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Introduksjonsprogrammet i Mjøsbyregionen

3   Om introduksjonsprogrammet

3.4   Introduksjonsprogrammet i Mjøsbyregionen

No sentido de encontrar questões/problemáticas e de identificar as necessidades e interesses do grupo, iniciei uma observação não estruturada sobre as várias dimensões da pedagogia nomeadamente, a organização do espaço, da rotina e das interações. Para uma melhor estruturação de todos os aspetos e das observações realizadas procedi à realização de uma teia de ideias (Anexo F).

Na sala de Creche, havia sido introduzida uma nova área, a área de exploração sensorial. Procurei observar e compreender como as crianças brincavam e utilizavam os materiais que esta tinha disponíveis.2 Percebi que a área despertava o interesse das crianças e permitia experiências sensoriais. No entanto, as crianças envolviam-se pouco tempo nessas atividades e não encontravam novas formas de exploração realizando sempre o mesmo tipo de brincadeira. Um exemplo ilustrativo desta situação era o facto de as crianças levarem materiais das outras áreas para a área de exploração sensorial, como acontecia com as colheres de pau, bacias e tachos. Inicialmente pensei ser necessário a introdução de novos materiais mais diversificados e estimulantes ao nível visual, de texturas, formas, cheiros, tamanhos, cores e sons. Mas o espaço era reduzido para exploração o que gerava, por vezes, conflito entre as crianças. Coloquei então a hipótese de ser necessário um apoio do adulto às brincadeiras das crianças.

A área dos blocos também não despertava o interesse das crianças, sendo a menos procurada nos tempos de brincadeira livre. Os materiais eram maioritariamente estruturados, como legos, cones, animais e carros feitos de plástico e borracha permanecendo há algum tempo na mesma. O facto de os brinquedos serem todos de borracha e plástico condicionava também as brincadeiras das crianças, pois ofereciam sempre os mesmos tipos de experiências. A reflexão em torno dos dados de observação levou-me a formular a seguinte questão: De que forma é que a introdução de diferentes tipos de materiais poderia ampliar as oportunidades de aprendizagem das crianças? A metodologia pedagógica usada pela educadora da sala de Creche 1 assentava na valorização da aprendizagem pela ação e sabendo que “De facto, não conseguem resistir

a tocar ou explorar qualquer coisa ou qualquer pessoa (…) Ficam fascinadas com objetos domésticos (…) e materiais naturais – pedras, paus, folhas.” (Post & Hohmann,

25 2011, p.25), tornou-se importante rever os materiais disponíveis nas diferentes áreas pois, só com uma diversidade de materiais que sejam ao mesmo tempo versáteis e estimulantes, as crianças encontram novas formas de exploração. Neste contexto, penso que não poderia ser mais pertinente a minha intervenção, direcionada à introdução de materiais naturais e do quotidiano apresentando-se pertinente recorrer a uma questão mais específica “De que forma as aprendizagens e as experiências das crianças podem ser enriquecidas com a introdução de elementos da natureza e do quotidiano?”.

Deste modo, o projeto de intervenção pedagógica na Creche visou:

1) Fomentar nas crianças a curiosidade em saber mais, pelas oportunidades de descoberta e exploração do mundo que as rodeia;

2) Proporcionar experiências de aprendizagem, que permitam a utilização do próprio corpo para explorar o meio envolvente e o contacto com diversos materiais;

3) Reconhecer a autonomia das crianças e dar significado às suas escolhas; 4) Promover a interação social e a construção de valores favoráveis à tomada

de consciência de si e dos outros.

As estratégias de intervenção centraram-se:

a) Na introdução de novos materiais (naturais e do quotidiano) para enriquecer o ambiente físico de aprendizagem;

b) No pedido de colaboração das famílias e da comunidade educativa na recolha dos materiais;

c) Nos tempos de grupo, mais concretamente em pequenos grupos, para um apoio mais diferenciado;

d) No apoio às brincadeiras das crianças, nas várias áreas de interesse, essencialmente, na utilização dos materiais como forma de provocar conflito cognitivo numa perspetiva construtivista,

26 3.1.2. Descrição Reflexiva das Estratégias de Intervenção

Após uma observação atenta das brincadeiras das crianças, nos vários tempos da rotina foi-me possível perceber que as suas escolhas assentavam, quase sempre, no mesmo tipo de brinquedos, materiais e áreas de interesse. As crianças envolviam-se em atividades de faz-de-conta, em experiências de encher e esvaziar, brincadeiras com bolas e jogos de encaixe e de correspondência. Com frequência transportavam materiais e objetos de umas áreas para as outras, materiais da área da casa para a área de exploração sensorial e vice-versa, permanecendo envolvidas pouco tempo nas explorações.

