O presente estudo empírico foi realizado em uma instituição comunitária, criada em 1987, na cidade do Paranoá – DF. A partir do parecer favorável da Comissão de Ética da UnB, emitido no ano de 2004, realizamos os contratos e contatos; elaboramos os procedimentos de construção de dados: a análise documental, as observações em sala de aula, a sondagem inicial da leitura e escrita com as crianças, as entrevistas com a professora e as famílias, Projeto de “Formação de Leitores e Escritores e construímos os procedimentos de análise e discussão dos resultados que encontram-se descritos a seguir.
3.2.1 Contexto da Pesquisa
A instituição em que foi realizada a pesquisa empírica foi criada com o objetivo de fomentar a organização dos moradores em torno de seus problemas sócio-políticos, bem como o desenvolvimento de ações sócio-educativas com crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. É dirigida por um grupo de pessoas da comunidade que, por sua liderança e participação ativa, é escolhido por meio de eleição direta com voto de seus associados para os cargos de Presidente, Vice-presidente e Diretores. Os sócios, em sua maioria, são moradores do Paranoá. Entretanto, participam, também, na elaboração e no desenvolvimento do plano de trabalho da instituição, professores, alunos e ex-alunos da Universidade de Brasília, entre os quais estou presentes desde o início da fundação da instituição e outras instituições com convênios e prestação de serviços principalmente na área de educação e saúde.
3.2.2 O CEDEP e a Educação Infantil
Ilustração 1 – A Instituição do CEDEP
Como aconteceu historicamente na maioria das instituições comunitárias no Brasil, o CEDEP iniciou, em 1990, o atendimento de crianças de 2 e 6 anos, pressionado pela necessidade premente das mães - alunas das turmas de alfabetização de jovens e adultos da própria instituição - que precisavam trabalhar e não tinham onde deixar seus filhos. Este atendimento começou, então, com um sistema de rodízio organizado pelas mães, associadas da instituição e assumido por aquelas que não estavam trabalhando fora, para ficar “tomando conta” de 20 crianças que vivenciavam essa situação. O atendimento restringia-se aos cuidados com alimentação, higiene e brincadeiras, organizadas e negociadas pelas crianças maiores.
Logo, a reflexão política que marcava esta instituição levou o grupo tomar a decisão de investir na qualidade do atendimento dado a estas crianças, agregando a este atendimento à dimensão educativa. Com o propósito de apoiar pedagogicamente essa atividade, em 1991, a Faculdade de Educação – FE/UnB, que já era parceira no trabalho de alfabetização de jovens e adultos, ampliou sua atuação, envolvendo mais um professor e estudantes como bolsistas de extensão. Quanto ao apoio financeiro, a instituição firmou convênio durante sete anos com a entidade filantrópica, Visão Mundial. Ao longo destes anos, o atendimento das crianças de 2 a seis anos contou, também, com o apoio de outras instituições. Hoje, o CEDEP tem tido dificuldades de estabelecer parcerias que resultem em apoio financeiro. Sem este apoio, o atendimento requer das famílias o pagamento de uma mensalidade. Essa exigência reduziu o número de crianças atendidas.
Em 2004, foram matriculadas 60 crianças distribuídas em três turmas: uma de Maternal II com dezesseis crianças (matutino) na faixa etária de 2 e 3 anos de idade e duas de Jardim II com crianças entre 4 e 5 anos de idade. A do matutino tinha oito crianças e a do vespertino, doze. A falta de apoio financeiro tem gerado, também, grande rotatividade dos professores da educação
infantil no CEDEP. As pessoas, que têm assumido o cargo de professor, são jovens que concluíram o curso de magistério em nível de ensino médio recentemente com pouca ou nenhuma experiência em sala de aula ou ainda pessoas, que trabalharam como auxiliares em creche, sem formação educacional. Como vimos no tópico 2 do capítulo 1, esta situação é, ainda, muito presente nas instituições privadas de caráter filantrópico e comunitário.
3.2.3 Contatos e Contratos
A Instituição, Professora e Turma
Para iniciar este estudo foi realizada uma reunião formal, no início de fevereiro de 2004, com a presidente, a coordenadora e uma das professoras da educação infantil da instituição, a pesquisadora e a professora orientadora deste trabalho. Nessa ocasião, em virtude das férias escolares, não foi possível conhecer os demais professores, com os quais poderia ser desenvolvido o trabalho de pesquisa. Nessa reunião, após discussão dos objetivos da pesquisa apresentados pela pesquisadora, os membros da instituição manifestaram a concordância com a realização do estudo (Termo de aceite – Anexo 2). Em seguida, fomos convidadas para participar da primeira reunião pedagógica do ano letivo que seria realizada em 01/03/04.
Nesta reunião pedagógica foi definido que a turma B do jardim II do turno vespertino e sua respectiva professora participariam do estudo. Foi combinado com a professora e a coordenadora da instituição que faríamos observações em sala de aula uma ou duas vezes por semana, nos dias e horários considerados mais adequados por elas. Combinamos, ainda, que realizaríamos entrevistas com a professora, consultaríamos documentos disponíveis na instituição, tais como, fichas de matrículas das crianças e relatórios, e realizaríamos uma sondagem inicial com as crianças para verificar o nível de leitura e escrita.
As Famílias
O primeiro contato com as famílias das crianças foi realizado na ‘reunião de pais’, promovida pela coordenação pedagógica da instituição em 17/04/2004. Esta reunião teve como objetivos: a) apresentar a proposta pedagógica a ser desenvolvida naquele ano letivo; b) discutir a importância da participação dos pais na vida escolar dos filhos e por último; e c) apresentar a proposta deste estudo.
Explanamos em que consistia o estudo pretendido e a forma de participação da família. Todas as famílias da turma definida para o estudo estavam presentes e expressaram interesse em participar, com exceção de uma mãe, que alegou que sua família não gostava de se engajar em atividades desta natureza. Diante disto, solicitamos às famílias, a autorização para filmar as crianças em sala de aula, inclusive a mãe que não concordou em participar do estudo (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – Anexo 3). Comprometemo-nos marcar previamente as entrevistas com as famílias e informamos que esta ocorreria em seus lares e no horário mais adequado possível.
3.3 Materiais e Equipamentos utilizados na Construção e Análise dos
Dados
Para realizar a construção dos dados das observações em sala de aula e atividades do subprojeto: “A Hora do Conto e a Escrita Significativa de Textos (SPHC)” foram utilizados os seguintes equipamentos: câmera filmadora JVC, modelo - TRV 130 e as entrevistas com a professora e as famílias, gravador sony (áudio). Para a análise dos dados, resultados e composição do relatório de pesquisa: vídeo-cassete, adaptador, microcomputador, impressora, televisor, câmera fotográfica digital, fitas cassete e de vídeo. Para realizar as atividades pedagógicas do Projeto Formação de Leitores e Escritores: livros de literatura infantil, tapete, papéis de diversos tipos e cores, lápis de cor, giz de cera, cartolina, papel cartão (diversas cores)
bailarina, durex, cola, TNT, papel A4. Para executar a confecção da bolsa de leitura: juta, dobraduras, caderno de registro de leitura.