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O primeiro caso estudado foi um edifício residencial de 03 pavimentos, situado no bairro Serra em Belo Horizonte. Ele foi construído em estrutura metálica não aparente, com vedações externas em alvenaria de tijolo cerâmico furado e vedações internas em painéis de gesso acartonado, sendo as lajes de piso em painéis pré-moldados de concreto armado (FIG.4.1). Além disso, foram utilizados outros sistemas industrializados como o de esquadrias e o de instalações.

a) b) FIGURA 4.1 – Fachada da edificação

a) Edificação em fase de construção – com estrutura aparente b) Edificação acabada

Esse empreendimento foi realizado, em 1999/2000, pela empresa Angra Incorporações Imobiliárias, uma construtora de pequeno porte, cujo empreendedor é um profissional que atua como incorporador e construtor de imóveis, sendo sua formação na área de economia. A empresa em questão atua no mercado há aproximadamente 08 anos. Ela utiliza mão de obra contratada para cada empreendimento, não adota programa de treinamento de pessoal ou plano sistematizado para introdução de novas tecnologias na obra, e seu campo mercadológico de atuação é voltado para prédios residenciais de pequeno porte.

A edificação foi projetada para ser construída em concreto e não houve estudo para adaptação do projeto à utilização da estrutura metálica, assim como não houve acompanhamento da obra por parte do arquiteto. A adaptação do projeto original ao uso de novos materiais e técnicas foi feita parte pela fábrica responsável pelo cálculo e montagem da estrutura metálica e parte durante o processo de execução, no canteiro de obras. Não houve estudo específico para a compatibilização dos sistemas utilizados, o que posteriormente levou a alguns contratempos e à contratação de consultoria na área de vedações.

O processo construtivo e os novos materiais utilizados foram escolhidos através de visitas a feiras da construção civil. E os principais motivos para a utilização de novas tecnologias foram a intenção de reduzir pessoal em obra e diminuir o prazo de execução, e o desejo de modernizar o processo construtivo para se chegar a um esquema de simples montagem.

A seqüência de montagem foi definida pela estrutura metálica, que foi inteiramente montada para se começar o encaixe e montagem dos painéis de laje pré-fabricada. Em seguida, a começar pelo térreo, foram levantadas as alvenarias externas, que se encaixavam na estrutura com ligações feitas em tela galvanizada “ancofix”em alguns pontos (FIG.4.2), em outros fazia-se a ligação através de cantoneiras metálicas (FIG.4.3). Os painéis de laje (FIG.4.4) não previam desníveis de áreas molhadas para áreas secas, por isso foi feito um capeamento por todos os pavimentos que permitiu a criação desses desníveis. As paredes externas foram rebocadas internamente e só aí puderam entrar os perfis para montagem das divisórias de gesso acartonado (FIG.4.5). Já o reboco externo estava sendo executado, assim como a instalação das esquadrias externas, constituindo outra frente de trabalho. Nesse ponto, as instalações hidráulicas e elétricas que seriam embutidas nas divisórias internas precisavam ser finalizadas (FIG.4.6) para fechamento dessas vedações com as placas de gesso (FIG.4.7). Então entraram as esquadrias que eram simplesmente encaixadas (FIG.4.8), e foi feita a finalização dos acabamentos de piso e parede (FIG.4.9).

FIGURA 4.3 – Ligação alvenaria estrutura com cantoneira metálica

a)

b)

FIGURA 4.4 – Laje em painéis de concreto pré-moldado a) Furações e tubulações – lajes

FIGURA 4.5 – Perfis metálicos para montagem das divisórias de gesso acartonado

FIGURA 4.6 – Instalações embutidas nas divisórias de gesso acartonado

a) b)

FIGURA 4.7 – Divisórias de gesso acartonado montadas

a) Embutimento – instalações hidráulicas e elétricas – banheiro b) Embutimento – instalações elétricas – quarto

FIGURA 4.8 – Montagem – esquadria industrializada em divisória interna

FIGURA 4.9 – Acabamentos internos

Durante o processo de execução do edifício, os maiores problemas apresentados foram as ligações da alvenaria com a estrutura metálica (FIG.4.10) e a carência de mão de obra especializada para execução dos novos sistemas. Além disso, houve problemas gerados pela deficiência no planejamento e compatibilização dos processos de execução de cada sistema. Essa falta de integração entre as etapas do processo acumulou atrasos no cronograma da obra, que já começou com prazos estourados devido à entrega da estrutura metálica e dos painéis de laje.

FIGURA 4.10 – Ligações alvenaria/estrutura metálica

Surgiram trincas nas junções das alvenarias com vigas e pilares (FIG.4.11), já que as vedações externas estavam trabalhando junto com a estrutura. Dessa forma, foi necessário soltar a alvenaria da estrutura para evitar problemas de trincas devidas à movimentação e dilatação diferenciada dos dois sistemas (FIG.4.12). Além disso, a estrutura metálica montada apresentou diferenças de prumo e alinhamento de fachada, o que gerou problemas no revestimento externo do prédio, que teve de ser equacionado adotando-se soluções propostas por consultor específico de vedações. Na solução de tais problemas e na adoção de novos materiais como o gesso acartonado, necessitou-se de componentes e aditivos de acabamento , como fitas, telas e massas, de custo muito elevado.

FIGURA 4.11 – Trincas nas junções alvenaria/estrutura junção

pilar/alvenaria

junção

FIGURA 4.12 – Planta esquemática da junção alvenaria/estrutura metálica

Em relação às divisórias internas, o maior problema foi a carência de mão de obra qualificada, já que tal sistema necessita de exatidão na execução, inclusive para a colocação das esquadrias posteriormente (FIG.4.8). A necessidade dessa exatidão levou a um certo desperdício de tempo e retrabalho, já que a equipe inicial de montagem teve que ser trocada e parte do serviço refeito.

No que se refere aos painéis de piso, o problema inicial foi um acréscimo de carga em todos os pavimentos, devido à não previsão dos desníveis de áreas secas para áreas molhadas. Outro imprevisto foi a dificuldade de embutimento de fiação e caixas de passagem no piso pré-moldado, que não conseguiu suprir todas as necessidades de projeto. Como a tubulação para passagem dos fios ficou embutida no piso, a execução dessa tarefa se tornou extremamente artesanal e trabalhosa. Além disso, foram encontradas dificuldades para se obter um acabamento de teto com qualidade, já que o tratamento das juntas das placas de piso não tinha sido estudado pelo fabricante ou pelo construtor.

No caso aqui analisado, a associação da estrutura metálica a outros sistemas industrializados trouxe maior limpeza à obra e possibilitou uma redução no quadro de

mastique –

friso p/ soltar a estrutura

vedação externa

espaço p/ movimentação - estrutura e vedações pilar metálico

funcionários no canteiro. Entretanto, como a introdução dessas novas tecnologias não se deu de maneira planejada e com uma visão sistêmica do processo global da construção, resultados relativos a prazos e custos foram negativos, o que é agravado por se tratar de um empreendimento residencial e que, por isso, tem menos liquidez no mercado.