Como a área de exploração sensorial havia sido criada recentemente e dada a importância do contacto direto com os materiais naturais desde logo, a minha intervenção centrou-se nessa área. Entretanto, a observação do ambiente físico da sala possibilitou identificar outras necessidades como, a falta de materiais diversificados na área dos blocos. De seguida, apresento algumas das atividades realizadas como forma de colmatar as problemáticas encontradas e oferecer novas e apelativas oportunidades de exploração, e aprendizagens mais próximas dos interesses e necessidades das crianças.

Exploração livre de materiais naturais e do quotidiano

Com base na observação das brincadeiras das crianças e da intencionalidade que colocavam na manipulação dos materiais, apresentou-se pertinente um momento de exploração livre com materiais diferentes3 daqueles que se encontravam disponíveis na área de exploração sensorial de forma a observar, de que forma as crianças interagiam com os materiais.

A primeira atividade realizada aconteceu num tempo em pequeno grupo. Em contexto de Creche, este tempo “Constitui uma oportunidade diária, tanto para as crianças como para os educadores, de partilharem ou utilizarem materiais comuns e comunicarem num contexto social próximo” (Post &Hohmann, 2011, p.280). A escolha

deste momento em pequeno grupo teve como objetivo um contacto mais próximo e direcionado para cada criança, de forma a conseguir acompanhar as suas explorações, desafiá-las e apoiá-las na resolução de problemas.

3Para a atividade foram utilizados cones de cartão, paus com diferentes tamanhos e formas, molas de

madei a e de plástico, placas de ca tão, olhas de co tiça, cd’s, ecipientes g andes e pe uenos e pacotes de leite.

27 Inicialmente, as crianças pegavam e pousavam os materiais, dado que muitos deles eram novidade. Seguidamente, as crianças começaram a interagir com os pares, com os adultos e com os objetos disponíveis envolvendo-se em inúmeras experiências de aprendizagem (Ver figuras 2 e 3).

Figura 2 - Exploração de Materiais Naturais e do Quotidiano

Ao longo da atividade utilizaram os sentidos para explorar os materiais nomeadamente, o tato, a audição e a visão envolvendo-se em experiências de encher e esvaziar transferindo objetos de uns recipientes para outros (ver figura 4). O “G” depois de encher um rolo de cartão com rolhas tenta transferi-las para outro recipiente, mas as rolhas caem pela parte debaixo do mesmo “Não dá. Oh!”. De seguida executou a mesma

ação colocando a mão na parte debaixo do rolo transferindo com sucesso a ação pretendida “Já dá”, sorrindo para o adulto e batendo palmas. Este incidente crítico ilustra

que o “G” se envolveu numa experiência de resolução de problemas, encontrando solução para a situação vivenciada. (Ver figuras 4 e 5).

Figura 4 - "G" explora os atributos das molas

Figura 3 - Exploração com o apoio do adulto

Figura 5 - "G" transfere molas de um recipiente para outro

28 A “M” explorava os pacotes de leite colocando-os na horizontal e na vertical de forma a que, estes não caíssem. Após várias tentativas, os pacotes de leite permaneceram na vertical “Oia só”(Olha só), batendo palmas quando eu olhei e sorri (Ver figura 6). A “M” envolveu-se numa experiência de empilhamento de materiais, mantendo a interação comigo e solicitando apoio quando não era capaz de resolver o problema. Já a “Pe” escolheu as rolhas de cortiça para brincar (Ver figura 7). Inicialmente colocou as rolhas na vertical de forma a perceber se estas se conseguiam manter nesta posição. Com todas as rolhas disponíveis fez uma fila na mesa e quando terminou deu-me uma rolha para que eu desse continuidade à exploração. Eu comecei por colocar uma rolha na horizontal e na vertical e a “Pe” referiu “Agoia eu” (Agora eu). Deu então continuidade ao padrão que iniciei “Já ta” (Já está). De seguida, procura cones de cartão disponíveis na mesa e

coloca-os em cima uns dos outros. O segundo cone cai e a “Pe” diz-me “Cata axuda” (Cátia ajuda). Eu coloquei o cone com muito cuidado e a “Pe” dá seguimento à ação, colocando quatro cones na vertical. Feliz por ter conseguido abraça-me e sorri. A “Pe” envolve-se em experiências de empilhamento e realização de padrões.

