1884
Nasce Cornélio Pires em 13 de julho na cidade de Tietê – São Paulo, na chácara de sua tia, Dona Isabel Pires de Campos, Nhá Bé, irmã de seu pai, Sr. Raimundo Pires de Campos Camargo, no bairro de Sapopemba, onde sua família morava. Cornélio foi batizado nesta chácara por seus tios, Dona Isabel e Eliseu de Campos, Chico Eliseu.
1895
Na casa de Faé Vieira, Cornélio Pires, com 11 anos, improvisa um circo em prol da Santa Casa Local. Na apresentação ele faz o cavalo na primeira parte e o padre no fim. Foi sua primeira apresentação teatral.
1896
Sr. Raimundo Pires muda-se com a família para o centro da cidade de Tietê, na Rua Ladeira Porto Geral, 25.
Neste ano, seu pai resolve iniciar a educação de Cornélio, já que naquela época a idade escolar começava aos 11 anos.
1897
Entre 1897 e 1899, Cornélio Pires teve vários professores particulares, pois não se adaptou ao grupo escolar da cidade.
1899
Concluída a fase de estudos, passa a trabalhar no Semanário O Tietê como aprendiz de tipógrafo.
1899
Com o surto de febre amarela em Tietê, seu pai resolve mudar com a família para Laranjal Paulista. Lá Cornélio consegue emprego na loja do Sírio João Salomão, na função de auxiliar.
1901
A família regressa para Tietê e Cornélio, com 17 anos, pede ao pai para estudar em São Paulo.
Embarca rumo a capital e vai morar na pensão de sua tia, Dona Belisária Camargo de Campos do Amaral, irmã de sua mãe, Dona Ana Joaquina de Campos Pinto, conhecida como Dona Nicota.
A pensão de Dona Belisária, Nhá Zaia, situava-se na Rua da Quitanda 11, e lá se hospedavam vários fazendeiros, políticos, comerciantes e principalmente estudantes, alguns dos quais se tornaram depois ilustres em suas profissões. O regime da pensão era rígido e familiar, comandado por Nhá Zaia.
Cornélio Pires conhece na pensão João Lúcio Brandão, excelente jornalista e romancista que lhe consegue trabalho como repórter no “O Comércio de São Paulo”, após ter sido reprovado nos exames do curso de farmácia.
João Lúcio Brandão ajudou muito Cornélio Pires a adquirir conhecimentos gerais, português e técnica jornalística, uma vez que o tieteense tinha pouca formação escolar.
1904
No jornal, fez uma boa reportagem sobre a revolta contra a vacina obrigatória no Rio de Janeiro.
1905
Publica seu primeiro soneto no semanário O Tietê.
Cesário Vaz o convida a trabalhar como repórter em Santos no jornal “A Cidade de Santos”, onde torna-se amigo de Martins Fontes.
1907
Retorna para a pensão de sua tia, em São Paulo. Passa a frequentar rodas literárias e de boêmia, contando anedotas e sendo apreciado por todos por sua graça extraordinária. Conhece no Café Guarany Dr. Vieira, advogado e político que o convida a dirigir um pequeno jornal na cidade de São Manuel, “O Movimento”.
1908
Cornélio Pires deixa o jornal e a cidade por questões políticas, pois fez matérias rechaçando os políticos da situação da região. Ameaçado, foge a pé para Botucatu, onde toma o trem para a capital.
1909
Em Tietê monta uma escola primária em sociedade com o prof. Batista de Sanctis, tio do historiador e folclorista Benedito Pires de Almeida, para alunos reprovados em estabelecimentos oficiais, porém o projeto é fracassado e volta para a vida de boêmia.
1910
Na revista “O Malho”, uma das mais prestigiadas na época, é publicado em destaque quatro sonetos do tieteense no gênero dialetal por intermédio de um amigo que quis fazer uma brincadeira com Cornélio.
O primeiro soneto publicado na expressão falada do caipira chama-se “A Origem do
Homem”. Isso o animou a prosseguir o que “Valdomiro Silveira vinha fazendo desde
fins de 1800 – regionalismo integral, com aproveitamento estético da língua cabocla”.
Publica Musa Caipira, seu livro de estreia, que em parte está escrito no dialeto caipira. Apresenta-se no Mackenzie College num festival com uma dupla de violeiros para divulgar as manifestações culturais do caipira. De acordo com Joffre Veiga e Alceu Maynard Araújo, esta foi a primeira apresentação de Cornélio Pires e de caipiras em palcos públicos no meio urbano no Brasil.
1911
Em Tietê, Cornélio Pires apresenta-se pela primeira vez ao público com espetáculo humorístico.
Publica o livro Monturo. 1912
Publica o livro Versos.
É nomeado professor de ginástica na Escola Normal de Botucatu. 1914
Envolve-se com a política local e, devido à inimizade dos políticos da região, é demitido da escola.
