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In document Klassisk Forum, 2001:1 (sider 63-66)

A consideração da questão ambiental pelas empresas teve início, basicamente, após a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, o fator motivador era o atendimento à legislação ambiental. Com o decorrer dos anos, a preocupação foi evoluindo e passou a ser introduzida nas decisões gerenciais e estratégicas das organizações. Uma análise histórica do comportamento ambiental das empresas, no contexto mundial, é apresentada por Maimon (1994), conforme descrito no Quadro 3.1.

Período Comportamento Ambiental

Até o início da década de 70

Nesse período verificou-se um comportamento ambiental reativo das empresas. A preocupação, principalmente das empresas de países desenvolvidos, era somente estar em conformidade com a legislação ambiental. Objetivava-se o lucro em curto prazo e os investimentos em equipamentos antipoluentes eram vistos como custos adicionais que deveriam ser repassados para o preço final dos produtos. A responsabilidade ambiental e o bom desempenho financeiro da empresa eram considerados incompatíveis, assim como a existência de uma política ambiental e o desenvolvimento econômico do país.

Fase de transição (após

choques do petróleo)

Em decorrência das duas crises do petróleo, em 1973 e 1979, as commodities tiveram seus preços elevados. Isso levou os gestores à necessidade de economizar água, energia e matérias-primas em geral. Para tanto, as empresas que já eram obrigadas a obedecer à legislação antipoluição, passaram a procurar inovações tecnológicas, remodelando seus produtos e processos.

Década de 80

O comportamento ambiental reativo passa a ser visto como uma ameaça à sobrevivência das empresas, exigindo uma mudança de atitude, porque um novo contexto ambiental começara a surgir, envolvendo fatores como:

- aumento da valorização dos consumidores e dos acionistas por empresas ambientalmente responsáveis, podendo, inclusive, oferecer resistência àquelas que não se adequarem;

- crescimento dos mercados de produtos ambientalmente favoráveis;

- difusão dos movimentos ambientalistas, que passam a apoiar os projetos de produtos ambientalmente favoráveis e a exigir o desenvolvimento de tecnologias de produção mais limpa e a realização de Estudos de Impactos Ambientais (EIAs);

- surgimento de inovações tecnológicas, em produtos e processos, que minimizam a contaminação ambiental;

- aumento de pressões internacionais para a preservação do meio ambiente.

Quadro 3.1. Análise histórica do comportamento ambiental das empresas mundiais.

Fonte: adaptado de Maimon (1994).

No Brasil, segundo a autora, o comportamento ambiental das empresas teve características diferentes das ocorridas nos países desenvolvidos, conforme é apresentado no Quadro 3.2.

Período Comportamento Ambiental

Década de 70

Já na primeira Conferência da ONU sobre Meio Ambiente, realizada em 1972 em Estocolmo, na Suécia, as autoridades brasileiras demonstraram o interesse de convidar as indústrias poluidoras estrangeiras a se instalarem no Brasil, pois aqui havia grande quantidade de recursos naturais, um abundante espaço para ser poluído e não existia uma política de controle ambiental. Na visão das autoridades, o maior problema para o Brasil era a pobreza, e não a poluição. Portanto, o desenvolvimento econômico era necessário, mesmo com conseqüências negativas para o meio ambiente.

Fase de transição

Durante a crise energética, enquanto os países se esforçaram para desenvolver tecnologias economizadoras de recursos e energia, no Brasil, a ação tomada não visava a racionalização, mas sim o desenvolvimento de fontes energéticas alternativas.

Década de 80

Nesse período o país passava por recessão econômica e as empresas não estavam estimuladas a investir na conservação ambiental, mesmo com a criação da Política Nacional do Meio Ambiente e com o crescimento das pressões dos movimentos ambientalistas.

Anos 90

Após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento (CNUAD), em 1992, no Rio de Janeiro, os empresários brasileiros passaram a demonstrar uma maior preocupação com a questão ambiental.

Quadro 3.2. Análise histórica do comportamento ambiental das empresas brasileiras.

Fonte: adaptado de Maimon (1994).