O “P”pendura as molas no cone e estas vão caindo à medida que realiza a ação. Eu prendo uma mola no cone e ao observar-me tenta repetir a minha ação. Durante algum tempo testou várias hipóteses (apertar com uma mão, pousar na mesa e apertar com outra mão, pressionar com força para tentar abrir) até que com as duas mãos abriu a mola e prendeu-a no cone. Ao ver que eu o estava a observar dá-me uma mola “Tu cata” (Tu Cátia). O “P” prendeu as molas até preencher todo o rebordo do cone “Outo” (Outro), dando-me outro cone. Eu iniciei a exploração colocando duas molas de cores diferentes e o “P” continua o padrão. Também se envolveu em experiências de encher e esvaziar com as molas.

“E”começou por interagir comigo espreitando pelo cone “Cucu” (Ver figura 8). Eu coloco o cone junto da boca “Cucu”e a “E” solta gargalhadas com entusiasmo batendo

palmas. Esta ação repetiu-se com os pares durante algum tempo. Depois, a “E” bate com o cone na mesa para ouvir o som que este produzia cantando em simultâneo. No final, coloca o cone na horizontal rolando-o pela mesa. Eu começo a soprar para o cone e a “E” sopra com força para empurrar o cone para longe. De seguida, dá-me outro cone “Faz tu

“observando qual das duas fazia rolar o cone para mais longe. A “E” envolveu-se assim, em experiências de exploração de atributos e características dos cones mantendo sempre a interação de um para um.

29 No decorrer da exploração assisti à persistência na realização das ações das crianças na procura de estratégias para resolver os problemas surgidos durante este tempo, solicitando a ajuda do adulto quando não conseguem fazê-lo de forma autónoma. “M” chama a atenção do adulto para a sua ação “Cata auda” (Cátia ajuda) quando não consegue prender as molas no rolo. Apertei a mola abrindo-a e fechando-a. A “M” observa com muita atenção os movimentos

executados e repete a ação até conseguir abrir a mola “Oia só”, olhando para o adulto e soltando gargalhadas (Ver figura 9).

Ao mesmo tempo que iam descobrindo novas formas de explorar e brincar com os materiais, as crianças procuravam-me para

partilhar as suas conquistas. Durante esta atividade, as crianças expressaram-se através de gestos, expressões faciais e palavras espelhando sentimentos de alegria e bem-estar durante todo o tempo através de gargalhadas, gritos, palmas e demonstrações de afeto, quer com os pares, quer com os adultos (Ver figuras 10 e 11).

Figura 6 - "M" empilha pacotes de leite

Figura 7 - "Pe" cria padrões utilizando as rolhas

Figura 8 - "E" utiliza o sentido da visão para explorar o cone de cartão

Figura 9 - Resolução de problemas

Figura 10 - "Pe" sopra as rolhas para ver o que acontece

30 Deste modo, a atividade favoreceu a interação e a comunicação entre as crianças, o diálogo com os pares e com os adultos, a partilha de intencionalidades, as explorações em conjunto, a partilha de conquistas e fracassos e a partilha de materiais, entre outras experiências.

As observações realizadas e a reflexão sobre as mesmas sugeriram a repetição da atividade de exploração para que, as crianças tivessem a oportunidade de expandir e alargar as suas explorações. Muitas delas prolongaram as experiências realizadas neste tempo para o tempo de brincadeira livre, juntamente com os pares.

Os materiais explorados em tempo de pequeno grupo, referidos anteriormente, ficaram disponíveis nas áreas de interesse nomeadamente, na área de exploração sensorial (paus de madeira, recipientes com tamanhos diferentes, rolhas), na área dos blocos (cones de cartão e pacotes de leite) e na área dos jogos (cd’s, molas e placas de cartão). As crianças participaram nas decisões sobre a distribuição dos materiais, pelas três áreas de interesse referidas, associando as explorações realizadas às brincadeiras desenvolvidas em cada área. O “G” compara os pacotes de leite com os legos empilhando-os; o “P” coloca os rolos de cartão no chão junto da área dos blocos e chuta uma bola para os derrubar e a “M” e a “L” ao observarem os paus de madeira e as rolhas apontam com o dedo para a área da exploração sensorial. O “A” prende as molas aos cd’s enquanto em grupo decidimos onde colocar os materiais. Eu questiono “Estás a fazer um jogo?” e o “A” responde afirmativamente com a cabeça. Eu continuo “Então pode ser um jogo para

os meninos brincarem. Onde podemos pôr?”. O “A” aponta com o dedo para a área dos

jogos e sorri.

