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IV Kritiske hendelser: fra svak stat til statskollaps

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Participaram deste estudo onze crianças da turma B do jardim II, as famílias, mais especificamente, onze mães, uma delas mãe substituta (Mãe/Subst), quatro pais, uma avó, a professora e a pesquisadora. Os dados apresentados, no Quadro 1 a seguir, foram construídos a partir dos seguintes procedimentos: no caso das crianças: a) consulta às fichas de matrícula; b) entrevistas com as famílias; e c) observações em sala de aula. No caso das famílias a partir da primeira entrevista semi-estruturada realizada em seus lares.

3.4.1 O Grupo de Crianças e suas Famílias

Das onze crianças que participaram deste estudo, cinco eram meninas e seis, meninos, na faixa etária entre 3 anos 10 meses e 5 anos 7 meses de idade. O critério de inserção das crianças nesta turma foi apenas o da idade (mês de março) como na maioria das instituições de educação infantil no Brasil. Isto é, o jardim II destina-se às crianças entre 4 e 5 anos de idade. Entretanto, a criança com 3 anos e 10 meses foi incluída em caráter excepcional, tendo em vista a necessidade dos pais trabalharem neste turno e esta apresentava bastante autonomia e independência em suas ações para a idade. Na avaliação da Coordenação da instituição, incluí-la na turma com crianças de 2 anos poderia não ser muito interessante para sua aprendizagem. Uma das crianças, apesar de ter participado das gravações durante as observações e do subprojeto “A Hora do Conto e a Escrita Significativa de Textos” não foi considerada como sujeito deste estudo, como já mencionamos anteriormente (ver item 3.2.3 Contatos e Contratos), uma vez que sua mãe não concordou em participar do estudo.

O contato para a construção dos dados de Alberto foi feito diretamente com a responsável, denominada aqui, de mãe substituta, mas não é sua parenta. Esta criança mora apenas com o genitor, cuja jornada de trabalho era bastante longa, não permitindo, inclusive, muito contato com a criança. A mãe biológica deixou o lar logo após o nascimento da criança e não manteve mais nenhum contato com o ex-companheiro e o filho. Esta mãe substituta foi contratada pelo pai para cuidar da criança e acompanhá-la em relação aos assuntos escolares, como, levar à escola, fazer as tarefas indicadas para casa e participar das reuniões pedagógicas.

A seguir são apresentadas, no Quadro 1, as características das crianças e de suas famílias relativos à escolaridade, à ocupação profissional, à origem e sua renda familiar Para resguardar a identidade das crianças, estas são identificadas com nomes fictícios.

Quadro 1 – Características das crianças: idade e sexo e das famílias: idade, escolaridade, ocupação profissional, origem e renda familiar

Criança Sexo Idade Famílias Idade Escolaridade Ocupação profissional Origem Renda familiar*

1.Sandra F 4a 10m Pai

Mãe 26 33 NM (comp) NS (incomp) Atend. Consult. odont. Carteiro DF TO 4 sal 2.Helena F 4a 10m Mãe 47 NF (incomp) Dona de casa PE 3 sal

3.Ana

F 3a 10m Mãe Pai 40 34 NF (incomp) NF (incomp) Func. Público Balconista MA DF 4 sal 4.Bruna F 4a 6m Mãe 29 NM (comp) Serv. Limpeza (empresa) MA 2 sal

5.Bia F 4a 8m Pai

Mãe 48 45 NF (incomp) NF (incomp) Dona de casa/Costureira Tapeceiro MA PI 3 sal 6.Enio M 5a 2m Mãe 42 NF (incomp) Vend. (roupa)

Dona de casa

BA 6 sal

7.Lucio M 5a 1m Mãe 23 NF (incomp) Dona de casa DF 2 sal 8.Silvio M 5a 4m Mãe 47 NM (comp) Dona de Casa PI 3 sal 9.Antonio M 5a 4m Mãe/Subt 34 NF (incomp) Emp. doméstica PB 2 sal 10.Alberto M 5a 7m Mãe

Avó 22 43 NF (incomp) NF (incomp) Dona de casa Costureira PI PI 3 sal 11Jorge M 5a 7 m Pai Mãe 37 33 NF (incomp) NF (incomp) Mecanógrafo Vend. /dona de casa

CE MG

3 sal Salário mínimo vigente à época R$ 260, 00 reais.

No Quadro 1, as crianças foram relacionadas por ordem de idade, coincidindo que as meninas são todas mais novas que os meninos. Os familiares aparecem na ordem em que a criança foi apresentada. O registro “Pai e Mãe” indica que os pais participaram conjuntamente da entrevista. Da mesma forma a “mãe e avó”. Nos demais casos, o registro “Mãe” ou “Mãe/Subt” indica que apenas estas responderam à entrevista. Do grupo apenas as mães de Alberto e Bruna encontravam-se separadas do pai das crianças.

