4 Evaluering av Forsvarets logistikksystem
4.8 Ivaretakelse av kompetansebehovet – kompetanse
A cidade de São Paulo abarca inúmeros povos e, portanto, inúmeras culturas. Os bolivianos residentes na cidade atribuíram-lhe um caráter identitário tendo a Praça Kantuta é seu maior símbolo.
24 H. Bhabha utiliza-se do conceito de fetiche (fantasia) para compreender a intencionalidade da identidade em assegurar uma imagem imaculada, pura do ponto de vista cultural.
98 A Praça Kantuta, ainda que se conjugue como um território dos grupos diferenciados, dos excluídos e estigmatizados pela sociedade, exerce uma territorialidade.
Sua funcionalidade face aos fenômenos que ocorrem aos domingos é explicitamente divergente àquela registrada nos demais dias da semana, sugerindo-nos, de tal modo, a pensá-la como um território flexível ou flutuante25, já que muitos bolivianos dizem não frequentar a praça em outros
dias senão aos domingos.
Uma vez que o território é entendido aqui como flutuante, a sua territorialidade é compreendida como um fenômeno de comportamento associado, diretamente, à organização do espaço (modo como utilizam a terra) e como os indivíduos dão significado ao lugar.
Se de tal maneira, a Praça Kantuta apresenta, territorialmente, um caráter definidor propriamente boliviano, dotada de grande valor identitário e afetivo, há de se considerá-la como um semióforo para tal raça.
Como sugere Chauí (2000), um semióforo é um signo carregado de simbologia cuja essência não pode ser medida por sua materialidade. Um semióforo é, pois:
Um acontecimento, um animal, um objeto, uma pessoa ou uma instituição retirados do circuito do uso ou sem utilidade direta e imediata na vida cotidiana [...] um semióforo é fecundo porque dele não cessam de brotar efeitos de significação. (CHAUÍ, 2000:7;8).
O modo como a Praça Kantuta está inserida, fazendo-se presente na vida de milhares de bolivianos, revela-se como um semióforo em território estrangeiro.
Ocorre nesse lugar (lugar aqui como espaço provido de valor simbólico) uma dinâmica e utilização singular as quais representam uma retomada às origens, uma possibilidade de ir ao encontro do seu verdadeiro eu.
25 Marcelo Lopes de Souza caracteriza como um território flutuante ou flexível aquele cuja funcionalidade se modifica em determinados períodos do tempo. Submetendo a criação da identidade aos limites da função que, naquele momento, o território desempenha.
99 Provida de valor simbólico, a Praça Kantuta permite “a relação do visível e o invisível, seja no espaço, seja no tempo, pois o invisível pode ser o sagrado (um espaço além de todo espaço)” (Chauí, 2000).
Em um lugar de celebração, o boliviano torna-se peregrino no momento em que se liberta da sua vida rotineira, uma vida alienada, e se permite ser seduzido pelo lugar onde acredita reencontrar sua verdadeira identidade: ser ele mesmo. A Praça, portanto, age como um local de comunhão regada de sentimentalismo, um semióforo, portanto.
Chauí (2000) nos alerta ainda que, embora, o semióforo esteja encarregado de “simbolizar o invisível espacial ou temporal e de celebrar a unidade indivisa dos que compartilham uma crença comum ou um passado comum” ele é também “posse e propriedade daqueles que detêm o poder para produzir e conservar um sistema de crenças ou um sistema de instituições qual lhes permite dominar um meio social”.
Papel este que o Estado exerce ao apoiar as associações e feirantes ali inscritos, bem como as empresas diretamente ligadas ao transporte Brasil- Bolívia. Em outras palavras, a concentração do poder sobre a Praça revela-se nas mãos daqueles que não são bolivianos, os quais depositam riqueza e prestígio sob forma monetária em um semióforo de significado subjetivo e abstrato.
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Considerações Finais
A discussão que permeia os fluxos migratórios nos dias de hoje vai além da observação numérica de entradas e saídas, da observação do contexto econômico-social doa países de origem e os de destino. A discussão nesse trabalho traz a importância da percepção do conteúdo inserido, indiretamente, nesses fluxos, ou seja, dos seus próprios atores enquanto sujeitos dotados de significações, anseios, sentimentos e esperanças.
O processo histórico-geográfico das migrações internacionais na América Latina, sobretudo a mobilidade boliviana em território paulistano serve de palco para o entendimento das transformações espaciais e buscas realizadas pelos bolivianos para o alcance e construção de uma vida integrada com a cidade e, ao mesmo tempo, vinculada aos valores culturais e identitários armazenados em suas histórias.
Mesmo que hoje tenhamos consciência da presença boliviana em diversos lugares do território brasileiro, o fenômeno não é recente. Os bolivianos já se apresentam em algumas áreas da fronteira desde o século XIX. Em 1948, registrou-se um primeiro incremento de imigrantes bolivianos no Brasil e, posteriormente, em 1950 quando se apresentou um grande ápice, quando bolivianos chegaram ao país a partir do intercâmbio cultural que possibilitava o estudo no Brasil.
