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Borgervæpningen i Trondheim 1628-1798: Forandring over tid

Diferente da subcategoria anterior, Ideias de música e

de composição musical, em que a priori não tive a intenção de identificar nem estudar as ideias de música e de composição musical das senhoras participantes da pesquisa durante as narrativas orais, sugeri-lhes que me falassem sobre como tinham percebido sua aprendizagem durante e após a experiência de composição musical. Obtive diferentes perspectivas sobre esse assunto, das quais algumas senhoras me contaram suas percepções desde a sua inserção no grupo, aprendizagem que estava mais relacionada com a rotina dos encontros, aprendizagem relacionada diretamente ao processo de composição musical, e uma consideração de Elza, dizendo que poderia ter aprendido mais. Entretanto, sobre a menção feita, Elza não quis esmiuçar com detalhes sua afirmação.

Tenho consciência de que a composição musical também foi fruto de todo um trajeto que o grupo vivencia semanalmente desde o ano de 2011. Todavia, para este momento do texto, atento às narrativas que estiveram mais correlacionadas ao objetivo da pesquisa, que é investigar os significados construídos ao longo de uma experiência de composição musical colaborativa. Visto isso, apresento as narrativas que, percebidas pelas senhoras, estiveram voltadas para aprendizagens com a experiência de composição musical indo das falas mais abrangentes às mais específicas.

Inicio com a voz de Alzira externando que a experiência permitiu que cantasse. Almerinda, assim como Alzira, também disse que aprendeu a cantar, equilibrando o sentimento de vergonha, exercitando a concentração, ativando, por meio de atividades, a memória. Além disso, Almerinda disse que se distraiu e sentiu alegria por estar no grupo. Indo ao encontro dos dizeres de Almerinda, Flor do Campo expôs que foi uma aprendizagem estar no grupo.

Cecília, como Flor do Campo, salientou que aprendeu a conviver com as demais colegas dizendo que é uma aprendizagem “só o fato da gente tá junto com a turma criando essas coisas” (CC, p. 69). Também Cleonice destacou a convivência como um fato a ser aprendido e falou que aprendeu a se expor mais às pessoas ao participar do grupo. Marta disse que aprendeu a participar com outras pessoas durante o processo de composição musical, reconhecendo as ideias das demais colegas e exercitando respeitá-las.

Sobre aprender a conviver com pessoas diferentes, Maria Helena disse que mesmo sendo um grupo de um Centro de Convivência de Idosos, as integrantes são singulares, e exemplificou que são de distintas idades: no grupo havia senhoras de 55 a 85 anos. Também Suely, sobre convivência e respeito entre as colegas, salientou que quando se está inserida num grupo, não se pode valorizar apenas o pensamento

próprio; além disso, fez menção sobre equilibrar a intensidade do seu cantar, dizendo que foi uma aprendizagem controlar o volume da sua voz ao cantar. Nessa perspectiva, Maria Teresa destacou que aprendeu a respeitar as ideias do outro e, considerando que estavam trabalhando em prol de uma composição musical colaborativa, disse que aprendeu a “formar mesmo uma equipe, um trabalho de equipe” (CC, p. 100).

Reconhecendo o cenário que habitou durante o processo de composição musical em relação à convivência entre as integrantes, Alzira disse que foi um aprendizado conhecer mais as pessoas. Nesse viés, Maria Teresa acrescentou que a experiência vivida foi um crescimento como ser humano porque possibilitou o trabalho com as interações. Mais que isso: Maria Teresa salientou como aprendeu a exercitar o compartilhamento de sentimentos e amizade, permitindo que fossem capazes de escrever sobre o que estavam vivendo.

