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5 Internasjonalisering

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Coube aos historiadores da Arte e aos arquitetos das escolas italianas das décadas de 1950 e 1960, entre eles, Saverio Muratori, Júlio Carlo Argan, Carlo Aymonino, Aldo Rossi (este último o mais divulgado entre os arquitetos), Caniggia e Maffei, assentarem as bases metodológicas do estudo da cidade como produto histórico e artístico. A contribuição dos italianos tem exercido ampla influência e boa parte dos princípios e métodos propostos tem validade no estudo da cidade como preexistência.

Essa influência penetrou no meio acadêmico por intermédio de professores, como Antonio Bonnet Correa e Iganacio de Sola i Morales, na Espanha; Jorge Enrique

Hardoy e Ramon Gutierrez, na Argentina; Nestor Goulart Reis Filho, no Brasil, entre os mais destacados. Reis Filho utilizou os conceitos de Lavedan para o estudo da evolução das cidades no Brasil Colonial.

Muratori apresentou os conceitos de Tipologia e Morfologia sistematizados e como elementos inseparáveis e interpretativos da evolução da cidade. Argan455, no

ensaio de 1962, intitulado “Sobre o conceito de Tipologia Arquitetônica”, define o tipo como uma abstração, um instrumento de projeto ligado à História e, também, um instrumento de análise:

É fácil estabelecer uma analogia entre a tipologia da arquitetura e a iconografia: a tipologia, do mesmo modo que a iconografia da arte figurativa, constitui um fator certamente não determinante, mas sempre presente, de modo mais ou menos manifesto, no processo artístico456.

Argan também diferencia entre os tipos arquitetônicos, três grandes categorias: as configurações internas dos edifícios, os elementos construtivos e os elementos decorativos457.

É fundamental, porém, para o entendimento da tipologia na Arquitetura, esclarecer os aspectos que relacionam e diferem “tipo” de “modelo”, pois uma obra pode ser tanto vista como uma produção exclusiva e original como um objeto que é produzido em série. Argan destaca que Quatremère de Quincy, em seu histórico “Dictionnaire d’Architecture”, foi o primeiro teórico a estabelecer o conceito de tipo:

A palavra “tipo” não representa tanto a imagem de uma coisa a ser copiada ou imitada perfeitamente quanto a ideia de um elemento que deve ele mesmo servir de regra ao modelo [...]. O modelo, entendido segundo a execução prática da arte, é um objeto que se deve repetir tal qual é; o tipo é, pelo contrário, um objeto segundo o qual qualquer pessoa pode conceber obras que não se assemelharão em nada entre si. Tudo é preciso e, dado no modelo, tudo é mais ou menos vago no tipo458.

É necessário entender, portanto, que um projeto pode se utilizar de um modelo de modo a configurar um tipo na medida em que se colocam particularidades formais e funcionais a cada modelo. Dessa forma, considera-se legítima a afirmativa de que modelo é tudo aquilo que é igual, que pode ser produzido em série. Já o tipo, em contrapartida, é vago, subjetivo, e permite inúmeras variantes formais.

455 ARGAN, Giulio Carlo. Projeto e destino. São Paulo: Ática, 2001, p. 65. 456 Id., ibid., p. 65.

457 Id., ibid., p. 67. 458 Id., ibid., p. 66.

Para Rossi, “o tipo é, pois, constante e se apresenta com características de necessidade; mas mesmo determinadas, elas reagem com a técnica, com as funções, com o estilo, com o caráter coletivo e o momento individual do fato arquitetônico”459.

Ou seja, na visão de Rossi, o tipo se constitui de acordo com as necessidades e com as aspirações de beleza arquitetônicas das diferentes sociedades, ligado à forma e ao modo de vida, bem como às heranças culturais.

Assim, visando à construção da memória, Rossi propõe um método de projeto denominado arquitetura análoga460, que pretende recuperar os tipos como formas

essenciais e irredutíveis da Arquitetura e, portanto, de sua história, renunciando mediar entre estrutura formal – tipologia – e aparência figurativa – morfologia. Para a leitura da cidade, Rossi461 estabelece o conceito de elemento primário, que é o edifício

individual e singular, de caráter coletivo e monumental, que tem a capacidade de estruturar um setor homogêneo da cidade. Dessa forma, é possível visualizar os vários níveis de ajuste possíveis no estudo morfológico e como os “tipos” podem ser transportados pelo território em razão da carga cultural e dos indivíduos encarregados pelos planos462.

