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2.2 Felles lovgivning av 28. Februar 1801

2.2.4 Iverksetting

No decorrer da observação participante como pesquisadora, pude captar a vivacidade dos encontros e as interações entre as participantes: professora e senhoras do grupo de canto do Centro de Convivência de Idosos Irmã Clara Kô. Foram observados cinco encontros e uma apresentação, período em que foi desenvolvida uma proposta de re-arranjo. Cada encontro do grupo teve duração de 75 a 90 minutos. A proposta de composição ocupou cerca de 14 minutos (aula ensaio) a 72 minutos, nos meses de novembro e dezembro de 2013; nos apêndices, tabela detalhada (Apêndice E).

A professora do grupo, que conduziu a realização da proposta de composição musical, já conhecia o texto “Ressignificando e recriando músicas: a proposta do re- arranjo” (PENNA; MARINHO, 2010), todavia ainda não tinha realizado um estudo aprofundado na referida temática. Assim, antes de iniciar as observações participantes, nós, eu e a professora do grupo, estudamos juntas a proposta do re-arranjo. Durante esses encontros compartilhamos algumas ideias sobre os eixos teóricos da pesquisa e também sobre os processos colaborativos de aprendizagem que eu iria investigar. Além disso, nesses encontros, a professora enfatizou que me deixaria livre para fazer interferências durante a sua aula quando eu achasse oportuno.

Após as observações participantes com o grupo de canto do Centro de Convivência de Idosos Irmã Clara Kô, foram escritos relatórios dos cinco encontros em que foi realizado o processo de composição musical e da apresentação do final de ano com o grupo. Esses relatórios foram organizados num documento denominado Caderno de Observações. Ao longo do trabalho, quando eu fizer menção a este arquivo, utilizarei as siglas CO – Caderno de Observações. Desses relatórios detalhados, reescrevi um texto mais sintético para trazer ao estudo o “cenário” onde se constituiu parte da produção dos dados da pesquisa, apresentado mais adiante.

Para tanto, nesta etapa, os cinco encontros em que o grupo realizou a proposta de composição musical foram gravados em duas câmeras digitais. Uma fixa numa mesa no fundo da sala e outra câmera móvel, manipulada por uma assistente de pesquisa, exceto no último encontro, que foi gravado apenas com a câmera móvel. Os vídeos gravados foram utilizados para produzir relatórios de cada encontro para análise de dados. Além disso, as gravações também foram utilizadas para selecionar partes específicas da aula em que o grupo produzia ideias para a composição, a fim de editar um vídeo a ser apresentado no encontro posterior. Além das gravações, em determinada semana senti necessidade de esclarecer acontecimentos e reflexões que surgiram no encontro. Sem o tempo necessário no momento imediato para escrever no relatório, fi-lo oralmente, gravando minhas percepções num arquivo de áudio e acrescentando no relatório minhas observações.

2.3.1.1 O grupo de canto do Centro de Convivências de Idosos O grupo de canto do Centro de Convivência de Idosos Irmã Claro Kô teve origem no segundo semestre de 2011 pela iniciativa da assistente social que atuava na gestão daquele período. Por indicações e por eu estar atuando com outros

grupos de idosos (Universidade Aberta à Terceira Idade - UNATI da UEM e Coral da Terceira Idade do município de Jussara) naquele período, fui convidada para participar como professora do grupo que tinha como propósito proporcionar um ambiente de convivência por meio do canto em grupo. Desde então, meus vínculos com os integrantes do grupo foram se estreitando e pudemos semanalmente estar juntos até o início do ano de 2013.

Ao iniciar o mestrado, em abril de 2013, por motivo de deslocamento, fui substituída por outra professora, voltando a me encontrar com o grupo no final do ano de 2013, quando iniciou o processo da produção dos dados da pesquisa; logo, estive presente como pesquisadora. Acredito que o fato de eu ter trabalhado com o grupo por aproximadamente dois anos facilitou o andamento do hibridismo de ideias e vivências musicais durante os encontros. Além disso, fato relevante referente a minha entrada em campo é que pude estar com o grupo durante quatro encontros antes de começar a investigação da pesquisa, intensificando nossa convivência antes de iniciarmos o projeto de composição.

