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5. ANALYSE & DISKUSJON

5.2 D ISKUSJON

5.2.3 Funn 3

Martinho de Almeida, professor, escritor e consultor brasileiro (FEA-USP / FIA) idealizou um modelo de planejamento estratégico pessoal a partir de seu modelo de planejamento estratégico chamado MIRA, que simboliza as iniciais de seu nome Martinho Isnard Ribeiro de Almeida. Ele está enumerado entre os maiores especialistas do país sobre o tema planejamento estratégico pessoal, segundo o ranking do Portal da Inovação, do Ministério da Tecnologia e da Cultura (PORTAL DA INOVAÇÃO, 2011).

O modelo PEP-MIRA foi elaborado com base no Planejamento Estratégico MIRA, lançado no ano de 2001. Almeida acredita na possibilidade de se aplicar o planejamento estratégico organizacional também ao plano individual, depois de adaptado às necessidades do indivíduo. Assim como as organizações, uma pessoa também precisa se planejar, avaliar os seus recursos

disponíveis, definir uma visão e missão, observar o ambiente e os aspectos internos, ter um cronograma e definir estratégias e ações (CARVALHO et al., 2008).

O modelo PEP-MIRA foi introduzido academicamente por meio de um artigo científico de Almeida com colaboradores (MAGALHÃES et al., 2006) em que cada campo do planejamento estratégico organizacional MIRA foi descrito, explicado e adaptado para atender às expectativas de planejamento em nível individual. Além disso, o artigo promoveu uma pesquisa de campo para investigar o interesse, o perfil e o nível de satisfação dos indivíduos quanto ao tipo de planejamento proposto (MAGALHÃES et al., 2006).

Para Almeida, em um planejamento os indivíduos deverão levar em conta alguns fatores críticos de sucesso, que são: conhecimento técnico, habilidade de relacionamento, disponibilidade para mudanças, experiência, formação, conhecimento de línguas e informática e seus valores pessoais (ALMEIDA, Martinho, 2010).

Na pesquisa promovida em 2006 em relação a apresentação do modelo PEP-MIRA, constatou-se que o PEP pode ajudar o indivíduo em seu autoconhecimento, bem como, na definição de suas prioridades pessoais e profissionais. Os próprios indivíduos, segundo a pesquisa, consideram de grande importância que as pessoas tenham um planejamento estratégico pessoal (MAGALHÃES et al., 2006).

As principais modificações para que o modelo PE-MIRA pudesse dar origem ao PEP-MIRA (CARVALHO et al., 2008) foram:

 A etapa Orientação anteriormente formada por Diretrizes Superiores, Missão, Vocação e Visão passou a ter as Diretrizes Superiores substituídas por Valores, enquanto a Missão passou a ser Missão Profissional e de Relacionamentos;

 Na segunda etapa, Diagnóstico, que anteriormente era composta por Aspectos Internos, Análise Ambiental, Campo de Atuação e Estratégia Vigente foi acrescentado um último componente definido como: Base Emocional da Mudança;

 A etapa Viabilidade que era composta por Demonstração de Resultados, Balanço, Mutações e Índices passou a ter apenas um item, sintetizando os demais, chamado de Fluxo de Caixa.

 A etapa Operacional que era formada por Ações e Cronograma, recebeu mudanças e acréscimos tornando-se Projetos, Cronograma e Próximas Ações.

O modelo gráfico do planejamento estratégico pessoal MIRA pode ser observado na Ilustração 15.

Ilustração 15: Modelo PEP-MIRA

FONTE: Carvalho et al., 2008.

 Etapa 1: Orientação – Etapa composta por Valores, Missão Profissional e de Relacionamentos, Vocação e Visão.

Para Almeida, os valores podem ser definidos como os princípios nos quais se acredita

fortemente, guiando e dando senso de direção, motivação e perseverança. A missão profissional e de relacionamentos pode ser entendida como a razão de ser do

empreendimento e diz respeito à delimitação do seu campo de atuação e das possibilidades de se expandirem suas ações (MAGALHÃES et al., 2006).