Aymonino esclarece a relação entre Tipologia Edilícia e Morfologia Urbana, sendo que alguns tipos edilícios podem ser determinados pela forma urbana, mas não necessariamente são derivados dela. Assim, Aymonino conduz “a forma urbana como resultado de um processo contínuo, portanto, difícil de sistematizar, enquanto no tipo, pelo maior grau de permanência, é possível identificar suas características constantes”463. Por isto, o autor emprega o conceito de fenômeno urbano para

substituir o de forma urbana464.

O conceito de Aymonino não apenas fixa uma imagem num determinado instante e numa precisa localização, mas compreende, por meio de uma atenção particular, as modificações que afetam a cidade no tempo e no espaço. Esses profissionais procuraram construir uma relação teórica e operativa entre a análise urbana e o projeto de arquitetura. Assim, destaca-se a obra de Aldo Rossi, “Arquitetura da Cidade”, onde o autor afirma que:

459 ROSSI, Aldo. Op. cit., 2001, p. 27. 460 Id., ibid.

461 ROSSI, Aldo. La arquitectura de la ciudad. Barcelona: Gustavo Gili, 1969. 462 ROSSI, Aldo. Op. cit., 2001.

463 AYMONINO, Carlo. El estudio de los fenómenos urbanos. In: POZO, Alfonso del (Org.). Análisis Urbano. Sevilla: Instituto Universitario de Ciencias de la Construcción. Escuela Técnica Superior de Arquitectura. Universidad de Sevilla, 1997, p. 83.

A cidade, objeto deste livro, é nele entendida como uma arquitetura. Ao falar de arquitetura não pretendo referir-me à imagem visual da cidade a ao conjunto de suas arquiteturas, mas antes a arquitetura como construção. Refiro-me à construção da cidade no tempo. Considero que esse ponto de vista, independentemente dos meus conhecimentos específicos, possa constituir um tipo de análise mais global da cidade, esta análise dirige-se ao dado último e definitivo da vida da coletividade: a criação do ambiente em que esta vive465.

Na visão de Rossi, a arquitetura é inseparável da vida civil, da sociedade e de sua expressão coletiva. Ela surge a partir das primeiras formas urbanas, constituindo algo inerente à civilização, pois dá forma à sociedade. Rossi considera ainda:

Mas com o tempo a cidade cresce sobre si mesma, adquire consciência de si própria. Na construção permanecem os motivos originários, mas ao mesmo tempo a cidade esclarece e modifica os motivos do seu próprio desenvolvimento466.

Da mesma forma como Rossi se refere a Florença, ele também destaca que a cidade de Panambi é uma “cidade concreta e que sua imagem do passado adquire valores pois representam as vivências e experiências daquela época”467. O autor

analisa a construção da cidade no tempo por meio de imagens e fotografias que descrevem e elucidam as suas ações ao longo do tempo. As ações dos indivíduos por intermédio de suas construções públicas e privadas refletem o elo com o passado e estabelecem os valores do locus, uma vez que a cidade é fato material, mas também é locus da memória coletiva.

Na opinião de Gregotti468, nem a morfologia e tampouco a tipologia diz respeito

apenas aos aspectos materiais da Arquitetura e do quadro físico urbano. Ambas arrastam a materialidade de uma carga de memória coletiva, de símbolos da história, de necessidades sociais inscritas nas formações de cada cidade.

Rossi remete-se a um desenvolvimento sistemático do estudo da cidade, em que procura se deter nos “problemas históricos e nos métodos de descrição dos fatos urbanos, na sua relação entre estes fatos e na identificação das forças que atuam na cidade, entendidas como forças permanentes e universais”469. Esses aspectos,

portanto, devem ser considerados relevantes no estudo da cidade e de todos os fatos urbanos que atuaram na sua construção. A cidade de Panambi, portanto, deve ser

465 ROSSI, Aldo. Op. cit., 2001, p. 31. 466 Id., ibid., p. 31.

467 Id., ibid., pp. 31-32.

468 GREGOTTI, Vittorio. Território da Arquitetura. São Paulo: Perspectiva; Ed. da Universidade de São Paulo, 1975, p. 68.

analisada a partir de seus sistemas políticos, sociais e econômicos e dos aspectos relativos ao campo da Arquitetura e da Geografia.

