A 21 de julho de 1999 foi publicado o Decreto-Regulamentar n.º10/99, que determinava formalmente as condições de funcionamento e respetiva coordenação das estruturas de Orientação Educativa, na qual se integra a Coordenação de Ciclo.
No artigo 5, ponto 1, referia-se: «a coordenação dos conselhos de docentes e dos
departamentos curriculares é realizada por docentes profissionalizados, eleitos de entre os docentes que os integram e que possuam, preferencialmente, formação especializada em organização e desenvolvimento curricular ou em supervisão pedagógica e formação de formadores» e no artigo 8º indicava-se que: «a coordenação pedagógica destina-se a articular e harmonizar as atividades desenvolvidas pelas turmas de um mesmo ano de escolaridade, de um ciclo de ensino ou de um curso, mediante opção a inscrever no regulamento interno». [57]
Em 2004/2005 a autora foi colocada, por concurso de contratação, na Escola do Ensino Básico Pedro Nunes, em Alcácer do Sal. Ao tomar conhecimento da distribuição de serviço verificou que seria responsável pela Coordenação do 3º Ciclo. Ficou um pouco admirada e apreensiva com a atribuição do cargo, mas assumiu-o como mais um desafio e uma oportunidade de aprender mais sobre a gestão escolar.
A preocupação inicial não se centrava apenas no desempenho de um novo cargo mas também no facto de passar a fazer parte do Conselho Pedagógico.
Apesar das alterações legislativas que se têm registado na educação, e apesar de algumas alterações ao nível da constituição do Conselho Pedagógico, este sempre foi assumido como um órgão ao qual compete decidir, definir e orientar toda a gestão da vertente
60
pedagógica. Dada a importância deste órgão, a autora achou que a sua pouca experiência poderia limitar uma participação positiva.
No desempenho do cargo de Coordenadora de 3º Ciclo, a autora viu-se confrontada com a dificuldade de coordenar reuniões com um grupo de trabalho muito heterogéneo e crítico, bem como conhecer a realidade de todas as turmas do 3º ciclo, ao mesmo tempo que ia conhecendo a realidade do meio em que a escola estava inserida. Porém, o facto de ter mantido um bom relacionamento com os diretores de turma, pautado pelo espírito de cooperação, permitiu um eficaz funcionamento desta estrutura organizativa. Também a boa relação estabelecida com o órgão de gestão e com a Coordenadora do 2º Ciclo possibilitou um excelente trabalho em equipa. Todas as questões, estratégias e procedimentos enquadrados na Coordenação de Ciclo, com as consequentes implicações ao nível do funcionamento da escola, foram amplamente discutidos com ambos. A autora reconhece que esta articulação contribuiu para que o seu desempenho não resultasse desenquadrado das linhas orientadoras traçadas para a escola.
As questões de natureza organizativa/administrativa como a elaboração de materiais de apoio à atividade do diretor de turma (guiões de receção aos alunos, guiões orientadores de reuniões de avaliação, grelhas de registo do balanço do Projetos Curriculares de Turma, entre outros) e análise dos resultados escolares foram tarefas realizadas com maior facilidade.
Relativamente à sua participação em reuniões de Conselho Pedagógico, a sua intervenção incidiu, essencialmente, na apresentação de propostas de documentos elaborados em Conselho de Diretores de Turma e de balanços do Projetos Curriculares de Turma e da ação dos Diretores de Turma.
Enquanto elemento do Conselho Pedagógico a autora integrou uma equipa de trabalho para avaliar a disciplina na escola. Após o estudo efetuado divulgou os resultados à escola e, em conjunto com outros docentes, produziu documentos de atuação, resultantes da análise e discussão dos resultados feita em reuniões de Departamento Curricular. A partir desse estudo foi possível delinear uma estratégia de melhoria dos níveis de disciplina da escola.
Embora avaliando o seu desempenho no cargo como satisfatório, a autora assume a existência de dificuldades ao nível da liderança e da mediação de alguns conflitos.
Em 2005/2006 a Coordenação de Ciclo foi-lhe novamente atribuída.
A experiência adquirida no ano letivo anterior facilitou o cumprimento das tarefas deste cargo.
O conhecimento do meio em que a escola se insere, das turmas, das capacidades e das dificuldades dos alunos, permitiu-lhe delinear desde cedo uma linha de ação. Foi então
61
possível adequar estratégias e documentos utilizados, que facilitaram o desempenho do cargo ao longo do ano e também uma avaliação do trabalho em cada conselho de turma, facilitando consequentemente o trabalho da coordenação de ciclo.
Também a sua participação em reuniões de Conselho Pedagógico foi mais interventiva, apresentando com clareza as dificuldades sentidas pelo conselho que representava e fundamentando propostas de alteração de algumas práticas.
O reconhecimento das suas competências pelo órgão de gestão foi importante para os progressos revelados durante o segundo ano de funções como Coordenadora de Ciclo. As capacidades de comunicação, de organização e de autoavaliação, bem como a capacidade de resposta a diferentes questões colocadas pelo Diretores de Turma e pela equipa de avaliação externa presente na escola nesse ano, permitiram à autora a identificação de melhorias ao nível da liderança necessárias ao desempenho das funções de coordenação. Porém, a autora assume que, à semelhança de outras funções que desempenhou, o empenho, o tempo disponibilizado e a dedicação foram o que a conduziu a melhorar as dificuldades sentidas ao nível da liderança e da gestão de conflitos.
A vontade de aprender cada vez mais e a satisfação de ver o seu trabalho reconhecido conduziram-na ao aperfeiçoamento daquilo que havia sido menos positivo no ano letivo anterior. Afinal, o que sobressaí na liderança é o trabalho realizado com prazer. [58]
Ser Coordenadora de Ciclo também foi importante para o desempenho do cargo de Diretora de Turma ao longo da sua carreira, proporcionando à autora um melhor conhecimento da complexidade do cargo, bem como a necessidade de estar constantemente atualizada relativamente à legislação que o regulamenta.