Adotou-se a seguinte nomenclatura para categorizar a escolaridade dos familiares: NS (incomp) - Nível Superior incompleto; NM (comp) - Nível Médio completo e NF (incomp) - Nível Fundamental incompleto. Observamos, portanto, que entre os membros do grupo, doze deles, incluindo a mãe substituta e a avó, não completaram o ensino fundamental. Três mães possuíam o ensino médio completo e um dos pais ingressou no ensino superior no curso de Pedagogia na UnB. Dentre os que não completaram o ensino fundamental, três freqüentaram a escola até a 4ª série, quando eram crianças e nunca mais voltaram a estudar. Um casal foi alfabetizado depois de adultos, um deles teve acesso à escola quando criança, mas não aprendeu a ler nem escrever e o outro não participou de qualquer experiência escolar. Este último estudou, depois da alfabetização, prosseguiu até a 4ª série e o primeiro encerrou sua participação na escola no nível de alfabetização.

Quanto às ocupações profissionais no período da pesquisa eram bastante diversificadas, principalmente, entre os homens. Dos quatro que participaram da primeira entrevista, cada um tinha uma ocupação diferente. Seguindo a ordem que aparece no Quadro 1, o primeiro trabalhava como carteiro nas Empresas dos Correios; o segundo era funcionário público do GDF, desempenhava a função de porteiro, o terceiro era tapeceiro autônomo e, o último era mecanógrafo junto a um sindicato patronal do Distrito Federal.

Em relação ao grupo de mulheres, as ocupações eram menos diversificadas. Foi possível constatar que a ocupação como dona de casa predominava. Isto é, a principal ocupação de nove delas era o trabalho doméstico. Destas, quatro exerciam duplas funções: donas de casa/vendedoras de roupas e donas de casa/costureiras. As demais desenvolviam atividades diferentes, seguindo a ordem que aparecem no Quadro 1, uma delas era atendente em um consultório odontológico, a outra trabalhava como agente de limpeza em uma empresa particular e a terceira era balconista em um comércio de café. Com exceção das donas de casa, a empregada doméstica, as vendedoras de roupas, as costureiras e o tapeceiro, os demais participantes trabalhavam no Plano Piloto. E como a maioria dos moradores de qualquer capital do país saía cedo de casa e só retornavam no início da noite.

A renda familiar era bastante variada e o poder aquisitivo alterava-se em função do número de pessoas na família. À época do estudo, as famílias recebiam entre dois e seis salários mínimos. Constatamos que três famílias recebiam dois salários mínimos; cinco contavam com três salários; duas, com quatro salários e apenas uma declarou que sua renda familiar aproximava-se de seis salários mínimos, pois conta com o salário das filhas mais velhas que já são estão integradas ao mercado de trabalho.

A origem dos familiares é predominantemente de migrantes. Dos 13 migrantes, incluindo a avó e a mãe substituta, onze são da região nordeste e os outros dois dos Estados de Tocantins e Minas Gerais. Estes declararam, ainda, que vieram para o Planalto Central em busca de melhores condições de vida e trabalho e três nasceram no Distrito Federal. Entretanto, os migrantes já residiam no Distrito Federal entre 8 e 26 anos e no Paranoá aproximadamente entre 6 e 20 anos. Do grupo, quinze pessoas afirmaram que passaram a residir no Paranoá a partir de 1989. Isto é após a transformação da Vila Paranoá em cidade. Apenas a mãe de Lúcio declarou que mora nesta área há 20 anos. Sua primeira casa (barraco) foi construída ainda na Vila Paranoá.

Foi possível observar com base no Quadro 1, que as mães, na cultura brasileira, ainda ocupam-se mais que os pais dos cuidados e da educação dos filhos pequenos. Entretanto, não podemos deixar de ressaltar a participação de quatro pais (homens) nessa primeira entrevista e pelo menos em seus discursos demonstraram preocupações e cuidados com o desenvolvimento dos filhos. Apresentamos a seguir dados da Professora da turma, os quais foram construídos a partir da primeira entrevista semi-estruturada (15/04) e das observações em sala de aula.

3.4.2 A Professora

A professora da turma, identificada aqui como P, é natural do município de Santa Luz – PI e estava, à época, com 23 anos de idade, casada desde 2002 com um morador do Paranoá e associado ao CEDEP. Cursou o ensino médio - magistério na Escola Normal em sua cidade de origem, entre os anos de 1995 e 1998. Sua primeira experiência no magistério foi como auxiliar de uma professora do Jardim II, quando ainda era estudante do 2ª série, continuando nesta função por mais dois anos, em turmas de Jardim I e III. Em 2001 migrou sozinha para o Distrito Federal em busca de melhores condições de trabalho e estudo.

