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El paper dels adults en el desenvolupament de la socialització dels

3. MARC CONCEPTUAL

3.1. La socialització en la primera infància

3.1.2. El paper dels adults en el desenvolupament de la socialització dels

Fundada em fevereiro de 2009 a Igreja pentecostal Templo de Deus se destaca por ser a primeira igreja dissidente da IPDA fundada por portugueses, Sr. José Chagas e sua esposa Leontina, antigos membros da IPDA. Até 2010 a igreja funcionava num apartamento num segundo andar próximo ao mercado de Arroios. Segunda a Sra Leontina

Nossa igreja não tem nada a ver com a Deus é Amor nem com a Universal, nós queremos ensinar as pessoas, se voce vier aqui hoje vai ver que vamos passar um filme sobre a biblia e ensinar dentro da palavra […] não é um filme, são umas imagens num ecrã, vamos apertando e passando conforme a explicação. […9 tem muito brasileiro aqui. Tem revelação, tem cura, Deus já mostrou milagres, já curou de sida, de cancro. Já teve muita gente desempregada que veio aqui e conseguiu emprego. (Entrevista com Sra Leontina, Lisboa, 19.09.2009)

Quando questionada sobre as ‗habilitações‘ do Sr. José como pastor ela responde Ele sempre foi pastor. Trabalhou durante anos na Deus é Amor, pregava, orava por revelação, visitava doentes, orava e os doentes eram curados. Sempre foi pastor, mas na Deus é Amor ninguém é reconhecido pelo trabalho que faz. Até que um dia Deus revelou para ele abrir esta igreja, e foi mesmo de Deus, porque as pessoas estão vindo e estão vendo milagres acontecer. (Idem) Desta forma segue-se mais uma tentativa de criação de mais uma igreja pentecostal brasileira, não documentada, em Portugal.

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4 Dinâmicas e dramas sociais dentro do espaço do sagrado e profano

Definição do problema

As posições antecedem seus ocupantes, Segundo a teoria geral de funcionamento

dos campos (Bourdieu, 1992).110

Na medida em que as descobertas – ou as experiências/revelações – do sagrado adquirem um valor existencial para o homem há uma rotura111 com o espaço profano112 e a consequente fundação do espaço sagrado.

O espaço sagrado ou campo religioso, como qualquer outro locus, é também construído socialmente por actores que dão significado a ele e dele recebem significado, portanto, as proposições acima fazem sentido porque, ainda que menos atraente à maioria das pessoas, do que outras formas de poder e dominação,· o poder religioso atraem aquelas que habitam o mundo religioso.

Para a construção do objecto de investigação, interessa ainda a explicação de Joachim Wach113 de que são necessários alguns pressupostos e conteúdos para a existência de uma organização religiosa, que vão determinar também a possibilidade de existência de uma igreja114. São as condições para a garantia da existência e sobrevivência da instituição e, depois, seu fortalecimento em concorrência dentro do campo religioso.

110 Bourdieu, Pierre. (1992) A economia das trocas simbólicas. 3 ed. São Paulo: Editora Perspectiva. 111

―É a rotura operada no espaço que permite a constituição do mundo, porque é ela que descobre o ‗ponto fixo […]―Quando o sagrado se manifesta por uma qualquer hierofania, há rotura na homogeneização do espaço, mas há também revelação de uma realidade absoluta, que se opõe a não-realidade da imensa extensão envolvente. A manifestação do sagrado funda ontologicamente o mundo. Na extensão homogénea e infinita onde não é possível nenhum ponto de referencia, e por consequência onde orientação nenhuma pode efectuar-se – a hierofania revela um ‗ponto fixo‘, absoluto, um ‗centro‘ (Eliade, p.36). Eliade, Mircea (1992) O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes.

112 ―nessa experiência do espaço profano, ainda intervém valores que de algum modo lembram a não-

homogeneidade específica da experiência religiosa do espaço. Existem, por exemplo, locais privilegiados, qualitativamente diferentes dos outros: a paisagem natal ou os sítios dos primeiros amores. Todos esses locais guardam, mesmo para o homem mais francamente não-religioso, uma qualidade excepcional, única: são os lugares sagrados do seu universo privado, como se fora em tais sítios que um ser não-religioso tivesse tido a revelação de uma outra realidade, diferente daquela de que participa pela sua existência quotidiana‖ (Eliade, p.38)

113 Wach, Joachim (1990) Sociologia da Religião. São Paulo:Paulinas.

114 Weber destaca como elementos constitutivos de uma igreja: a) um estamento sacerdotal; b) uma

pretensão de continuidade histórica e de universalidade; c) escritos sagrados com base para a instrução; d) institucionalização. A igreja, como uma sociedade, tende a ter relações mais impessoais, com menor grau de solidariedade, mas também com maior controle social (Weber, 1994)