Na primeira década dos anos 2000, notou-se uma preocupação cada vez maior das empresas brasileiras em divulgar, na mídia, as práticas ambientais adotadas. Isso mostra que as empresas começam a tratar o assunto de maneira estratégica, considerando-o como uma oportunidade de melhoria de suas imagens ambientais frente à sociedade em geral (comunidade, entidades ambientalistas e consumidores).

A análise histórica evidencia que a busca de práticas ambientais no meio empresarial passa por estágios evolutivos. Alguns autores, inclusive, sugerem uma classificação desses estágios. Por exemplo, para Donaire (1994), a consideração da questão ambiental por uma empresa, geralmente, ocorre em três fases:

(1) controle ambiental nas saídas: instalação de dispositivos de controle da poluição no final do processo, por exemplo, em chaminés. Esses equipamentos são considerados caros e, normalmente, vistos como um empecilho pelas empresas;

(2) integração do controle ambiental nas práticas e processos industriais: o controle da poluição, apenas, além de ser considerado custoso, também deixa dúvidas sobre a sua eficiência. Então, as empresas passam a tratar a questão ambiental de forma preventiva, considerando-a como uma função da produção, e abrangendo atividades como o projeto de novos produtos e processos, a substituição de matérias-primas, a economia de recursos naturais (energia, água) e a reciclagem de materiais;

(3) integração do controle ambiental na gestão administrativa: com o tempo, a proteção ambiental deixou de ser vista pelas empresas apenas como o cumprimento de uma exigência legal e passou a ser considerada como uma questão estratégica de mercado. Ou seja, a sobrevivência do negócio

depende das ameaças e oportunidades surgidas em um novo mercado ambiental, no qual os consumidores, acionistas e a sociedade em geral valorizam as atitudes empresarias de conservação do meio ambiente. Nesta fase, a questão ambiental não é uma função somente da produção, mas também da administração, estando inserida no planejamento estratégico da empresa.

Outra classificação é sugerida por Miles e Covin (2000). Para os autores, existem duas abordagens diferentes de gerenciamento ambiental nas empresas: (1) modelo de gestão baseado na conformidade ambiental; e (2) modelo estratégico de gestão ambiental.

O primeiro deles é adotado em empresas cujos produtos são commodities e a competição é baseada no preço das mercadorias. Nesse caso, os dirigentes consideram ser necessário apenas cumprir a legislação ambiental para evitar a aplicação de multas, pois para eles não é possível alcançar outros benefícios competitivos, devido às especificidades do seu mercado.

O segundo modelo é adotado em empresas cuja competição não é baseada somente no preço, mas também na diferenciação dos produtos. Nessa situação, na estratégia de marketing ambiental da empresa podem ser consideradas, além das variáveis relacionadas ao preço, outras como produto, promoção e distribuição.

As classificações dos estágios evolutivos são úteis para avaliar o comportamento ambiental das empresas. Um ponto importante a esclarecer é que evoluir de uma gestão ambiental de atendimento à legislação para uma gestão ambiental estratégica é uma tarefa trabalhosa para a maioria das empresas. Essa colocação é corroborada por Rosen (2001), que menciona a necessidade de uma mudança cultural por parte de todos os funcionários da empresa, além da implementação de mudanças técnicas, como a introdução de sistemas de gerenciamento ambiental e de novas metodologias de contabilidade, de projeto de produtos sustentáveis e de análise do ciclo de vida dos produtos. Essas mudanças, além de implementadas, devem, ainda, ser melhoradas continuamente.

Para Jabbour e Santos (2006), esses estágios evolutivos apresentados na literatura (controle nas saídas, controle preventivo nas práticas e processos produtivos e inserção da variável ambiental no planejamento estratégico), que indicam a maturidade da empresa em relação à questão ambiental, não necessariamente são tratados de forma progressiva. Uma determinada empresa pode permanecer em um dos estágios, avançar ou, até mesmo, retroceder.

No Brasil, segundo Rohrich e Cunha (2004), a preocupação predominante das empresas é, somente, adotar tecnologias de controle da poluição com o objetivo de atender a legislação. Entretanto, os autores lembram que muitos empresários já estão mudando essa mentalidade e passando a considerar a questão de maneira mais ampla, o que é demonstrado pelo aumento do número de empresas que estão implementando sistemas de gestão ambiental.

In document Klassisk Forum, 2001:1 (sider 63-66)