A vocação se relaciona com a habilidade, a preferência e o prazer de se fazer certa atividade, ajudando a definir quais serão os objetivos prioritários. Já a visão pode ser considerada como a orientadora das ações, devendo indicar como atingir um grande objetivo (CARVALHO et al., 2008).

 Etapa 2: Diagnóstico – Etapa composta por Aspectos Internos, Análise Ambiental, Campo de Atuação, Estratégia Vigente e Base Operacional para a Mudança, atividades que orientarão na realização da estratégia.

Na análise dos aspectos internos, os fatores críticos de sucesso devem ser identificados, pois é a partir dessa análise que serão estabelecidos os pontos fortes e fracos, as oportunidades e ameaças, os quais condicionam o cumprimento da missão e seus respectivos objetivos.

Já a análise ambiental avalia como podem ser aproveitadas as oportunidades que vierem a surgir, assim como o que precisará ser feito para se prevenir das ameaças presentes. (FERNADES, 2007).

O campo de atuação é a área da organização onde de ela deve, de fato, estar operando, sendo que essa área deve ser coerente com sua missão, visão e vocação (MAGALHÃES et al., 2006). A estratégia vigente é aquela que vai nortear a atuação e que não deve ser mudada radicalmente. O que se pretende na etapa do Diagnóstico é que seja feita uma avaliação da direção tomada, do quão eficiente o indivíduo tem sido na sua vida.

O sucesso de um indivíduo dependerá das atividades que exerce, relativas a sua formação e conhecimentos, habilidade de relacionamento e disponibilidade para mudanças, considerando as variáveis que o afetam pessoal e profissionalmente (CARVALHO et al., 2008).

 Etapa 3: Direção – Etapa composta por Estratégias e Objetivos.

As estratégias é que viabilizam o alcance dos objetivos e devem ser criadas já na fase do diagnóstico. As estratégias devem ser agrupadas e aproveitadas na etapa de Direção (CARVALHO et al., 2008). Já um objetivo pode ser considerado como um ponto concreto ao qual se deseja chegar, sendo que deve haver parâmetros numéricos e datas, além de as metas serem uma segmentação do objetivo pretendido (FERNANDES, 2007).

 Etapa 4: Viabilidade – Etapa composta pelo Fluxo de Caixa.

Esta etapa propõe o estabelecimento de índices e metas, de maneira que o indivíduo visualize, por meio dessa projeção, de que maneira andam suas finanças e seu fluxo de caixa pessoal. O indivíduo deverá realizar uma análise com a finalidade de se saber se sua situação financeira viabiliza suas estratégias. Deverá existir uma quantificação dos objetivos relacionados a resultados e desempenho, para que a execução dessa etapa seja facilitada. (CARVALHO et al., 2008).

 Etapa 5: Operacional – Etapa composta por Projetos, Cronograma e Próximas Ações. Nesse momento, há a definição de como a estratégia será colocada em prática, ou seja, como os projetos se transformarão em ações. Para cada ação devem ser tabuladas as dificuldades que deverão ser superadas e quais os recursos necessários a serem investidos. Cada ação pode ser subdividida em atividades de forma que essas atividades se enquadrem em um cronograma, pois o cronograma se faz necessário por servir de controle para que as ações efetivamente sejam realizadas e que os projetos e ações definidos na fase do planejamento sejam implementados (CARVALHO et al., 2008).

Depois da análises das etapas de seu modelo de PEP, Almeida e seus colaboradores (MAGALHÃES et al., 2006) enumeram os riscos de um indivíduo não realizar um PEP em sua vida, que são: (i) não ter um projeto profissional consciente; (ii) cair em armadilhas profissionais; (iii) ter falta de foco e (iv) amargar alternativas restritas de desenvolvimento profissional.

Finalmente, Almeida conclui que não é a empresa que deve planejar o futuro das pessoas, mas antes, são elas mesmas que devem planejar e sintonizar seus planos individuais com o plano da empresa, por meio de um planejamento estratégico pessoal (CARVALHO et al., 2008; ALMEIDA, Martinho, 2010).