4 Organisering og samarbeid
4.1 Gjøvik
Ao longo da minha intervenção em contexto de Pré-Escolar defini como prioridade a observação das ações das crianças durante o tempo de trabalho e assim, foi
42 possível estabelecer prioridades e responder em tempo real aos interesses e necessidades do grupo.
Com esta observação sistemática foi-me possível conhecer, quer pelos planos realizados pelas crianças quer pela participação nos tempos de atividades e projetos, que era necessária uma intervenção do adulto ao nível da área das ciências e das experiências. Ainda que a área fosse procurada pelas crianças assistia-se a alguma confusão na utilização dos materiais e ao seu uso repetitivo, sendo pertinente um maior apoio do adulto para que, se pudessem alargar as experiências de aprendizagem das crianças. De facto, tantos os planos das crianças como o uso que davam a alguns equipamentos eram sistematicamente repetidos (ver figuras 34 e 35). A planificação de tempos de grande e pequeno grupo visou também ampliar e complexificar as experiências e atividades de grupo. Percebeu-se que estas utilizavam frequentemente o retroprojetor assistindo-se à realização de explorações idênticas, com alguma dificuldade em evoluir na realização das mesmas.
Deste modo propus às crianças realizar outras explorações e experiências mostrando que com os materiais que frequentemente utilizavam podiam fazer muitas outras descobertas.
L “Vou para a área das ciências trabalhar com as sombras”
M “Vou para a área das ciências fazer sombras com os animais”
S “Vou para a área das ciências trabalhar com a balança e com as pedras”
J “Vou para a área das ciências trabalhar com a água e com as pedras”
Tabela 3 – Evidências de Planos das Crianças Figura 34 - Exploração das Sombras no
43 Exploração da história “A que sabe a lua”6 através do retroprojetor
Esta obra foi escolhida dado o interesse das crianças pela mesma. Nos tempos de atividades e projetos era frequente dramatizarem e/ou contarem a história com fantoches na área da leitura e da escrita. Esta atividade pretendeu sugerir ao grupo novas formas de explorar a história utilizando outros equipamentos, nomeadamente o retroprojetor.
Assim em grande grupo, as crianças organizaram-se de modo a visualizar a projeção da história, criada com o apoio de materiais disponíveis nas várias áreas da sala (figura humana em íman, pedras, ímanes, cartão e papel). A narração contou a participação de adultos e crianças, o que possibilitou um maior envolvimento na mesma, dando-se oportunidade a todos de explorar o retroprojetor e os materiais.
No final da história, foi proposto às crianças que utilizassem materiais da área das ciências e das experiências para reproduzir algo ou criar cenários de forma livre e espontânea. Desta exploração dos materiais surgiram descobertas interessantes. “A” ao colocar os objetos no retroprojetor olhou para a
parede para ver a sombra que este produzia
“Rrrrr, está ao contrário!”, percebendo que
para a imagem ser projetada tal e qual como pretendia era necessário colocar os objetos numa posição específica (ver figura 36). “A” rodou então os objetos até perceber qual a posição correta para conseguir reproduzir na parede aquilo que pretendia. “L” colocou os
objetos na vertical e ao observar a sua sombra percebeu que não era possível ver nada
“Aiii, não se vê nada”. “L” experimentou colocar os objetos em várias posições. Quando
colocou os objetos na horizontal obteve o resultado pretendido “Assim fica direitinho”.
À medida que as crianças reproduziam cenários através das sombras, as restantes tentavam adivinhar aquilo que viam. Numa dinâmica de jogo interessante, todo o grupo teve oportunidade de explorar diversos cenários, num clima de partilha de interesses e de criatividade. “S” pegou na casa de cartolina utilizada para a exploração da história e criou uma imagem idêntica com outros materiais “Olha Cátia fiz uma casa igual, com telhado e janela”. (ver figura 37) “MA”utilizou as figuras humanas em vez de animais “Tenho
6 Grejniec, M. (2003). A que sabe a lua . Coleção: Livros para Sonhar. Editora: Kalandraka.
Figura 36 - Exploração da posição dos materiais no retroprojetor
44
que pôr muitos homens de íman para conseguir apanhar a lua porque ela está muito lá em cima. Tem uma escada e a lua como na história que nós contamos”. “MA” narra as
suas ações, realiza comparações com a história e identifica semelhanças e diferenças (ver figura 38).
