1. INTRODUCTION
1.5. Some diseases where ubiquitin might be involved
1.5.2 Ischemic heart disease
Realizamos grande parte da pesquisa de campo no ano de 2012. Nesse período, identificávamos o objetivo por meio dos seguintes termos: “O objetivo da pesquisa consiste em investigar contribuições que disciplinas de Psicologia da Educação, ministradas em cursos
84 Ao se referir à pesquisa qualitativa, Denzin e Lincoln (2006, p. 23) esclarecem que o termo “qualitativo”
corresponde à ênfase sobre qualidades, processos e significados não examinados quantitativamente. Estes autores afirmam que, na pesquisa qualitativa, enfatiza-se a constituição social dos fenômenos, a relação entre o pesquisador e seu objeto de estudo, as limitações implicadas no processo de investigação e os valores que se configuram nesse processo, buscando “soluções para questões que realçam o modo como a experiência social é criada e adquire significado” (p. 23 – grifo dos autores).
82 de Pedagogia de universidades situadas no Estado de São Paulo, podem propiciar aos graduandos, para compreensão de elementos relacionais, institucionais, sociais e políticos envolvidos na complexidade do processo educacional”85
.
Partindo desse objetivo, iniciamos tal investigação, contando com a colaboração dos seguintes participantes da pesquisa: cinco coordenadores de cursos de Pedagogia e dez docentes de disciplinas de Psicologia da Educação destes cursos, em cinco universidades
situadas no Estado de São Paulo, além de estudantes de três disciplinas de Psicologia da Educação em cursos de Pedagogia e de demais Licenciaturas, observadas durante um semestre.
Conforme mencionaremos adiante, ao longo do trabalho de campo surgiu a possibilidade de observar a tais disciplinas em um curso que abrange as demais Licenciaturas, de modo a ampliar esse campo de investigação (no quarto capítulo, apresentaremos a estrutura geral dos cursos de Licenciatura em Pedagogia e das demais Licenciaturas, em que as disciplinas foram observadas; para facilitar a diferenciação entre esses cursos neste terceiro capítulo, iremos identificá-los, respectivamente, como curso de Pedagogia e curso de Licenciatura); este fato implicou posteriormente a necessidade de entrevistar a coordenadora do curso de Licenciatura, de modo a contarmos, ao final desse processo, com a participação de seis coordenadores no total (cinco de cursos de Pedagogia e uma de Licenciatura). Buscando-se manter o sigilo, utilizamos pseudônimos, escolhidos pelos próprios participantes.
Para a seleção destas universidades, baseamo-nos nos seguintes critérios: a) as universidades, situadas no Estado de São Paulo, deveriam ser reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC); b) deveria haver a presença de ao menos uma universidade em cada uma das seguintes categorias referidas pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)86: universidades públicas e privadas;
dentre as universidades privadas, encontram-se as particulares (em sentido estrito, ou seja, com
fins lucrativos) e as comunitárias ou filantrópicas (beneficentes, que podem ser laicas ou
confessionais). Ou seja, deveriam ser selecionadas ao menos uma universidade pública, uma particular e uma comunitária ou filantrópica (laica ou confessional).
E utilizamos como procedimentos: a) análise de documentos; b) entrevistas individuais com coordenadores e docentes; c) observação de disciplinas de Psicologia da Educação; d) entrevistas em grupo com estudantes das disciplinas observadas; e) questões
85 Este objetivo foi apresentado aos participantes da pesquisa e consta na “Carta de apresentação” e no “Termo
de consentimento livre e esclarecido” (Apêndices A e B).
83 respondidas pelos estudantes. Apresentaremos, a seguir, algumas considerações acerca de cada procedimento.
a) Análise de documentos
Durante a pesquisa de campo, tivemos acesso às ementas e aos planos de ensino das disciplinas de Psicologia da Educação investigadas, bem como à matriz curricular de seus cursos;
além disso, foi-nos disponibilizado o projeto político-pedagógico de alguns cursos.
Ao longo da observação de três disciplinas de Psicologia da Educação, também pudemos
acessar o material didático utilizado pelos docentes (tais como textos da bibliografia indicada no programa da disciplina, textos entregues pelos docentes para realização de atividades em sala de aula, slides projetados em datashow e filmes transmitidos em aula).
b) Entrevistas individuais com coordenadores e docentes
Realizamos entrevistas individuais semidirigidas ou “semiestruturadas” (Queiroz, 1983, p. 47) com seis coordenadores – cinco de cursos de Pedagogia e um de Licenciatura – e dez docentes de disciplinas de Psicologia da Educação desses cursos.
