4 Evaluering av Forsvarets logistikksystem
4.4 Integrasjon mellom militære og sivile aktører – integrasjon
por J. Duvignaud (1977, p. 20), quando identifica na "densidade social" produzida pela fermentação dos homens em um mesmo espaço fechado, uma "acumulação que provoca uma mudança surpreendente" movida pela afetividade e pela paixão, e levando a uma percepção global, "holista", do mundo e dos homens. (SANTOS, 1997: 216).
A referência que Santos (1997) traz a partir de J. Duvignaud não está elucidando a ideia de lugares limitados amedrontados pelo que vem de fora e com um tempo próprio que difere do externo, mas sim o fim da individualidade. Alguns lugares da cidade de São Paulo são onde se apresentam grandes mobilidades. As praças são redutos dessas relações interpessoais, dos encontros.
A situação da cidade de São Paulo é potencializada pelo que Santos (1997) indica acerca da densidade e intercâmbio social. São Paulo é um polo atrativo de mobilidades migratórias, sejam elas, em um primeiro instante, pela oferta de trabalho, ou em um segundo instante, como uma matriz de trocas simbólicas e de culturas.
O indivíduo desconhecido torna-se parceiro na construção do coletivo. A Praça Kantuta é um exemplo do poder da coletividade, uma vez que, antes de ser a Praça Kantuta propriamente dita e reconhecida hoje, o espaço que lhe abarcava não dispunha de notória significação como ela representa atualmente.
A Praça Kantuta conquistou um maior raio de ação e reconhecimento como um lugar de encontro de cultura, sobretudo a dos bolivianos. A vizinhança a reconhece e reproduz a fala de que a mesma é o ponto de encontro de muitas pessoas, não unicamente imigrantes latinos, mas também de outros imigrantes e também de brasileiros.
82 Esse fenômeno inscrito na cidade é de grande significância na análise da configuração da consciência, uma vez que é através da cultura que pessoas interagem e a informação tende a expandir para outros lugares.
A cultura desses povos imigrantes, sobretudo dos bolivianos, assume um lugar na cultura da cidade de São Paulo e isso, não permite, na consciência dos seus moradores, a sua negação, o seu sufocamento.
Por mais que muitas pessoas a neguem, julgue-a de maneira depreciativa, o reconhecimento desse fenômeno existe e é real. Sobre esse aspecto, a Praça Kantuta vem concretizar a existência dessa realidade e promover esse espaço para novos frequentadores. Nela inscreve-se, portanto a prática da liberdade.
Como o mundo de hoje se estrutura a partir das relações, a vida cotidiana das pessoas é interferida, diretamente, pelas dimensões das mesmas. É através dessa compreensão das relações que os lugares revelam- se como um componente da condição para as ações que lhe são incumbidas, ou seja, a possibilidade da própria vida cotidiana.
Os lugares do cotidiano se encarregam da conexão de um homem com o outro. Supõe-se, dessa forma, que a informação e a comunicação são as dimensões das relações e das ações que neles se estruturam, uma vez que tudo que fazemos produz informação e comunicação.
De acordo com Santos (1997), no lugar, um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições – cooperação e conflito – são a base da vida em comum. Logo:
O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, através da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade. (SANTOS, 1997: 218).
A complexidade que remonta à existência e à sobrevivência da cidade se determina nas vertentes que a faz ser complexa. É nela que se instituem as formas de organização: convivência social e trabalho. Por essa organização é que faz da cidade um lugar complexo e propício à prosperidade.
83 A cidade é promissora, do ponto de vista socioespacial e econômico, porque nela se permite a prática de atividades de todos os tipos, quaisquer trabalhos e ações, e isso alimenta a sua atração que acaba arrastando para debaixo do seu teto, multidões esfomeadas. E as pessoas que constituem tais multidões têm como característica peculiar a baixa renda, em outras palavras, são pessoas pobres.
Santos (1997) nos aponta a importância da presença dos pobres no enriquecimento da cidade por meio das formas de trabalho que esses se destinam. Em detrimento dessa realidade, torna-se necessária a formulação de estruturas que possibilitem a interação destes com o lugar, direcionando-os ao consumo objetivo concreto e também ao consumo subjetivo.
