1974; VEIGA, 2010b); o princípio do decrescimento (corrente de pensamento francês) (LATOUCHE, 2012); as práticas de educação ambiental (LAYRARGUES, 2000; ZANETI & SÁ, 2002); os mecanismos de produção mais limpa (CETESB; PNUMA, 2004); o comércio de créditos de carbono (carbono zero) (ONU, 1998); a criação e o desenvolvimento de indicadores ambientais (VAN BELLEN, 2006); as formas de governança global para conter os impactos (mudanças climáticas, biodiversidade e assim por diante) (OSTROM, 1990; 2003); o princípio do poluidor-pagador (quem polui paga) (BRASIL, 1988); o fortalecimento da regulação/licenciamento/zoneamento/punição (BRASIL, 1988); os modelos voltados para os problemas urbanos; os modelos centrados no tema da energia; os modelos mais focados em temas sociais; os modelos cuja centralidade está na mudança dos padrões de consumo e comportamento; os modelos de comércio justo (fair trade); os modelos com ênfase nas mudanças filosóficas dos seres humanos (movimentos de contracultura de consumo consciente), entre outros.
Ainda que a problemática que envolve o tema social, cultural, ambiental e econômico seja muito complexa, o debate sobre o desenvolvimento sustentável confirma a tentativa de se legitimar e obter as melhores soluções para a sustentabilidade dos destinos turísticos, por exemplo.
Com tantos modelos de desenvolvimento sustentável (que se aplicam em diferentes situações, setores e empresas), considera-se que a inovação no contexto do turismo pode ser um fator-chave para a facilitação do turismo sustentável nos destinos turísticos, sendo capaz de gerar, de maneira criativa, a inclusão produtiva dos trabalhadores e até mesmo incentivar a competitividade do próprio destino. Além disso, a inovação a partir de processos de governança pode contribuir para o fortalecimento da cooperação e criação de redes sociais que sejam produtivas e valorizadas no sistema de turismo.
Modelos de turismo
Modelos de análise do turismo são muito utilizados na literatura específica desse campo do conhecimento, e segundo Hall (2006) e Buhalis (2000), o modelo de Butler (1980) é um dos mais referidos, em função da análise do ciclo de vida de destinos turísticos, conhecida como TALC (Tourism Area Life Cycle). A Figura 20 abaixo representa o modelo que evidencia basicamente uma relação de número de turistas versus tempo.
Figura 20 – Tourism Area Life Cycle Fonte: Butler (1980).
Embora outros modelos semelhantes tenham sido criados antes de Butler (particularmente a partir da década de 196047), outros modelos semelhantes tenham sido
criados recentemente48 e o fato de o modelo de Butler (1980) ser aquele que a academia
mais se apropria, o TALC ainda apresenta algumas deficiências, por exemplo: muita dependência na relação de oferta e demanda (COOPER et al., 2002), a dificuldade de se mensurar quantitativamente a capacidade de carga (AGARWAL, 1994), considerar apenas as dinâmicas internas da atividade turística, uma vez que também existem fatores externos, por exemplo, concorrência (DEBBAGE, 1990) e apresentar um cenário ideal de ciclo de vida de um destino turístico, mas que possui pouca aderência com o cenário real (WEAVER, 2000). Diante dessas fragilidades relativas ao modelo de Butler (1980), e considerando a importância de se analisar um destino turístico, acreditamos que a construção de uma matriz pautada na inovação e na sustentabilidade pode auxiliar nos processos sobre como o turismo pode ser mais competitivo no país. Ou seja, como a inovação e a sustentabilidade podem ser critérios relevantes de um “modelo” mais adequado aos desafios contemporâneos em que ambas são parte da mesma equação para solucionar ou introduzir novos valores e novas “propostas de valor” em um mercado que necessita de um novo paradigma econômico, ambiental e social de produção.
47 Vide Christaller (1963), Cohen (1972), Brougham e Butler (1972 apud Butler, 2006), Plog (1974), Fox (1973) e
Fuster (1979).
48 Vide Knowles (1996), Berry (2001), Russo (2002), Cooper e Jackson (1989), Cooper (1990, 1992, 2001, 2002),
Modelos de competitividade turística
Existem modelos e índices de competitividade turística reconhecidos no mundo inteiro, entre eles:
- WEF (World Economic Forum): Índice de Competitividade de Viagens e Turismo; - OCDE (Organisation for Economic Co-operation and Development): Indicators for
Measuring Competitiveness in Tourism: A Guidance Document;
- Banco Mundial (Doing business);
- GEM (Global Entrepreneurship Monitor): Níveis de empreendedorismo e crescimento econômico;
- WTTC (World Travel & Tourism Council);
- EXCELTUR/Monitur: Destinos regionais da Espanha (Comunidades Autônomas), mas não está centrado na sustentabilidade;
- ETIS: Sistema europeu de indicadores para medir o turismo e a sustentabilidade (em processo de aplicação);
- Crouch & Ritchie (1992; 2003; 2007): Não especificam a dimensão territorial (modelo teórico, entretanto, está centrado na sustentabilidade).
