1) Modelos conceituais e descritivos: neste grupo Alves (2013) agrega os modelos propostos no período 1995-2004 e que consideram os fatores que determinam a competitividade turística. Para a autora (2013), tais modelos não identificam especificamente quais variáveis seriam mais bem associadas aos fatores, e tampouco realizam distinção entre as variáveis independentes das dependentes de desempenho turístico no destino. Exemplos: Modelo das vantagens competitivas de Porter (conhecido como “diamante das vantagens competitivas”) aplicado ao contexto turístico e os modelos de Crouch e Ritchie (1995-2003);
2) Modelos de índices agregados: sem dúvida, o primeiro grupo contribuiu para a evolução dos demais índices de competitividade turística mundial. Neste segundo grupo a autora (2013) fez uma análise dos modelos propostos a partir do ano 2000, tendo como principal referência a criação de um índice global de competitividade no turismo. Exemplos: na esfera mundial, o índice de viagens e turismo do World Economic Forum (WEF), o do WTTC, os modelos de Dwyer & Kim (2000-2004) e o modelo de Gooroochurn e Sugiyarto (2005). No Brasil, o índice do Ministério do Turismo (2008-2013), inspirado nos pilares do índice de competitividade do WEF;
3) Modelos explicativos e preditivos: neste grupo Alves (2013) organizou os modelos criados a partir do fim da década de 2000. Possuem uma proposta de análise multivariada de dados mais robusta, pois contemplam fatores que influenciam a competitividade turística nos destinos, as variáveis que atuam de forma independente a tais fatores e as variáveis dependentes que determinam o desempenho turístico. Para que o cálculo seja coerente, foi estabelecido o peso relativo das variáveis que determinam, em maior e menor grau, a competitividade nos destinos turísticos. Exemplos: os modelos de Mazanec et al. (2007 e 2011), o modelo de Assaker, Vinzi e O'Connor (2001) e o modelo de Wu, Lan e Lee (2012).
Uma das conclusões da autora (2013) sobre os três grupos citados acima é que a maioria dos modelos teóricos vinculados à competitividade turística de destinos é de ordem descritiva, ao passo que os modelos quantitativos correspondem à minoria dos estudos. Além disso, a maior parte dos modelos, sejam eles teóricos e empíricos, foi proposta com intuito de avaliar a competitividade turística de países.
No tocante à medição mais recente de competitividade turística do Brasil, a Figura 14 exibe de forma sucinta a metodologia utilizada e publicada no relatório do Índice de Competitividade Nacional (BRASIL, 2013a).
O referido relatório expõe as 13 dimensões da competitividade turística42, no entanto
não revelam as variáveis e critérios adotados. Um questionário com mais de 400 perguntas objetivas (considerando os pilares, variáveis e critérios) foi aplicado em 65 destinos turísticos brasileiros, divididos por sua vez em 27 capitais e 38 não capitais. Além disso, para que se estabeleça um ranking (e bases comparativas), optou-se por adotar uma escala de cinco níveis, sendo que a última, que corresponde a um intervalo entre 81 e 100 pontos, indica que um determinado destino é o mais competitivo (BRASIL, 2013a).
A Figura 15 abaixo, extraída do relatório, expõe os índices de competitividade por dimensão e em ordem decrescente de desempenho. É possível notar que a dimensão que obteve maior pontuação foi “Infraestrutura geral” e a que alcançou menor pontuação foi a dimensão “Monitoramento”. A competitividade possui um caráter bastante dinâmico, mas como é apresentado na Figura abaixo, variáveis como monitoramento, cooperação e
marketing/promoção, apresentam um dos menores índices.
42 Na literatura em geral usa-se o termo “pilar” para competitividade. No relatório do Índice de Competitividade
Nacional utilizou-se o termo “dimensão” (BRASIL, 2013a). Para que não haja confusão conceitual no decorrer desta tese, adotamos “pilar” quando nos referimos à competitividade e “dimensão” para sustentabilidade. Todavia, nessa parte especificamente sobre a apresentação dos resultados do relatório, consideraremos os 13 pilares da competitividade turística brasileira como dimensões.
• Nível 1: intervalo entre 0 a 20 pontos • Nível 2: intervalo entre 21 a 40 pontos • Nível 3: intervalo entre 41 a 60 pontos • Nível 4: intervalo entre 61 a 80 pontos • Nível 5: destinos com índices entre 81
a 100 pontos 13 dimensões (pilares) Subdivisão: Dimensões Variáveis Critérios Questionário com mais de
400 perguntas objetivas Aplicação em 65
destinos turísticos (Capitais e não-capitais)
Figura 14 – Representação objetiva da metodologia do Índice de Competitividade Nacional Fonte: Elaborado por Daniela Rocco (2014) com base em BRASIL (2013a).
Figura 15 – Índices de Competitividade por dimensão em ordem decrescente de desempenho - Brasil: 2013 Fonte: BRASIL (2013a).