Sobre minha reinserção no grupo, fui aceita naturalmente, embora minha presença tenha causado certa agitação, já que não nos víamos há uns 10 meses. A agitação de minha parte e das senhoras foi parecida com a de quando reencontramos alguém de nossa estima e queremos saber os acontecimentos mais recentes, saber de mudanças, novidades, conquistas. Inserir-me novamente no grupo durante as atividades cotidianas proporcionou um engajamento mais rápido e de proximidade para que eu pudesse realizar intervenções de forma natural durante o processo da composição, pretendendo que as senhoras se sentissem confortáveis durante a proposta da pesquisa.

Todos os 19 integrantes do grupo de canto do Centro de Convivência de Idosos Irmã Clara Kô, que no momento em

que foi realizada a pesquisa estavam inscritos no grupo, foram convidados a participar do processo da composição musical. Entretanto, para cumprir os objetivos deste trabalho, apenas 16 senhoras, com idades entre 55 e 89 anos, que frequentaram no mínimo 50% das atividades realizadas pelo grupo no período da proposta de composição musical, participaram da elaboração dos diários e das conversas individuais. De fato, os idosos que participaram apenas de um ou dois encontros, um homem e duas mulheres, tiveram sua participação registrada nas aulas em que estiveram presentes e suas intervenções no grupo. Mas, por não terem vivenciado o processo da composição musical, propósito deste trabalho, ficaram afastados da fase que preconizou compreender os significados individuais construídos ao longo da experiência de composição musical colaborativa.

Portanto, quando me refiro apenas às idosas, mulheres, é porque o único homem que participou de um segmento do processo, por irregularidade de frequência com o grupo, não estava presente nas etapas mencionadas. Portanto, as informações detalhadas de que disponho foram obtidas das 16 senhoras que participaram da pesquisa.

As integrantes do grupo têm perfis heterogêneos quanto a idade, classe social e escolaridade. Dessas 16 senhoras, três têm mais de 80 anos, três tem idades entre 75 e 80 anos, uma tem 71 anos, uma tem 68 anos e oito têm idade entre 55 e 60. É importante ressaltar que as idades estão sujeitas a alguns anos de diferença5. Quanto à profissão, seis senhoras são professoras aposentadas, uma é professora em exercício, mas afastada quando participava do grupo; quatro senhoras são donas de casa, duas trabalhavam na área administrativa, duas tinham sido diaristas e uma trabalhou como costureira.

5 Importante: as idades estão sujeitas a alguns anos de diferença, devido ao contexto da época em que nasceram; algumas senhoras disseram que a data real do nascimento muitas vezes não é a do registro civil.

Além das senhoras, a professora do grupo também participou da pesquisa durante a etapa da pesquisa em que ocorreram as observações participantes. Quando a procurei para dizer sobre meu intuito de realizar um estudo com o grupo de canto do Centro de Convivência, ela se mostrou interessada em contribuir com a pesquisa. Nós já nos conhecíamos; erámos amigas e deste o período da graduação em Música, em que estudamos juntas, compartilhávamos nossas experiências, anseios e ideologias.

Logo, para atingir os objetivos da pesquisa foi importante ter acesso às ideias que as senhoras estavam construindo no processo do trabalho de composição musical. Dessa forma, considerou-se que a narrativa seria a técnica mais adequada, contribuindo para conhecer os pensamentos, anseios e ideias de cada participante. Para tanto, as senhoras foram convidadas para um momento de conversa individual, no final da elaboração da composição musical, sendo também convidadas a fazerem um registro das aulas e de suas ideias, em casa, numa espécie de diário.