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Interpreted Multi-agent Systems

Sendo a entrevista um dos processos de recolha de dados que utilizámos, parece-nos relevante utilizar a análise de conteúdo como técnica de análise de dados, na medida em que, e como escreve Quivy e Campenhoudt (2005, p. 227), “oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e de complexidade, como, por exemplo, os relatórios de entrevistas pouco directivas”.

A análise de conteúdo é uma técnica que permite apreender o significado das respostas obtidas, uma vez que realiza a partir “da desmontagem de um discurso e da produção de um novo discurso através de um processo de localização-atribuição de traços de significação” (Vala, 1986, p. 104). Uma vez que se trata de uma técnica e não de um método, a análise de conteúdo tem a vantagem de se poder executar sobre material que não foi produzido com o objectivo de servir a investigação empírica, permitindo recorrer a material não estruturado, nomeadamente, as entrevistas (Vala, Cabral & Ramos, 2003).

Por seu lado, Bardin (2004) afirma que, não podendo ser considerado um instrumento, a análise de conteúdo é antes um leque de ferramentas ou um único instrumento,“mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações” (idem, p. 27).

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De acordo com a autora, as fases da análise de conteúdo combinam-se em volta de “três pólos cronológicos” que dimensionam esse processo: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dosresultados (inferência e interpretação).

A pré-análise corresponde à fase da organização, constituindo-se como um tempo de intuições, e tendo por objectivo operacionalizar e sistematizar as ideias iniciais, de forma a obter um esquema preciso (embora flexível) do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise. Nesta primeira fase, escolhem-se os documentos para análise, formulam-se as hipóteses e os objectivos e elaboram-se indicadores que sirvam de fundamento à interpretação final. Assim, num primeiro momento, denominado leitura “flutuante” (Bardin, 2004, p. 90), o investigador estabelece um primeiro contacto com os documentos que vai analisar, extraindo algumas impressões e orientando-se já para uma posterior análise. Posteriormente, o investigador procede à escolha dos documentos, de forma a constituir um corpus que será submetido ao tratamento analítico. Na fase de pré-análise, o investigador procede à preparação do material que será posteriormente explorado e tratado. Dessa forma, na nossa investigação, a fase da pré-análise compreendeu a transcrição das entrevistas dos informantes-chaves da pesquisa. Procedeu-se ao que Bardin chama de leitura flutuante, com o objectivo de identificar unidades de registo para estruturar a matriz de análise.

A segunda fase da análise de conteúdo refere-se à exploração do material, isto é, o investigador estuda o material que recolheu e já submeteu a uma pré-análise, de modo a tratar e interpretar os resultados obtidos. Nesta fase, realizam-se operações de codificação, desconto ou enumeração. Para a autora, é através da codificação que os dados brutos são transformados e agregados em unidades que permitem uma descrição exacta das características do conteúdo. A organização da codificação compreende, entre outros, o processo de categorização. A este propósito, Bardin (2004, p.111) defende que:

“A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género (analogia), com critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, que reúnem um grupo de elementos (unidades de registo, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão dos caracteres comuns destes elementos”.

A propósito da categorização, Flick (2005, p. 193) acrescenta que “as categorias são aplicadas ao material empírico, não são necessariamente extraídas dele, embora sejam repetidamente confrontadas com ele e, se necessário, modificadas.”

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Nesta etapa, organizamos o discurso dos entrevistados em cada uma das unidades de registo definidas na pré-análise, por meio de quadros síntese.

A última fase da análise de conteúdo consiste precisamente no tratamento dos resultados obtidos e sua interpretação. Com esta “longa e fastidiosa” fase (Bardin, 2004, p. 95), os resultados obtidos são submetidos a um tratamento de modo a constituírem-se como significativos e válidos. Desta forma, analisámos cada depoimento e, posteriormente, comparámo-los num esforço de síntese, de procura de padrões e de identificação de aspectos importantes para a compreensão do tema.

Nesta investigação, optámos pela utilização das dimensões já definidas na elaboração do questionário, uma vez que as entrevistas realizadas se destinavam essencialmente a esclarecer e/ou aprofundar alguns aspectos do inquérito por questionário. No entanto, esta pré- categorização não invalida a possível emergência de novas categorias, durante a leitura do texto das entrevistas.

Através da técnica de análise de conteúdo, procedemos à segmentação e codificação dos conteúdos de cada uma das entrevistas, em unidades amplas que contextualizassem as afirmações que posteriormente foram trabalhadas na análise de conteúdo do conjunto das entrevistas exploratórias. Este trabalho foi desenvolvido tendo sempre presente os temas e os objectivos definidos no guião da entrevista. Posteriormente, trabalhámos a análise de conteúdo do conjunto das entrevistas retirando unidades de texto significativo do contexto, que agrupámos nas categorias previamente definidas, de acordo com os indicadores comuns às cinco entrevistas. As unidades de registo/unidades de conteúdo relativas a cada entrevista, foram anotados em quadros (Anexo 4), de forma a permitir uma melhora leitura e organização da informação recolhida, bem como uma maior facilidade no trabalho da análise dos dados.

Considerando os objectivos do nosso estudo, construímos então a lista definitiva de categorias:

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Quadro 16 - Categorias e subcategorias de análise

Dimensões Categorias

1. Concepções sobre

avaliação do desempenho docente

a. Obrigatoriedade da avaliação do desempenho b. Utilidade da avaliação para a melhoria do ensino e da

escola

c. Funções do professor que devem ser avaliadas d. Mudança das práticas pedagógicas

2. Concepções sobre auto-

avaliação docente e. Caracterização da auto-avaliação docente 3. Práticas e instrumentos de

auto-avaliação f. Identificação dos Instrumentos utilizados no processo de auto-avaliação

4. Constrangimentos à auto- avaliação

g. Dificuldades apresentadas pelos docentes no processo

de auto-avaliação

h. Aspectos menos positivos na consecução deste

procedimento

5. Auto-avaliação e desenvolvimento profissional

i. Influência da auto-avaliação no desenvolvimento

profissional dos professores

j. Processo voluntário versus imposição legal k. Prestação de contas versus desenvolvimento

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