De acordo com o autor Interpretation, isto é, interpretação é um conceito que em português não é utilizado com o mesmo significado que tem nos Estados Unidos, ou em Inglaterra, para onde foi importado86. Nesses dois países é usada quando nos queremos referir à explicação da história de um lugar, quem o implementou, quem aí viveu, quem dele usufruiu, incluindo, por exemplo, a sua evolução geológica, a formação da vegetação, a formação do ecossistema, a vida dos animais, o lugar na actualidade, uma noção clara sobre a presença humana no lugar, o papel aí assumido pelo homem, etc., e tudo de modo a que as pessoas compreendam o lugar e melhor o sintam e conservem, …o seu principal papel é fazer com que as pessoas compreendam o que é um parque
86 Freeman Tilden na sua obra de 1957 Interpreting Our Heritage considera as políticas e as estratégias
seguidas pelos parques nacionais americanos, centradas agora, não somente na conservação, mas também, na divulgação ao público dos valores naturais e na criação de reconstruções históricas. A partir deste momento dá-se a consolidação e a expansão da ferramenta interpretação, de início pelos países anglo- saxónicos e, posteriormente, pelo resto do mundo.
Natural ou Reserva Natural e para que serve, por que foi criado, o que se deve ou não deve ali fazer e respectivas consequências, o porquê das coisas, dos fenómenos naturais, no local (Moreira, 1979: 27)87. Os franceses aplicam o termo animation, talvez um pouco com o sentido de interpretação, como entre nós „animação‟ ou „dinamização‟, o actual Decreto-Lei 108/2009 de 15 de Maio estabelece as condições de acesso e de exercício da actividade de animação turística das empresas de animação turística. Porém, encarado deste modo não parece que, em Portugal, o termo interpretação seja incorrectamente aplicado no âmbito da protecção da natureza ou do património em geral, como refere Morales todos aqueles que interpretam, seja o músico, o actor, o geógrafo, o arqueólogo, tienen en común en su misión, incluido el “guía intérprete”, dar sentido a algo (Morales, 2007: 17).
Segundo os conferencistas reunidos na Conferência efectuada no Peak National Park Study Centre de 25 a 29 de Setembro de 1978 as principais finalidades da Interpretação são: proteger a natureza e entreter as pessoas, pretendendo reconciliar as natureza e o recreio. Na apresentação de exemplos de Interpretação referiram-se a dois tipos de interpretação:
Interpretação impessoal – o símbolo (uma mó de moinho) que se encontra à entrada do Peak National Park, tal como o Pecten, símbolo da PPAFCC, painéis ou letreiros com a história de determinadas paisagens, folhetos ilustrados com animais ou plantas autóctones, roteiros, percursos pelo parque, normas, etc.
Interpretação pessoal – acompanhada de interpretes como por exemplo o agricultor que explica o seu trabalho quotidiano, guias voluntários com alguma instrução, os centros de interpretação onde se dispõe de informação local e o visitante encontrará ambiente e meios para estudo. Muitas das vezes é preciso reconstruir a história do local e assim fazer com que o visitante a compreenda …nos Estados Unidos chegam a usar estudantes trajando à época para fazer história viva. (Moreira, 1979: 28) Na relação entre educação e interpretação a UICN definiu educação relativa ao ambiente como um processo do reconhecimento de valores e clarificação de conceitos com o fim de
87 Apresentação do relatório sobre a Conferência efectuada no Peak National Park Study Centre de 25 a
29 de Setembro de 1978 em que esteve presente o Arquitecto Paisagista Marques Moreira do Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico, organismo antecessor do ICNB.
desenvolver práticas e as atitudes necessárias à compreensão e apreciação das interrelações entre o homem, a sua cultura e o seu ambiente biofísico, assim …a interpretação é uma especialização originada na ampla generalização da educação relativa ao ambiente (idem).
Segundo Freeman Tilden a Interpretação deve centrar-se em questões relacionadas com a personalidade e a experiência do visitante (a interpretação pode ocorrer dentro da cabeça dos visitantes à luz da sua vivência, das suas fantasias, das suas angústias…); informar não é interpretar porque interpretar é uma forma de comunicação baseada na informação; o principal objectivo da Interpretação não é a formação, mas sim, a provocação. Num primeiro momento a Interpretação centrou-se, especialmente, nos espaços naturais, parques e reservas, …la denominación actual, interpretación del patrimonio, surgida a meados de los ochenta, se consolida con la celebración, en 1985, del I Congreso Mundial de Interpretación del Patrimonio en Banff, Canadá. … engloba el concepto amplio de patrimonio, un concepto integral que incluye de forma indisociable tanto el patrimonio natural como el cultural, sea tangible o intangible (Hernández, 2001: 175). Como sugere Morales Miranda, Hoy en día se acepta más el apelativo “del patrimonio”, entendiéndolo de forma integral, es decir, abarcando el patrimonio natural y/o el cultural. No obstante, me referee a esta disciplina sólo como “interpretación”; y quiero puntualizar aquí que no se trata de una especialidad del medio ambiente o del patrimonio, sino que representa un conjunto de técnicas de comunicación, aplicables en cualquier sector, con la finalidad de revelar un significado profundo y desarrollar ciertas actitudes en el público visitante. (Miranda, 2007:17); Educar es siempre condicionar; interpretar es instruir en algún sentido, dirigir la atención hacia algo (Hernandéz, 2001: 24).
Pelo que, no presente trabalho optou-se pela definição Sensibilização do Património, onde interpretar o património seja a arte de ensinar, sem que alguém disso se dê conta – porque interpretar o património não significa, unicamente, comunicar a informação inerente ao objecto ou ao lugar, significa estimular, fazer reflectir, provocar emoções, criar um reforço de identidade, de pertença, comprometer, através da sua descoberta, da sua contemplação. Interpretar é transformar a informação em compreensão, de forma a sensibilizar.