Como os pobres são a força da cidade e, conforme a tese de Santos (1997), eles detém o “tempo lento”, ou seja, são mais passíveis de desejar a cidade pelas suas imagens viciantes regadas de fabulações.
As surpresas que se escondem nos lugares da cidade não são enxergadas, do mesmo jeito, pelos pobres e pelos ricos. Os últimos estão condicionados à mecanização das práticas que compõem suas rotinas resumidas em confortos materiais.
Os lugares da cidade que se destinam aos pobres são como opacidades que, simultaneamente, contrapõem-se, superpõem-se e justapõem-se aos lugares dos ricos, lugares “luminosos”.
Os lugares tidos como “opacos”, referidos por Santos (1997), são onde a criatividade emerge e se faz presente. Lugares abertos como praças são notórios alvos para a manifestação desta criatividade. Eis o que os latinos, sobretudos os bolivianos, fizeram do espaço quase inorgânico onde se localizava a Praça Padre Bento, no bairro do Pari: as primeiras reuniões de confraternização.
Como Santos (1997) assinala, “é assim que os pobres reavaliam a tecnosfera e a psicosfera, encontrando novos usos e finalidades para objetos e técnicas e também novas articulações práticas e novas normas, na vida social e afetiva”.
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Diante das redes técnicas e informacionais, pobres e migrantes são passivos, como todas as demais pessoas. É na esfera comunicacional que eles, diferentemente das classes ditas superiores, são fortemente ativos. Trata-se, para eles, da busca do futuro sonhado como carência a satisfazer - carência de todos os tipos de consumo, consumo material e imaterial, também carência do consumo político, carência de participação e de cidadania. Esse futuro é imaginado ou entrevisto na abundância do outro e entrevisto, como contrapartida, nas possibilidades apresentadas pelo Mundo e percebidas no lugar. (SANTOS, 1997: 221).
O anseio pelo consumo que a cidade provoca nos pobres é a perdição dos mesmos, uma vez que a impossibilidade dessa prática é o grande enclave. Um desconforto perante aos chamados “ricos”, subtraem essas pessoas a empecilhos sociais. A cultura do consumo material julga-se superior à cultura subjetiva.
Contudo, o que os pobres, ou a maioria deles, não sabem é que a cidade engole e devolve tudo que nela acontece e se produz. A Praça Kantuta, por exemplo, é o resultado desse processo. Foi reconhecida, configurada como um lugar da cidade de São Paulo e o mais importante, a cultura que ali se apresenta foi introduzida na totalidade cultural da cidade, promovendo, “inconscientemente”, a produção da consciência de São Paulo.
Assim, a cultura, em outras palavras, é a ferramenta que liga o indivíduo ao seu grupo e ao universo. A cultura é uma herança, mas também se deixa transformar a partir de um reaprendizado das relações entre o homem e o seu meio.
As classes médias amolecidas deixam absorver-se pela cultura de massa e dela retiram argumento para racionalizar sua existência empobrecida. Os carentes, sobretudo os mais pobres, estão isentos dessa absorção, mesmo porque não dispõem dos recursos para adquirir aquelas coisas que transmitem e asseguram essa cultura de massa. É por isso que as cidades, crescentemente inegalitárias, tendem a abrigar, ao mesmo tempo, uma cultura de massa e uma cultura popular, que colaboram e se atritam, interferem e se excluem, somam-se e se subtraem num jogo dialético sem fim. (SANTOS, 1997:222).
Os bolivianos, ainda que não tenham essa consciência, são criadores no espaço paulistano e transformadores dos lugares da cidade. A sua bagagem
85 histórica e cultural não permitem, junto aos outros imigrantes residentes, a uniformização dos lugares. Competem a eles, os imigrantes, à riqueza da cultura que hoje São Paulo apresenta para o mundo e a faz ser tão libertária para os novos imigrantes.
Essa busca de caminhos é, também, visão iluminada do futuro e não apenas prisão em um presente subalternizado pela lógica instrumental ou aprisionado num cotidiano vivido como preconceito. É a vitória da individualidade refortalecida, que ultrapassa a barreira das práxis repetitivas e se instala em uma práxis libertadora, a práxis inventiva. (SANTOS, 1997:222 apud LEFEBVRE, 1958:240).
