3 The Committee’s assessment
3.1 Introduction
1º Intereclesial: Vitória (ES), de 06 a 08 de janeiro de 1975, com o tema: Uma Igreja que nasce do povo pelo espírito de Deus. Dele participaram 70 pessoas, representando várias dioceses de 12 estados diferentes. O encontro tinha com objetivo delinear o perfil e descobrir as características futuras da Igreja nova que nasce no meio do povo, principalmente através das comunidades eclesiais de base. A “Igreja nova” deveria ser participativa, criativa, toda ministerial, e comprometida com a dimensão política da fé. Uma série de desafios em aberto foi destacada pelos participantes, abrangendo as linhas: eclesiológica, política, cultural e metodológica. Nas conclusões enfatizou-se os traços essenciais para uma metodologia adequada para o trabalho das comunidades: sempre a partir da realidade, desenvolver um instrumental de analise adequado para a sua melhor percepção; abrir espaços de valorização de expressões do povo; favorecer condições para o aperfeiçoamento contínuo dos agentes de pastoral, se possível dentro da própria comunidade.
2º Intereclesial: Vitória (ES), de 29 de julho a 1º de agosto de 1976, com o tema: Igreja, povo que caminha. Contou com cerca de 100 participantes, sendo mais da metade de pessoas da base. Representavam 24 dioceses de 17 estados. Inicia-se uma caminhada das CEBs em nível nacional com uma nova consciência sócio-eclesial, a Igreja não é propriedade de umas pessoas, mas de todos que se responsabilizam por ela. Foram discutidos 5 itens específicos: terra, política partidária, sindicato, periferia das cidades e modelo de igreja (tradicional, renovada e que nasce do povo pelo Espírito de Deus). Nas conclusões, houve a reafirmação da opção por uma evangelização libertadora. O encontro favoreceu a compreensão de que a fé não pode ser separada da vida e que a Palavra de Deus se revela também na história do povo.
3º Intereclesial: João Pessoa (PB), de 19 a 23 de julho de 1978, com o tema: Igreja, povo que se liberta. Dele participaram cerca de 200 pessoas, representando 47 dioceses de todo o país. Em relação aos encontros anteriores, houve uma significativa mudança, 65% dos participantes eram constituídos de pessoas da base. Realçando seu caráter ecumênico, também participaram quatro representantes de igrejas evangélicas. Assessores e bispos colocavam-se no lugar de ouvintes da palavra dos pobres e pequenos, de sua história e paixão, de seus sonhos e esperanças. Depois de tantos anos de um grande silêncio, o povo fiel e oprimido se coloca como sujeito da construção da sociedade e da Igreja. “Eis um fato inaudito nos últimos 478 anos da história pátria e eclesial: o povo toma a palavra. Esta palavra ficara sempre monopólio de um corpo de peritos da Igreja: do catequista, do padre, do bispo. O povo fora reduzido a simples receptor e reprodutor do discurso dos outros. Sua voz fora sempre eco da voz dos superiores. Agora se ouve a voz do povo” 289. Nas conclusões, o encontro reafirma seu compromisso com a causa dos pobres, o que constitui para as comunidades o projeto de aliança que Deus faz com o seu povo, mediante esse compromisso é que tem início a mudança do mundo em direção ao Reino de justiça. Mas essa transformação só acontecerá se conhecermos a realidade do local, do nosso município, e dos municípios vizinhos, descobrindo o que está por trás daquilo que os poderosos escondem do povo. Os participantes reforçam que devem participar em todos os segmentos
que lutam contra a opressão: sindicatos, associações e partidos políticos que sejam nossos e não para nós. Participação que deve ocorrer também na Igreja, criando condições para um crescimento comum, sem que haja marginalização de ninguém, mas verdadeira união. 4º Intereclesial: Itaici (SP), de 20 a 24 de abril de 1981, com o tema: Igreja, povo oprimido que se organiza para a libertação. Participaram cerca de 280 pessoas representando 71 dioceses de 18 estados diferentes, 65% dos representantes eram pessoas da base. Entre os objetivos principais do encontro estavam a troca de experiências, a celebração da fé e o aprofundamento crítico das lutas reivindicatórias, sindicais e político- partidárias. O encontro deixa claro que as CEBs, em razão de sua identidade religiosa, não podem se transformar em células partidárias, mas tampouco podem deixar de lado sua educação política. As CEBs devem ser lugar de vivência, aprofundamento e celebração da fé, mas também lugar onde se confrontam vida e prática com a Palavra de Deus, no sentido de se verificar a coerência da ação política com o plano de Deus. Há uma íntima ligação entre fé e vida e a consciência da presença de Deus no meio das comunidades.