Durante a atividade, as crianças envolveram-se em vários processos e realizações: transformar figuras ao rodar as imagens para obter o resultado pretendido, ordenar acontecimentos ou imagens numa sequência (reconto da história), desenvolveram espírito crítico e de reflexão sobre as suas ações. Ao longo do estágio, constatei que algumas crianças começaram a realizar planos mais complexos, a recriar histórias e cenários e descobriram outras potencialidades dos materiais com criatividade. Segue-se, um incidente crítico ilustrativo de evolução das brincadeiras das crianças.
Evidência do Plano da “L”
Tempo da rotina: Planear/fazer/rever
“L” planeou trabalhar nesta área “Vou trabalhar com as sombras “. À medida que pensou e escolheu os materiais que ia usar dirigiu-se a mim partilhando as suas intenções “Vou montar uma quinta com cavalos grandes e pequenos mas tenho que ir à área dos carros e das construções buscar” (ver figura 39). Quando regressou “Trouxe isto para os cavalos não fugirem ”mostrando a cela que encontrou e
colocando-a no retroprojetor com um cavalo por cima.
Observando a sua ação eu intervi “Olha para a sombra L! Parece que o cavalo está a saltar a cela de madeira”. Logo ela responde “Mas não pode ser porque ele está preso. Acho que tive uma ideia. E se puser o cavalo por baixo e a cela por cima?. “L”
experimentou e ao olhar para a sombra refere “Assim já dá. Ele agora já não foge”,
Figura 37 - "S" representa uma casa com materiais da Área das Ciências e das Experiências
Figura 38 - "MA" reconta a história "A que sabe a Lua"
45 sorrindo. “L” permaneceu algum tempo a observar as sombras e decidiu ir buscar algumas pedras para completar o cenário: “Trouxe pedras grandes e pequeninhas para pôr no chão” disse ela, espalhando-as pela “quinta “.
De seguida pediu-me ajuda para fazer uma nova construção: “Preciso de fazer uma árvore, mas
preciso de ajuda”. Eu ajudo-te, mas tens que ver quais os materiais que precisas. Temos muito materiais na nossa área das ciências que podes usar” sugeri eu “. Prontamente ela referiu “Vamos fazer com as pedras” iniciando a
construção. Terminado o cenário a L chamou as outras crianças para apreciarem o seu trabalho.
Tabela 4 -Evidência do Plano da “L”
Exploração do peso dos materiais utilizando a balança
Esta atividade teve início com a apresentação de uma balança ao grupo. As crianças rapidamente identificaram e disseram “Isso é uma balança e dá para pôr em cima e pesar” (“M”). Propus que todas as crianças se pesassem e que fossem registados
os pesos para podermos comparar esses valores. Inicialmente, as crianças começaram por inferir quem pesava mais e quem pesava menos. Tentaram ainda formular hipóteses sobre as diferenças de peso: “A “C” é mais pesada que a “M” porque é mais alta” (“D”); “O
“O” é mais pesado que o “D” porque o “D” é muito magrinho” (“M”). A fim de
comprovar algumas das hipóteses das crianças iniciou-se a atividade de pesagem. À medida que se iam pesando, foi possível verificar que algumas inferências não estavam corretas “Afinal, o “O” é mais leve que o “D” pois é mais alto” (“M”); “Mas a “C” é mais pesada que a “M”, como eu disse porque é maior (“D”)”.
Foi realizado o registo do peso das crianças num quadro que foi afixado na área das ciências e das experiências, para que pudesse ser consultado sempre que necessário. Numa outra atividade de grande grupo propus às crianças pesar alguns materiais da própria área (ímanes, pedras, rolhas de cortiça, areia e molas de plástico) e ainda outros materiais do quotidiano das crianças (algodão, rolhas de plástico, borracha e moedas), como podemos ver na figura 40. “M” quando viu a balança referiu “Vamos pesar os
materiais”. Iniciou-se um diálogo com as crianças sobre os materiais disponíveis e que Figura 39 - "L" reproduz uma quinta com cavalos
46 as crianças identificaram facilmente uma vez que, faziam parte do seu contexto familiar e do contexto de sala.
Logo de seguida, “D” voluntariou-se para pesar o algodão (ver figura 41 e 42). Começou por colocar pedaços de algodão num dos pratos da balança observando que esta não sofria alterações ao nível do peso “O algodão é muito levezinho”. Colocou então no outro prato da balança uma quantidade maior de algodão “Agora já está mais leve deste lado”, exclamou.