Os fluxos migratórios que se instalam no mundo de hoje representam, abstratamente, um fluxo de bagagens cultuais e de memórias. O que acontece é que os lugares receptivos ganham novas dimensões espaciais, tendo que se reestruturarem para receber os novos moradores, mas, além disso, os lugares receptivos ganham mais subjetividade.
A convivência que se dava nos lugares de saída, uma vez que lá a vida se encontrava em um nível de esgotamento, do ponto de vista econômico, político e até social, renova-se no momento em que se coloca em teste no novo lugar. Faz-se necessária a construção de novas experiências, vivências, familiaridades com os lugares, objetos e pessoas que cercam esses imigrantes. Em uma referência ao que Bauman20 sugere, os imigrantes retiram a
vida do repouso, do esgotamento e da limitação para tornarem-se peregrinos no mundo. A visão que eles passam a ter, aqui como uma necessidade, permite o deslumbre pelos lugares por onde passam. A experiência se torna parte do percurso e este ganha significação, não reside mais no âmbito da passagem.
Pode-se relembrar uma palavra que faz toda a diferença quando se trata de fluxos migratórios: a desterritorialização.
20 Zigmund Bauman, sociólogo que usa a metáfora do “peregrino e o turista”, sendo o primeiro um indivíduo que viaja e busca elevação e o encontro do seu eu verdadeiro, tendo o percurso tão importante quanto o próprio local de destino. Enquanto que o segundo limita-se, unicamente, ao local do destino, visando a superação da expectativa que criou sobre o lugar.
86 A desterritorialização incide na prática do deslocamento, mas essa saída, bem como o percurso e bem como a chegada, não subtrai o que os imigrantes revelam no seu interior.
A troca de La Paz, Cochabamba e outras cidades por São Paulo, não reflete no esvaziamento da consciência dos indivíduos em curso. A cultura de berço não é deixada para trás, mas ela reserva um espaço para que a nova venha e se insira.
O lugar desconhecido, ainda que em um primeiro instante, mostra-se perigoso e completamente estranho, propicia aos chegados, a tarefa árdua de desocupar a mente e o corpo, deixando de lado os vícios, marcas e tradições de convivência do lugar de saída, para se preencherem das novas atribuições e às novas relações.
A necessidade de residência torna a vida do imigrante intensa, do ponto de vista afetivo, social e econômico. O trabalho que deve ser exercido da melhor maneira possível, as relações com lugar que o cerca, bem como os serviços que possibilitam a supressão das suas necessidades vitalícias. O convívio com pessoas desconhecidas e com os seus hábitos distintos.
Tudo tem um peso significativo na produção do novo cotidiano e de uma nova territorialidade. O que se configura nesse processo é um embate do tempo de ação com o tempo da memória.
A desterritorialização dá lugar uma nova territorialização, ou seja, a bagagem inserida na memória dos imigrantes encontram um novo lugar e um novo momento para sua manifestação.
Essa territorialização está favorável às mudanças, pois não é a mesma que se tinha no lugar de saída, bem como a territorialização do lugar de chegada, que recebe um novo morador. Acontece, nesse momento, o processo de integração.
Vale a observação de que a originalidade (o inédito) é outro fator que se faz presente na relação do imigrante com o lugar de residência e com os seus moradores.
A territorialidade que defino aqui de “longo prazo”, ou seja, aquela que foi construída há tempos atrás a partir da situação de longa vivência em um mesmo lugar e com seus objetos e instrumentos comuns pedem para que
87 novos eventos aconteçam. É importante ressaltar também que essa necessidade do novo não banaliza e nem faz alusão à insignificância da territorialidade “de longo prazo”, pelo contrário.
A territorialidade que construímos anteriormente serve de ferramenta primordial de sobrevivência na sociedade, de garantia de coesão com o lugar de convívio, bem como de garantia de permanência.
O que se inscreve nesse fenômeno é tradução e reprodução da agitação que se configura no mundo de hoje: das pessoas, dos objetos, dos lugares e da própria cultura.