Com relação aos resultados consolidados (capitais e não capitais), na Figura 16 a seguir estão organizados os dados obtidos entre 2010 e 2013. De forma geral, verifica-se que ocorreram avanços. A média do nível de competitividade geral dos 65 destinos pesquisados em 2013 foi de 58,8 pontos (na escala limite são 100 pontos), enquanto que em 2010 a pontuação geral foi de 56,0. Segundo o relatório, a média dos 65 destinos corresponde ao nível 3 (estágio intermediário de competitividade, em um intervalo entre 41 e 60 pontos), entretanto, das 27 capitais pesquisadas, 20 encontram-se no nível 4 (61 a 80 pontos). O grupo de capitais alcançou em 2013 uma média maior: se na pesquisa anterior agregava 65,5 pontos, neste último relatório aumentou para 66,9 pontos. No tocante ao grupo das não capitais, a média também registrou acréscimo: de 51,8 pontos em 2011 para 53,1 pontos em 2013 (esta foi, inclusive, a média que apresentou maior aumento em relação a 2011). A maioria das não capitais (28 destinos) encontra-se no nível 3, contudo, oito não capitais passaram a ocupar o nível 4 e apenas dois destinos ainda não ultrapassaram o nível 2.
Figura 16 – Resultados consolidados - Brasil, capitais e não capitais: 2010-2013 Fonte: BRASIL (2013a).
É possível inferir que o Índice de Competitividade Nacional dialoga com o conceito de sustentabilidade abordado nesta tese, pois no referido Índice são contemplados os “aspectos sociais”, “aspectos ambientais”, “aspectos culturais” e, no âmbito econômico, a “economia local” e “capacidade empresarial”. Entretanto, a inovação não é considerada diretamente no índice brasileiro, o que já é objeto de estudo recente do próprio MTur.
Para Baños e Jiménez (2012), a competitividade de um destino turístico não pode ser considerada se os rendimentos são adquiridos por meio da degradação dos recursos e acentuação da desigualdade e de outros custos sociais. Esta prática, segundo os autores, é autodestruidora da própria atividade turística.
É preciso ressaltar que o pilar inovação é encontrado de forma direta e/ou indireta desde os primeiros modelos de competitividade, porém a literatura (CROUCH & RITCHIE, 1999; BUHALIS, 2000; WEF, 2013a; 2013b; ALVES, 2013) revela que a o pilar sustentabilidade vem sendo incorporado aos poucos nos modelos de competitividade global, inclusive nos modelos de competitividade turística.
De acordo com Alves (2013), os modelos mais tradicionais de competitividade turística adotados na literatura, que são os de Crouch & Ritchie (1995-2003) e os de Dwyer
& Kim (2003), incluem a sustentabilidade como pilar. No entanto, variáveis ou fatores vinculados direta ou indiretamente às dimensões ambiental, social e cultural são tratados isoladamente.
Se os destinos turísticos brasileiros dependem, obviamente, de empresas, se já são tautológicos os motivos pelos quais as empresas fracassam e se é evidente que a inovação e sustentabilidade são fortes fatores de competitividade (PORTER & VAN DER LINDE, 1995), a próxima seção apresenta a interface entre esses dois pilares tão importantes para uma atividade turística brasileira que se quer mais competitiva.
O ser humano, com todo o desenvolvimento de sua capacidade cognitiva na condição de Homo sapiens sapiens, tem deixado para a humanidade legados materiais e imateriais incalculáveis. No “mundo d.i.” os avanços e legados não necessariamente correspondem a impactos positivos para a coletividade. A relação nem sempre é diretamente proporcional: mesmo com mais acesso a inovações (tecnológicas ou não), sensação de conforto, atividades e resultados eficientes, desenvolvimento da medicina, entre outros vários progressos, ainda existem no “mundo d.i.” diversas mazelas sociais, como a extrema pobreza (CASTELLS, 2002).
Diante da impossibilidade de se manter a atual economia, tendo em vista os incontáveis impactos negativos que tem gerado, Abramovay (2012) propõe a transição para uma nova economia, que por sua vez se orienta a partir de algumas estratégias: 1)
Sociedade e natureza (limite dos ecossistemas e inovação para o uso eficiente, inteligente
e moderado da matéria, energia e biodiversidade); 2) Metabolismo industrial e 3) Relação
entre economia e ética. O “metabolismo industrial” é capaz de diminuir o uso de CO2 em termos de matéria e energia, oferecendo oportunidades para a satisfação das necessidades básicas. Esse processo pode reduzir a desigualdade e aumentar, através da inovação, a produtividade dos processos.
Abramovay (2012) afirma que a referida transição para uma nova economia passa pelo caminho da economia verde e da sociedade da informação em rede. Estas, por sua vez, abrem novos rumos para a inovação, inclusive para o desenvolvimento de sistemas de
inovação voltados para a sustentabilidade, assim como define o autor:
2.4 INOVAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE NO TURISMO: A LEGITIMAÇÃO