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9.2 Vedlegg 2: transkribering av intervju

9.2.1 Intervju 1

Desde os primórdios do INPE, nos anos 1960, além da pesquisa básica na área espacial, investiu-se no domínio das tecnologias relacionadas ao uso de imagens de satélites meteorológicos e de sensoriamento remoto, criando para isso os projetos MESA (Meteorologia por Satélite) e SERE (Sensoriamento Remoto). Do projeto SERE, originou-se o Departamento de Sensoriamento Remoto (DSR), ao qual se associou o Departamento de Processamento de Imagens (DPI), em 1984, para desenvolver tecnologias que deveriam oferecer suporte às diversas pesquisas aplicadas do DSR.

A implementação do projeto SERE, pelo então diretor Fernando de Mendonça, veio da percepção das potencialidades da tecnologia de sensoriamento remoto, que vinha sendo utilizada em programas da NASA. Segundo Mendonça (2004), em uma das reuniões da NASA relacionadas a este programa que teve oportunidade de participar, estava em discussão quais seriam as regiões que teriam sobrevôos para a calibração de sensores. Estes sensores seriam colocados, mais tarde, a bordo de uma sonda espacial para mapear a superfície da Lua. Nesta reunião, coordenada por Wernher von Braun, Mendonça sugeriu o quadrilátero ferrífero, em Minas Gerais, proposta que foi aceita.

Mendonça adotava uma política de aproximação com a NASA com o intuito de viabilizar as áreas de pesquisa do INPE que estavam iniciando suas atividades. A cooperação internacional e a participação em programas e experimentos científicos promovidos no país sob a coordenação da agência espacial norte-americana seriam formas de motivar os grupos de pesquisa do INPE e ao mesmo tempo contar com recursos que dificilmente conseguiria obter, na época, para financiá-la. Por outro lado, a cooperação com a NASA também resultaria num melhor reprojetamento do INPE frente ao seu universo de relações políticas e institucionais. A implementação do SERE vislumbrava uma série de aplicações das imagens de satélites de sensoriamento remoto no país, tendo em vista a sua ampla dimensão territorial e as diferentes características inerentes à sua diversidade geográfica. Na época, de acordo com Mendonça (2004), não havia um mapeamento de boa qualidade do território brasileiro.

As experiências adquiridas a partir do projeto SERE levaram o INPE a pleitear, no início dos anos 1970, a estação de rastreio, recepção e processamento de dados do satélite ERTS-1, da NASA. O pedido foi feito à COBAE (Comissão Brasileira de Atividades Espaciais), em 1972, que, por sua vez, encaminhou ao então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), a Exposição de Motivos nº 004, em 31 de julho do mesmo ano. A liberação de recursos foi autorizada em regime de urgência e em 10 meses a obra foi executada e entregue. Em maio de 1973, a estação do INPE, em Cuiabá, começou a receber e gravar os dados do Satélite ERTS-1, que passaria a se chamar Landsat-1.

O uso das tecnologias de sensoriamento remoto permitiu ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais e naturais do país. A cooperação com a NASA faria com que o Brasil fosse o único país da América Latina a dispor de um sistema de recepção e distribuição de imagens de satélite na região, desfrutando de uma relação político-estratégica privilegiada com os Estados Unidos no continente (BRASIL, 1978). Seria também o terceiro país no mundo, depois dos Estados Unidos e Canadá, a receber imagens de sensoriamento remoto. A estação brasileira vem funcionando até hoje, de forma ininterrupta, tendo acumulado um grande acervo de imagens sobre o território brasileiro e propiciado uma infinidade de estudos fazendo uso das tecnologias de sensoriamento remoto.

Além do Landsat, o INPE passou a receber, anos mais tarde, imagens de outros satélites, como o francês SPOT, o europeu ERS, entre outros. Nos anos 1990, o satélite CBERS, desenvolvido em cooperação com a República Popular da China, também começou a gerar imagens, todas elas recebidas através da estação de Cuiabá.

Para processar as imagens do Landsat, o INPE adquiriu em 1974, por US$ 1 milhão, um computador da General Eletric (GE), o "IMAGE-100" ou I-100, como passou a ser chamado. Na época, tratava-se de tecnologia no estado-da-arte, o segundo ou terceiro equipamento do gênero em funcionamento no mundo e que por 10 anos foi o único sistema de processamento digital de imagens de satélite em operação no País (FREITAS, 2009).

Com toda essa infra-estrutura, em 1979, o Brasil já era o segundo maior produtor de imagens de satélite do mundo. Em primeiro, estava os Estados Unidos, com 300 mil imagens por ano, enquanto o Brasil produzia 20 mil. Estas imagens eram solicitadas por empresas privadas brasileiras ou com sede no país. Eram cerca de 300, a maioria delas companhias petrolíferas, como Exxon, Esso, Gulf e Shell (BRASIL, 1979).

Quando o I-100 chegou ao INPE, havia poucas funções de processamento de imagens, mas era possível inserir novos algoritmos que pudessem definir novas funcionalidades e aplicações. Formou-se, então, uma equipe de desenvolvimento que aos poucos implementou

algoritmos de filtragem, classificação e registro de imagens. Este grupo seria o embrião do Departamento de Processamento de Imagens, que seria criado alguns anos depois. Nesta época, teve também início um programa acadêmico de formação de pessoal na área.

O grupo que atuava no I-100 passou a ficar alojado no prédio do Departamento de Sensoriamento Remoto, depois que foi construído anexado a este o Laboratório de Tratamento de Imagens Digitais (LTID). No entanto, na estrutura da instituição, o grupo do I- 100 continuava vinculado ao Departamento de Informática (DIN), situado em outro prédio, onde funcionava toda a infra-estrutura computacional do INPE. Mas como o I-100 era um computador dedicado à área de sensoriamento remoto, após alguns anos, este grupo tornou-se responsável por ele, dando continuidade às atividades de pesquisa em processamento de imagens. Esta equipe foi também uma principais responsáveis pela formação do que viria a ser a DPI.