Com relação ao Brasil, o principal modelo de competitividade turística que é adotado é o Índice de Competitividade do Turismo Nacional, desenvolvido pela FGV em parceria com o SEBRAE e MTur.
Alves (2013) explica que tais modelos, em sua maioria, são fragmentados, adotam como unidade de análise o país (âmbito nacional), são testados em destinos turísticos internacionais, não possuem estudos comparativos, não conciliam oferta com demanda, entre outros fatores.
Os modelos anteriormente citados possuem especificidades que foram consideradas e adaptadas para construir um modelo que contribuísse na análise da inovação para a sustentabilidade no turismo: a MIST. A seção a seguir apresenta os atributos, variáveis e critérios de análise da matriz que foi elaborada.
A MIST (Matriz de Inovação para Sustentabilidade no Turismo) é principal instrumento de análise construído para auxiliar na interpretação dos dados e informações obtidos na pesquisa de campo junto a equipamentos e atrativos turísticos. Ela é
representada na forma de uma grade de análise (grille d’analyse49). Também pode ser
entendida como um check-list baseado especialmente em atributos, variáveis e critérios e organizado em formato de matriz.
Propomos a construção da MIST porque o resultado principal nos forneceria dados e informações de maneira estruturada e organizada sobre atrativos e equipamentos turísticos que mais possuem características de inovação para a sustentabilidade. O processo geral, que será detalhado nas próximas seções, subsidiou, assim, análises mais aprofundadas a respeito dos três destinos turísticos selecionados como campo empírico deste trabalho. Em termos de estrutura, a MIST é composta por atributos, variáveis, critérios e segmentos da atividade turística, cuja construção e seleção foram assim realizadas:
- Atributos: são os dois pilares da competitividade (conceitos-chave: inovação e
sustentabilidade) que já foram apresentados na revisão da literatura (pesquisa exploratória);
- Variáveis: de duas naturezas, de inovação e de sustentabilidade, escolhidas pela
relevância na literatura e sua contribuição na pesquisa, supracitada (autores citados na Figura 19);
- Critérios: construídos e selecionados a partir desses estudos: i) “Criação de valor
através da inovação de Modelo de Negócio” de Amit & Zott (2012); ii) Diagnóstico de inovação do setor turístico no País Basco, desenvolvido por Tecnalia & CICtourGUNE (2008) e iii) Método CANVAS (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2009). Quanto aos critérios de sustentabilidade, optamos por adotar e adaptar os requisitos da Agenda 21 para o Turismo, da OMT (OMT, 1996; 2005; 2012) e do Plano EcoEuskadi 2020 (GOBIERNO VASCO, 2011).
- Segmentos da atividade turística: Foram eleitos a partir dos estudos desenvolvidos por Alzua-Sorzabal & Abad Galzacorta (2008). As autoras realizaram um diagnóstico da inovação no setor turístico do País Basco (Espanha) com os sete principais segmentos do turismo. Adaptamos e selecionamos esses: 1) Meios de transporte; 2) Meios de Hospedagem; 3) Alimentos e bebidas; 4) Atrativos turísticos; 5) Agências de viagens; 6) Governo e informação turística e 7) Cooperação/Terceiro setor. Tais segmentos ou estão inseridos em um sistema aberto que contém a cadeia de valor do turismo ou, em um contexto mais avançado de inovação, em uma complexa rede aberta de encadeamentos produtivos e a cadeia de valor do turismo.
A seguir serão apresentados os Quadros 13 e 14, que apresentam respectivamente a MIST e seu detalhamento.
49 Procedimento popularmente utilizado na França, a “grade de análise” permite modos de operação, análise e
síntese, bem como uma análise detalhada sobre um determinado tema/contexto. Também pode ser usada para estabelecer metas, identificar indicadores, auxiliar no processo de tomada de decisão, entre outros tipos de avaliação (VILLENEUVE; RIFFON, 2011).
117 Quadro 13 – MIST (Matriz de Inovação para a Sustentabilidade no Turismo)
Fonte: Elaborado por Daniela Rocco (2014).