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3   Metode

3.2   Tilgang  til  feltet

3.2.4   De  intervjuede

O nível diz respeito às categorias gramaticais.

Segundo a tradição dos estudos linguísticos de base europeia, as categorias gramaticais se referem às categorias de tempo, modalidade, aspecto, número, determinação, etc. Tal categorização abrange a universalidade de agrupamento das propriedades em comum de termos de uma língua natural; desse modo, a categoria de um termo em uma dada língua é a mesma categoria de um termo em outra língua – exemplo: a categoria de la maison (casa em francês) é substantivo e a categoria de house (casa em inglês) também é substantivo.

Segundo a teoria de Culioli (1995), o tratamento de categorias por meio de princípios gerais que englobam todas as línguas incorre em problemas. Ao se considerar as categorias gramaticais apenas como de natureza morfo-sintática, apagam-se os processos de significação construídos por sujeitos em uma dada cultura, sobre uma diversidade de matéria física.

A propósito ainda do problema da correlação entre as categorias gramaticais de uma língua para outra, Benveniste (1995) recorre à relação nome/objeto e verbo/processo estabelecida pelos estudos linguísticos tradicionais. Por meio de pesquisas sobre diversas línguas, o teórico nos revela que a correspondência categoria/termo se rompe, em razão de

25 “[...] they are linked to the history and culture of a community speaking a given language [...]” (CULIOLI, 1995, p. 37).

nem todo objeto pertencer a um determinado nome e nem todo processo pertencer a um determinado verbo, o mesmo ocorrendo com a correspondência entre as demais categorias- termos. De acordo com Benveniste (1995, p. 165):

Em zuñi, o nome yätokä, “sol”, é uma forma verbal de yäto-, “atravessar”. Inversamente, podem constituir-se formas verbais sobre noções que não correspondem àquilo a que chamaríamos processos. Em siuslaw (Oregon), partículas como wahá, “de novo”, yāαxa, “muito”, conjugam-se verbalmente. A conjugação

dos adjetivos, dos pronomes interrogativos e sobretudo dos numerais caracteriza um grande número de línguas ameríndias.

Para Culioli (1995), no nível da noção, há uma relação entre categorias nocionais e categorias gramaticais.

Nesse sentido, o sujeito opera com noções, levando em conta o mundo extralinguístico, e as representa na língua (falada/escrita). Dentre inúmeras possibilidades de arranjos das noções em enunciados (léxico-gramática), a escolha de uma noção P’ e não de uma noção P’’ (P’/P’’), tendo em vista a representação no sistema linguístico, depende da situação enunciativa em questão. A representação das noções na língua se realiza por meio de marcadores léxico-gramaticais.

Uma vez que nosso trabalho, enquanto linguistas, volta-se para os textos orais/escritos, levamos em consideração as categorias gramaticais representadas pelos marcadores léxico-gramaticais - “elas próprias [categorias] são um tipo de representação” (CULIOLI, 1995, p. 35)26.

Isso não significa a exclusão das categorias nocionais, mas estas compreendem um lugar que não nos é visível nos textos, encontram-se nos processos mentais do sujeito cujos jogos de noções não temos acesso direto. Diante disto, observamos os jogos de marcadores encontrados nos textos: categorias de tempo, modalidade, aspecto, número, determinação, etc.

Portanto, ao tratarmos dos marcadores léxico-gramaticais, não encontramos a ligação direta da “noção-mente” para a “noção-texto”. Por isso nos referimos às representações das noções nos textos: os marcadores léxico-gramaticais nos oferecem os caminhos para as possíveis operações de linguagem que o sujeito realiza para produzir significados. De acordo com Culioli (1995, p. 39-40):

Trabalharemos com categorias gramaticais, tendo por base o jogo de marcadores, e isto vai-se dar em uma relação não trivial de correspondência (i.e., não termo-para- termo) com noções que são representações da ordem da atividade do corpo 27.

6.2.3 Sobre o nível

O nível se refere à combinação das noções do nível α que pode se tornar um enunciado.

Culioli (1995) oferece como exemplo as noções <meu irmão – vir – amanhã>. A partir dessas noções, podemos operar com um número de possibilidades de enunciados: “meu irmão virá amanhã”; “meu irmão virá amanhã?”; “meu irmão não virá amanhã”; “é possível que meu irmão virá amanhã”; “é certo que meu irmão virá amanhã”, etc. Segundo Culioli (1995, p. 40):

com o “conteúdo de pensamento” tem-se um conjunto de termos constituintes para ser processado, ou a proposição inteira será processada, ao perguntar, ao rejeitar, ao desejar, ou afirmar-la 28.

Dentre tais possibilidades, o sujeito designa um enunciado de acordo com a situação enunciativa do eu-aqui-agora em que se encontra.

7 O PROGRAMA DE CULIOLI: UM DIÁLOGO COM O CONSTRUTIVISMO

A concepção de noção de Culioli apresenta características que se aproximam do modelo construtivista, no sentido de o sujeito construir a representação do mundo físico- cultural por meio de relações dialógicas com o outro.

Isso nos faz pensar (e discordar) sobre o modo como a escola direciona o ensino de gramática e de produção de texto, haja vista que nessas aulas o dialogismo entre aluno-professor e aluno-aluno se apresenta de forma aparente.

27 “We are going to work on grammatical categories based on marker interplay and this will be in a non-trivial relationship of correspondence (i.e., not term-for-term) with notions which are representations of the order of body activity” (CULIOLI, 1995, p. 39-40).

28 “with “thought content” one has a set of constituent terms to be processed, or the whole proposition will be processed, by asking a question, by rejecting, or wishing, or by asserting it” (CULIOLI, 1995, p. 40).

O construtivismo a que nos referimos diz respeito à teoria de Vigotskii que traz as seguintes reflexões (dentre outras): o aluno não é desprovido do conhecimento de língua; ele traz seu conhecimento de mundo (e de língua) para a sala de aula. O aluno, ao aprender a língua, desenvolve-se em termos linguísticos e cognitivos. Trataremos sobre tais questões no tópico seguinte.

7.1 Dos pressupostos teóricos de Vigotskii