Questionei “D”: “Está mais leve? Porquê?”; “Porque está mais em cima deste
lado”, disse ele aludindo ao peso inferior num dos pratos. Dando continuidade voltei a
questionar “E onde tens menos algodão?”. Logo “D” apontou para o prato da balança que se encontrava mais acima. Perguntei então “Então onde tem menos algodão é mais
leve ou mais pesado?”; “Mais levezinho porque está assim”, disse “D” gestualizando e
colocando uma mão para cima e outra para baixo para indicar qual o que estava mais pesado e o que estava mais leve. Com esta exploração, “D” identificou e descreveu atributos dos objetos, comparou pesos utilizando para o efeito expressões como “mais leve” e “mais pesado”, descreveu acontecimentos, resolveu problemas surgidos na exploração e desenvolveu o espírito crítico e de reflexão (ver figura 43).
Depois da exploração realizada por “D” foi a vez de “M”, que se voluntariou para experimentar um novo material, as rolhas de plástico. Iniciei o diálogo com “M” mostrando os diferentes tamanhos das rolhas. Esta começou por separá-las segundo este mesmo critério: “Temos estas grandes, estas mais pequenas e estas mais pequeninas”,
disse “M” (ver figura 44). Seguidamente, “M” colocou duas rolhas num dos pratos observando que este ficava muito pesado. Coloca então no outro prato um número superior de rolhas, mas de tamanhos mais pequenos.
Figura 40 - Apresentação da Balança em Grande Grupo
Figura 41 - "D" coloca algodão na balança para verificar o peso
47 Depois de observar o resultado acrescentou “Fica mais pesado deste lado”, apontando para o prato da balança com duas rolhas grandes colocadas inicialmente. Disse-lhe então
“Tens rolhas maiores de um lado do que do outro. O que podes fazer para ficar mais pesado agora do outro lado?”. Rapidamente
“M” acrescenta rolhas de maior tamanho no prato da balança com menos peso. No entanto, como num dos lados a criança havia colocado duas rolhas grandes, no outro lado por mais rolhas pequenas que acrescentasse o peso não se alterava. Depois de observar com atenção, “M” disse “Estas rolhas grandes são muito
pesadas por isso fica sempre mais pesado deste
lado”. Acrescentei “Muito bem “M”, descobriste que essas rolhas são mais pesadas que todas as outras”.
A análise deste registo permite afirmar que “M” se envolveu em inúmeras experiências de aprendizagem no domínio da matemática nomeadamente, na formação de conjuntos (agrupando segundo caraterísticas – pesado e leve), no reconhecimento de semelhanças e diferenças entre os objetos, na comparação de peso e tamanhos, e na resolução de problemas.
A atividade continuou com um novo desafio “Qual dos objetos que temos aqui pode ser mais pesado que a rolha?”. De forma autónoma, as crianças escolheram um objeto que pudesse responder à questão lançada, experimentando e comprovando as suas hipóteses (ver figura 45). Deste desafio, emergiram outros que se estenderam para o tempo de atividades e projetos.
Figura 42 - "D" tenta equilibrar o peso da balança
Figura 43 - "D" resolve problemas surgidos na exploração
Figura 44 - "M" separa as rolhas grandes das pequenas
48 Esta foi uma atividade que despertou o interesse das crianças na medida em que, lhes sugeriu novas formas de explorar os materiais nas áreas (ver figura 46). Os planos de trabalho passaram a ser mais complexos e as crianças solicitavam a ajuda dos pares ou dos adultos para a realização de explorações na área das ciências e das experiências. Por exemplo, ao fazer o seu plano “J” diz-me “Cátia podes ir para a área das ciências para
vermos mais materiais?” (Anexo J).
Pude constatar uma postura desafiadora entre as crianças, que questionavam e refletiam sobre as várias hipóteses e resultados, alargando as suas explorações e complexificando-as, como podemos ver no incidente critico que se segue.
