• No results found

Forsvarets logistikkorganisasjon

In document 19-01068 (sider 21-25)

Fonte: Sistema de Informação para a gestão da Assistência à Saúde (SIGA) fornecido por Ceinfo Centro Oeste (Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Paulo), 2009.

59 Um fator que deve ser salientado, a partir do mapa 2.3-4 acima, refere- se também à incidência de tuberculose entre os bolivianos residentes na cidade de São Paulo. A condição dos bolivianos nas oficinas de costura está diretamente ligada à incidência de tal enfermidade.

Diversos são os fatores que comprometem a saúde desses imigrantes, que vão desde o nível socioeconômico ao isolamento social. As condições de fragilidade que essas pessoas se encontram, seja pela situação precária e insalubre de emprego e moradia, dificuldades comunicação, a questão da ilegalidade, tabagismo, desnutrição, alcoolismo etc., propiciam a proliferação da tuberculose.

Muitos são os casos de imigrantes com tuberculose na cidade de São Paulo, sobretudo de bolivianos. Quantitivamente, não existem dados precisos acerca dessa situação, ainda que o Ministério da Saúde tenha registrado um total de 7.476 casos de tuberculose na cidade, em 2009, sendo que aproximadamente 300 levados à óbito.

O grande número de bolivianos em alguns distritos da cidade, bem como a alta incidência de tuberculose na Bolívia somam-se para que se tenha um melhor conhecimento acerca dessa enfermidade dentro da comunidade boliviana, além de se pensar em aspectos facilitadores do acesso aos serviços de saúde por essa população, tendo em vista possíveis disparidades de atuação do Programa de Controle da Tuberculose com a população brasileira e a boliviana residente na cidade.

60

Tabela 2.3-1: Distribuição bolivianos residentes na RMSP por zona e tempo de residência no estado de São Paulo, 2000.

Centro Leste Norte Sul Oeste RMSP Total

frequência 612 259 733 78 18 96 1.892 % 33,3 14,1 40 4,2 1,0 5,2 100,0 frequência 611 769 557 102 7 184 2.414 % 27,4 34,5 25,0 4,6 0,3 8,2 100,0 frequência 493 248 401 121 40 190 1.683 % 33,0 16,6 26,8 8,1 2,7 12,7 100,0 frequência 345 236 196 131 124 248 1.528 % 27,0 18,4 15,3 10,2 9,7 19,4 100,0 frequência 363 231 465 384 199 427 2.496 % 17,5 11,2 22,5 18,6 9,6 20,5 100,0 frequência 2.424 1.743 2.352 816 388 1.145 10.013 % 27,2 19,6 26,4 9,2 4,4 12,7 100 25 ou mais anos Total Zonas Tempo de residência 0 a 3 anos 4 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 24 anos

Fonte: Censo 2000, IBGE.

A tabela 2.3-2 acima apresenta a distribuição de bolivianos que residem na RMSP por zona e tempo de residência na Unidade de Federação de São Paulo17.

Se avaliarmos pelo menor tempo de residência (de 0 a 9 anos), pode-se afirmar que a concentração na zona norte (com maior incidência) e leste, respectivamente, são maiores face às outras zonas. Isso indica a importância de referência que ambas apresentam no que condiz ao fluxo migratório em São Paulo e como à área central, como visto anteriormente, desde a década de 1970 abriga um grande percentual de imigrantes.

Quanto mais tempo de residência essa população conquista, mais diversificado fica a distribuição espacial no estado de São Paulo. Consideração essa que pode ser feita para a zona oeste que apresenta uma alta frequência de bolivianos que residem há mais de 30 anos.

Os conjuntos recentes de bolivianos estabelecem moradia em bairros mais longes do centro rumo às zonas leste e norte, lugares mais significativos a

17 Vale lembrar que esses bolivianos captados pelo Censo não fizeram deslocamentos para fora da UF e se trata de tempo de residência plena.

61 partir dos anos de 1980 quando a migração boliviana para São Paulo adquiriu uma nova escala e conjuntura ocupacional.

A presença histórica de grupos de imigrantes como os bolivianos em bairros centrais como o Bom Retiro, o Brás e o Pari acentua os diferentes momentos de fluxos migratórios internacionais, bem como a mobilidade interna quando tais grupos encontram nessas regiões melhores condições para a sustentação da sua presença na cidade de São Paulo.

Ainda que cada bairro possua sua história e singularidades, os atributos apresentados pelos bairros centrais debruçam-se em suas capacidades de servir tanto para os imigrantes do passado como os do presente e do futuro, por serem, em sua essência histórica, industriais e operários, além da associação direta com o período de imigração em massa.

O caso dos bairros como o Bom Retiro e o Brás desencadeou numa estruturação espacial e produtiva especializada, uma vez que são bairros detentores da atividade industrial voltada para o setor de confecção. Por essa estruturação ter a participação de vários grupos imigrantes, evidencia uma condição particular à indústria do vestuário que vai além da agregação grupos imigrantes-espaço-trabalho.

Durante a formação do bairro do Bom Retiro, reproduziu-se uma ambivalência de seu valor enquanto bairro/centro. Isso porque o bairro não se localizava no centro apesar de perto deste, porém sua atividade industrial do setor de confecção o intitulou como bairro central, integrando-se à cidade (FELDMAN, 2009 apud XAVIER, 2010).

Portanto, a inserção dos imigrantes bolivianos no Bom Retiro é orientada pelo fato do bairro dispor de uma base material completa, uma vez que este está notoriamente atrelado à produção e comercialização do setor têxtil, além da disposição de moradias. O centro é a condição espacial de proximidade de tudo que se refere à atividade: linhas, tecidos, fornecedores, locais de venda de máquinas de costura, locais de comercialização e circulação etc.

Partindo da localização, do ponto de vista ocupacional, fica evidente, por consequência, a localização das moradias dos bolivianos na cidade.

62 De acordo com estudos, é comum trabalhar e morar no mesmo local. Essa condição é clara, pois soluciona inúmeras questões recorrentes tanto à residência como o trabalho.

Para os bolivianos recém-chegados, a oficina é a sua moradia, o que para o empregador se torna rentável uma vez que se tem a mão-de-obra por perto, não havendo gastos com transporte. A comida, por ser feita em casa, é dividida entre todos os trabalhadores e com isso os seus salários são levemente preservados.

Ainda que os bairros centrais detenham uma grande concentração de bolivianos envolvidos nesse tipo de atividade, não é difícil encontrar em outros lugares da cidade, pois não há uma concentração espacial exclusiva.

A compilação dos mapas a seguir revelam a localização por tipo de ocupação18 dos imigrantes bolivianos residentes na RMSP e por zonas.

Mapa 2.3-5: Localização dos operadores de máquinas de costura de

In document 19-01068 (sider 21-25)