Camera Calibration
1. Photogrammetric calibration: A calibration object whose geometry is known with high precision in 3D space is observed by the cameras in order to perform
4.2 Introduction to Camera Models
Na historiografia do contexto de implantação do Hospital D. Luiz I de Belém, inaugurado em 1877, percebemos que sua estrutura arquitetônica sofreu alterações, com anexos incorporados ao edifício original, que modificaram substancialmente sua leitura volumétrica, notadamente presente em sua fachada posterior, totalmente alterada. Contudo, observamos a preocupação em manter uma leitura unitária nas linhas estéticas da fachada principal, quando da construção do segundo pavimento, o qual reproduziu com fidelidade o repertório do classicismo nos acréscimos feitos aos corpos laterais.
A linguagem do Classicismo Imperial, estética adotada e desenvolvida no Brasil durante o Segundo Reinado, fez-se presente nas linhas arquitetônicas originais do edifício do Hospital da Beneficente Portuguesa (Figura 32), o qual se localizou na quadra da antiga Rua Dois de Dezembro, entre as Travessas D. Romualdo de Seixas e João Balby. Sua arquitetura original foi composta, predominantemente, de um único pavimento, com exceção do bloco central em dois pavimentos. Quando manteve o afastamento de todos os limites do lote, o arquiteto Frederico José Branco possibilitou uma melhor aeração e insolação ao hospital, aspectos empregados no modelo higienista adotado da época.
Figura 30: Fachada do Hospital D. Luiz I da Beneficente Portuguesa de Belém, no início do séc. XX.
Fonte: Álbum do Estado do Pará in SARGES, 2010, p. 150.
Na planta original do edifício-sede do Hospital D. Luiz I da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, o segundo pavimento do bloco central foi acrescido em 1912, e abrigou uma ala feminina e uma nova sala de cirurgia, A modernização veio com a aquisição de equipamentos cirúrgicos importados, adequando, dessa forma, o hospital a novas tecnologias difundidas pela medicina da época.
Diante dos bons resultados e dos vultosos donativos recebidos, em 1910 a Beneficente [...] iniciou a construção de uma nova sala de cirurgia e de um segundo pavimento, no corpo central do prédio, para abrigar a ala feminina. [...] 1912 marcou a inauguração [...]. (AFFONSO, 2011, 33).
Este novo andar respeitou e enquadrou a linguagem da edificação original, incorporando-se à construção sem deixar vestígios ou traços arquitetônicos divergentes que comprometessem sua estética. Acreditamos que projetos e linhas arquitetônicas desse acréscimo foram os deixados pelo arquiteto, conforme discorrido por Brito:
O artista compreendeu bem o que se desejava e revelou de modo inconcusso a sua competência traçando um projeto geral de um grandioso edifício, devendo ser uma parte executada para servir às exigências de então e outra quando mais tarde o desenvolvimento interno do serviço hospitalar requeresse uma locação maior. (BRITO, 1974, p. 71).
Seguindo as características do Classicismo Imperial, o edifício ergueu- se imponente, em planta cuja fachada (Figura 33) primou pelo racionalismo, apresentando predomínio de horizontalidade simétrica, no qual seu eixo vertical
imaginário e centralizado o separou em duas partes iguais, destacando os volumes geométricos regulares.
Figura 31: Fachada Principal do Hospital D. Luiz I, no início do século XXI.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2014.
O corpo central avançou em relação aos dois laterais, onde a distância adotada ao avanço possibilitou a presença de esquadrias. Destacamos que o acesso a esse bloco principal, no primeiro pavimento, realiza-se através escadaria com patamar. Essa escada foi erguida em pedra de lioz com patamar em granito contemporâneo, denotando alteração no projeto original, o corrimão seguiu em balaustrada de ferro cujas extremidades ergueram-se dois postes com o mesmo material (Figura 34). A presença da escada configurou uma edificação erguida acima do nível do solo, ficando o térreo com um porão, o qual foi posteriormente habitado, estando de acordo com os preceitos construtivos e urbanísticos de meados dos Oitocentos.
Figura 32: Escada em pedra e corrimão com balaustrada em ferro.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2013.
