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Nelson Savioli é um executivo, escritor e palestrante brasileiro, que sempre foi um profissional ligado à área de recursos humanos e ocupou cargos gerenciais e executivos em muitas empresas multinacionais no Brasil. Atualmente, ocupa o cargo de superintendente executivo da Fundação Roberto Marinho e na gestão 2008-2010 foi presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ, 2009).

Em 1991, Savioli lançou o livro Carreiras - Manual do Proprietário, dirigido ao público em geral. Seu grande interesse foi criar um modelo de planejamento profissional que tivesse um apelo mais popular. Ao revisar o livro, o próprio autor retirou muitas informações técnicas e o deixou mais didático, criando um modelo de planejamento auto-aplicável para o público leigo.

O livro foi traduzido para muitas línguas, utilizado nos cursos de graduação em Administração e também por algumas grandes empresas do Brasil para a gestão de carreiras e para o planejamento estratégico pessoal de seus funcionários (ABRH-RJ, 2009). Savioli depois dessa obra lançou outros quatro livros.

Para Savioli, para que um planejamento estratégico pessoal possa ser realizado há de se ter autodeterminação, especialmente quando não se sabe para onde está indo. O conhecimento e a informação viabilizam a existência da autodeterminação na carreira e na própria vida, pois ter informação é ter poder (SAVIOLI, 2009).

No modelo de Savioli, o planejamento estratégico pessoal começa com um exercício de reflexão individual, depois se desenrola em uma sequência de etapas. Contudo, para o autor o planejamento deve ser adaptado às ideias e à dinâmica de cada pessoa, para que ela possa ser levada a pensar ou repensar o futuro. O exercício de reflexão envolve três campos: (i) Individual e Familiar; (ii) Social, Político e Comunitário e (iii) Profissional (SAVIOLI, 1999), conforme ilustração a seguir.

Ilustração 5: Campos do Planejamento Estratégico Pessoal de Savioli

FONTE: Savioli, 1999.

Para cada campo deverá ser inventariado o que o indivíduo gosta e o que não gosta de fazer, o que sabe e o que não sabe fazer bem. As respostas para cada um dos questionamentos de todo o processo deverão sempre considerar os campos três campos e estar de acordo com o exercício de reflexão feito anteriormente. O indivíduo precisará ter todas as condições para saber qual será o próximo passo a ser dado de modo que identifique suas forças e fraquezas, além das oportunidades e ameaças, estabelecendo metas que o permitam se sobressair dentre os demais e alcançando, assim, o prestígio profissional (SAVIOLI, 1999).

Para Savioli, a carreira é responsabilidade do indivíduo. O planejamento da própria carreira torna o profissional mais capacitado a discuti-la com seu chefe e com outros elementos da empresa, de modo a explorar melhor as oportunidades existentes ou que poderão vir a existir. Essa postura frente à própria carreira traz benefícios para o indivíduo e para a empresa (TOSE, 2009).

As reflexões sobre os campos do planejamento estratégico pessoal deverão ser reservadas e a pessoa deverá partir para a próxima etapa: imaginar a sua vida em cinco anos no futuro. O próprio Savioli admoesta: ―é importante lembrar que os passos para se chegar à ‗visão de futuro‘ e os seus constantes ajustes são mais úteis do que atingir os objetivos exatamente, cumprindo o prometido" (SAVIOLI, 1999, p.80). Essa previsão deve ser feita para as áreas: composição familiar, saúde, lazer, situação econômica, desenvolvimento cultural familiar, autodesenvolvimento, comunidade e vida espiritual.

Após o levantamento de dados e informações nas etapas anteriores, Savioli aconselha que se deva fazer um planejamento estratégico profissional para os próximos cinco anos, uma fotografia de como está no momento atual e que mudanças serão necessárias no decorrer dos próximos anos para que seu planejamento se torne realidade. O planejamento da própria carreira torna o profissional mais capacitado a discuti-la, explorando melhor as oportunidades existentes ou a serem descobertas. Leva necessariamente a uma atenção maior com o autodesenvolvimento, feito dentro e fora do ambiente de trabalho (SAVIOLI, 1999).