Por meio destas entrevistas, buscamos identificar a trajetória, a formação e a concepção teórica que fundamenta o trabalho destes profissionais, bem como a estrutura geral do curso ou das disciplinas investigadas, de modo a atentar para a elucidação do conteúdo ministrado e de contribuições oferecidas para a formação de professores.
As entrevistas foram registradas por meio da técnica do gravador (enfatizada por Queiroz, 1983), após o consentimento dos entrevistados, a fim de se propiciar maior fidedignidade dos dados, assim como uma análise mais profunda do material.
Os roteiros de entrevistas com coordenadores e com docentes encontram-se anexos (Apêndices C e D).
c) Observação de disciplinas de Psicologia da Educação
Ao longo do segundo semestre de 2012, observamos semanalmente às aulas ministradas em três disciplinas de Psicologia da Educação: uma no curso de Pedagogia e duas no
de Licenciatura; as três disciplinas eram oferecidas na mesma universidade. A escolha desta universidade justifica-se pelo fato de ser a única, dentre as cinco, em cuja matriz curricular constavam disciplinas de Psicologia da Educação, pertinentes com o objetivo da pesquisa,
84 seriam oferecidas apenas no semestre seguinte (ou seja, no primeiro semestre de 2013), período em que a pesquisa de campo seria finalizada.
O fato de se ampliar o foco de investigação para além do curso de Pedagogia, de modo a contemplar as demais Licenciaturas, decorreu do contato estabelecido com duas docentes destas disciplinas, que ministravam suas aulas em ambos os cursos. Em uma conversa inicial com as docentes, estas afirmaram que no período da pesquisa de campo, apesar de não oferecerem disciplinas de Psicologia da Educação na Pedagogia, iriam ministrá-las na
Licenciatura, com conteúdo muito próximo àquele e, diante de tal oportunidade, a observação a essas aulas passou a compor nosso procedimento de pesquisa.
Durante a observação dessas três disciplinas, realizamos as seguintes atividades: registro, por escrito, do conteúdo ministrado pelas docentes, bem como de perguntas e respostas das docentes e dos estudantes; leitura da bibliografia indicada no plano de ensino da disciplina; acompanhamento das discussões dos estudantes nas atividades em grupo na sala de aula; observação dos seminários apresentados pelos estudantes e acompanhamento dos relatos sobre a experiência do estágio realizado pelos estudantes ao longo das disciplinas de Licenciatura.
d) Entrevistas em grupo com estudantes das disciplinas observadas
No final do segundo semestre de 2012, realizamos entrevistas em grupo com estudantes das três disciplinas observadas. Para cada disciplina, havia um grupo de três ou quatro estudantes (um grupo com três estudantes e dois grupos com quatro) e cada grupo participou de uma entrevista.
Os encontros em grupo com os estudantes foram inspirados na proposta de “grupo focal”, que, segundo Cruz Neto, Moreira e Sucena (2001), consiste em uma técnica de pesquisa na qual se reúne um determinado número de pessoas que fazem parte do público- alvo em questão, com o objetivo de “coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles [membros do grupo], informações acerca de um tema específico” (pp. 163-4).
De acordo com esses autores, a técnica de grupos focais propicia que os participantes apresentem, de modo simultâneo, suas concepções e conceitos (convergentes e/ou divergentes entre si) acerca de determinado tema, favorecendo a discussão entre os integrantes do grupo; promove-se, portanto, uma “fala em debate”: “A fala que é trabalhada nos grupos focais não é meramente descritiva ou expositiva; ela é uma ‘fala em debate’, pois todos os pontos de vista expressos devem ser discutidos pelos participantes” (p. 164).
85 A técnica de grupos focais envolve, ainda, a participação de um “mediador” e de um “observador”. Segundo os autores, o mediador executa a função central, sendo responsável pela condução e conclusão dos debates, bem como pela motivação dos participantes, interagindo com estes (p. 166). Ao observador cabe a execução da análise e da avaliação do processo, podendo exercer, ainda, as funções de “relator” (anotando as falas, nomeando-as e atentando para a linguagem não verbal dos participantes) e de “operador de gravação” – realizando-a em função do equipamento utilizado para o registro dos debates (pp. 166-7).
Estes autores acrescentam a ideia de que para a realização do grupo focal, deve-se elaborar um “roteiro de debate”, com questões referentes a tópicos centrais a serem discutidos, a fim de se propiciar o levantamento de informações relevantes para a pesquisa (pp. 169-70).
