Das contratadas, 131 profissionais foram admitidas após 1998, cerca de 60%. Tal fato vem denunciar o longo espaço de tempo em que a Prefeitura ficou sem proporcionar concurso para o cargo, o que não ocorre desde 1996, devido à discussão que diz respeito a qual cargo seria adequado para ocupar a função de Monitor de Creche, ou seja, se deveriam ser abertas vagas para o cargo de Professor de Educação Infantil, sendo que a profissional poderia optar por trabalhar na Creche ou na Pré-escola ou se seria propícia a criação de outro cargo específico para Creche como Professor de Creche. Dessa forma, principalmente a partir de 2003, com a inauguração de várias Creches Municipais, houve a necessidade de contratação de um grande contingente de pessoal,
ultrapassando o número de profissionais estatutárias- efetivas, como se nota no gráfico abaixo:
Gráfico 09 – Ano de ingresso na Prefeitura Municipal de Santos
Ano de ingresso na PMS 42% 14% 1% 1% 17% 7% 10% 5% 3% 2005-2004 2003-2002 2001-2000 1999-1998 1997-1996 1995-1994 1993-1992 1991-1990 1988-1983
Finalmente, em dezembro de 2005, foi realizado concurso público para o provimento de cargo de Professor de Educação Infantil. Esses vêm suprindo as lacunas em relação a profissionais docentes em Creche, com alguns problemas relativos ao horário de trabalho, pois as Monitoras exercem suas funções por 6 horas-relógio diárias e as professoras que assumem o cargo em Creche trabalham por 150 hora-aula, havendo uma defasagem de 2 horas-dia no horário.
É importante notar que, com relação à experiência de trabalho, até a data em que foi realizada a aplicação do questionário17, cerca de 63% tinham até cinco
anos de experiência, sendo que 31% tinham até onze meses de experiência como Monitoras de Creche.
17 O questionário foi o instrumento de coleta de dados utilizado na 1a etapa da pesquisa, sendo aplicado em junho/ julho de 2005.
Gráfico 10 – Tempo de experiência como Monitora de Creche na PMS Tempo de experiência como Monitora de Creche na
PMS 4% 35% 20% 24% 16% 1% Menos de 3 meses 3m a 11 m 1a a 5a 6a a 10a 11a a 20a 21a a 30a
O fato de a maioria das Monitoras de Creches serem contratadas e terem menos de 6 anos de experiência trouxe uma realidade semelhante à vivida antes da promulgação da L.D.B.E.N. Foi necessário investir na formação em serviço destas profissionais, que ainda foram admitidas tendo apenas o Ensino Médio. Assim, a equipe da Secretaria de Educação, juntamente com a equipe técnica da Creche, tem buscado fornecer orientações e estágios com Monitoras mais experientes, quando estas profissionais são admitidas e, ainda, em cursos e palestras sempre que possível.
Por outro lado, cerca de 15% de Monitoras de Creche com tempo de serviço superior a dez anos construíram sua experiência profissional baseada inicialmente em modelos da área da Assistência Social, constituindo um conjunto de crenças, valores, hábitos e normas diferenciada das atuais propostas.
Problema semelhante também ocorre em outros países, embora por motivos diferentes. Segundo Ongari e Molina (2003, p. 92), como na Itália também não há um único modelo de formação para a educadora docente de
Creche, surge a importância da formação continuada como elemento central de aquisição de competência. Tal fato reflete mais uma vez a importância de se criar espaços de discussão coletiva e dentro e fora do horário de serviço, com cursos e reuniões de troca de experiência. As monitoras, em entrevista relevaram que o curso de Pedagogia criou esse espaço para a discussão dos diversos modelos de Creche. Esses relatos encontram-se descritos no item sobre a opinião dessas profissionais.
