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Interview 1

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4. RESULTS

4.2. I NFORMANT I NTERVIEWS

4.2.1. Interview 1

Com as divergências entre os jornalismos de viagens e de turismo, existe a complementação entre as especializações para informar o nicho de viagens. Falco (2011), acredita que “parte da necessidade de escrever a cidade liga-se à vontade de ordená-la” (p. 30) e esta instância é um elemento comum para ambas especializações. Tanto o jornalismo de viagens quanto o jornalismo de turismo acabam por, de certo modo, ordenar a cidade para poder apresenta-la ao público.

Neste contexto, as cidades para serem consideradas turísticas necessitarão, cada vez mais, dos aparatos midiáticos para chegarem a fazer parte dos sonhos, imaginários, planos e agendas dos turistas. Neste cenário o jornalismo exerce especial função devido a credibilidade que lhe é conferida pelo público. Como uma espécie de NARRATIVA DO REAL, o jornalismo efetua representações de cidades e povos aos quais são atribuídos imaginários e identidades que serão percebidos como atrativos pelo leitor. (Falco, 2011, p. 25)

Segundo Brandão (2005), “desde a Antiguidade, a comunicação sempre esteve presente nas viagens, porque sem informação de onde e como (excluem-se aqui os exploradores), os indivíduos não arriscariam a se deslocar durante meses sem um objetivo maior” (p. 4). Este ponto de vista reforça a relevância das especializações jornalísticas estudadas nesta dissertação, que em conjunto acabam por auxiliar a prover informações que ajudam na organização de viagens. Aqui também está implícito o caráter relativo a segurança, ao se

21 A autora utiliza o conceito de narrativas jornalísticas de turismo para se referir ao que é tratado nesta

considerar que ambas especializações acabam por dar informações que descrevem o que pode ser encontrado em cada destino e relatos sobre os locais.

Enquanto a opinião do repórter de viagens utiliza a subjetividade para legitimar a experiência, o jornalista de turismo emprega a objetividade para dar informações de serviço essenciais ou complementares para quem está interessado em viajar. Esta combinação acaba por suprir as necessidades do público. Do mesmo modo, algumas publicações optam por apresentar conteúdo híbrido. Em Portugal, este é o caso do suplemento Fugas, do Jornal Público, o qual será analisado no capítulo cinco desta pesquisa.

O conteúdo especializado híbrido também pode refletir no que é pensado sobre o local. Segundo Ferrari (2013), o imaginário turístico “não se refere exclusivamente a uma localização, a um destino idealizado, onde se presentificam as experiências turísticas, mas, também, aos turistas, aos agentes de turismo (mercado) e aos media especializados e também à existência de um patrimônio imaterial afetivo” (Ferrari, 2013, p. 8). Por exemplo, da mesma maneira que o jornalismo de turismo tem o segmento do público que atua no setor turístico, a publicação pode utilizar artifícios para tentar transmitir cenários, sotaques e sensações, o que é predisposto à especialização em viagens. Assim, profissionais, como agentes de turismo, ao lerem a publicação vão poder direcionar melhor as opções para os clientes.

Os formatos do conteúdo do nicho de viagens são diversos. Segundo Fernández (2004), o jornalismo aborda a temática das viagens através de diversas formas, com notícias ou informações do nicho, entrevistas com quem viaja com frequência, como turistas e aventureiros, e para tentar compreender o lugar do outro, com etnógrafos; aqui também estão editoriais e colunas de opinião. Assim, as especializações acabam por produzir conteúdo híbrido, o qual foca no caráter desbravador do jornalismo de viagens, como também dá dicas para quem quer viajar.

Na construção de realidades, embora com abordagens diferentes, tanto o jornalismo de viagens quanto o jornalismo de turismo acabam por explorar locais distantes.

Nas condições de reconhecimento do outro como legítimo outro na convivência, tende-se a construir cumplicidades nos processos de significação que, na sua lógica de acolhimento mútuo, possibilita maior entendimento (...) e transformação dos sujeitos envolvidos, que é o que caracteriza a comunicação e é essencial para o turismo. (Baptista, 2014, p. 11)

Apesar de ser característico do jornalismo de viagens o descobrimento do outro, a especialização em turismo também pode ter a intenção de apresentar este fator, de modo a utilizar características do jornalismo de viagens para abordar esta possibilidade.

Para Jané (2002), a aproximação entre estas especializações é uma diversificação do jornalismo de viagens para uma versão mais comercial do jornalismo de turismo, o que resulta desde um gancho para promover um destino turístico até uma reportagem de denúncia social. São

diversas as possibilidades de interação entre as duas especializações, que acabam por originar conteúdos híbridos, que se confundem na definição de uma única especialização, seja de viagens ou de turismo, e que abrangem e combinam os conteúdos veiculados em ambas especializações.

Outro ponto que acaba por convergir entre as especializações de viagens e de turismo é a promoção de lugares e o modo como isso é feito.

(…) el periodismo de viajes comparte en este terreno una parcela común con el periodismo de turismo. El entretenimiento y la motivación están presentes como objetivo comercial de todas las revistas de viajes. Por lo tanto, hasta el reportaje más sobrio puede suponer una invitación al viaje, aunque el autor no lo pretenda. Sin embargo, hay reportajes en los que esta intencionalidad se presenta de forma manifiesta y como ingrediente principal: son los típicos textos de viajes que venden paraísos terrenales con la información seleccionada y limitada para la buena venta de un producto. Podríamos definirlo como el periodismo de viajes propagandístico dirigido al turista convencional. Y volvemos a insistir, es en estos casos concretos donde el periodismo de viajes pierde sus fronteras y se confunde con el periodismo turístico. (Jané, 2002, p. 159)22

Por explanar sobre locais, alguns dos quais distantes e desconhecidos, as especializações em viagens e em turismo podem ser relacionadas com a promoção de destinos, o que acaba por questionar o caráter informativo do conteúdo.

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