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Introduction

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A vegetação tem papel primordial na manutenção do ambiente equilibrado, com a função de fixar o solo, contribui com o ciclo hidrológico e representa elemento fundamental na contenção da erosão. Quando a cobertura vegetal natural é removida, o solo fica desprotegido e a água precipitada chega ao solo com maior intensidade, pois não será interceptada pela vegetação podendo causar o efeito splash, infiltrar, atingir o ponto de saturação do solo e escoar superficialmente transportando os

sedimentos. Em áreas com declive acentuado esse processo é intensificado pela ação da gravidade e a camada superficial do solo, primeiros horizontes e mais férteis, podendo ser carregado, promovendo a perda de nutrientes, elementos minerais e a fertilidade, resultando em um solo degradado (Souza, 2000; Guerra, 2012).

O escoamento superficial é um processo dominante da morfodinâmica do ambiente semiárido sertanejo. Assim, somada a condições climáticas, a topografia, o tipo de solo, a vegetação e as práticas de manejo, principalmente o desmatamento, as queimadas e o superpastoreio citados no trabalho é possível perceber o atual estado de degradação ambiental de Tejuçuoca.

A figura 4 (A) demonstra a erosão do solo, ocorrência de solo desnudo, facilitada pelas características físicas do solo e climática e intensificada pelo desmatamento, ”qualquer atividade humana que exija a remoção da cobertura vegetal protetora promove a erosão, o mesmo ocorrendo com medidas impróprias, como arar morro acima” (Araújo; Almeida; Guerra, 2010, pg. 24). Evidencia-se a poluição por resíduos sólidos que prejudica o solo podendo contaminá-lo com elementos-traços e outros poluentes químicos.

Figura 4- A: Erosão do solo em Tejuçuoca; B: Encosta com ravinas no açude Ingá em Tejuçuoca (Foto tirada pelos autores em junho/2016)

Na figura 4 (B) observa-se uma encosta desmatada com drenagem no sentido do açude Ingá, percebe-se a presença de ravinas expostas decorrentes da remoção da cobertura vegetal, da ação da precipitação através do escoamento superficial e do sentido da declividade que carregam todo o material da superfície para o reservatório promovendo o assoreamento.

De acordo com Araújo, Almeida e Guerra (2010) com a retirada da cobertura vegetal intensifica-se o escoamento superficial em que a água carrega a camada superior do solo, reduzindo a fertilidade devido a três motivos: i) conforme o solo fica mais denso e fino, as raízes encontram mais dificuldade de penetrar, tornando o solo superficial demais a elas; ii) reduz-se a capacidade de o solo reter água e torna-la disponível às plantas e iii) os nutrientes para as plantas são lavados com as partículas de solo erodidas.

Em uma área de encosta, o excesso de escoamento superficial provoca o aparecimento de ravinas, que correspondem a sulcos causados pela erosão do solo, e o aumento do transporte de sedimentos oriundos das encostas para corpos hídricos

se o assoreamento de açudes por este processo que associado ao período de seca prolongada no Ceará, quatro anos, promove a intensificação da degradação dos solos.

O assoreamento consiste na deposição dos materiais sólidos transportados pelos cursos de água. Além disso, o processo de assoreamento pode provocar a perda da capacidade de armazenamento dos reservatórios, reflexo da erosão (Aquino; Lopez, 2000).

Goudie (1995 apud Guerra, 2012) salienta que a erosão nas encostas é resultante da combinação de três processos: i) salpicamento (rainsplash); ii) escoamento superficial (surfasse’ wash) e iii) ravinamento (rill erosion) que dependem da erosividade da chuva, da erobilidade dos solos, das características das encostas e da natureza da cobertura vegetal.

Segundo Guerra (2012) o processo de formação das ravinas inicia-se na saturação do solo e formação de poças de águas que rompem obstáculos e escoam superficialmente, sendo inicialmente difuso, sob a forma de um lençol (sheeftlow) que evolui para uma ravina quando o fluxo de água passa a ser linear (flowline) e depois trona-se microrravinas (microrills) e posteriormente para microrravinas com cabeceiras (headctus). Simultaneamente a essa evolução, podem se estabelecer também bifurcações, através dos pontos de ruptura (knickpoints) das ravinas, criando uma rede de ravinas (rill network) na encosta.

Identificou-se em Tejuçuoca um grande número de açudes secos e assoreados, decorrentes da degradação da vegetação e consequente erosão dos solos, principalmente pelo aumento do escoamento superficial que promove o surgimento de ravinas e voçorocas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os indicadores de degradação ambiental descritos no trabalho demonstram o atual estado das condições físico-geográficas do município de Tejuçuoca, evidenciando a necessidade de um planejamento ambiental com propostas de ações voltadas a recuperação ambiental, convivência com o semiárido e medidas preventivas para evitar o avanço da degradação.

Nessa perspectiva, a realização do trabalho apresenta-se como uma importante contribuição para o entendimento do meio físico e uso e ocupação do semiárido, mas precisamente em Tejuçuoca, como modelo de diagnóstico da degradação ambiental a partir de indicadores e visão sistêmica e integradora que pode ser utilizada para outras realidades, incrementando os estudos das condições geoecológicas e socioeconômicas dos municípios do sertão cearense com base a compreensão da apropriação dos recursos naturais.

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CHUVAS E A PROBLEMÁTICA DOS ALAGAMENTOS: CASOS

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