A fachada principal dividiu-se em cinco corpos, com três níveis de afastamento em relação ao maior plano: um bloco central, em dois níveis; dois blocos laterais, que formaram o maior plano e dois blocos nos extremos dos laterais, menos protuberantes que o corpo central. Esses blocos proporcionaram ao conjunto, um jogo de volumes com nuances de luz e sombra projetando-se em suas paredes brancas e lisas.
No plano vertical, encontram-se colunas pouco salientes em relação ao plano das paredes, marcando o rigor das proporções geométricas. Nas extremidades das paredes encontramos os cunhais. No plano horizontal, acima das esquadrias do primeiro andar, óculos, frisos e uma moldura marcam e dividem os dois pavimentos e a platibanda cega que circundou toda a edificação. O bloco central possuiu dois planos (Figura 35), um mais avançado que o outro. A fenestração se compôs com sete esquadrias em cada pavimento, cinco na frente e duas nas laterais. As do primeiro em verga em arco pleno, e no segundo em verga reta. Todas as esquadrias, com exceção da porta de acesso principal e as do plano posterior, possuíram guarda-corpo em gradil de ferro entalado e separados por colunas com pouca saliência. Os vãos de janela do segundo pavimento foram encimados por frontões de formato triangular ou em
arco abatido (Figura 36) e nos panos de parede entre as envasaduras fixaram- se três mastros.
Figura 33: Detalhe volumétrico do bloco central.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2014.
Figura 34: Detalhe das esquadrias do bloco central.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2013.
No corpo central, o seu volume mais protuberante consistiu em um coroamento por um frontão cimbrado, no qual foram incrustados símbolos em alto relevo (Figura 37): a) ramos vegetais representando o café e o tabaco, que eram riquezas do Império; b) coroa real, cujo desenho diferenciou-se da coroa imperial, representando a Monarquia lusa; c) dragões representando poder e proteção; e d) mãos que se cumprimentavam denotando um compromisso selado durante uma atitude filantrópica.
Enfatizamos que este conjunto de símbolos esteve presente no interior do hospital, sendo utilizado no adorno de portas, pisos, paredes e em outros locais, como placas comemorativas.
Figura 35: Detalhe do símbolo no frontão central.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2013.
Os dois blocos laterais, cujas dimensões se sobressaíram em relação aos demais, foram marcados por uma fenestração ritmada (Figura 38), existindo em cada pavimento, sete aberturas e nas quais suas esquadrias possuíram acabamento em madeira e vidro, com vergas retas e encimadas por molduras ou frontões de formato triangular ou em arco abatido.
Figura 36: Fenestração ritmada.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2012.
Além do frontão central, na direção do quarto vão do segundo pavimento, o qual fora o único encimado por um frontão em arco abatido, na platibanda cega que contornou a edificação, avançou, nessa direção, em composição que
mesclou volumes com frisos e elementos ornamentais em alto relevo (Figura 39), dos quais destacamos: a) a esfera armilar, símbolo do poder majestático em Portugal e em suas colônias, sendo uma esfera formada por círculos metálicos, estando presente na bandeira de Portugal e do Império do Brasil; e b) a corrente, representando os elos que se formaram em processo caritativo. Notamos que todos esses elementos apoiaram-se em dois consolos.
Figura 37: Detalhe do frontão dos blocos laterais.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2013.
A fachada principal finalizou sua composição em dois blocos extremos, que avançaram em menor distância que o bloco central, possuindo em cada corpo uma esquadria por andar (Figura 40). No primeiro pavimento a esquadria se apresentou em verga de arco pleno e no segundo, verga reta encimada por frontão em arco abatido. Este corpo foi coroado pelo frontão semelhante ao dos blocos laterais, porém substituindo o elemento da corrente. No bloco à esquerda, encrustou-se a grafia do ano de 1854, em alusão ao ano da fundação da Sociedade Beneficente em Belém. E no bloco à direita, o ano de 1922, em homenagem ao centenário de Independência do Brasil (Figura 41).
Figura 38: Detalhe das esquadrias dos blocos laterais.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2012.
Figura 39: Detalhe do frontão do bloco extremo direito da fachada principal.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2012.