Os dados sobre a experiência de trabalho das profissionais de Creche, mostraram aspectos importantes a serem mencionados. A grande maioria delas cerca de 163, conforme o gráfico 11a seguir, já tinha trabalhado anteriormente. As ocupações exercidas variam muito de ramo de atuação, dentre os quais estão educação, saúde, setor administrativo-financeiro, comércio e até profissões liberais. As profissões relacionadas à área de educação são dois (2) coordenadores pedagógicos em outras redes de ensino, 43 professores de diversos níveis de ensino e atuação, seis (6) inspetores de alunos, 11 monitores, uma (1) contadora de histórias, uma (1) merendeira e três (3) ajudantes gerais. Com relação ao campo da saúde um grande número de profissionais exerceu funções de auxiliares de laboratório, de consultório odontológico, de enfermagem, acompanhantes terapêutico, contatóloga, técnico de nutrição e agente do INSS. No setor administrativo financeiro, as ocupações mais freqüentes são bancários, auxiliares de administrativo, de escritório, de contabilidade e escriturários, analista de RH, telefonistas, recepcionistas entre outros. No setor do comércio, muitos profissionais trabalharam como vendedores, balconistas, operadores de telemarketing garçonetes. Profissões como psicólogo, advogado, administrador de empresas, empresária também foram indicadas como menos freqüência.
Gráfico 11 – Exerceu outro trabalho antes de ser Monitora de Creche? Exerceu outro trabalho antes de ser Monitora de
Creche? 73% 26% 1% Sim Não Não informaram
Cerca de 57% dos profissionais declarou ter tido experiência com crianças (gráfico 12), antes de exercerem o cargo de Monitores de Creche. Além daquelas que anteriormente trabalharam no setor da educação, algumas profissionais, cerca de 31, apontaram a experiência de ser mãe ou o cuidado com irmãos mais novos, ou ainda com sobrinhos e afilhados como sendo uma experiência de trabalho com criança. Outros (23 pessoas), ainda, apontaram como experiência com criança o trabalho de voluntariado em igrejas, hospitais e Creches–abrigo.
Gráfico 12 – Experiência com crianças antes de ser Monitora de Creche?
Experiência com crianças antes de ser Moniotra de Creche? 57% 42% 1% Sim Não Não informaram
Com relação à pergunta sobre como adquiriu experiência como Monitora de Creche, sendo facultativo indicar mais de uma alternativa, as respostas com maior incidência, foram: por meio da prática do dia-a-dia da Creche (199 respostas), da troca de experiências com os colegas (144), da observação dos demais colegas de trabalho (131), da experiência de ser mãe (98), da leitura de textos, artigos de revista e de livros (124) e do curso de Pedagogia (93). De acordo com estas respostas, há elementos para supor que a maioria das profissionais ainda acredita que a experiência de ser Monitora de Creche se adquire no dia-a-dia e possivelmente consideram que suas ações não sofrem muita interferência da assim chamada teoria pedagógica.
A baixa incidência de respostas para o curso de Pedagogia evidencia o número pequeno de Monitoras que fizeram a referida formação e que responderam o questionário. No entanto, percebe-se que também há menos incidência de respostas para o quesito referente à experiência de ser mãe.
com a natureza e especificidade. O primeiro grupo trata-se de experiências adquiridas por meio da formação, que diz respeito ao curso de Pedagogia, a outros cursos e leituras e ao estágio. Este recebeu 327 das respostas, 33% do total.
O segundo agrupamento recebeu 474 respostas, ou seja, 48% do total e relaciona-se às experiências adquiridas no dia-a-dia da Creche como troca de experiências, prática cotidiana e observação ou conversas com colegas. O terceiro grupo refere-se à outras experiências adquiridas fora da Creche, que engloba a experiência de ser mãe ou adquirida em outros trabalhos com crianças pequenas, que obteve 168 respostas, cerca de 17% do total respondido.
No item denominado outros, que recebeu 2% das respostas, algumas Monitoras de Creche indicaram, além de contato com outros profissionais como psicólogos e fonoaudiólogos, o diálogo com os pais procurando conhecer a realidade da criança, a auto-análise constante de seu trabalho e o contato com as próprias crianças, como importantes a fim de adquirir experiência e melhorar a atuação como profissional.