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Não tem sido unânime a opinião de diversos autores portugueses sobre a expansão do islamismo, diferindo em alguns pontos. Carreira (1966) era da opinião de que não existiam elementos válidos que determinassem a época da entrada do Islão na Guiné-Bissau. Já para Garcia (2003) a expansão do islamismo deveu-se aos discípulos215 de Ibn Yassin, pregador muçulmano que na segunda metade do século XI funda um convento na costa da Mauritânia tendo-se aí estabelecido, de onde os seus discípulos partiriam para submeter diversas tribos berberes e espalharem a religião muçulmana.
Segundo Dias (2003) foram os comerciantes que abriram caminho ao islamismo ao levarem consigo mestres e homens santos que pelo ensino, prática religiosa e papel de mediadores, exerceram uma importante influência nas comunidades onde se iam instalando. Também o reconhecimento dos seus poderes místicos (baraka) permitiu a consolidação da sua posição como homens religiosos.
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Estes momentos fazem parte do calendário da Igreja Pentecostal Deus é Amor.
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Ver Referências Bibliográficas, Csordas, T. J. Elements of Charismatic Persuasion and Healing.
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No entanto, é conhecido que a confraria Qadiriya, fundada por Abd-al-Qâdir al Qîlânî ou al-Jîlânî, falecido em 1166 em Bagdade, seguiu a rota dos comerciantes com intuitos missionários (Cardoso, 1987).
Sabe-se que o Islão foi levado para a Guiné-Bissau por via do norte de África216, zonas que hoje constituem Marrocos e Argélia, por viajantes ou por mestres que seguiam as caravanas dos comerciantes, tendo tido uma fácil aceitação devido a alguns pontos em comum com as culturas africanas217(Garcia, 2003).
O desagregar do Império do Mali no século XV, dá origem a diversas unidades políticas independentes por via da partida de diversos grupos (Carreira, 1947).
No século XVIII, os mandinga, um destes grupos, estabelece-se em grande número num território que faz parte hoje em dia da atual Guiné e posteriormente espalhou-se para entre o rio Gâmbia e o Corubal e mesmo pelo Futa-Djalon (Garcia, 2003; Jao, 2002) onde vieram a crescer e enriquecer, dando origem a povoações como a atual Bambadinca.
Por sua vez os fula que vieram de Bundum218, fixaram-se em território agora ocupado pelos mandinga, e apesar de inicialmente terem sido bem recebidos, acabaram por se verem na condição de subjugados e com a obrigação de pagar tributo (Jao, 2002).
Com a deterioração das relações entre os dois grupos, devido ao aumento constante da tributação, os fula alimentavam um único desejo: o de passarem de dominados a dominadores, tendo-se dado assim início a uma guerra, que iria durar vinte anos.
As “guerras santas”, entre 1868 e 1888, têm sido apontadas como a forma usada pelos fulas para espalharem o islamismo, que seria travado pelos franceses ao ocuparem o Futa- Djalon e pelos portugueses com a ocupação do Kaabu, entre os séculos XIX e XX, evitando a extensão dos fula desde o Atlântico até ao Chade (Garcia, 2003).
Um outro papel destas guerras foi o de libertar os fulas da longa dominação pelos mandinga (Dias, 2003) que de servidores passam finalmente a senhores, subjugando os mandinga.
Uma das consequências da expansão do islamismo, já sugerida por António Carreira, terá sido a desarticulação das estruturas sociais e religiosas dos grupos animistas (Cardoso, 1987). Esta situação era claramente do interesse dos portugueses que sempre apoiaram os
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Também existe uma corrente que defende que a primeira etnia muçulmana a chegar terá sido a dos fula cuja origem seria a Etiópia; todas as outras etnias seriam animistas. Muitos destes animistas ter-se-ão convertido ao catolicismo por ser a religião que fecha os olhos às práticas ancestrais.
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O comércio, a polígamia e a crescente alfabetização, são alguns desses pontos, www.africanos.eu/ceaup/uploads/AS06_065.pdf, consultado a 4-8-2013.
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chefes islâmicos, permitindo que estes sentissem uma certa impunidade devido à aliança estabelecida com administração local219.
O general António Spínola enquanto governador e comandante das forças armadas da Guiné (Março 1968/Setembro 1973) desenvolveu um programa denominado “Uma Guiné Melhor” que continha medidas específicas para as comunidades muçulmanas, como por exemplo, o custear de despesas com a peregrinação a Meca de personalidades destacadas da comunidades islâmica e a construção de mesquitas (Cardoso, 1987, Garcia220, 2003).
No entanto, a relação do Islão com a política apesar de não ser recente seria notória a partir do 3º quartel do século XIX quando se dá a islamização de alguns grupos étnicos221(Cardoso, 1987).
Tanto na Guiné-Bissau, como por toda a zona da Gâmbia e do Senegal, o Islão tem características muito próprias com conotações étnicas, em que “para além de se ser muçulmano também se é pertença de uma determinada etnia” (Garcia, 2003, p. 72).
Este é um Islão rural, dos marabouts e das confrarias222, em que estas para além de desempenharem um papel político, são a forma de ligação entre os conhecimentos esotéricos dos mestres com os homens comuns (Garcia, 2003).
Tanto as escolas corânicas como as fundadas com capitais provenientes de países árabes, têm permitido que o islamismo se instale e consolide na Guiné-Bissau. Apesar de nas escolas corânicas os ensinamentos serem em árabe e os alunos não terem conhecimento desta língua, o importante é a criação do sentimento de pertença e de endoutrinação que se vai criando. Pode-se mesmo dizer que hoje em dia a verdadeira base do desenvolvimento do Islão é feita através da educação, assim como a instalação em Bissau da Agência Muçulmana para África, que tem apostado na tradução e transcrição do Corão para português (Cardoso, 1987).
Para além da crença em Deus, no profeta Maomé e na abstenção durante o Ramadão, outros aspetos da religiosidade podem variar como a crença nos anjos, céu, inferno e mesmo o conceito de fé.
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Esta situação alterou-se na actualidade face à “balantização” do Estado.
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Este último autor acrescenta ainda, “...que o Estado português nunca apoiou ou custeou qualquer peregrinação a Fátima”.
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Fulas, beafadas e mangingas.
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Na Guiné-Bissau existem três grandes confrarias:
- A Qadiriya, maioritariamente de Mandingas, Balantas e Manjacos e que até 1995 detinha a dominância em todo o território, estendendo-se até à Gâmbia, Senegal, Mali e Guiné Conacry (Garcia, 2003);
- A Tidjaniyya com diferentes ramos de Fulas, Beafadas e Nalus sendo a sua área de domínio principalmente as zonas de Dakar, Casamansa, Gabú, Bamako e alguns pontos da Guiné Conacry assim como da Gâmbia;
-A Mouridiyya.
No entanto esta compartimentação não é totalmente estanque, havendo sobreposição parcial entre etnias e confrarias (Garcia, 2003).
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Parece que a grande maioria dos muçulmanos guineenses prefere manter-se fiel à forma moderada do Islão tolerante, em vez de seguir os radicalismos de certos países. No entanto, com a crescente imigração de países circundantes vemos cada mais mulheres com a tradicional burqa, a quem os guineenses apelidam com alguma crítica de “corvos” por ser a imagem que transmitem com os seus fatos pretos.