Dentro do que alcançamos nesta pesquisa em termos conceituais e em práticas aqui abordadas, podemos destacar como relevantes as seguintes análises:
Informação e conhecimento compartilhados são matérias-primas do terceiro setor, assim como a interação entre pessoas em prol de objetivos comuns. A visão de Tapscott e Williams (2007, p.53) sinaliza para um futuro em que a Web estará em sintonia com a essência das organizações do terceiro setor, instituições privadas de atuação pública. “A Web [...] cada vez mais se parece com uma biblioteca cheia de componentes que interagem e falam uns com os outros” e os desenvolvimentos são feitos não somente em benefício próprio, mas abertos para que possam ser mais usados e de maneiras diversas o que chamam de colaboração em massa, inovação emergente ou fortuita.
As TICs só tendem a potencializar o papel das organizações, particularmente as ferramentas Web 2.0, se utilizadas também em sua gestão como parte de um planejamento estratégico. Existem diversos modelos, mas no que se refere à gestão, devem ser consideradas nas etapas de planejamento estratégico das organizações e estudadas com cuidado para que, efetivamente, alcancem o resultado esperado.
A princípio, não parece ser necessário que profissionais sejam capacitados especificamente para utilizar funcionalidades Web 2.0. Portanto, as diferentes perspectivas das equipes envolvidas nas atividades da organização e utilizando estes recursos Web também podem contribuir com resultados favoráveis.
Os recursos estão disponíveis, a maioria tem como vantagem não apenas o fato de serem gratuitos, mas de reduzirem etapas e custos dos processos de gestão. As ferramentas podem facilitar o acompanhamento de experiências e tendências como um aspecto fundamental da melhoria de capacidades e infraestruturas necessárias para alcançar os objetivos das organizações a partir de uma visão estratégica.
Nesta linha, Sorj (2003) associa a importância de acompanhar tendências e experiências nos países em desenvolvimento para definir melhores pesquisas tecnológicas e produção adequadas às suas realidades e evitar a “tendência
inauguralista”, com base em políticas sem formulação e pouco atreladas às realidades locais; é também importante utilizar visão estratégica, com base em apoio técnico e com o monitoramento das atividades, bem como a capacitação contínua para mão de obra qualificada e atuação em rede.
Em próximas oportunidades de estudo, vemos como necessidade promover em esforço conjunto a avaliação, sistematização e divulgação contínua de experiências no uso destas tecnologias no terceiro setor como forma de contribuir com condições para o desenvolvimento social e local, especialmente por meio da Web que, com sua natureza aberta, exige infraestrutura mínima e cada vez mais acessível e sem capacidade técnica específica.
Em um âmbito maior, para que o terceiro setor acompanhe os demais sistemas da sociedade (privado e estatal) e atue de forma sinérgica, se beneficiando de financiamentos, de acordo com as regulações impostas, entre outras questões, é também fundamental o apoio à descentralização do acesso à infraestrutura de tecnologia, a disponibilidade de informação e meios de comunicação para a formação educacional dos indivíduos.
Portanto, o uso das ferramentas da Web 2.0 oferece às organizações do terceiro setor maior capacidade de alcançar seus objetivos, envolvendo as atividades em um círculo em que, por sua vez, permitem maior intervenção de forma democrática nas políticas sociais, além de melhores possibilidades de organização em rede, resultando até mesmo em novas políticas.
O peso das TICs atualmente é grande e sem precedentes. A perspectiva mais certa e enfatizada por Castells (2004) é de que será no terreno da comunicação a batalha pelo desenvolvimento social, para a qual a diversidade dos meios tecnológicos existentes terá grande importância por sua influência sobre o pensamento dos povos, o estabelecimento de poderes, a constituição, evolução e mudança das sociedades.
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ANEXO B - Tipos de interatividade