinar.

Para Ferreira (1986), esperar significa “[...] ter esperança em; [...] aguardar em emboscada. [...] estar na expectativa [...]” (FERREIRA, 1986, p. 269). Este movimento, ao contrário do que possa parecer, coloca o pesquisador em situação de alerta e não em atitude de resignação, à espera inerte para que algum insight aconteça. A espera interdisciplinar é vigiada, atenta, que espreita cautelosamente todas as pequenas possibilidades que se apresentam e escolhe a melhor, a mais coerente.

Por isso, a espera prepara o próximo princípio da interdisciplinaridade: o desapego. Desapego de suas certezas, de seus autores de referência, de sua forma de escrita e de sua rotina estável, que permite um novo olhar para o que está no entorno, oferecendo muitas vezes possibilidades mais promissoras do que aquelas com as quais existia uma tranquilidade conceitual e metodológica.

Se o verbo apegar indica “fazer aderir, colar, adaptar, aferrar-se, fincar e tomar apego” (FERREIRA, 1986, p. 50), desapegar significa exatamente o contrário. Como aponta Fazenda (2011), “é preciso que o conhecimento antigo se atualize, incorpore novos

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conhecimentos e, por isso, se transforme em conhecimento novo62”. O pesquisador precisa estar atento nas “áreas cinzentas63” que habitam entre os conhecimentos para perceber nelas possibilidades de convergência e de criação. O desapego orienta o pesquisador para um novo saber, que muitas vezes pode estar escondido em seu próprio passado, nos seus estudos anteriores, nos seus antigos teóricos e nos seus primeiros parceiros. Outras vezes, este novo saber habita o presente da pesquisa, nas novas parcerias, nos novos autores, nos novos estudos. Cabe à ele – e somente a ele – esta descoberta, pessoal e intransferível, mas sempre desencadeada na coletividade.

Há que se mencionar, ainda, o respeito, também como uma categoria da interdisciplinaridade. Ele é o “[...] reconhecimento da dignidade própria ou alheia e o comportamento inspirado nesse reconhecimento”64 (ABBAGNANO, 2003, p. 854).

Freire (1997) assim coloca:

Como educador, devo estar constantemente advertido com relação a este respeito que implica igualmente o que devo ter por mim mesmo. Não faz mal repetir a afirmação [...] – o inacabamento de que nos tornamos conscientes nos fez seres éticos. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros (FREIRE, 1997, p. 66). A pesquisa interdisciplinar é orientada pelo respeito aos autores, ao cotidiano, ao pesquisador e aos sujeitos e objetos de pesquisa. O respeito ao processo de desenvolvimento pelo qual o ser humano passa é fundamental para os resultados que se pretendem alcançar e para a legitimidade dos mesmos. “Desafia o pesquisador a atingir uma dimensão de reciprocidade, de complementaridade, de humanidade” (MOREIRA JOSÉ, 2011, p. 188).

Por fim, o olhar é um princípio estruturante da interdisciplinaridade, pois é ele quem oferece ao pesquisador subsídios para uma abordagem mais complexa e completa do fenômeno estudado.

62 Colocação feita em sala de aula, sistematizada em registros de memória em 25 de fevereiro de 2011 –

PUC/SP.

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Áreas cinzentas: metáfora utilizada para evidenciar espaços intersticiais entre áreas e conhecimentos.

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Abbagnano (2003) afirma ainda que “O respeito sempre se refere às pessoas, nunca às coisas; é próprio do ser racional finito porque supõe a ação negativa da razão sobre a sensibilidade, portanto a própria sensibilidade. [...] Mesmo fora da filosofia, a noção de respeito foi fortemente influenciada por essas observações de Kant. Por respeito, entende-se comumente o empenho em reconhecer nos outros homens, ou em si mesmo, uma dignidade que se tem o dever de salvaguardar” (ABBAGNANO, 2003, p. 854).

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Para Fazenda (2011) “o olhar interdisciplinar é aquele que enxerga em camadas para, aos poucos, descobrir o que estava aparentemente oculto”65 e que se constitui em uma riqueza de dados, de possibilidades, de constatações e de conclusões.

O olhar interdisciplinar acolhe os demais princípios na medida em que oferece possibilidades reais de observação e reflexão por parte do pesquisador:

Um olhar de dentro para fora e de fora para dentro, para os lados, para os outros. Um olhar que desvenda os olhos e, vigilante, deseja mais do que lhe é dado ver. Um olhar que transcende as regras e as disciplinas, olhar que acredita que só existe o mundo da ordem para quem nunca se dispôs a olhar! Um olhar inflado de desejo de querer mais, de querer melhor, um olhar que recusa a cegueira da consciência (GAETA, 2001, p. 224).

Este olhar apresenta a “marca registrada” (FAZENDA, 2013) do pesquisador. É a partir dele que se descobrem as metáforas da pesquisa, aquelas que traduzem o processo e o empenho do ato de investigar. É o olhar sobre si mesmo, sobre o outro, sobre o objeto, sobre as circunstâncias, sobre a realidade e sobre o próprio cotidiano que dá vida e colorido à pesquisa.

É este o olhar em camadas a que se propõe esta investigação: Interdisciplinaridade e Desenvolvimento Humano.

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