A exigência de adaptação e adequação do que é novo, bem como a necessidade de novas experiências, torna-se elemento balizador para a vida. A descoberta e a experiência do novo sustenta a vida em sociedade e do cotidiano.
Desse modo a desterritorialização vem como uma realidade vantajosa na vida das pessoas, em especial dos imigrantes, pois se quanto menos ou mais recente for a inserção do indivíduo no lugar, mas fácil será o enfrentamento e, consequentemente, a absorção do inédito, da descoberta. O lugar novo o obriga a um novo aprendizado e a uma nova formulação. A memória olha para o passado. A nova consciência olha para o futuro. O espaço é um dado fundamental nessa descoberta. Ele é o teatro dessa novação por ser, ao mesmo tempo, futuro imediato e passado imediato, um presente ao mesmo tempo concluído e inconcluso, num processo sempre renovado. (SANTOS, 1997: 224).
Nesse sentido, as praças são também, como dito anteriormente, cenário da manifestação da consciência. Nelas se inscrevem a consciência pelo lugar, sobrepondo-se à consciência no lugar.
A produção da história que se revela nas praças, enquanto ponto de encontro e confraternização, como a Kantuta, liberta-se da sombra que antes era reflexo do desconhecido. Hoje, essas praças como a Kantuta e outros lugares da cidade, conquistaram uma conotação positiva, por serem infinitas fontes de novidades.
88 O que se pode ver na Praça Kantuta é a realização do presente vinculado às decorrências do passado, mas que essas não sejam entendidas como a única vertente de resultado do que a praça representa atualmente. Nesse lugar se vivencia o presente, o momento do agora e, isso também, não será a única justificativa das feições que se revelarão no futuro, ainda que, segundo Santos (1997) apud Sartre (1969), é o futuro que comanda as ações do presente.
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4 Praça Kantuta: a práxis da dialética
Ao depararmos com a magnitude de uma cidade como São Paulo há de se considerar sua inegável abrangência no que tange ao multiculturalismo. São Paulo corrobora sua habilidade de incorporação de diferentes raças e, portanto, culturas através da constante transformação de sua paisagem.
A Praça Kantuta apresenta um arsenal de significações e simbologia aos povos latinos aqui residentes, em especial, os bolivianos. Nela se encontra um fragmento da Bolívia em meio território paulistano. Insere-se, discretamente, na vida da sociedade como um símbolo dessa nação estrangeira. Serve, sobretudo, de lugar para refugiados da ordem a qual lhes foi imposta: uma vida semelhante àquelas conhecidas como escravocratas e sem pretensão de uma possível devolução da identidade perdida na fronteira.
Chegar a um território novo é enfrentar o estranho, cujos hábitos e costumes diferem, substancialmente, daquilo que estavam acostumados a vivenciar. Por isso a necessidade de ser abrir às novas experiências é irrevogável. Tudo na tentativa de se fazer presente na sociedade.
O lugar de abrigo é dotado de signos com grande valor subjetivo: sentimentalismo e proteção. Por mais que, nesse lugar inscreva-se uma relação de poder, há a possibilidade de retomada às origens, uma restauração da memória.
A compreensão da singularidade da Praça Kantuta, localizada no bairro do Pari na cidade de São Paulo, necessita a análise crítica e reflexiva da mesma: a sua inserção na cidade, bem como suas dinâmicas particulares conferidas, diretamente, pela forte presença boliviana.
A busca pelo entendimento da necessidade de pertencimento é o carro- chefe desse capítulo. Milhares de bolivianos desembarcam na cidade de São Paulo, assim como em outras regiões do país em busca de melhores condições de vida e trabalho àquelas que são, econômica e politicamente, inviáveis no seu país de origem.
90 A necessidade da reestruturação da identidade e, consequentemente, do lugar de pertencimento (lugares de referência) são as vertentes que comandam e justificam as ações dos bolivianos em certos lugares da cidade de São Paulo.
A dualidade da representação depositada à Praça Kantuta, tida como símbolo da população boliviana na cidade de São Paulo e, simultaneamente, como lugar de superficial significação por parte de alguns outros componentes e atores da cidade serve de reflexão ao que realmente engendra a valorização do sentimento de pertencimento.