Cecília, assim como Ketrya, disse que foi um crescimento a experiência de composição musical, salientando que o processo foi algo criativo, que as incentivou a crescer. Em sua narrativa, Cecília considerou a composição musical como sendo uma evolução para o grupo. Sobre crescimento, de maneira mais específica, expondo sobre possíveis conteúdos aprendidos, Suely destacou o “ritmo”. Suely falou que foi uma aprendizagem ampliar as possibilidades de mesclar, fazer diferentes ritmos e não ser tão óbvia a fórmula da música, pelo fato de não terem acompanhamento de um instrumento musical, por utilizarem o próprio corpo como instrumento musical e porque a música não tem uma única fórmula de compasso durante toda a sua extensão.

Numa outra direção, voltando suas aprendizagens para a produção musical, Cleonice salientou que fez algo diferente do que já pôde experienciar. Como professora, disse que mesmo dirigindo crianças e professores, e até trabalhando com música na escola, não tinha, até então, tido acesso à música da maneira

como foi trabalhada. “Eu não tinha acesso assim, não dessa forma, né? Apesar de que eu gosto, a gente ouve música em casa, mas não é a mesma coisa” (CC, p. 323); reconhecendo que de apreciadora ouvinte passou a ser produtora de algo, percebi, durante a narrativa oral de Cleonice, que ela se sentia mais conhecedora e entendedora de música.

Também Edna expôs que sempre gostou de música, mas sentiu que durante a experiência de composição musical, algo dentro dela despertou, fazendo-a sentir um prazer diferente e especial. Portanto, a experiência de compor como sendo única, assim destacado por Edna, vem ao encontro dos escritos de França e Swanwick (2002), que retratam a composição como uma ação pedagógica musical que possibilita transparecer o pensamento musical, oportunizando que os envolvidos “falem” por si mesmos.

Assim sendo, sobre a identificação das aprendizagens, diversos entendimentos foram retratados pelas senhoras participantes da pesquisa. Algumas reconheceram que aprenderam a cantar melhor, a se expor de modo mais natural, a aumentar o nível de concentração, a distrair-se e, de maneira mais aparente durante os discursos, foi mencionado que estar no grupo foi uma intensa aprendizagem.

Dessa forma, notando os vastos pensamentos das senhoras referentes a como perceberam suas aprendizagens ao longo e após a experiência composicional, entendo que para cada uma a proposta foi singular, mesmo o trabalho sendo colaborativo. Cada uma tendeu a mencionar o que para ela, naquele momento, reconheceu como relevante e significativo, ao enfatizar sua aprendizagem voltada para aspectos musicais, cognitivos, comunicativos e interacionais. Mesmo compreendendo que as aprendizagens aconteceram ao mesmo tempo e que não são dissociadas uma das outras, ressalto a sua natureza para elucidá-las.

As aprendizagens musicais foram percebidas ao ouvir das senhoras que aprenderam a cantar explorando a voz de formas diferentes, manipular a intensidade do som buscando o controle do volume da sua própria voz, explorar e executar ritmos diferentes dos comuns para o grupo, cantar uma música que tem uma forma não óbvia, contendo, por exemplo, fórmulas de compassos diferentes e, produzir uma canção. De fato, nem todas as senhoras, em suas narrativas, disseram os nomes dos conceitos dos conteúdos musicais, mas, por meio de suas falas, identifiquei o que elas queriam dizer.

As aprendizagens relacionadas à comunicação ficaram aparentes nas falas das senhoras quanto a aprenderem a equilibrar a vergonha, exercitar a concentração e trabalhar em equipe, dosando quando deveriam falar ou calar. As aprendizagens relacionadas a processos cognitivos foram observadas nas falas das senhoras que ressaltaram sobre aprender a trabalhar com as criações tendo a finalidade de compor uma música e exercitar a memória. Já as aprendizagens interacionais se destacaram nas narrativas das senhoras quanto a aprenderem a conviver em grupo, a conhecer mais as pessoas em relação a como pensam e como se comportam diante de um trabalho colaborativo; aprenderam a compartilhar o que sentiam e o que pensavam com referência a determinado assunto, e como mencionado por Maria Teresa, aprenderam a trabalhar em equipe.

4.2 RUMO À “ANTIGA” FELICIDADE E SUAS