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CONCLUSION

In document Faculty of Science and Technology (sider 56-68)

Cada discurso pode ter diferentes sentidos, o que é relativo ao conhecimento de cada indivíduo sobre as referências utilizadas. Maingueneau (2002) reforça esta ideia ao afirmar que “a priori nunca há uma única interpretação possível para um enunciado e é preciso explicar quais os procedimentos do destinatário para chegar à mais provável, que será aquela que se deve preferir em tal ou qual contexto” (p. 29, grifo do autor). Para chegar nestes possíveis enunciados tem-se a escolha pela Análise de Discurso.

Mazière (2007) ainda refere sobre a escolha de palavras utilizadas por possuírem sentidos semelhantes. “Do mesmo modo que se pode dizer que há sinonímia, mas não são sinônimos verdadeiros, toda forma de língua constitui sentido e modela o sentido por conta de suas próprias particularidades” (p. 16). Para Souza (2006), a interpretação está condicionada, visto que “é devido às experiências anteriores que muitas vezes a mesma mensagem significa coisas

diferentes para os diferentes receptores” (p. 25). Assim, entende-se que a interpretação do discurso está intimamente relacionada com o contexto da pessoa que está recebendo a mensagem e seus conhecimentos sobre o assunto.

No próximo capítulo consta a Análise de Discurso (AD) de reportagens dos jornalismos especializados em viagens e em turismo publicadas no suplemento Fugas, do Jornal Público, a partir dos conceitos estabelecidos na construção do referencial teórico. Para esta pesquisa considera-se a AD Francesa. Segundo esta perspectiva, “assim como o dizer, também o interpretar está afetado por sistemas de significação. A AD está preocupada com este movimento de instauração de sentidos, que exige compreender os modos de funcionamento de um discurso” (Benetti, 2007, p. 109). Com este tipo de análise, se objetiva compreender o sentido do discurso utilizado nas notícias e reportagens destas especializações jornalísticas.

Com uma análise do discurso procura-se desvelar, como o seu próprio nome indica, a substância de um discurso entre o mar de palavras que normalmente um enunciado possui e fazer inferências entre essa substância e o contexto em que o discurso foi produzido. (Souza, 2006, p. 343)

Ao se considerar que “o discurso propriamente não é individual. Ele é a manifestação atestada de uma sobredeterminação de toda fala individual” (Mazière, 2007, p. 13), deve-se buscar compreender as possíveis características discursivas presentes na mensagem, o qual é dito por um indivíduo, mas para um grupo.

Orlandi (2012) caracteriza a Análise de Discurso como uma “disciplina da interpretação” (p. 34), a qual, segundo a autora, tem origem nos anos 60. A partir da Análise de Discurso torna- se possível descobrir as intenções do jornalista ao redigir o texto no contexto das informações a ele correspondentes. “A lógica da AD nos diz que um sentido sempre vem representar aquilo que poderia ser dito, naquela conjuntura específica, por aqueles sujeitos em particular, instados ideologicamente a dizer uma coisa, e não outra” (Benetti, 2007, p. 112). Assim, para ambas as especializações, tem-se a possibilidade de analisar os sentidos que o leitor recebe após ler o suplemento e, com isso, compreender o que mensagem foi transmitida em cada reportagem a partir das categorias pré-estabelecidas.

O objetivo da análise de discurso é descrever o funcionamento do texto. Em outras palavras, sua finalidade é explicitar como um texto produz sentido. Em seu trabalho, o analista de discurso deve mostrar os mecanismos dos processos de significação que presidem a textualização da discursividade. (Orlandi, 2012, p. 23)

Ao redigir uma reportagem, o jornalista pode dar vários sentidos para o seu discurso, tanto com palavras ditas quanto não ditas. Esta abordagem foi escolhida para buscar perceber os sentidos das reportagens dos jornalismos de viagens e de turismo, com o intuito de compreender as características discursivas das mensagens transmitidas sobre os destinos apresentados.

Visto que “a noção de interpretação passa por evidente quando, na realidade, cada teoria lhe dá um sentido diferente de acordo com os diferentes métodos praticados” (Orlandi, 2012, p.