Entretanto, o fluxo migratório boliviano para o Brasil difere do fluxo orientado para a cidade de São Paulo e isso fez com que se percebesse um desequilíbrio do ponto de vista do perfil dessa população. Os períodos de inserção dos bolivianos nos anos de 1950 transcrevem uma dinâmica completamente distinta do fluxo revelado nos anos 1980 em diante.
Os principais aspectos que levam tantos bolivianos a saírem de seu país para viverem no Brasil são, principalmente, de ordem econômica. Essa situação se estabeleceu no fluxo da década de 1980 e até hoje perdura, uma vez que o Brasil, especialmente a cidade de São Paulo, oferece oportunidades visto às condições da Bolívia que sofre com constantes crises econômicas e desemprego.
101 Em consequência de instalação nos lugares da cidade de São Paulo em detrimento das redes de produção no campo da confecção de roupas, trouxe a necessidade de direito à própria cidade, o que levou os bolivianos a criarem seus espaços de confraternização como é a Praça Kantuta, no bairro do Pari. A distribuição dos bolivianos nos lugares da cidade são de ordem singular, pois são encontrados, em um momento, no centro e na periferia. Isso deve-se, ao crescimento da própria cidade como território.
A necessidade de se estabelecer na cidade e fazer uso dela, fez com que os bolivianos encarassem São Paulo como uma possibilidade de palco para as suas manifestações culturais.
A importância das praças na constituição de territorialidades se faz presente quando orientamos a consciência para a percepção desses lugares como uma história viva, que como sugere Santos (1997), “são suas formas que realizam, no espaço, as funções sociais”.
À praça é sustentadora de uma grande bagagem de significação que foge à cidade, enquanto que essa não pode ser vivida em totalidade como a vivência que se confere às praças.
As praças enquanto formadoras de relações entre o homem e o seu espaço, utilizam-se da característica do plano vivido, das ações do cotidiano, garantindo a construção de uma grande rede de significados e sentidos, logo, pode-se constituir como um elemento assaz importante no processo de formação identitária. Em outras palavras, são nas praças que são traduzidas o cotidiano dos indivíduos, como extensão de suas próprias vidas.
A contribuição da Praça Kantuta para o entendimento da relevância das praças na cidade de São Paulo confere a realidade de que a mesma é mediadora do que é próximo e do que está distante. A Praça, portanto, é a compressão dos tempos e da distância que separam os bolivianos na cidade com as suas origens.
A possibilidade de construção da territorialidade inscrita na Praça Kantuta configura um fragmento do que a cidade de São Paulo é em sua totalidade: território múltiplo.
A Praça Kantuta conquistou reconhecimento como um lugar de encontro de cultura, sobretudo a dos bolivianos. A vizinhança a reconhece como ponto
102 de encontro de muitas pessoas, não unicamente imigrantes latinos, mas também de outros imigrantes e também de brasileiros.
Desse modo, a Praça Kantuta é a realização do presente vinculado às decorrências do passado, já que é nesse lugar que se vivencia a cultura, a tradição de uma população nascente em outra região e em outros tempos. Por conseguinte, tal marca deixada pelos bolivianos no contexto de vida paulistana compete às construções de “semióforos” na paisagem, que segundo Chauí (2000), alude a um signo carregado de simbologia cuja essência não pode ser medida por sua materialidade.
A Praça Kantuta é, reconhecida por esse estudo, como o semióforo da população boliviana na cidade de São Paulo e a simbologia transferida a ela serve de um signo de orgulho, de admiração e significação.
A produção da subjetividade manifestada na Praça Kantuta perpassa o limite da possibilidade de relações entre esses latinos, refere-se a um signo de pertencimento e de proteção.
Os bolivianos, assim como todos os imigrantes ao longo da história dos fluxos migratórios no Brasil e em especial na cidade de São Paulo, buscam algo que os liguem com o novo lugar de vivência.
E é na Praça Kantuta que se encontra a possibilidade de ser entendido como um indivíduo presente na sociedade paulistana e mais do que isso, a Praça Kantuta traz a possibilidade dos sonhos e de esperança.
103
Relatório Fotográfico
104 Imagem de Satélite
Nota: Perímetro Praça Kantuta, Cidade de São Paulo, Brasil. Fonte: Google Earth
23°31'32.37"S 46°37'18.26"O
125 Horizonte
He cambiado de piel tres veces
Me ha costado darle la vuelta al mundo Para llegar al punto de partida
Mis piernas me sostienen mejor Tengo una cicatriz en el pecho
Más bien una costura, un bolsillo roto Acceso directo al corazón
Estoy de regreso de mí mismo
Noches enteras buscando una estrella fugaz Que me conceda un deseo
Nada extravagante
Tan sólo la habilidad de reconocer La verdad de la mentira
Es otoño aún y los días son largos
La luz se recuesta cálida sobre la montaña Quiero decir que el horizonte se distingue ¿El horizonte es una línea firme?
¿Es una pintura mural que cambia cada día Movida por tempestades de color?
¿Hay un atajo para llegar al horizonte?
Quizás sirva de algo haber adquirido Una cicatriz en el pecho
Una costura de piel y nervio Una entrada directa al corazón
126
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