Sua primeira experiência de trabalho no DF foi como babá de uma criança de dois anos. No início de 2004, P foi aceita como professora do CEDEP, com base nos critérios de que ela aceitava a baixa remuneração mensal oferecida pela instituição. Essa, então, foi sua primeira experiência como professora regente. Esta experiência, segunda a entrevistada, trouxe diversos desafios. Um deles foi realizar o planejamento pedagógico sozinha, tendo em vista que o planejamento realizado nos encontros coletivos com os demais professores era muito amplo, definindo apenas atividades relacionadas às datas comemorativas e às festas da instituição. O segundo desafio, considerado, aqui, como conseqüência do primeiro, foi a elaboração das atividades pedagógicas para a turma, levando P justificar que a dificuldade era a falta de condições de trabalho da instituição.

Na primeira entrevista (15/04), P relatou que o nível de conhecimento das crianças estava muito aquém para a faixa etária e por isto estava “muito perdida” e “ansiosa” com dificuldade de definir “o que trabalhar com a turma”. P deixou transparecer também, seu receio de não contribuir com a aprendizagem das crianças e, consequentemente, advir cobranças tanto por parte das famílias quanto da instituição.

Com essas dificuldades e a pressão para dar respostas às crianças, P mobilizou conhecimentos adquiridos em sua formação no Magistério, e, sobretudo, na experiência como auxiliar de professora na escola particular, lembrando que “crianças entre 4 e 5 anos de idade

já reconheciam todo o alfabeto, escreviam o nome autonomamente, liam e escreviam algumas palavras”. P decide, então, definir as atividades pedagógicas para essa turma pautada em sua

experiência na escola particular, incluindo conhecimentos matemáticos e de ciências da natureza.

Entretanto, a professora, desde que chegou ao DF, tentou ingressar em um curso superior. Inicialmente foi aprovada em uma seleção para o curso de jornalismo em uma faculdade particular. Naquele momento não pode realizá-lo devido ao alto custo.

Com a experiência vivida no CEDEP, P relatou que se descobriu educadora. Seu interesse mudou para o curso de Pedagogia. Durante o convívio com P, observamos seu esforço para alcançar seus objetivos. Fez dois concursos públicos, mas não aprovada. Iniciou um curso de inglês, que logo teve de abandonar, tendo em vista o aumento da mensalidade. Até que, finalmente quando encerraram as atividades escolares de 2004, P arranjou novo emprego em um escritório, que lhe permitia arcar com os custos da mensalidade de um curso superior em uma instituição privada. Portanto, deixou a instituição para perseguir seu objetivo que começou a ser realizado no segundo semestre de 2005, quando ingressou no curso de Pedagogia em uma faculdade particular do Distrito Federal.

A seguir apresentamos os dados da pesquisadora, os quais foram construídos a partir de seu próprio depoimento quando da inserção na instituição e da condução do procedimento Projeto de “Formação de Leitores e Escritores” junto com as crianças neste estudo.

3.4.3 A Pesquisadora

Como já foi mencionado neste estudo (ver item 3.2.1 Contexto da Pesquisa neste capítulo), participei na construção e desenvolvimento do plano de trabalho desta instituição desde a sua fundação, à época, como estudante de graduação do curso de Pedagogia no Projeto de alfabetização de jovens e adultos. Concomitantemente ao trabalho de alfabetização de jovens e adultos no Paranoá atuava como professora de educação infantil e das séries inicias na

rede de ensino público do DF desde a década de 80. Em 1992, conclui a graduação em Letras também nesta Universidade, direcionando ainda mais meu interesse para a formação do leitor/escritor. Hoje, com 27 anos de experiência profissional ligada ao Magistério, atuo como Professora do Curso de Pedagogia/UnB, trabalhando com disciplinas da área de Linguagem, tais como: Processo de Alfabetização, Orientação de Estágio Supervisionado (séries iniciais e educação de jovens e adultos) e a Formação do Professor Leitor na interação com crianças. Esta última disciplina tem como preocupação relacionar a teoria à prática no que diz respeito à formação do professor-leitor e leitor-criança e a brincadeira no desenvolvimento infantil.

Desde o início do curso de Doutorado, meu interesse foi realizar o estudo empírico nesta instituição com crianças da educação infantil, procurando compreender o processo de co- construção da leitura e escrita vivenciado ali por crianças e professores.

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