4. European Formal Frameworks
4.1. The Bologna Process
4.1.2. Intertwined Relations with the European Union
Na RA UE, o atendimento compreende desde a remoção para um hospital, da própria rede, ao pronto atendimento. Ao chegar ao hospital, o idoso é avaliado pelo médico e daí é encaminhado, conforme a sua necessidade, para exames, centro cirúrgico, ou internação. Observamos que, no hospital referência em urgência e emergência de Fortaleza, esse percurso acontece, porém, não na velocidade como deveria, comprometendo a eficácia do atendimento. O principal fator que atualmente interfere na agilidade de implementação dos cuidados necessários ao usuário idoso é a superlotação. O hospital, que é da rede municipal e tem capacidade apenas para os moradores de Fortaleza, recebe pacientes de todo o Estado.
Ele chega é atendido pelo clínico, aí ele pede exames e a gente encaminha o paciente para o exame depois ele pede o parecer do traumatologista, do cirurgião, aí a gente vai encaminhando esse paciente, aqui o paciente chega, ele recebeu a prescrição, fez os exames, aí muitas vezes ele precisa ficar internado eles ficam lá na emergência e com o tempo a gente procura um leito para o paciente. O médico faz a admissão do paciente que precisam ser internados então isso aí eles vão ficar em uma lista de espera às vezes dependendo da gravidade (UE1).
O serviço oferecido, de forma geral, consiste na remoção (UE2).
Quando questionados sobre as necessidades observadas nesta rede assistencial, foi referido sobre o IJF que a reforma pela qual ele está passando acaba comprometendo o atendimento. Quanto ao SAMU, foram apontadas deficiências nos recursos materiais, mais especificamente referentes ao transporte de pacientes. Os discursos a seguir nos confirma estas afirmações.
Faltam muitas coisas, porque você sabe que a nossa emergência do IJF tá passando por esse período de reforma (UE1).
Olha! Eu posso afirmar que é deficiente. É deficiente sim. Não existem carros suficientes para o atendimento (UE2).
Os carros comentados pelos entrevistados consistem nas ambulâncias, veículos destinados exclusivamente para o transporte de enfermos. As ambulâncias são classificadas em: ambulâncias de transporte, ambulâncias de suporte básico, ambulância de resgate, ambulância de suporte avançado, aeronave de transporte médico, embarcação de transporte médico, veículos de intervenção rápida e outros veículos (BRASIL, 2006f).
Sobre o atendimento prestado pelo SAMU de Fortaleza, em média, ele recebe 3.000 mil ligações por dia, contando com uma equipe de seis telefonistas auxiliares de regulação médica e dois médicos reguladores por turno de seis horas. São realizados 200 atendimentos por dia, com maior número de chamadas para as áreas clínica e de trauma (cerca de 80%). A frota média em funcionamento no ano de 2006 foi de 18 unidades de suporte básico e três de suporte avançado. No caso das urgências severas, o tempo médio de deslocamento e atendimento das vítimas é de oito a dez minutos. Em relação às urgências moderadas, é de 16 a 25 minutos (FORTALEZA, 2007b).
Observamos que na RA SM o atendimento se inicia com a avaliação do usuário, onde são detectadas as suas necessidades. Em seguida, ele é direcionado intrainstitucionalmente conforme a sua demanda individual, vai para a consulta com outro profissional, para um grupo terapêutico, ou até para outra rede assistencial, como a da Estratégia Saúde da Família. O DSC à frente nos exemplifica este percurso intrainstitucional do idoso nos centros de atenção psicossocial – CAPS de Fortaleza.
E o que é que a gente pode fazer por ele: tem a questão da avaliação, tem o atendimento psiquiátrico, tem os grupos, e têm encaminhamentos outros, vai ser qual é a necessidade dela, que nós vamos encaminhá-la. A gente tem que eleger um cuidador adequado pra essa pessoa, às vezes o cuidador que tá com aquela pessoa tem um transtorno também, naquela família, então a gente tem que fazer todo esse ajustamento na família desse idoso. E hoje, com o matriciamento, só fica no CAPS se tiver um transtorno mesmo. Porque senão, se for um transtorno leve, o posto já ta sendo capacitado pra absorver essa demanda. Mas aí, o posto absolve a demanda médica. E a parte de uma escuta, de trabalho de auto-estima, de geração de renda, de um lazer, que o idoso precisa, de ele estar com outras pessoas, e aí assim, é difícil, fica prejudicado. A gente tenta enfocar essa questão assim, mais psicossocial, atendimento de visita domiciliar, atendimento de grupo. O CAPS também disponibiliza de alimentos, se for um caso de um paciente, de um idoso com transtornos mentais graves, a gente tem condição de passar o dia com ele
aqui. O paciente que vem do tabagismo, ele é avaliado pela clínica, a clínica pede toda uma bateria de exames, então, a clínica é quem faz esse acompanhamento, se acha que precisa passar pelo psiquiatra, aí sim ela faz o encaminhamento pro psiquiatra. A enfermeira faz toda a avaliação, pede toda a bateria de exames, marca a consulta do psiquiatra se ela acha que tem necessidade, e se tem necessidade também, vai marcar a consulta do clínico (SM1, SM2, SM4, SM5).
Em estudo realizado por Nunes et al. (2008) em Salvador – BA, foram apontados três modelos de cuidado em saúde mental. O primeiro desses grupos é chamamos de “modelo biomédico humanizado”. Nele estão presentes uma ênfase na psicopatologia, um cuidado assistencialista e, por vezes, tutelar, uma atitude pedagógica, assumindo como principal característica a influência sobre uma mudança de comportamentos, com o objetivo de torná- los compatíveis com a reinserção social. Verificam-se ações bem-intencionadas, mas, na maior parte, normalizadoras e pouco críticas. O segundo deles constitui o “modelo psicossocial com ênfase na instituição”, tratando-se de um grupo mais centrado em uma concepção psicossocial do cuidado e em um fazer institucional pouco orientado para as práticas territoriais, embora se perceba que nesse grupo existe uma preocupação com mudanças no fazer terapêutico, adscritas à esfera teórico-técnica. Por fim, existe o grupo dos profissionais mais influenciados por um modelo territorializado, que valoriza sobremaneira os aspectos sociais do adoecimento, daí não conceberem um cuidado em saúde mental desvinculado do trabalho com as esferas familiar e comunitária, e muito preocupados com sua esfera político-jurídica. Essa forma de atuar poderia se conformar ao “modelo psicossocial com ênfase no território”.
Observamos neste estudo que o modelo de cuidado em saúde mental empregado em Fortaleza se caracteriza por vezes como um modelo psicossocial com ênfase no território, e por algumas vezes como um modelo biomédico humanizado, com a presença mais forte do primeiro modelo, uma vez que percebemos ênfase, nas falas dos entrevistados, às ações que envolvem não só a família e a comunidade, mas também toda uma rede intersetorial de cuidados, como a rede social de apoio da região.