Introduzidos os materiais foi para mim importante, observar as brincadeiras das crianças nos tempos de atividades livres de forma a perceber qual a intencionalidade que estas davam aos materiais e avaliar o seu envolvimento. As crianças começaram a permanecer mais tempo na mesma área de interesse juntamente com os pares e desenvolviam explorações em conjunto (Ver figura 12). Preferencialmente, as crianças escolhiam os materiais novos (Ver figura 13), envolvendo-se em experiências de empilhamento, de construção de padrões, de encher e esvaziar, de exploração de atributos e características (forma, tamanho, tipo de material). Os materiais já não se encontravam espalhados pelo chão nem eram levados para outras áreas e a diversidade e quantidade de materiais permitia também, que todas as crianças tivessem oportunidade de explorar em simultâneo.

31 À medida que as crianças desenvolviam as suas brincadeiras nas diferentes áreas foi surgindo a necessidade de introduzir novos materiais. Para tal, foram realizadas outras explorações, em grande4 e em pequeno grupo5, que permitiam às crianças o contacto com materiais do seu quotidiano e o apetrechamento das várias áreas de interesse, alargando- se o tipo e quantidade de materiais naturais (Anexo G). As atividades desenvolvidas promoveram momentos de interação com os pares e adultos e apoiaram o desejo de exploração das crianças potenciando os vários sentidos.

Atividade de Exploração de Pasta de Cevada

Dada a intenção de proporcionar experiências de contacto com materiais naturais favoráveis à estimulação dos sentidos, através dos quais as crianças desenvolvem uma maior compreensão do mundo que as rodeia, tornou-se pertinente promover uma atividade de exploração diferente, com materiais que as crianças nunca haviam contactado anteriormente e ricos a nível sensorial.

Assim, escolhi cevada em pó e água morna, que depois de misturadas formaram uma pasta espessa, para ser explorada pelas crianças. Esta atividade pretendia promover a exploração através dos sentidos uma vez que, pelas suas características (textura, temperatura, cheiro, sabor, cor e efeito), a pasta de cevada era rica em termos de exploração.

De acordo com Vila e Cardo (2005), brincar com a cevada é uma experiência prazerosa e uma atividade com caráter lúdico. A cevada quente, o espelho frio, o aroma

4 Nos tempos de grande grupo foram explorados garrafões sensoriais e instrumentos musicais que,

posteriormente ficaram disponíveis nas áreas dos instrumentos e dos blocos.

5 Nos tempos de pequeno grupo foram explorados materiais apelativos ao nível sensorial (paladar, tato,

olfato, visão e audição) e atividades de exploração plástica com materiais diferentes (alimentos). Figura 12 -"P" empilha pacotes de leite Figura 13 - "P" utiliza os rolos de cartão para

32 da cevada, o toque suave quando quente e mais espesso quando frio e o seu sabor, são cinco aspetos estimulantes e interessantes.

“Desde el momento en que nascemos empezamos a utilizar los sentidos. Son el medio para adaptarmos y conocer nuestro entorno. A partir de esta premisa, creemos que hace falta cuidarlos y estimularlos.”

(Vila & Cardo, 2005, p.26)

A atividade iniciou-se em grande grupo, com a exploração da cevada ainda em pó. As crianças observaram, cheiraram e tocaram espelhando admiração: “Pe” pergunta:-

“O que é?”, “Cevada. É parecida com o café”, respondi eu. As crianças tentam

verbalizar ambas as palavras: “E”- “Cevada”; “L”- “Fé”(Café); “D” – “Afé”- (Café). A água e o espelho foram facilmente reconhecidos: “P” apontando para o espelho da sala diz: – “Pelho” (Espelho). “G” ao ver o recipiente da água verbaliza “auga” (Água). Depois do reconhecimento dos materiais sugiro ao grupo a mistura da cevada com a água. Como a água estava quente, para não colocar em causa a segurança das crianças, misturei ambos os materiais mexendo até ficar o efeito pretendido. Coloquei a colher na pasta de cevada e elevei-a para que as crianças pudessem observar o resultado final. O grupo espelhou entusiasmo e vontade de explorar aproximando-se para ver de perto.