Muda-se para Piracicaba e lá consegue um emprego de despachante. Torna-se colaborador em várias revistas paulistas e cariocas e no Jornal de Piracicaba.
Publica a novela Tragédia Cabocla.
Estreia no Cine Campos Elíseos, com palestras humorísticas imitando os caipiras de Piracicaba, com a presença de Antonio Prado, Washington Luís e outras personalidades, sendo sucesso de público.
1916
É convidado a fazer conferências em Santos, no Miramar e no Guarani. Publica seu primeiro livro em prosa, Quem Conta um Conto...
1917
Cornélio continua a realizar espetáculos na capital e interior e torna-se colaborador da revista “O Pirralho”, fundada por Oswald de Andrade em 1911.
Estava famoso em São Paulo e o jornal de Botucatu A Verruma dedica-lhe um número especial, com seu retrato a cores criado por Voltolino.
Vai morar no Rio de Janeiro por causa dos espetáculos que realiza com grande sucesso, onde fica até 1919. Conhece escritores de renome como Coelho Neto, Olavo Bilac, Emílio de Menezes e participa intensamente da Boêmia Carioca.
1918
Lançamento do filme Curandeiro, baseado no conto Passe os Vinte, do livro Quem
Conta um Conto... de Cornélio Pires.
1919
Terceira edição do livro Quem Conta um Conto...
Candidata-se à Academia Paulista de Letras, mas não é eleito. 1921
Publica um de seus melhores livros, Conversas ao Pé do Fogo, um estudo que trata da vida do caipira paulista, elogiado por críticos e estudiosos.
Reúne toda a sua obra poética e publica o livro Cenas e Paisagens da Minha Terra. Funda com Amadeu Amaral, seu primo, e outros, a Sociedade de Estudos Paulistas.
1922
Vai para o Rio de Janeiro por motivo do Centenário da Independência para apresentar-se em vários locais. Conhece o maestro Eduardo Souto e formam uma dupla, apresentando- se com sucesso em todo o estado do Rio.
Compra um filmador no Rio de Janeiro com a ideia de fazer documentários. 1923
Realiza o documentário Brasil Pitoresco, uma incursão a diversas capitais e cidades brasileiras registrando as manifestações culturais locais.
1924
Publica As Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho, título sugerido por Amadeu Amaral.
1926
Amadeu Amaral publica no jornal O Estado de São Paulo um artigo em que ressalta o valor da obra corneliana e sua contribuição para o folclore.
Publica o livro Patacoadas.
Funda a revista O Sacy, semanário humorístico em sociedade com Voltolino. Nela publica em capítulos a novela Tragédia Cabocla, já esgotada em 1924.
A revista foi publicada até o número 52, depois Cornélio Pires deixa a revista em função do falecimento de Voltolino.
Publica Seleta Caipira. 1927
Publica os livros Almanaque d´O Sacy e Mixórdia.
Filia-se ao Partido Democrático, adversário do PRP, partido da situação e ultraconservador.
1928
Publica Meu Samburá.
Associa-se a um ventríloquo em suas apresentações humorísticas, narrando estórias de italianos, alemães, entre outros, com seus respectivos sotaques.
Vai para o Recife e conhece dois artistas. Leva-os para o Rio de Janeiro, apresentando- os como Jararaca e Ratinho. Traz para São Paulo mais dois violeiros, Caçula e Mariano, além de outros. Com eles faz apresentações em São Paulo com temas folclóricos e regionais como cateretê, cururu, fandango, etc.
1929
Publica a continuação das Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho.
Com os músicos nordestinos e paulistas organiza a Turma Caipira Cornélio Pires. Inicia em maio com o grupo gravações em discos na Gravadora Columbia.
Funda a Casa Cornélio Pires na Rua 15 de novembro 4, que vendia discos, rádios, vitrolas, etc., porém o projeto fracassa.
1930
Não adere à Revolução de 30 de início; porém, com a morte de João Pessoa, integra-se ao movimento.
1931
Escreve no Diário Nacional, em 2 de março, o primeiro artigo de uma série contra a ditadura e a ocupação militar de São Paulo, com grande repercussão.
1932
Publica Sambas e Cateretês e Tarrafadas.
Participa da Revolução Constitucionalista, como oficial de ligação, na patente de capitão.
1933
Publica Chorando e Rindo... que trata da guerra paulista. 1934
Publica Só Rindo.
Cornélio Pires faz seu segundo documentário, Vamos Passear. Filme sonoro que focaliza o folclore paulista.
1935
Publica Tá no Bocó.
“Principia suas famosas palestras na Rádio Difusora, de São Paulo, narrando causos e piadas de caipiras, com transmissão de gravações musicais humorísticas e folclóricas. O programa era também largamente ouvido no interior do Estado e noutros pontos do Brasil”.
