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The aim of ITS standardisation

Esta edificação analisada é um edifício residencial de 03 pavimentos, situado no bairro Grajau em Belo Horizonte, construído em estrutura metálica não aparente, com perfis leves em chapa dobrada. As vedações externas foram montadas em painéis de concreto armado com alma em poliestireno expandido, de aproximadamente 4,00 x 3,00 m e 7 cm de espessura. As vedações internas adotadas foram painéis de gesso acartonado e as lajes de piso foram feitas em painéis pré-moldados de concreto (FIG.4.14).

Esse empreendimento foi realizado, em 1999/2000, por uma construtora de pequeno porte associada a empresas fabricantes de sistemas industrializados para a construção civil. Os profissionais responsáveis pelo empreendimento trabalham na área da construção civil há mais de 15 anos, sendo as edificações residenciais seu nicho de mercado de atuação mais comum. A empresa não possui quadro fixo de funcionários para a obra, portanto não mantêm nenhum tipo de programa de treinamento. As etapas de acabamento são contratadas por empreitada, assim a obra se torna um conjunto de serviços terceirizados.

A obra foi concebida desde o início como uma construção industrializada. Portanto o projeto nasceu e se desenvolveu de acordo com as possibilidades oferecidas pelos novos sistemas a serem utilizados. Até a finalização do conjunto de projetos para o edifício, foram feitas compatibilizações e criadas soluções específicas de acordo com fabricantes e necessidades do cliente. Entretanto, ainda assim, houve a necessidade de algumas adaptações em obra. O conceito adotado para o edifício foi o da associação de sistemas contratados em firmas especializadas, ou seja, a administração da obra passou a ser uma coordenação de serviços, uma montagem monitorada.

O processo construtivo foi definido através de pesquisas junto a fabricantes e visitas técnicas, já que o interesse dos empreendedores era montar uma edificação com o máximo de industrialização no seu processo executivo. Era intenção, também, a otimização do prazo de execução, a diminuição de custos e conseqüente competitividade e redução de mão de obra no canteiro.

Na seqüência de montagem a estrutura metálica foi inteiramente montada, depois vieram os painéis de laje de piso, sobre os quais foi colocada uma tela de aço galvanizado para a espera do capeamento (FIG.4.15). Na etapa seguinte, foram montados de baixo para cima os painéis externos, o que necessitou de gruas para içamento. Esses painéis de vedação foram fabricados em concreto armado, tendo uma alma em poliestireno expandido de aproximadamente 5 cm de espessura, para torná-los mais leves. Eles foram fixados de piso a piso, através de “inserts” metálicos (FIG.4.16). Só depois de todos os painéis de fachada montados, é que foi feito o capeamento das

lajes de piso. Dessa forma, os “inserts” que apareceriam nas lajes sumiram dentro do capeamento (FIG.4.17). As juntas dos painéis de concreto foram siliconadas e teladas para serem acabadas com a pintura prevista (FIG.4.18). A próxima etapa foi a parte das instalações, locação dos perfis para as divisórias de gesso e acabamentos internos dos painéis de fachada (FIG.4.19). Só aí é que entraram as placas de gesso acartonado e a finalização dos acabamentos (FIG.4.20).

FIGURA 4.15 – Painéis de concreto pré-moldado para piso antes do capeamento

a) b)

FIGURA 4.16 – “Inserts” metálicos de fixação dos painéis pré-moldados a) Fixação dos painéis na laje

a) b)

FIGURA 4.17 – Capeamento das lajes de piso

a) Conjunto piso/”inserts”/pilar – antes do capeamento b) Conjunto piso/”inserts”/pilar – depois do capeamento

a) b)

FIGURA 4.19 – Divisórias internas montadas

a) Perfis de estruturação das divisórias de gesso b) Placas de gesso colocadas

FIGURA 4.20 – Acabamentos internos

As principais dificuldades do processo foram o cumprimento dos prazos de execução de cada etapa, a sincronia de montagem e a compatibilização dos sistemas, além da logística da obra, que está situada em uma área de difícil acesso para as gruas devido à fiação pública existente (FIG.4.21). Devido a deficiências de projeto, houve a necessidade de se criar “shafts” para passagem de fiação, já que as vigas metálicas não

podem ser atravessadas por instalações (FIG.4.22). Outro detalhe que gerou um certo retrabalho foram as deformações apresentadas pelas chapas dos perfis leves, o que exigiu soluções paliativas para acerto e acabamento nos encontros de divisórias de gesso com vigas. O planejamento da seqüência de montagem dos sistemas acabou criando problemas para os instaladores das divisórias internas, pois as chuvas chegaram sem que os vãos para esquadrias estivessem fechados, o que danificou algumas placas de gesso que já estavam sendo instaladas (FIG. 4.23). Além disso, houve alguns pequenos defeitos de acabamento nos painéis externos, entretanto, o resultado final foi satisfatório.

FIGURA 4.21 – Localização da obra em relação à fiação pública

a) b)

FIGURA 4.22 – Improviso na criação de “shafts”

a) Fiação a ser embutida na divisória interna b) “Shaft” criado em obra para embutir fiação

FIGURA 4.23 – Danos causados pela umidade nas placas de gesso

O conjunto de sistemas associados nessa edificação foi inteiramente industrializado, desde a estrutura metálica até as vedações. Entretanto, o empreendimento foi concebido e executado sistemicamente, de maneira parcial, o que gerou alguns atrasos e retrabalhos na obra. A rapidez de execução foi prejudicada, ainda, por problemas de fornecedores e compatibilização de projetos e o nível de qualidade final foi satisfatório. Obteve-se uma obra mais limpa (FIG.4.24), com apenas um administrador como funcionário fixo. No que diz respeito a custos, por ser um empreendimento residencial e popular e considerando que foi uma associação de construtores e fabricantes para viabilizar a experiência, ainda não se obteve viabilidade comercial, principalmente no que diz respeito ao tipo de painéis de piso utilizado.