4. PRESENTASJON AV FANGEGRUPPA
4.4 Deltakernes erfaringer fra og tilbakemelding om TOG
O porquê de sensibilizar o Património. Entenda-se Património ou Natureza na sua acepção mais ampla, tal como Bernardi, para quem Natureza, antes de mais, é:
…o universo como totalidade cósmica, visível e invisível, dentro do qual o Homem está imerso. É necessário acentuar a totalidade do cosmos; inclui as coisas, os seres, os animais, os homens e as forças – conhecidas e desconhecidas – que os regem.(Bernardi, 1974: 20).
Hoje, mais do que nunca, é importante que se reconheça o planeta Terra como um único ecossistema85, um todo, cujo destino é um problema comum de toda a humanidade.
Ao tomarmos consciência deste espaço como um todo, compreendemos que o equilíbrio global depende do comportamento de cada indivíduo, do gesto individual de cada um, de coisas simples ao alcance de todos e de acções locais. Na medida em que o espaço físico onde vivemos, onde nos deslocamos todos os dias, o espaço que pisamos, faz parte desse ecossistema global, e é por ele que temos que começar, no sentido de se poder atingir esse tão precioso equilíbrio. Consideremos a importância da concepção ampla e holística de Património através do exemplo de Maria Garcia acerca dos ciclos que envolvem as radiações solares, o carbono, o oxigénio, a água, o nitrogénio, o fósforo, o sulfúrico, os quais estão estreitamente relacionados entre si, de tal modo que uma qualquer interferência num dos ciclos produz, mais cedo ou mais tarde, consequências mútuas, num contínuo de ligações …a terra recebe a sua energia do sol, das radiações que penetram na atmosfera e são absorvidas como calor. Nos oceanos, essa absorção não é só responsável pela formação de correntes marítimas, como, à superfície, produz o vapor de água. Por sua vez, o calor que regressa à atmosfera dá
85 Sistema ecológico muito complexo, que engloba não só os seres vivos (plantas, animais e todos os
outros seres, incluindo o Homem) que existem numa determinada zona e que se relacionam entre si (por exemplo por relações alimentares) mas também o ambiente não vivo (água, rochas, solo) e todas as relações entre eles. Sendo que a Terra é o maior ecossistema que conhecemos… (Girão, Cristina, 2002: 14).
origem aos ventos… … … a luz que igualmente a terra recebe do Sol é absorvida pelas plantas através da fotossíntese, cuja importância para a formação de matéria orgânica é crucial, desde logo para a sobrevivência dos animais e, logo, do homem … e …a fotossíntese das plantas verdes é também responsável pela produção de oxigénio que tem também o seu próprio ciclo…… …quase 2 biliões de anos, o oxigénio acumulado na atmosfera formou, na parte superior, uma camada de ozono que hoje absorve os raios ultra-violetas e protege a vida na Terra… (Garcia, 2007: 40, 41). Porém, não nos podemos deixar ficar apenas pelas interligações físicas, a questão complicou-se há uns milhões de anos, quando o homem apareceu e fez da Terra um lugar antropológico, como refere Marc Auge …essa construção concreta e simbólica do espaço … que pretende ser identitário, relacional e histórico (Augé, 1992: 58,59). Por um lado, a Natureza é o mundo que nos rodeia, cuja relação com o Homem é física, biológica, funcional, racional e técnica. Por outro lado, a Natureza é um sistema complexo do qual o Homem faz parte integrante, apoderando-se dela cultural e simbolicamente, pelo que, considera Lévi-Strauss, o mundo animal ou o mundo vegetal não são utilizados apenas porque existem mas porque sugerem ao homem um método de pensamento (Strauss, 1996: 25).
A Sensibilização do Património é uma ferramenta fundamental na mudança de comportamentos relativamente ao mundo onde vivemos. Dito de outra forma, sensibilizar é procurar despoletar uma tal vontade nos cidadãos que os leve a pensar e a agir, de forma adequada e sustentável, com o seu Património, entendido como um todo. Hoje, é usual confundir-se educação ambiental e sensibilização ambiental e, apesar de ambas se relacionarem e complementarem, são conceitos diferentes com aplicabilidade diferente. A sensibilização, só por si, não leva a mudanças de mentalidade, verificando- se, apenas, se os cidadãos forem educados, ou seja, se depois de sensibilizados lhes forem apresentados e incutidos os meios da mudança que os levem a uma atitude mais correcta para com o Património.
Fala-se, assim, em sensibilização e não em educação, pois educação pressupõe um processo continuado e a longo prazo, impondo, paralelamente, estudos diacrónicos que reflictam questões mais amplas como a da mudança de mentalidade, de comportamentos e atitudes perante o objecto de estudo. Digamos que sensibilizar é uma fracção importantíssima dum processo educativo que implica, para além da transmissão de informação e de conhecimentos, a compreensão e análise dos
comportamentos e das atitudes que se manifestarão no plano da experiência quotidiana (Miguel, 2003: 6). Uma criança sensibilizada terá mais hipóteses de se tornar um adulto sensível, sentindo a Natureza como um património pessoal, respeitando-o duma forma espontânea e biocêntrica, assim como, de se tornar um cidadão participativo em decisões sociais e políticas, tanto ao nível local como planetário.
Dir-nos-á o Professor Bragança Gil ao falar de Sensibilização da Juventude para a Ciência numa sua apresentação do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, O Museu de Ciência da Universidade de Lisboa é, assim, uma instituição concebida com o objectivo de promover a divulgação científica e a sensibilização para a importância da Ciência na sociedade actual, não apenas como base da Tecnologia mas igualmente pelo seu valor como elemento essencial da cultura contemporânea. Quer dizer, ele procura promover o aumento da literacia científica, de essencial importância por razões de natureza intelectual, cultural e, mesmo, económica e social.
A acção do Museu visa particularmente – embora não exclusivamente – os jovens, no sentido de despertar ou incentivar a sua curiosidade pela Ciência e pela Tecnologia, ajudá-los a usar o método científico nas suas actividades e, eventualmente, chamar-lhes a atenção para carreiras profissionais nos domínios científico e tecnológico (Eiró, 2010: 13).