A intenção desse último capítulo é de ampliar o entendimento sobre a importância do conhecimento desse fragmento da cidade de São Paulo para que seja possível a construção da consciência fincada nas bases do respeito e do reconhecimento por essa população que, firmemente, não nega suas origens e que busca na paisagem paulistana um lugar para chamar de “sua casa”.
A marca deixada pelos bolivianos no contexto de vida paulistana compete às construções de “semióforos” na paisagem, como a própria Praça Kantuta, uma vez que tal termo empregado pela filósofa Marilena Chauí (2000) alude a um signo carregado de simbologia cuja essência não pode ser medida por sua materialidade.
Um “semióforo”, portanto, pode ser um acontecimento, um objeto, uma pessoa ou instituição, qualquer coisa que esteja fora ou dentro do circuito de uso diário, servindo de um signo de orgulho, de admiração e significação para um grupo.
Involuntariamente, a Praça Kantuta, assim como muitas outras, também é um lugar de passagem, onde pessoas a utilizam como trecho de seus percursos pela cidade. Entretanto, isso não subtrai a territorialidade que a mesma revela face aos moradores do entorno e, especialmente aos bolivianos que transformaram a Praça em um grande reduto da sua cultura.
A Praça Kantuta, ainda que apresente laços de dominação e de exclusividade, promove em seu espaço uma comunhão de sentimentos e desejos comuns, exprime territorialidades de caráter identitário, doravante.
91 Os partícipes buscam nesse espaço dotado de sentimentalismo, combustível para se sentirem vivos novamente, uma saída da escuridão ocasionada pela rotina da nova ordem. Uma passagem do invisível para o visível.
A simbologia transferida para a Praça Kantuta é, como qualquer outra simbologia, de proeminência subjetiva, porém, mais do que isso, a Praça é referida, neste trabalho, como “semióforo” dos bolivianos. Sua funcionalidade perpassa o limite da possibilidade de relações entre esses latinos, refere-se a um signo de glória e de proteção.
O lugar de trabalho dos bolivianos na cidade de São Paulo, vistos nos capítulos anteriores, é dotado de significado paradoxo àquele lugar escolhido como símbolo, a Praça Kantuta.
A necessidade de ser encontrar como indivíduo na sociedade, fez, e ainda faz, da Praça Kantuta um espaço de sonhos. Os bolivianos, assim como todos os imigrantes ao longo da história dos fluxos migratórios no Brasil e em especial na cidade de São Paulo, buscam algo que os liguem com o novo lugar de vivência. A identificação que se estabelece hoje entre os latinos, sobretudos os bolivianos com a Praça é o resultado de um longo processo de transformação e reestruturação do lugar.
Posto que a Praça Kantuta se define e é reconhecida hoje como um lugar de encontros e festividades, do ponto de vista da subjetividade, ela revela memórias e muitas histórias de vida. Seu reconhecimento e valor enquanto um lugar simbólico é tão notório que a sua relevância alcançou níveis maiores: a consciência da cidade de São Paulo acerca existência da manifestação da cultura boliviana.
Kantuta é o nome de uma flor boliviana pintada nas cores vermelha, verde e amarela cujo desenvolvimento ocorre nos vales andinos. Nome que estampa a placa de uma famosa praça localizada no bairro do Pari, em São Paulo.
A Praça Kantuta, localizada entre as ruas Pedro Vicente, Carnot e das Olarias, está inscrita no território paulistano de modo que sua função ultrapassa os limites da simples reunião de latinos, em especial bolivianos, na cidade. A Praça passa a ser, estrategicamente, um ponto de socialização, de retomada
92 das origens e reencontro com a identidade, as quais foram parcialmente perdidas no momento em que esses aportaram em São Paulo.
Segundo o site Brasil Bolívia21, a administração da Praça Kantuta é
realizada pela Associação Gastronômica Cultural e Folclórica Boliviana "Padre Bento", qual é sustentada pelos feirantes e pelas empresas ligadas, sobretudo, ao transporte Bolívia – Brasil.
Segundo o site, a reunião acontecia na Praça Padre Bento, localizada