A partir de 2003, com a conclusão e a publicação dos referenciais curriculares, o foco da formação continuada de professores teve como objetivos implementar os referenciais curriculares e promover a reflexão da prática pedagógica dos professores.
Nesse período, a formação continuada dos professores de matemática da rede escolar SESI-SP era realizada pelos Analistas Pedagógicos de Matemática responsáveis por discutir, nos encontros de formação, as práticas dos professores de matemática. Esses encontros de formação promoviam discussões de atividades elaboradas de acordo com a metodologia adotada, visando a uma mudança da prática do professor na sala de aula, uma vez que a rede a considerava ainda meramente transmissiva. Para fazer essa afirmação, a rede escolar SESI-SP considerava os resultados das avaliações externas que ocorreram desde 1999, mostrando que os alunos possuíam apenas habilidades básicas de localizar e identificar.
Os formadores proporcionavam processos que eram vividos pelos professores e que deveriam ser realizados nas unidades escolares, propondo questões sobre as contradições das práticas pedagógicas e novas possibilidades para ensinar o aluno a pensar.
As atividades propostas aos professores pelos formadores, denominadas de modelos organizativos de ensino e de aprendizagem, tinham como intuito a reflexão, uma vez que esses modelos eram baseados na teoria expressa nos Referenciais Curriculares da rede escolar SESI-SP. Os modelos organizativos de ensino e aprendizagem levavam em conta os procedimentos metodológicos que constam da proposta educacional da instituição. Objetivavam o planejamento do professor no contexto educativo para possibilitar a descoberta e a apropriação do conhecimento. Dessa forma, os modelos organizativos de ensino e aprendizagem deveriam ser considerados parâmetros para a elaboração do planejamento e do fazer pedagógico.
Apesar desses “modelos” terem atividades, os referenciais curriculares atentam para não confundir o fazer pedagógico com a atividade, pois o fazer do professor está na sua postura de maneira a proporcionar na sala de aula a interação, o partilhar significados e o atendimento às necessidades dos alunos para que eles se apropriem dos conhecimentos. Nesse sentido, os modelos organizativos de ensino e aprendizagem eram construídos e focados principalmente na questão metodológica. Discutia-se com o professor algumas posturas como a valorização dos conhecimentos que o aluno já trazia e a avaliação formativa.
Esse trabalho de formação tinha início na sede do SESI-SP na capital de São Paulo e era discutido pela equipe de matemática composta por três analistas pedagógicos. Cada analista pedagógico tinha em comum a realização da formação continuada, mas possuíam outras funções distintas. Um era da Área de Treinamento e Assistência ao Professor, responsável pelas questões de organização dos treinamentos e atendimento ao professor. O outro da Área de Avaliação de Ensino, responsável por todas as questões da avaliação enquanto e o terceiro da Área de Metodologia de Ensino das Áreas de Conhecimento, responsável por organizar as questões didáticas e metodológicas e de materiais pedagógicos para os professores. Os analistas pedagógicos da equipe de matemática, dentro das suas atribuições específicas, se reuniam para preparar os encontros de formação, na organização, avaliação e metodologia.
C
APÍTULO
4
4AVISÃODOSPROFESSORES
O objetivo deste capítulo é apresentar e analisar os dados coletados na pesquisa sobre os fatores que influenciaram o bom desempenho em matemática em três escolas da rede escolar SESI-SP e sobre o papel que os professores atribuem aos encontros de formação continuada em relação ao atual desempenho da escola no componente matemática.
Para organizar a análise dos dados colhidos, decidimos formar dois eixos já estabelecidos a partir das hipóteses e das entrevistas visando a identificar, pela voz dos sujeitos da pesquisa (professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escola), os fatores que foram determinantes para o bom desempenho da escola e o papel que atribuem aos encontros de formação continuada. Os eixos estão estruturados da seguinte forma:
Eixo 1 – O pensar dos professores de matemática, coordenadores pedagógicos e diretores de escola sobre o bom desempenho da escola. Tem como objetivo verificar, na visão deles, o que influenciou o bom desempenho em matemática
Eixo 2 – A percepção dos professores de matemática sobre o projeto de formação continuada que o SESI-SP ofereceu com a finalidade do professor refletir sua prática pedagógica.
O questionário e as entrevistas trouxeram dados relativos ao que os professores pensam sobre a formação continuada baseada na metodologia da rede escolar SESI-SP e sobre o bom desempenho em matemática de cada uma das escolas.
Analisando o questionário respondido pelos professores preliminarmente antes da entrevista, pudemos verificar que os cinco professores fizeram o ensino fundamental e o ensino médio em escolas públicas e o ensino superior em faculdades particulares. Todos os professores têm licenciatura em matemática. A professora Sônia, 41 anos, é casada e além da Licenciatura Plena em Matemática, possui também a Pedagogia e Pós-Graduação em Recursos Humanos e Psicopedagogia. Tem experiência de dez anos como professora do 1º ao 5º ano e de matemática no ensino fundamental do SESI-SP e quatro anos como professora de matemática no ensino médio também do SESI-SP, além de dezessete anos como professora de matemática e física nos ensinos fundamental e médio da escola pública do Estado de São Paulo. Além disso, teve um desejo realizado de ter uma escola de ensino fundamental 1 (1ª. série a 4ª. série). Depois de um ano, vendeu a escola porque o que realmente gostava era da sala de aula, pois como proprietária de escola atuava mais nas questões administrativas que pedagógicas. O professor José Carlos, 45 anos, é casado e tem experiência de dezessete anos como professor de matemática no ensino fundamental e um ano como professor de matemática no ensino médio, ambos no SESI-SP. Tem experiência como professor de matemática também na escola pública estadual de São Paulo onde atua há dezessete anos no ensino fundamental e há quatro anos no ensino médio. Está cursando uma especialização em Matemática para os ensinos fundamental e médio na Unicamp. Josélia tem 46 anos, é casada e além da Licenciatura em Matemática, possui Pedagogia e Especialização em Gestão Escolar. Tem vinte e quatro anos de experiência como professora de matemática, dos quais treze anos no ensino fundamental e dois no ensino médio do SESI-SP. Trabalhou por dez anos como coordenadora pedagógica e um ano como vice-diretora na escola pública estadual de São Paulo. Júlia, 32 anos, é solteira, tem experiência de sete anos no ensino fundamental do SESI-SP e dez anos como professora de matemática dos ensinos fundamental e médio da escola pública estadual de São Paulo. E Rose, 41 anos, é casada também tem graduação em Pedagogia, além de Licenciatura em
Matemática. No SESI-SP, tem experiência de dezesseis anos no ensino fundamental e um ano no ensino médio como professora de matemática, além de experiência de dezoito anos e cinco anos respectivamente no ensino fundamental e ensino médio de escolas da rede pública estadual.