5º Intereclesial: Canindé (CE), de 04 a 08 de julho de 1983, com o tema: CEBs, povo unido, semente de uma nova sociedade. Contou com cerca de 500 participantes de 134 dioceses, sendo 50% representantes da base. As reflexões nos grupos de trabalho foram: as condições de vida do povo brasileiro e sobre suas reações contra a situação de dominação; as motivações que levam as CEBs a lutarem por uma nova sociedade; e as propostas concretas para se chegar a uma nova sociedade. A reflexão central do encontro foi que, na luta por uma nova sociedade, as CEBs encontram na motivação evangélica a razão última de todo seu empenho. A experiência de fé é vivida pelas CEBs como uma evidência, como a sua razão de ser. Ela constitui o grande segredo das comunidades, de sua força maior, como fonte de animação e de luta para a nova sociedade que almeja.
6º Intereclesial: Trindade (GO), de 21 a 25 de julho de 1986, com o tema: CEBs, povo de Deus em busca da terra prometida. Contou com 1.647 participantes, dos quais 742 representantes da base, 45% do total. Contou também com representantes dos povos indígenas e de igrejas evangélicas. Marca registrada deste encontro são as grandes temáticas ligadas à caminhada das CEBs: seu estatuto eclesiológico, sobre o novo jeito de toda a Igreja ser; CEBs e política partidária, membros de partidos políticos que pertencem às CEBs e o perigo do afastamento eclesial dos militantes políticos; a especificidade da luta das mulheres, negros e índios; e, por fim, a questão latino-americana e o ecumenismo. Este encontro foi considerando o mais importante em se tratando de ecumenismo.
7º Intereclesial: Duque de Caxias (RJ), de 10 a 14 de julho de 1989, como o tema: Povo de Deus na América Latina a caminho da libertação. Cerca de 2.550 pessoas participaram deste encontro, que teve sua temática geral subdividida em três questões específicas: a situação da América Latina, a relação entre fé e libertação, a eclesialidade das CEBs e sua dimensão ecumênica. O encontro repercutiu as acusações contra Leonardo Boff e Carlos Mesters divulgadas por alguns bispos nos jornais, a condenação pelo Vaticano da Teologia da Libertação e a convocação de bispos para explicações, a desarticulação de projetos pastorais populares, como o D. Helder Câmara no Recife e o desmembramento da Arquidiocese de São Paulo. Com relação às CEBs, já a partir do encontro de Trindade, algumas autoridades eclesiásticas começaram a divulgar dúvidas sobre sua experiência evangelizadora. Os questionamentos vão do perigo da ação partidária nas CEBs, uma “supervalorização” de sua ação pastoral, os indícios que algumas
comunidades deixam de ser eclesiais e são hostis à hierarquia. No entanto houve uma presença maciça de bispos e da cúpula da CNBB. O encontro foi marcado pela importância da discussão política, mediante a Palavra de Deus, do aprofundamento do ecumenismo, a eclesialidade das CEBs enquanto portadoras “do sonho de Jesus”. A dimensão celebrativa continuou sendo significativa.
8º Intereclesial: Santa Maria (RS), de 08 a 12 de setembro de 1992, com o tema: Culturas oprimidas e a evangelização na América Latina. Cerca de 3.000 pessoas estavam presentes. A escolha do tema cultura como eixo das reflexões e das celebrações acrescenta um elemento novo nos encontros. Nos encontros anteriores a temática de fé e política ocupava um lugar de destaque. Para muitos esse desvio tirava do foco a luta libertadora. Cada bloco encarregou-se de um tema: índios, negros, migrantes, trabalhadores e mulheres. Este encontro levanta a questão da matriz pluri-cultural do catolicismo no Brasil, do diálogo da fé cristã com a religião afro-brasileira e os desdobramentos da inculturação nos campos litúrgico, teológico e pastoral. Esta experiência inovadora de evangelização, a partir dos povos e culturas oprimidas, não ocorreu sem momentos de forte dificuldade e tensão, conforme o que testemunha o documento final: “Tudo que é novo nasce com dor de parto, mas também traz alegria”. Em especial dos blocos dos negros e das mulheres vieram as reivindicações mais contundentes.
