As diretrizes são orientações ambientais, denominadas pelos autores de regras ou práticas. Consideram algumas etapas do ciclo de vida do produto, mas, não necessariamente, são apresentadas em uma seqüência de etapas, como acontece nos checklists.
Por exemplo, Luttropp e Lagerstedt (2006) apresentam um resumo pedagógico para o ecodesign, que foi criado com base em diretrizes encontradas em manuais de empresas e na literatura. Esse resumo é denominado de “As dez regras de ouro” (The Ten Golden Rules). Trata-se de regras genéricas que devem ser adaptadas para cada tipo específico de desenvolvimento de produto. Elas foram elaboradas para serem aplicadas nas aulas dos cursos
de ecodesign ministrados pelo primeiro autor, como uma ferramenta simples que facilita o ensinamento dos alunos. No Quadro 4.10 são apresentadas as 10 regras.
Regra Descrição
1 Não utilizar substâncias tóxicas. Se necessárias, utilizá-las através de
ciclos fechados de produção.
2 Minimizar o consumo de energia e de recursos naturais nas etapas de produção e de transporte, através de melhores práticas.
3
Estudar características estruturais e utilizar materiais de alta qualidade para minimizar o peso dos produtos, garantindo que os mesmos não interferiram na flexibilidade, resistência a impactos ou outras prioridades funcionais.
4
Minimizar a utilização de energia e de recursos naturais na fase de uso, principalmente para os produtos que apresentam consumos mais significativos nessa fase.
5
Promover o reparo e atualização, principalmente para produtos dependentes de sistemas. Por exemplo: telefone celular, computadores e tocadores de CD (Compact Disc).
6 Promover vida útil duradoura, principalmente para produtos que apresentam impactos ambientais significativos após a fase de uso.
7
Investir em melhores materiais, tratamentos de superfícies ou arranjos estruturais para proteger os produtos de sujeira, corrosão e desgaste, proporcionando, como conseqüência, reduzida manutenção e mais longa vida útil ao produto.
8
Planejar para a atualização, reparo e reciclagem, através da classificação de partes, maior facilidade de acesso às partes, criação de módulos, identificação de pontos de separação e fornecimento de manuais de instrução para a desmontagem.
9
Facilitar a atualização, reparo e reciclagem por meio do uso de materiais em pequena diversidade, recicláveis e não misturados (nenhuma liga de metais, por exemplo).
10 Utilizar o mínimo possível de elementos unidos, dando preferência ao uso de parafusos, encaixes, fechos, entre outros artifícios. Quadro 4.10. As 10 regras de ouro para o ecodesign.
Fonte: Luttropp e Lagerstedt (2006).
É ressaltado pelos autores que cada regra é genérica e deve ser adaptada a cada tipo de projeto. Como exemplo, eles citam o uso da primeira regra, que poderia, em um projeto específico, ser desmembrada em outras três:
- identificar as substâncias tóxicas utilizadas no produto;
- procurar um produto substituto não tóxico, que apresente as mesmas características funcionais e econômicas do produto atual;
- verificar se já existem ciclos fechados ou se eles podem ser projetados e utilizados para a reciclagem de substâncias tóxicas.
Outras diretrizes são apresentadas por Fiksel e Wapman (1994). Segundo os autores, as práticas de PMA mais adotadas pelas empresas são as seguintes:
- substituição de materiais: por aqueles com maior possibilidade de reciclagem;
- redução de resíduos na fonte: através da diminuição do peso dos produtos e de suas embalagens;
- redução do uso de substâncias tóxicas: incorporadas no produto ou utilizadas no seu processo de fabricação;
- redução do uso de energia: diminuir a energia necessária para produzir, transportar, armazenar, utilizar, reciclar e dispor do produto e de sua embalagem;
- extensão da vida: aumentar a vida útil do produto;
- projeto para a separação e desmontagem: facilitar a desmontagem dos produtos e de seus componentes;
- projeto para a reciclagem: seleção de materiais e componentes reciclados e/ou recicláveis;
- projeto para a disposição final: garantir que todos os materiais não reaproveitáveis componentes do produto sejam dispostos com segurança; - projeto para a reutilização: possibilitar que determinados componentes do
produto sejam recuperados, restaurados e reutilizados;
- projeto para a remanufatura: aproveitar resíduos pós-industriais ou pós- consumo recicláveis e utilizá-los como insumos para a produção de novos produtos;
- projeto para a recuperação de energia: obtenção de energia contida nos resíduos.
Venzke e Nascimento (2002) recomendam as práticas de ecodesign apresentadas no Quadro 4.11. Elas são mais direcionadas ao setor moveleiro, que foi o setor estudado pelos autores, mas podem ser úteis, também, para a análise de outros tipos de empresas.
Recuperação de material: deve-se evitar o uso de materiais compostos,
pois são de difícil separação, o que pode impossibilitar a recuperação e reciclagem dos componentes do produto.
Projetos voltados à simplicidade: projetar um produto mais simplificado
pode proporcionar um menor custo de produção (devido ao uso de menor quantidade de matéria-prima) e, também, facilitar a montagem e desmontagem, permitindo a sua recuperação e reciclagem.
Redução de matérias-primas na fonte: ao diminuir o uso de matérias-
primas, é reduzida, também, a geração de resíduos.
Recuperação e reutilização de resíduos: adotar tecnologias de
recuperação dos vários tipos de resíduos gerados em cada etapa do ciclo de vida do produto.
Uso de formas de energia renováveis: dar preferência ao uso de energia
solar, eólica e hidrelétrica.
Utilização de materiais renováveis: substituir o uso de materiais não
renováveis por materiais renováveis.
Produtos com maior durabilidade: um produto com maior durabilidade
possibilita que seja prorrogada a produção de um novo.
Recuperação de embalagens: desenvolver sistemas de recolhimento para
reaproveitar as embalagens, reutilizando-as (produtos com refil, por exemplo) ou reciclando-as.
Práticas
Utilização de substâncias à base de água: deve ser dada preferência ao
uso de produtos (por exemplo, solventes e tintas) à base de água, e não à base de petróleo.
Quadro 4.11. Práticas recomendadas para o ecodesign de produtos do setor moveleiro.
Fonte: adaptado de Venzke e Nascimento (2002).
Há empresas que estão desenvolvendo suas próprias diretrizes ambientais. Korpalski (1996) cita o exemplo da Hewlett-Packard (HP) que adota diretrizes que foram desenvolvidas por uma equipe multifuncional composta por representantes das áreas de desenvolvimento de produtos, compras, produção, gestão ambiental e reciclagem. Apresentam recomendações do que deve e do que não deve ser feito em assuntos como: materiais, projeto mecânico, embalagens, produtos e processos de produção.