Associado à função de Coordenadora de Educação para a Saúde a autora foi responsável pelo Gabinete de Apoio ao Aluno (GAA). Este projeto surgiu após uma proposta apresentada ao Conselho Executivo pela autora e por outras duas docentes, no final do ano letivo de 2006/2007.
Castro Marim é uma vila pequena, com poucas ofertas culturais, principalmente nos meses coincidentes com o calendário escolar, pelo que os alunos passavam a maior parte do tempo na escola. Na verdade, os adolescentes europeus passam cerca de 2/3 do seu tempo na escola, pelo que esta tem um papel importante, influente e determinante no seu ambiente social, contribuindo para o desenvolvimento do sentimento de identidade social e autonomia desses mesmos adolescentes. [64]
Os objetivos primordiais do GAA foram desenvolver atividades que promovessem a construção de um projeto de vida saudável dos alunos, através do aconselhamento individual e/ou encaminhamento para outras instituições, caso não fosse possível uma resposta por parte da escola.
Na implementação do GAA a autora deparou-se com alguns obstáculos. Um desses obstáculos foi o número reduzido de docentes afetos ao GAA e consequentemente o reduzido número de horas de funcionamento do mesmo. Este é um fator identificado como barreira para o bom funcionamento dos Gabinetes de Apoio ao Aluno por vários autores, à semelhança da falta de infraestruturas. [65] [66] [67]
No início do funcionamento do GAA a inexistência de um espaço físico condicionou algumas das atividades previstas. No entanto, outras atividades foram sendo desenvolvidas. O trabalho da equipa do GAA incidiu na divulgação de informação cientificamente correta, no alerta para problemas associados a comportamentos de risco e no apoio a atividades no âmbito dos diferentes projetos curriculares de turma. Foram definidos temas mensais a trabalhar (outubro – Alimentação; novembro – In(Dependências); dezembro – HIV/Sida; janeiro – Relações Interpessoais; fevereiro – O Namoro; março – Planeamento Familiar; abril – Viver Saudável; maio – A Família; Junho – À Saída do Ensino Básico ... Que opções?). Estes temas mensais foram trabalhados de forma a colocar informações sobre cada um dos temas num placar. Entre as informações constavam casos de vida, sites com informações úteis, livros disponíveis na Biblioteca Escolar, textos alusivos a cada temática, documentação fornecida pelo Centro de Saúde, entre outros.
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Verificando a importância de existir um espaço para funcionamento do GAA, para que o mesmo cumprisse os objetivos para os quais foi projetado, a Comissão Executiva disponibilizou uma sala. Com a verba adquirida através da resposta ao edital da DGIDC (financiamento de 1200 euros para o desenvolvimento de atividades de Educação para a Saúde), o gabinete foi equipado e decorado pelos alunos. Foi possível a aquisição de pufes, tapetes, mesas, televisão, vídeo, aparelhagem e material documental. Os alunos do 8º ano, no âmbito da disciplina de Pintura, procederam à decoração do espaço e à elaboração de telas alusivas às temáticas da Educação para a Saúde. O resultado final foi muito bom, criando-se um espaço apelativo para os alunos. Um dos obstáculos, a falta de infraestruturas, foi ultrapassado.
No segundo ano de funcionamento do GAA, a Escola Secundária de Vila Real de Santo António propôs à escola a orientação do estágio de duas alunas do Curso Profissional de Ação Social. Esta proposta foi aceite e a autora orientou o trabalho das estagiárias no GAA. Deste modo foi possível ter um horário de funcionamento mais abrangente o que foi muito positivo. Nesse segundo ano, também o problema de tempo de funcionamento do GAA foi ultrapassado.
Uma das funções do GAA foi o apoio no desenvolvimento do Programa de Orientação Escolar e Vocacional. Com a colocação de um psicólogo educacional na Escola a equipa do Gabinete agendou um conjunto de reuniões com o mesmo e com as Diretoras de Turma do 9º ano de forma a planificar o trabalho no âmbito do Programa de Orientação Escolar e Vocacional. Para o seu desenvolvimento foi dinamizada uma sessão dirigida aos encarregados de educação com o objetivo de os sensibilizar para o papel relevante que desempenham nas opções dos seus educandos. Foram ainda planificadas as sessões a trabalhar em grupo, desenvolvidas principalmente nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica, tendo também sido canalizadas para este fim algumas aulas de Estudo Acompanhado e de Formação Cívica. Ao longo do terceiro período a equipa recebeu alunos individualmente, tendo procedido à análise conjunta dos resultados dos testes e fornecendo subsequentemente informações sobre as melhores opções para cada caso. O facto de a autora ter trabalhado durante três anos com os alunos envolvidos neste programa foi uma vantagem para o sucesso.
No âmbito da Orientação Escolar e Profissional foram desenvolvidas outras atividades como uma visita à I Feira de Orientação Vocacional promovida pelo Núcleo de Estudo e Intervenção Pedagógica e ao Fórum Profissões. Este fórum contou com a participação de diferentes profissionais do concelho, entre os quais se incluiam encarregados de educação de alguns dos alunos.
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Apesar de todas estas atividades e projetos terem proporcionado um crescimento profissional da autora, o que considerou mais gratificante foi o facto de poder utilizar os seus recursos teóricos e práticos de modo a ajudar os alunos que a procuravam no GAA para clarificar e minimizar as dúvidas e problemas.
Sabendo que é na adolescência que os jovens testam as suas potencialidades e procuram conhecer os seus limites pessoais, aos níveis biológico, psicoafetivo e social, a escola e restantes os agentes educativos devem trabalhar em conjunto para a prevenção global levando os adolescentes a conquistar progressivamente a capacidade de avaliar os prós e contras do comportamento de risco e a desenvolver maturidade individual, incentivando-os e apoiando-os para assumirem pouco a pouco, o controlo e a tomada de decisões sobre a sua vida [68]. A autora considera que a sua intervenção foi eficiente neste campo e que isso se refletiu nas opções de alguns alunos.
A procura do GAA incidiu maioritariamente na temática da sexualidade.
É durante a fase intermédia da adolescência que os comportamentos sexuais de risco são mais expressivos, tendo em conta padrões de atividades sexuais: ser sexualmente ativo, o uso inconsistente do preservativo, as durações dos relacionamentos e a prática de relações sexuais desprotegidas. Ao mesmo tempo existe uma tendência para o aumento da dificuldade com que os adolescentes falam com os pais sobre estas temáticas. [69] Nesta perspetiva, o facto de os alunos encontrarem na autora uma pessoa confiável para exporem as suas dúvidas foi positivo. Esta confiança permitiu a orientação de alguns alunos, estabelecer um elo de ligação com os pais e, em alguns casos, o encaminhamento para técnicos de saúde.