Por fim, os autores esclarecem que há basicamente dois procedimentos distintos para a utilização da técnica de grupo focal: 1) “manter os mesmos participantes e realizar com eles mais de um grupo focal, propondo novos temas e/ou aprofundando-os a cada reunião”; 2) “manter os mesmos temas e substituir os participantes” (p. 165). A escolha entre os dois procedimentos decorre do objetivo da pesquisa.
Em nossa pesquisa de campo, utilizamos o segundo procedimento, realizando um encontro para cada grupo de estudantes, com a participação de três grupos distintos. Para cada grupo, elaboramos um roteiro de questões em que foram contempladas perguntas coerentes com o conteúdo ministrado ao longo de cada disciplina observada e pertinentes ao objetivo da pesquisa. Os roteiros de entrevista para cada grupo encontram-se anexos (Apêndices E e F).
Os encontros com os grupos de estudantes ocorreram no último dia de aula de cada disciplina observada, na própria sala de aula, com aproximadamente uma hora de duração (antes ou depois das aulas) e foram registrados por meio de um gravador. Contamos com a colaboração de uma auxiliar de pesquisa, que desempenhou a atividade de “relatora” – tal como foi apontado acima, segundo Cruz Neto, Moreira e Sucena (pp. 166-7)87. Sua função consistiu em registrar trechos do diálogo dos alunos, nomeando-os (a fim de facilitar sua identificação) e contribuir com a transcrição de tais entrevistas.
A seleção dos participantes do grupo decorreu da análise das questões respondidas pelos estudantes no primeiro dia de aula, bem como de sua participação em sala e da disponibilidade para estar presente na entrevista.
86 e) Questões respondidas pelos estudantes
No primeiro e no último dia de aula das disciplinas observadas no curso de Licenciatura, os estudantes responderam a uma ou duas questões dissertativas, elaboradas a fim de investigar sua concepção acerca das contribuições que estas disciplinas oferecem para sua formação e atuação profissional, bem como de determinados temas pertinentes à pesquisa e discutidos em aula. Como as observações da disciplina no curso de Pedagogia começaram após o início das aulas, estes estudantes responderam às questões no último dia letivo.
As questões entregues aos estudantes de cada disciplina observada encontram-se anexas (Apêndices G, H e I).
O material obtido na pesquisa de campo foi analisado com base na proposta de André (1983, p. 66-71), referente à “análise de prosa”, que consiste em uma “forma de investigação do significado dos dados qualitativos” e possibilita a obtenção de uma “visão profunda e multidimensional dos fenômenos”, levantando-se questões a respeito do conteúdo do material, de modo a incluir mensagens explícitas ou implícitas presentes no conteúdo do material coletado. Ao levantar tais questões, atenta-se para as mensagens e significações de seu conteúdo e para o contexto dos dados, bem como para o quadro teórico em que se situa o fenômeno estudado. Enfim, deve-se ressaltar que ao longo do desenvolvimento da pesquisa, “tópicos e temas vão sendo gerados a partir do exame dos dados e de sua contextualização no estudo”; estes temas são frequentemente revistos e reformulados, com base nos princípios teóricos e pressupostos da investigação realizada (André, op. cit., p. 67).
Enquanto avançávamos no processo de análise, tornava-se cada vez mais evidente a necessidade de recorte desse vasto material obtido no trabalho de campo. Seguindo as recomendações dos membros da banca no Exame de Qualificação e com base nas reflexões e ponderações nas reuniões de orientação, centramos nossa análise no material decorrente de observações a duas disciplinas, que passaram a ser identificadas como Psicologia da Educação A
(ministrada no curso de Pedagogia) e Psicologia da Educação B (na Licenciatura). Essa escolha
justifica-se pelo fato de que ao longo da análise, enquanto ressignificávamos nosso objeto e objetivo, a reflexão sobre o material obtido passou a suscitar o levantamento de temas e questões que não haviam sido abordados nas entrevistas com os coordenadores e docentes das demais disciplinas e que foram propiciados pela imersão em campo, por meio das observações às discussões realizadas em sala de aula, do acesso às respostas dos estudantes às questões e às provas ou das entrevistas em grupo com os estudantes. Como uma dentre as três disciplinas a que observamos dedicava-se a questões não condizentes propriamente aos
87 temas que passamos a analisar em coerência com o material obtido em campo e com a redefinição de nosso objetivo, focamos a análise nas duas disciplinas referidas acima.
Os participantes envolvidos no processo de investigação destas duas disciplinas (em que se realizaram todos os procedimentos citados acima) foram: um coordenador do curso de Pedagogia, uma coordenadora da Licenciatura, duas docentes e os estudantes dessas disciplinas; dos encontros em grupo ao final de cada disciplina participaram, respectivamente, três estudantes de Psicologia da Educação A e quatro de Psicologia da Educação B.