No seguimento das suas reações, as crianças foram divididas em dois grupos para que, a minha observação fosse mais individualizada. Depois do diálogo com as crianças procedeu-se à mistura da cevada com a água em dois recipientes observando-se a sua transformação.

Já em pequenos grupos, com uma colher deitou-se pasta de cevada no espelho e de forma autónoma, as crianças iniciaram a

exploração (Ver figura 14). “A” colocou a mão na pasta de cevada, mas retirou-a de imediato. O adulto repetiu a sua ação dizendo “Olha Afonso! Tenho cevada nas mãos. Queres fazer um desenho? Vou fazer um carro”. Mas “A” deitou-

33 Já a “L” quando observou a pasta de

cevada a cair no espelho gritou com alguma admiração “Ahh … café”. Colocou a mão no espelho, levantou-a e mostrou-ma “Caia

Ahhh”(Cátia Ahhh), gritando com entusiasmo

(ver figura 15). “L”prova, dá aos pares para eles saborearem também e solta gargalhadas cada vez que o faz. “D” ao observar “L” colocou a sua mão sobre a pasta de cevada. Olha para a

sua mão suja mostrando-a ao adulto “Cátia afé” (Cátia café). Eu sujo a mão e digo “Temos as mãos com café”. Depois de me ver com as mãos sujas,“D” leva as mãos à

boca e diz “É bom Cátia. Mais?” (ver figura 16). Mostra prazer e bem-estar no contato

com a pasta de cevada, repetindo a ação várias vezes. “E” explora a pasta de cevada espalhando-a com as mãos e observando o seu efeito no espelho (ver figura 17).

“G” ao ver a cevada espalhada no espelho colocou as mãos sobre a mesma levando as mãos à boca e à cara para sentir a textura e o sabor. Diz “Tente” (quente),

sorrindo e repetindo estas ações várias vezes com satisfação (ver figura 18).

Outras crianças observaram o efeito da pasta no espelho utilizando as mãos, espalharam a cevada e descobriram que era

possível realizar desenhos com esta ação. “E” permaneceu bastante tempo a espalhar a pasta de cevada pelo espelho juntamente com a “J”, fazendo linhas curvas, apagando e

Figura 15 - "L" entusiasmada com a cevada nas mãos

Figura 16 - "D" prova a cevada Figura 17 - "E" desenha na pasta de cevada

34 voltando a fazer. Depois de a pasta de cevada arrefecer “J”diz-me“Cata oia” (Cátia olha) demonstrando prazer em partilhar com o adulto as suas descobertas (ver figuras 19 e 20).

Durante toda a atividade, as crianças mostraram-se bastante curiosas querendo provar, cheirar, sentir a textura da pasta de cevada e desenhar no espelho quando descobriram que era possível depois de esta arrefecer. Ao mesmo tempo, a exploração da cevada permitiu criar uma verdadeira atmosfera de interações, de partilha de descobertas e de sensações prolongando-se durante um período de tempo significativo. O facto de a pasta de cevada ter sido feita em conjunto com as crianças permitiu um maior envolvimento na atividade uma vez que, já sabiam o que esperar.

A atividade permitiu às crianças realizar diversas experiências sensoriais, desenvolver e expressar iniciativa, desenvolver a comunicação verbal e não verbal, experimentar ações como depressa e devagar, repetir ações para que algo volte a acontecer, experimentando relações de causa-efeito e desenvolver relações com os materiais, com os pares e com os adultos. Citando Veiga (2003), se as atividades forem ao encontro dos interesses das crianças, estas sentem-se motivadas, empenhadas e envolvidas naquilo que fazem, numa postura ativa e que fomentará aprendizagens significativas e com sentido pessoal.

Introdução de uma mesa de exploração sensorial e exploração de novos materiais

Sendo a área de exploração sensorial, a área de interesse mais recente e com mais necessidade de materiais foi pertinente, criar condições para que todas as crianças pudessem explorar materiais em simultâneo, partilhando um mesmo espaço. Neste sentido, depois de uma reflexão em conjunto com a educadora responsável, foi ainda

35 introduzida uma mesa de exploração sensorial, de modo a permitir a atividade de exploração conjunta das crianças (ver figuras 21 e 22).

“As crianças pequenas gostam de chapinhar na água e na areia, apreciando o aspecto e a sensação macia da areia e da água e as contínuas mudanças que ocorrem conforme lhes vão tocando, chapinhando, fazendo montes e vertendo. De facto, a área de areia e água é um espaço em que a brincadeira com materiais que sujam e que se espremem é encorajada!”