Evidência do Plano de “S”
Tempo da Rotina: Planear/Fazer/Rever
“S” planeou trabalhar na área das ciências e das experiências com a balança. Chegado à área dirigiu-se para o móvel e escolheu pedras grandes e pequenas começando por colocar algumas num e noutro prato da balança “Eia, estas pesam mais. Aqui só tem duas e ali tem quatro e esta é mais pesada”, referindo-se às pedras maiores que
estavam em menor número e apresentavam mais peso. Pedi a “S” que abrisse as suas mãos e coloquei uma pedra grande numa mão e uma pequena na outra. “Esta é mais pesada, por isso a balança caiu “, disse S. “Isso mesmo! Tinhas mais pedras daquele lado, mas aquelas duas são mais pesadas”, acrescentei eu. De seguida, escolheu
trabalhar com a areia “Cheira mesmo a praia” (risos) testando qual delas era mais pesada, a areia fina ou a areia grossa. Depois de algum tempo a explorar, “S” pegou no medidor para colocar nele a mesma quantidade de areia grossa e fina “Ohhh! Está mais
pesado deste lado” mostrando espantado com o que aconteceu.
Figura 45 - "O" testa hipóteses Figura 46 - "M" explora a balança com pedras grandes e pequenas
49 O prato da balança que tinha areia fina era mais pesado que o que continha a areia grossa. “Pois está! Porque será?” perguntei, “Ahhh, já sei! Esta areia é muito fininha
e cabe mais que esta” percebendo que a areia fina ocupa menos espaço que a areia
grossa. “Sim, a areia fina é muito mais pequena e
por isso neste recipiente temos mais areia fina do que grossa. Mas tu querias equilibrar a balança, como vais fazer?” “Tenho que tirar mais areia fina”
disse S. começando a retirar areia fina de um dos pratos da balança “Olha tá mesmo pelo risco” (risos) mostrando satisfação por ter conseguido equilibrar a balança.
Tabela 5 – Evidência do Plano de “S”
Desafios de Fim de Semana – Envolvimento Parental
Esta estratégia surge no seguimento das atividades realizadas em contexto de sala e do apoio do adulto no tempo de trabalho, estratégias que visaram alargar e complexificar as explorações das crianças, essencialmente na área das ciências e das experiências. Nesta área encontrava-se disponível um ficheiro com atividades experimentais já realizadas pelo grupo, criado pelas crianças em conjunto com a educadora, quando esta área foi introduzida na sala (Anexo K). Desde então, não foram introduzidas no ficheiro novas atividades, sendo pertinente o desenvolvimento de novas atividades de forma a enriquecer este mesmo ficheiro e a promover novas explorações no tempo de atividades e projetos. Depois de todas as atividades e explorações realizadas apresentou-se pertinente introduzi-las nesse mesmo ficheiro e em conversa com as crianças em tempo de grande grupo surgiram algumas ideias.
Figura 47 - "S" testa hipóteses sobre o peso das pedras grandes e pequenas
50 Registo de Incidente Crítico
Tempo da Rotina: Grande Grupo
Iniciei o diálogo com o grupo em torno do ficheiro de atividades experimentais disponível na área das ciências. Surgiram alguns comentários:
D: “Nós já fizemos experiências com água e eu gostei muito”
F: “Também fizemos experiências com os ímanes”
M: “Eu gostei da experiência do xilofone com água”
J: “Eu gosto muito de experiências, mas já não fazemos há muito tempo”
Sugeri então a realização de algumas atividades experimentais com os pais. As crianças ficaram entusiasmadas.
O: “Boa. Podemos ensinar as que fizemos aqui na sala” D: “E se não tivermos as coisas para fazer?”
Eu:“As atividades podem fazer-se com materiais que temos em casa. Penso que todos
podem fazê-las”
J: “Boa. Adoro experiências!”
Tabela 6 - Diálogo sobre o Ficheiro de Atividades Experimentais
De acordo com Hohmann e Weikart (2011) reconhece-se a importância de envolver as famílias no processo de aprendizagem das crianças, não só partilhando aquilo que as crianças fazem a aprendem na sala como também, sensibilizando as famílias a dar continuidade a essas aprendizagens e interesses. Neste sentido foi proposto às crianças levarem para casa uma proposta de atividade para realizar no fim-de-semana, como já era regular na sala de Pré-Escolar 2. Esta assentava no desenvolvimento de atividades experimentais no âmbito das ciências e das experiências juntamente com as famílias, que depois seriam partilhadas em contexto de sala. As atividades experimentais eram três, foram distribuídas de forma aleatória às crianças, com a finalidade de posteriormente serem partilhadas por grupos, em contexto de sala.