Rossi menciona, ainda, que a tipologia é como “a ideia de um elemento que tem um papel na constituição da forma, e que é uma constante”470. O autor contribuiu

para a formulação de uma metodologia arquitetônica, de carácter historicista, que defendeu a estrutura da cidade tradicional e que se apoiou numa interpretação crítica da história, direcionada à procura de uma dimensão cultural e coletiva, mantendo a arquitetura original.

Ressalta-se ainda outra colocação de Rossi sobre “as cidades de colonização iniciada pela Europa, sobretudo após a descoberta das Américas”471. O autor refere-

se aos estudos de Freire472, que trata “da influência de certas tipologias de edifícios

urbanos levadas pelos portugueses para o Brasil e de como estas estavam estruturalmente ligadas ao tipo de sociedade que se estabeleceu”473.

Seguindo essa ótica é possível considerar o caso da colonização alemã no Sul do Brasil com os estudos realizados por Weimer474, em sua obra “Arquitetura Popular da Imigração Alemã”. O autor analisa, como antecedentes, a forma física dos aldeamentos de origem germânica da região centro-europeia, associados à tradição popular e, portanto, desenvolvidos gradativamente. Em especial, no caso da colonização alemã de Panambi, a estrutura urbana estabelecida foi previamente organizada por meio de uma malha ortogonal diferentemente da forma orgânica que Weimer traz nos sistemas de aldeias alemãs estabelecidas no Sul do Brasil.

A paisagem da Colônia Neu-Württemberg se aproximou da paisagem da Alemanha devido às suas características culturais e dos aspectos geográficos, pois as colônias normalmente se estabeleciam nas proximidades de um rio. Além desses havia ainda os aspectos estéticos e construtivos, considerando que:

É possível distinguir e reconhecer paisagens urbanas e suas diferenças, ainda que possam ser similares do ponto de vista da geografia física, como a exemplo da paisagem toscana e da sueca, porque a história da atividade humana sobre aquele suporte geográfico a construiu paciente e coerentemente como paisagem475.

470 Id., ibid., p. 80.

471 Id., ibid., p. 37.

472 FREIRE, Gilberto. Casa Grande e senzala. São Paulo: Livros do Brasil, 1957. 473 ROSSI, Aldo. Op. cit., 2001, p. 37.

474 WEIMER, Günter. Op. cit., 2005, p. 133. 475 GREGOTTI, Vittorio. Op. cit., 1975, p. 67.

No caso de Panambi, a construção da paisagem urbana é indissociável da paisagem urbana das pequenas cidades da Alemanha, mesmo não tendo as características das cidades medievais centro-europeias. Essa compreensão permite identificar os valores em jogo e reconhecer a construção que supera e transcende a própria materialidade, ou seja, um processo que nasce entre o indivíduo e sua cultura. É também indissociável a relação que o lugar possui com sua tipologia, que é o elemento característico de um lugar e uma cultura, uma constante histórica e dinâmica. A tipologia não somente pode ajudar a contar a história de um povo como, também, determinar o estilo de uma época476.

O nível das escalas, desde o urbano ao edifício, é determinante na construção do quadro instrumental usado para análise urbana da “área estudo”, e resultará da reflexão conceitual anterior que constitui a base metodológica para a análise da Colônia Neu-Württemberg, atual cidade de Panambi. O assentamento urbano de promoção privada teve como base a agricultura de subsistência, cuja formação partiu de um núcleo urbano pré-existente, sendo equacionadas tipologias e modelos arquitetônicos e sua evolução nos tempos de construção da cidade, em particular as que possam ser consideradas “elementos primários” na cidade atual.

O caráter dessa abordagem metodológica conduz, também, à compreensão da memória coletiva e ao sentido de preservação do patrimônio urbano, o que não é alheio ao conceito de restauro.

2.5 PRESERVAÇÃO E REQUALIFICAÇÃO URBANA: UMA ABORDAGEM

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