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Cristão-novo brasileiro, já residente antes de 1630

13 Moisés Navarro, 1635

– 14 e 15 Abraão de Azevedo, 1644

17 e 18 Fernão Martins da Silva, 1639 (neste ano também

vai à Holanda)

19, 20 e 21 Duarte Saraiva, 1635

22 e 23 David Athias, 1636

Quadro elaborado a partir de MELLO, 1996; WOLFF, 1986, e INVENTÁRIO, 1940

Assim ficamos sabendo que dos 13, 10 estavam no Recife antes de 1639. É possível, portanto, que 10 proprietários judeus tenham de fato elevado suas casas no período 1637-1639, período no qual teriam processado os aterros.

Os outros 3 (Jacob Valverde, Gil Correia, Abraão de Azevedo) chegaram a partir de 1641 e, provavelmente, todas as casas da Rua dos Judeus foram levantadas no período de mais intensa atividade construtiva, isto é, entre 1638 e 1644 (MEERKERK, 1988, p. 225). Da mesma forma, a sinagoga foi construída neste período, entre 1640 e 1642.147

Mas vários outros judeus possuíram propriedades no Recife e na Cidade Maurícia, algumas adquiridas à Companhia, que confiscou as casas luso-brasileiras antes existentes, e outras construídas em terrenos também comprados à WIC. Desta forma, os judeus foram participando do soerguimento da cidade nos terrenos arenosos e encharcados do istmo do Recife e da ilha de Antônio Vaz. À medida que

147

Ainda que uma Nótula Diária (Dagelijksche Notule) do Alto Conselho de 14 de novembro de 1639 mencionasse, ao se deliberar sobre aonde construir a sede da câmara dos Escabinos, que “os terrenos estão todos ocupados” (DNJH 14/11/1639), é possível que isso se referisse também ao fato de todos os terrenos já terem donos, e não necessariamente construídos, já que há várias referências de que a sinagoga da Rua dos Judeus não existia ainda nesta data. De qualquer forma esta informação confirma que, no mínimo, os terrenos estavam todos loteados.

este processo acontecia, eles foram lutando por sua inserção na comunidade que se desenvolvia neste ambiente urbano, o que significava lutar pelo seu direito de liberdade religiosa e de manter seus negócios. Não temos dúvida que os altos investimentos que fizeram na produção do espaço urbano contribuíram para o saldo positivo de suas atividades nestes lugares.

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Existem duas fontes primárias cruciais para uma avaliação do número de proprietários judeus e respectivas propriedades no Recife e na Cidade Maurícia. Trata-se de dois inventários feitos em datas distintas e por pessoas distintas. O primeiro é o “Inventário dos Prédios Edificados ou Restaurados até 1654” 148, um levantamento feito em 1654 por um escrivão português, Francisco de Mesquita, de todas as edificações dentro do espaço fortificado do Recife e Cidade Maurícia. O segundo é o “Inventário das pretensões, que os moradores das Províncias Unidas,

tanto em nome da Geral e outorgada Companhia das Índias Ocidentais e outros particulares, têm sobre bens de raiz, e por hipotecas, e dívidas pessoais, no Brasil etc.”, 149, uma lista contendo pedidos de indenização à Coroa Portuguesa, elaborada em 1663, arrolando dívidas, hipotecas e imóveis dos requerentes, entre os quais, dezenas de judeus.

Utilizamos o Inventário dos prédios de 1654, para a elaboração do quadro 4 , levando em conta a forma de apresentação dos prédios. Tomemos o exemplo do imóvel 282, numerado pelo escrivão Francisco Mesquita, cuja descrição é a seguinte:

“ Humas cazas de sobrado na mesma banda [da rua] fabricadas por Judeos ou Flamengos; nos altos se aquartela o Alferes Antonio de Alemão em huma das lojas o artilheiro Grego: alugadas ao dito André Lopes em dês mil reis por hum anno, que começa de ditos vinte e sete de Maio de sés centos cincoenta e quatro – Misquita” 150

148

INVENTÁRIO, 1940

149

INVENTÁRIO DAS PRETENSÕES, 1991

150

Decompusemos as informações do inventário de forma a classificar todas as casas em que é mencionada a possível construção por judeus. O quadro arrola o tipo de casa, ou seja, se térrea, se de um ou mais sobrados; a sua localização, que embora nem sempre explícita, pode ser encontrada quando se acompanha o itinerário do escrivão pela cidade; o valor pelo qual foi alugada e/ou avaliada para venda pela Coroa Portuguesa; e o proprietário ou construtor, podendo ser um nome conhecido, ou apenas a referência a “judeu”, “português”, “flamengo” ou ainda “flamengo ou judeu”. Considerei aquelas casas com nomes de judeus, e as que são mencionadas unicamente como “obras de judeu”, “benfeitorias de judeus” etc como propriedades certamente de israelitas. As mencionadas como de “flamengo ou judeu”, utilizo para apresentar dados possíveis, mas não certos.

Utilizamos o mesmo inventário para elaboradar o Quadro 5, que arrola as casas de não-judeus, ou seja, flamengos, existentes na rua dos Judeus, dos quais consta-se dois nomes: um certo Piloto e Jacob Baire.

Já o “Inventário das Pretensões”, de 1663, foi utilizado para a composição do Quadro 6 que arrola os proprietários judeus que reclamaram indenização por suas propriedades no Recife e Maurícia – sendo alguns já falecidos, os pedidos foram encaminhados por seus agentes, herdeiros ou viúvas. O Quadro 6 contém o nome do proprietário, a localização de seu(s) imóvel(is) e os valores do(s) mesmo(s), que era avaliado pelo próprio requerente. A comparação dos quadros 4 e 6 nos dá um panorama das propriedades urbanas dos judeus no Recife e Maurícia neerlandeses.

Quadro 4 – Casas de judeus no Recife e Maurícia, segundo o Inventário dos Prédios de 1654 Nº Fonte (Número

no Inventário)

Nome do Proprietário

Tipo de casa. Descrição, Observações Localização Valor de Aluguel (Inventário) Réis/ano Valor Avaliado

1ª Parte – Inventário dos Prédios (1654) – Recife

1. Inventário – 3 Jacob Valverde 1 Sobrado com lojas Rua dos Judeus 50000 -

2.

Inventário – 4 Moisés Neto 2 sobrados com lojas Rua dos Judeus Abrigava J. F.

Vieira -

3.

Inventário – 5 e 6 Jacob Zacuto

1 sobrado e

1 casa com 2 sobrados Ambas com lojas

Rua dos Judeus 32000 90500 réis

4. Inventário – 7 João de Lafaia 2 Sobrados com lojas Rua dos Judeus - -

5.

Inventário – 8 e 9 Jacob Fundão e Gil Correia

1 casa com um sobrado e 1 casa com 2 sobrados

Ambas com lojas e servidas pela mesma escada

Rua dos Judeus 15000 74020 réis

6. Inventário – 10 Sinagoga 2 casas de sobrado com lojas Rua dos Judeus 70000 -

7. Inventário – 11 Gabriel Castanho Sobrado com lojas Rua dos Judeus 45000 300000 réis

8.

Inventário – 12 Gaspar Francisco

da Costa Sobrado com lojas Rua dos Judeus 55000 -

9. Inventário – 13 Moisés Navarro 2 sobrados com lojas Rua dos Judeus 40000 -