19), foram escolhidas grelhas de análise para tentar compreender as características discursivas presentes nos textos. Segundo Souza (2006), a grelha de análise é “definida pelo pesquisador em função de categorias de análise, tendo em conta as hipóteses e perguntas de investigação oportunamente colocadas” (p. 353, grifo do autor). Ao se considerar que as hipóteses e a problemática desta pesquisa visam compreender as divergências e convergências entre os jornalismos especializados em viagens e em turismo, a criação das categorias de análise deve propiciar este propósito.

Para responder à questão proposta pela problemática, foram criadas seis Formações Discursivas (FDs), as quais abrangem os tópicos que constam nas hipóteses e contemplam ambas as especializações pesquisadas. Para Benetti (2007), a FD é “uma espécie de região de sentidos, circunscrita por um limite interpretativo que exclui o que invalidaria aquele sentido – este segundo sentido, por sua vez, constituiria uma segunda FD” (p. 112, grifo da autora). A partir disso, tem-se a necessidade de criar FDs correspondentes aos objetivos da pesquisa.

Para isso, foram criadas as seguintes Formações Discursivas: • FD1 – Subjetividade do narrador

Esta FD compreende o que é referente às narrativas em primeira pessoa no texto, de modo a compreender a presença do narrador, que se supõe aparecer com mais frequência no jornalismo de viagens. Aqui, reúnem-se os trechos em que o repórter se torna parte da reportagem.

• FD2 – Figuras de linguagem

Nesta FD estão reunidos trechos que apresentem características da linguagem literária, a partir da utilização de figuras de linguagem.

• FD3 – Descrição cultural

A revisão de bibliografia sobre o jornalismo de viagens faz referência à descrição do outro e de culturas como uma das características da especialização. Para analisar este ponto, a FD3 reúne aspectos comuns a este jornalismo, como descrição de sotaques, comportamentos associados a um povo específico, costumes e diferenças culturais. • FD4 – Objetividade informativa

Em contraposição à FD1 e à subjetividade do narrador no jornalismo de viagens, a FD4 visa agrupar os elementos que caracterizam a objetividade, a qual supõe-se estar mais presente no jornalismo de turismo. Assim, tem-se nesta categoria os trechos que indicam informações diretas e precisas.

• FD5 – Qualificação do destino/serviço turístico

Esta Formação Discursiva reúne as sequências que revelam a descrição física do lugar, como cores, tamanhos, formatos, entre outros, referentes a uma descrição do serviço e do destino turístico, os quais podem aparecer com mais frequência na prática do jornalismo de turismo.

• FD6 – Orientações turísticas

Esta categoria reúne as orientações do passo a passo para auxiliar o turista. Assim, tem- se aqui as direções e informações relativas aos serviços turísticos, através do que é realizado pelo jornalismo de serviço e não como qualificação, os quais podem aparecer no jornalismo de turismo.

Segundo Benetti (2007), “depois de identificar os principais sentidos e reuni-los em torno de formações discursivas mínimas, o pesquisador deve buscar, fora do âmbito do texto analisado, a constituição dos discursos “outros” que atravessam o discurso jornalístico” (p. 113). Desta maneira, é preciso destacar trechos em que as FDs aparecem nas reportagens, para então buscar compreender quais sentidos podem ser compreendidos dentro daqueles contextos. Para que isso seja possível, é preciso identificar o que, “para fins de procedimento metodológico, chamamos de sequência discursiva (SD) o trecho que arbitrariamente recortamos para análise e depois utilizamos no relato de pesquisa. É habitual numerar cada SD, para facilitar a organização do corpus de pesquisa” (Benetti, 2007, p. 113, grifo da autora). A partir da identificação das SDs e dos sentidos nelas contidos torna-se possível compreender as características discursivas presentes nos jornalismos especializados em viagens e em turismo no suplemento Fugas.

Após destacar as SDs e analisar os possíveis sentidos nelas contidos, tem-se, também, a exposição dos trechos em forma de tabela para ilustrar e destacar os sentidos, assim como reunir todo este material para compreender a análise quantitativa com base na presença destas SDs nas reportagens e suas qualificações em jornalismo de viagens, jornalismo de turismo ou em um formato híbrido, que reúne características de ambas as especializações para, então, contrastar com as hipóteses desta dissertação.

6 Jornalismos de Viagens e de Turismo:

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