No que concerne às intervenções realizadas ao longo do período compreendido desde sua fundação até os dias atuais, verificamos uma complexa cronologia construtiva, devido a interferências diversas em sua espacialidade, que visaram adequá-lo à crescente demanda de pacientes e aos avanços tecnológicos na medicina.
Os indicadores temporais documentados foram entrecruzados com dados iconográficos, com as plantas arquitetônicas, presentes no ANEXO 120, e com outras informações, como aquisições de equipamentos médicos. Tal metodologia permitiu relativo entendimento acerca da história construtiva do hospital, onde foram verificados e caracterizados elementos que pudessem definir intervenções realizadas, através de adições ou subtrações, segregadas e transmitidas em processos distintos.
O edifício originalmente construído em 1877 no modelo higienista em formato de “T” (Figura 40), com térreo em alvenaria de pedra e acima do nível do solo, criou um porão usado inicialmente, de acordo com Affonso (2011, p. 109) “como depósito”. Acima do térreo, ergueram o primeiro pavimento, com partido arquitetônico semelhante ao anterior e um segundo pavimento composto somente pelo bloco central, no qual, em de 1912, acresceram totalmente outro pavimento, a fim de acomodarem o atendimento às mulheres, o tornando análogo aos outros dois andares abaixo deste.
Não obstante a construção que caminhava, da nova sala de operações, a diretoria resolveu ainda construir um pavimento superior, no corpo central do hospital, destinado à secção para tratamento de senhoras, cujas obras tiveram início a 1 de dezembro. (BRITO, 1974, p. 103).
Figura 40: Maquete definindo o volume original do térreo e 1º pavimento.
Fonte: Cibelly Figueiredo, 2013.
20 Cedidas pela arquiteta do Hospital, durante nossa 1ª incursão nas dependências
Figura 41: Maquete definindo o volume original do 2º pavimento.
Fonte: Cibelly Figueiredo, 2013.
No ano de 1919, o volume arquitetônico foi alterado de “T” para “H”, a partir do acréscimo de um pavilhão paralelo ao original, servindo para uma enfermaria feminina denominada Enfermaria da Paz, em alusão “ao término da I Guerra Mundial e foi inaugurada em 15 de agosto de 1923” (AFFONSO, 2011, p. 111). Neste mesmo ano, construiu-se o segundo pavimento acima do bloco paralelo à Avenida Generalíssimo, conforme descreve Brito (1974, 188):
Ficou decidido então, para melhor proveito desse auxílio, o levantamento dos corpos laterais do edifício, na frente, sobre as enfermarias “Camões” e “Bocage” com o fim de estabelecer sobre a primeira ampla maternidade e sobre a segunda quartos para a clínica geral e a mencionada “Enfermaria da Paz”.
Na fachada lateral direita, na Travessa Boaventura da Silva, localizou-se o bloco da Maternidade (Figura 42), construído em 1960 no local onde existia um jardim, que se encravava entre blocos laterais (Figura 43).
No ano de 1960 nenhum melhoramento consubstancial foi executado no hospital, a não ser o calçamento lateral do imóvel, pelas ruas que o circundam e que ainda não apresentavam esse benefício: João Balbi, D. Romualdo de Seixas e Boaventura da Silva. (BRITO, 1974, p. 280).
Figura 42: Fachada do Hospital D. Luiz I com o bloco da Maternidade, pela Rua Boaventura da Silva.
Foto: Cibelly Figueiredo, 2013.
Figura 43: Antigo jardim encravado entre blocos laterais.
Fonte: AFFONSO, 2011, p. 24.
De acordo com Affonso (2011, p. 41), outras intervenções foram realizadas na edificação original do hospital. (Figura 44)21.
Os anos de 1970 marcaram o centenário do Hospital D. Luiz I, motivo de orgulho e festa para as comunidades paraense e portuguesa. [...] Vários setores receberam melhorias e ampliações nessa década. O D. Luiz I ganhou seu primeiro Pronto-socorro, inaugurado em janeiro de 1973, [...], e uma nova capela mortuária (Figura). [...] a enfermaria Santana, com 35 leitos; um bloco de consultórios, com entrada pela Rua João Balby; e um auditório [...].
21 A Figura 44 pode ser observada em maior escala na Figura 112 que encontra-se no