1937
Inventa um cantil a que dá o nome de “Decantil CP”, porém era um projeto avançado à época e o invento é abandonado.
1939
Concede entrevista a Silveira Peixoto, a qual está inserida no livro Falam os Escritores, publicado em 1941 pelo Conselho Estadual de Cultura de São Paulo.
1940
Vai para Minas Gerais e diversas cidades brasileiras para apresentar seus shows humorísticos. Torna-se espírita kardecista.
1942 a 1944
Faz várias viagens com o Médium Cesário e publica Coisas d´Óutro Mundo e Onde
Estás, ó Morte?
1943
Publica Quem Conta um Conto... e Outros Contos. 1944
Funda a Editora Cornélio Pires, e publica três livros, mas novamente o projeto não tem seguimento.
1945
Publica seu último livro, Enciclopédia de Anedotas e Curiosidades. 1946
Funda o Teatro Ambulante Gratuito de Cornélio Pires, em praças públicas da Capital e interior.
1949
Obtém o patrocínio da Companhia Antártica Paulista para seu projeto de Teatro Ambulante, que conquista grande sucesso para melhores condições em suas apresentações.
1951
A Câmara Municipal de Tietê aprova um projeto de lei doando um pequeno terreno a Cornélio Pires. Nele constrói uma modesta casa para sua residência definitiva, apesar de estar sempre em viagens com o Teatro Ambulante.
1955
Reedição do livro de Amadeu Amaral, Dialeto Caipira, publicado em 1920. Neste livro Amadeu Amaral faz diversas referências à obra corneliana e aproveita os 581 verbetes do livro Quem Conta um Conto...
1957
Cornélio Pires faz sua única aparição na TV Tupi na série Veja o Brasil, documentários feitos pelo folclorista Alceu Maynard Araújo. O documentário sobre Cornélio foi o de número 132.
Compra em Tietê uma chácara a fim de transformá-la na Granja de Jesus, obra social destinada a abrigar meninos órfãos e desamparados. Neste mesmo ano, doa formalmente o terreno para a Granja de Jesus. A obra é concluída em 1967.
1958
Cornélio Pires falece em 17 de fevereiro aos 74 anos no Hospital das Clínicas, vítima de câncer de laringe. É sepultado em Tietê.
É criado em Tietê o Museu Histórico, Pedagógico e Folclórico Cornélio Pires, subordinado à Secretaria de Estado da Cultura.
1959
É instituída, em 4 de setembro em Tietê, A Semana Cornélio Pires, em sua homenagem. 1961
Joffre Martins Veiga publica A Vida Pitoresca de Cornélio Pires. 1962
Meu Samburá é reeditado.
Rossini Tavares de Lima publica O Folclore na Obra de Escritores Paulistas, em que há um ensaio sobre Cornélio Pires.
1965
Hélio Damante publica o ensaio Cornélio Pires, Seu Tempo, Seu Meio, na Revista Brasileira de Folclore do MEC.
1966
Palestra proferida por Alceu Maynard Araújo na Academia Paulista de Letras é publicada na Revista da Academia, com o título Cornélio Pires, O Bandeirante do
Folclore Paulista.
1967
Patrocinada a Semana Cornélio Pires pela Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo do Estado, Decreto n.º 48.226, de 11/07/67.
1970
É lançado Sertão em Festa, filme da Servicine, baseado em conto de Cornélio Pires. 1985
É lançado A Marvada Carne, filme inspirado nos contos de Cornélio Pires. Direção de André Klotzel e Roteiro de André Klotzel e Carlos Alberto Soffredini.
1990
Espetáculo teatral “A “Estrambótica” Aventura da Música Caipira”, produção da Secretaria de Estado da Cultura, estreia no Teatro Sérgio Cardoso - São Paulo, percorrendo 10 cidades do interior paulista. O projeto foi concebido por Robinson Borba a pedido de Arrigo Barnabé, que era assessor do então Secretário de Estado da Cultura, Fernando de Morais, e teve roteiro e direção de Carlos Alberto Soffredini.
O espetáculo, baseado nos “causos” de Cornélio Pires, contava a história da música caipira, desde seu aparecimento até os “popstars breganejos”.
2007
Homenagem do Centro Cultural Banco do Brasil, de São Paulo (CCBB-SP), a Cornélio Pires. Na programação de 05 de junho a 17 de julho, o projeto "O Brasil Caboclo de Cornélio Pires", apresentação musical de grandes nomes da música caipira, como Cacique e Pajé e as Irmãs Galvão.
2008
O Grupo Andaime de Teatro – ligado à UNIMEP (Universidade Metodista de
Piracicaba), desde julho de 2008, vem apresentando a peça “As Patacoadas de Cornélio
Pires – Uma Estrepolia Musical em Dois Atos e Uma Chegança”, em vários teatros