178 Acompanhada de contínua reflexão e discussão, de sistematização e elaboração de doutrina, segue-se a cuidadosa e abrangente formação de norma de fé ou credo, a padronização de formas de culto colectivo e eventualmente o estabelecimento de uma constituição para dar sustento à nova organização estável. A tradição oral é exarada por escrito, a tradição escrita é reunida e padronizada115, redefine-se a doutrina e daí por diante são classificados como

heresia todos os desvios e as opiniões que não estejam de acordo com os ensinamentos oficialmente aceitos. (Wach, 1990, p.177)

Ao contrário do que prevê a sua estrutura governamental quanto à inexistência de hierarquia entre os diversos cargos na Igreja, os pastores e obreiros (em menor grau) representam o poder na instituição e, devido aos seus privilégios, competem entre si e, no caso dos obreiros, especialmente com o pastor.

Outra evidência do status da posição frente ao grupo é evidenciada quando faltam pastores para dirigir novas filiais, ou diante da hipótese de substituição de dirigentes em outras cidades ou países, estas ‗vagas‘ internas são bastante concorridas, envolvendo a disputa pelo exercício do poder, uma vez que este é o posto de maior importância na comunidade local e oferecerá condições para galgar a direcção de igrejas maiores. O que se verifica no processo sucessório é que, geralmente, os não eleitos se distanciam/esfriam do grupo, podendo inclusive não sobreviver a disputa116. Para estes últimos resta frequentar outro grupo evangélico ou reiniciar sua trajectória na busca do exercício do poder em terrenos mais férteis, abrindo suas próprias denominações por exemplo.

115 ‗Adolf von Harnack enumera os seguintes factores que influenciaram na formação do dogma cristão: 1) as ideias derivadas dos escritores canônicos; 2) a tradição primitiva; 3) as necessidades de culto

e constitucionais; 4) adaptação ao pensamento dos tempos; 5) condições políticas e sociais; 6) idéias morais em transformação; 7) consistência lógica e analogia; 8) tendência à harmonização das diferenças existentes; 9) exclusão de erro; 10) força do hábito. Com o crescimento mais abundante de formas de expressão cúltica como práticas devocionais, ritual, calendário e festas, tornaram-se necessárias divisões mais bem elaborada e diferenciação de funções e funcionários. O apostolado na primitiva Igreja cristã era atribuído ao próprio fundador (Mt 16,13ss; 18,72; Atos) e incluía funções que posteriormente deveriam ser assumidas por grupos diferentes (ordens) (Efésios, caps. 4 e 11). O diaconato (Atos, cap. 6), o presbiterato (Atos, cap. 21) e o episcopado (1ª Timóteo) seguiram-se em devida sucessão. As três ordens, cuja relação e legitimidade seriam apaixonadamente discutidas em tempos posteriores, foram assim estabelecidas, no início provavelmente com diferenças locais. Mesmo então, por um tempo reconhecia-se a autoridade de pessoas com extraordinários dons espirituais. À medida que a liderança carismática foi declinando, porém, foi surgindo um tipo diferente de autoridade, o ‗clero‘, que se distinguia do ‗laicato‘ (Wach, 1990, p. 177-179).

116 De passagem, regista-se que o entendimento do trânsito e operacionalização do poder na IPDA deve

ser buscado nas relações entre as categorias sacerdote (a IPDA utiliza o termo ‗Missionário‘ para o cargo mais elevado), pastor (aqui incluem-se outras duas categorias: presbítero e evangelista) e leigo, que compõem a explicação da gênese e estrutura do campo religioso. Weber, Max. (1994) Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva, v. 1. 3ª ed. Brasília: UnB. Bourdieu, Pierre.(1992) A economia das trocas simbólicas. 3ª ed. São Paulo: Editora Perspectiva.

179 Para minimizar a competição (excluir a concorrência), os mantenedores do status quo fazem uso de muitos artifícios na luta pelo poder117: os principais instrumentos são a doutrina, o controle do comportamento dos fiéis e a acusação de diabolização das outras igrejas.Não é por acaso que, junto com os símbolos doutrinários de fé e sua constituição, a IPDA mantenha como um de seus documentos principais o Regulamento Interno. A intenção primeira do documento é operar por condicionamento para manter disciplinarmente os membros da denominação. Caso haja necessidade, e segundo a opinião dos pastores, o documento assume o carácter negativo da disciplina, ou seja, passa a operar para corrigir por meio de admoestação, punição ou exclusão do membro faltoso