9º Intereclesial: São Luiz (MA), 15 a 19 de julho de 1997, com o tema: Vida e esperança nas massas. Contou com 2.800 participantes. O tema foi subdividido em 6 eixos, formando a base do trabalho nos blocos temáticos. São eles: CEBs e catolicismo popular; CEBs e religiões afro; CEBs e pentecostalismo; CEBs e cultura de massa; CEBs: excluídos e movimento popular; CEBs e a questão indígena. As CEBs são convocadas a ser vida e esperança nas massas. Enfrentando novos desafios: porque os mais pobres ainda participam pouco da vida da Igreja, ou não são atingidos pela sua ação pastoral? Este encontro dá-se dentro do perfil no diálogo CEBs-CNBB. O contexto social é de hegemonia do neoliberalismo, não há modelo alternativo, o contexto eclesial é o da consolidação do centralismo eclesiástico.
10º Intereclesial: Ilhéus (BA), de 11 a 15 de julho de 2000, com o tema: CEBs, Povo de Deus, 2000 anos de caminhada. Dele participaram 3.036 pessoas. Recordou-se o sonho de Jesus e a vida de comunidade assumida por seus seguidores e seguidoras de ontem e de hoje. O encontro avaliou e celebrou os 500 anos de evangelização no Brasil e os 25 anos dos Intereclesiais, através das temáticas: CEBs, memória e caminhada; sonho e compromisso. Tudo isso para celebrar, festejar, avaliar e abrir novos horizontes para que um dia possamos colher os frutos da justiça, da partilha, da igualdade, da ternura, do carinho e da festa. Outras questões surgiram e foram motivo de atenção, como a questão das celebrações das Cebs e a Eucaristia; a diferença do ecumenismo no Encontro e nas bases; a tensão entre Cebs e Renovação Carismática; a relação entre Cebs e clero, destacadamente o clero mais novo - que se compromete cada vez menos com as Cebs; a questão indígena.
11º Intereclesial: Ipatinga (MG), de 19 a 23 de julho de 2005, com o tema: CEBs, espiritualidade libertadora e o lema: Seguir Jesus no compromisso com os excluídos. Contou com a participação de aproximadamente 4.000 pessoas. O encontro foi elaborado a partir de seis eixos temáticos que se subdividiram em seis temas específicos: CEBs e a espiritualidade libertadora; CEBs, a dignidade humana e promoção da cidadania, CEBs e a
formação de um novo sujeito; CEBs e a construção de outro mundo possível; CEBs e a via campesina, CEBs e a educação libertadora.O encontro foi avaliado, no seu conjunto, como um “Novo Pentecostes” que, alimentado por uma espiritualidade autenticamente libertadora, uniu e reuniu povos e línguas, raças e nações, para celebrar o amor do Deus Libertador, parceiro dos pobres e oprimidos, renovando em todos e todas o empenho de “seguir Jesus no compromisso com os excluídos”. Nesse encontro, aflorou com maior clareza a consciência de que o Trem das Cebs tem dois trilhos: o primeiro fundamenta-se no seguimento de Jesus e o segundo refere-se ao compromisso com as causas dos excluídos. Nesses trilhos circula a Espiritualidade Libertadora, como uma Energia que vem do chão da vida. O Trem atravessa a história, está em movimento e esta Energia provém do próprio movimento do Trem. É a Espiritualidade que está bem no centro da caminhada das CEBs. Cônscios do risco desta viagem, as CEBs devem se colocar numa atitude de permanente vigilância para que o Trem não venha a sair dos trilhos, descarrilhar.
12º Intereclesial: Porto Velho (RO), de 21 a 25 de julho de 2009, À luz do tema: CEBs, Ecologia e Missão, e do lema Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia. A ênfase do encontro recaiu sobre os grandes desafios lançados pela desestabilização do planeta, colocando em risco a vida humana e ecológica. Responder ao grito que vem da Amazônia implicará, então, no esforço perseverante e permanente das Igrejas na defesa da vida para todos e para tudo. Assim, um grito irrompeu para dentro das Cebs para que pudessem se abrir e acolher os gritos que vem da Amazônia, da questão ecológica, e da missão, grito esse que quer ecoar em todos os cantos deste país, da pátria grande e em todas as dimensões.
13º Intereclesial: acontecerá na cidade de Juazeiro do Norte, diocese do Crato (CE), entre os dias 7 a 11 de janeiro de 2014. O tema do encontro será Justiça e profecia a serviço da vida e o lema: CEBs romeiras do Reino no campo e na cidade.
BIBLIOGRAFIA