Savioli (1999) afirma que para melhorar e crescer o profissional tem a necessidade constante de saber onde está acertando e onde está errando. Caso não saiba, não poderá reforçar seus pontos fortes ou corrigir os pontos fracos.

Após a revisão de todos os passos, do processo de montagem de cenários futuros, de sua situação atual e de seu potencial de crescimento, o indivíduo deverá prosseguir então com a elaboração do planejamento estratégico pessoal. Deve escolher seus cinco objetivos realmente prioritários para os próximos cinco anos e apontando quais os recursos serão necessários para o alcance desses objetivos. Esses recursos podem ser humanos, financeiros, tecnológicos etc. ―É possível que a pessoa tenha que trocar um objetivo para o qual ela não disponha de recursos naquele momento, por outro mais facilmente realizável‖, diz Savioli (1999, p.106).

Ilustração 6: Planejamento Estratégico Profissional de Savioli

Os passos de cada plano de ação devem ser avaliados constantemente e verificada a maneira como estão sendo cumpridos. Ao final, o autor sugere um check up anual de carreira. Um cuidado especial periódico de maneira semelhante ao que é feito em relação à saúde. Esse check up deve verificar todas as área consideradas prioritárias como composição familiar, lugares conhecidos, educação formal e informal, idiomas, experiência profissional etc. Deverá ser feito um registro sempre que houver mudanças significativas em cada área como forma sistemática de atualização. Será o histórico de realizações (SAVIOLI, 1999).

Em seu modelo chamado de planejamento estratégico individual, o autor leva em consideração o planejamento de vida e de carreira. Considera que a carreira é um processo complexo interligado com os outros aspectos da vida. O planejamento e a organização da carreira exigem muita atenção e disciplina e vão além do bom desempenho profissional, envolvendo traços da personalidade do indivíduo (SAVIOLI, 1999). O planejamento é importante porque muitos só visualizam a sua vocação quando já estão a alguns anos na profissão e, muitas vezes, têm que voltar e recomeçar (TOSE, 2009).

Quando se conhece a fundo as forças e fraquezas que interferem em na vida e na carreira profissional dos indivíduos torna-se possível estabelecer uma estratégia pessoal, assim como, conduzi-la para que se realize efetivamente. A característica básica desse planejamento é a possibilidade de antecipar cenários futuros e compará-los com pontos fortes que a pessoa tenha e aqueles que ela possa desenvolver. ―É uma proposta para que você tenha um processo estruturado para pensar sua carreira, olhando para o futuro‖, comenta Savioli (SAVIOLI, 1999, p.80).

Savioli comenta que será muito mais fácil e produtivo para a organização trabalhar com o profissional que sabe onde quer chegar (TOSE, 2009), mas o próprio indivíduo deverá ter em mente que administrar a própria carreira será planejar e procurar os caminhos para a auto- realização, encarando a organização como uma parceria e não como um ―pai protetor‖ (SAVIOLI, 1999).

Ilustração 7: Processo de Planejamento Estratégico Individual de Savioli

FONTE: Adaptado de Savioli, 1999.

Ao atingir o último passo, o planejamento estratégico pessoal, o indivíduo deverá saber quem são os principais consumidores dos serviços e produtos que ele poderá oferecer, para que possa se desenvolvido os recursos necessários para estabelecer planos de ação (FERNANDES, 2007; SAVIOLI, 1999).

O início de uma carreira e uma vida bem-sucedida exige grandes investimentos em tempo e conhecimento (SAVIOLI, 2009). A prática do planejamento estratégico é exercitada há alguns anos pelas empresas, mas pelas pessoas, nem tanto, pois o assunto é recente quando se trata de planejamento estratégico pessoal. Savioli considera que o indivíduo deve ser o dono da sua própria carreira, direcionando-a dentro das possibilidades do momento e das oportunidades de trabalho, hoje e no futuro (SAVIOLI, 1999).