Destas atividades que contaram com o envolvimento das famílias relato apenas uma delas, sendo que as crianças que desenvolveram a mesma atividade experimental, partilharam-na em conjunto com o grupo (ver figuras 48 e 49). A atividade realizada denominava-se “Como pescar gelo?” e foi partilhada por “D” e por “T” que começaram por explicar os materiais necessários. “Precisei de água, gelo e um fio fininho” (D). À
51 medida que descreviam colocavam os materiais no centro. “T” vê o frasco do sal e acrescenta “É sal”.
Depois enumeraram todos os passos que tinham seguido colocando-os simultaneamente em prática “Tens de pôr o gelo na água e o fio por cima e depois mete-
se sal em cima. E no fim contei até 10 assim muito devagarinho. 1-2-3-4-5-6-7-8-9-10” disse “D”; “Puxei o fio e ficou colado…. E fiz tudo sozinho” acrescentou” T”.
Todas as crianças mostravam vontade de querer realizar a experiência (ver figuras 50 e 51). No final manteve-se o diálogo com as crianças sobre o que tinha acontecido. Eu: “Depois de deitarmos o sal em cima do gelo e de contarmos até 10 o gelo ficou preso.
Porque será que isto aconteceu?”
M: “Porque o sal é mais frio que o gelo. Nós deitamos o sal em cima do gelo e o gelo fica
frio como o sal. Depois contamos até 10 e o fio fica colado”.
Eu: “Muito bem M. A temperatura do sal quando o colocamos em cima do gelo é maior que a do gelo mas porque o gelo está em contacto com a água. Como está o gelo agora?”
D:“Está mais pequeninho”
M:“Está a derreter”
Eu:“ É isso mesmo. O gelo está a derreter porque está em contato com a água e por isso quando deitamos o sal em cima do fio, como este é mais frio que o gelo, o fio fica agarrado.”
O: “Que fixe. Vou fazer em casa para mostrar à mãe.” J: “Eu adorei esta experiência… também vou fazer em casa. “
Figura 48 - "D" partilha a atividade Figura 49 - "T" explica o processo realizado para a concretização da experiência
52 Esta proposta de intervenção revelou-se importante tanto pela oportunidade de realizar em família experiências de ciências como também, pela partilha com o grupo dessas vivências e descobertas. As curiosidades das crianças partem dos seus interesses e saberes que por sua vez, o educador pode complexificar, ampliando as experiências de aprendizagem, estimulando o desejo de querer saber mais. Neste sentido, as crianças questionam a realidade, definem problemas, para decidir o que pretendem saber e como procurar uma solução.” Deste modo, o adulto está a “fomentar nas crianças uma atitude cientifica e experimental”
Nesta atividade experimental, o grupo foi capaz de relembrar acontecimentos passados com sequência, estabelecendo semelhanças e diferenças entre os materiais segundo algumas propriedades simples. Ao mesmo tempo, desenvolveram o espírito crítico e a reflexão na busca de respostas para os acontecimentos, tomando decisões, explicando-as, formulando questões e mobilizando as aprendizagens para situações e explorações futuras. O facto de as crianças falarem acerca das suas experiências e das suas ações possibilitou a exploração e utilização de novas palavras, usando-as no seu diálogo de forma mais adequada.
Ainda assim, o envolvimento das famílias não foi o esperado sendo que, algumas crianças não realizaram as atividades em contexto familiar. Contudo, o facto de partilharem as atividades experimentais em contexto de sala permitiu que todas tivessem essa oportunidade, partilhando os mesmos interesses e vivenciando-os.
Figura 50 - "C" realiza a experiência Figura 51 - "P" pesca o cubo de gelo
53 Considerações Finais
O projeto de intervenção pedagógica desenvolvido visou perceber de que forma, o contacto e a exploração dos materiais naturais possibilitaria a criação de novas oportunidades de aprendizagem bem como, a importância do papel do adulto como suporte de aprendizagens, através de uma atitude motivadora e impulsionadora.
A observação constituiu-se um instrumento poderoso na recolha de dados, permitindo-me refletir de forma constante e responder aos interesses e necessidades do grupo e de cada criança em particular. As interações com as crianças ao longo dos vários tempos da rotina diária possibilitaram uma observação mais consistente e mais próxima das suas ações, desenvolvendo-se climas de apoio num estilo dar-receber, ensinando e aprendendo juntos. De facto, “(…) numa atmosfera de auto-realização e de confiança e