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4.8 Hvor mange ERC-stipend har de norske universitetene mottatt? mottatt?

A morfologia urbana no quesito epistemológico das transformações do tecido urbano, resultantes de fatores diversos, como físicos, sociais e espaciais, incidiu no estudo do meio físico, a forma urbana, e das respectivas intervenientes.

O termo “morfologia” vem do grego morphé + lógos + ía e significa “a ciência que estuda a forma” ou “a ciência que trata da forma”. Segundo Lamas, esse estudo pode ser realizado a partir da análise dos principais elementos morfológicos – as “unidades ou partes físicas que, associadas e estruturadas, constituem a forma”393

constituída pelo conjunto do solo, dos edifícios, do lote, do quarteirão, das fachadas, dos logradouros, do traçado das ruas, das praças, dos monumentos, da vegetação e do mobiliário394. A articulação desses elementos, vinculados ao conjunto, definem “os

lugares que constituem o espaço urbano”395.

A expressão “forma urbana” pode apontar diferentes direções conceituais pois seu significado é amplo. De acordo com o Dicionário Michaelis, forma significa configuração exterior dos corpos materiais (seres e coisas), formato. Urbano, por sua vez, no mesmo dicionário, refere-se ao que é relativo ou pertencente à cidade. A forma construída é o material num sistema organizado, resultado da escolha humana de usar um material particular para um certo propósito num local específico396.

393 LAMAS, José M. Ressano Garcia. Op. cit., 2011, p. 37. 394 Id., ibid., p. 46.

395 Id., ibid., p. 38.

396 KROPF, Karl S. An enquiry into the definition of built form in urban morphology. PhD thesis, Department of Geography, Faculty of Arts, University of Birmingham,1993, v. 1 and 2, p. 48.

Na compreensão de Kropf397, a forma urbana pode ser vista de maneira

segregada e entendida como uma hierarquia de elementos interligados, como “tijolos e argamassa, madeira, pedra, betão, aço ou vidro, ou seja, é a forma do material dentro de um determinado sistema”. As combinações de elementos de menor nível formam os elementos de maior nível, uma estrutura espacial. Panerai complementa que “a forma urbana absorve o crescimento sob o aspecto de extensões sucessivas sem organizar previamente suas características e relações, logo, não há mais forma urbana, mas somente fenômenos urbanos”398.

Para Rossi399, o estudo das formas da cidade revela os sistemas funcionais

geradores do espaço urbano e a cidade como uma estrutura espacial. Nesse contexto, a morfologia deve ser vista sob três escalas: da rua, do bairro e da cidade. Complementam as escalas urbanas fatores socioeconômicos, políticos, culturais e a arquitetura, contribuindo na estrutura física e funcional dos elementos morfológicos.

Lamas define a forma urbana como:

Aspecto da realidade, ou modo como se organizam os elementos morfológicos que constituem e definem o espaço urbano, relativamente à materialização dos aspectos de organização funcional400 e quantitativa401 e dos aspectos qualitativos402 e figurativos403. A forma, sendo o objetivo final de toda a concepção, está em conexão com o desenho (linhas, espaços, volumes, geometrias, planos e cores), a fim de definir um modo de utilização e de comunicação figurativa que constitui a arquitetura da cidade404.

Entende-se, com isso, que a forma da cidade corresponde à maneira como se organiza e se articula a sua arquitetura, a qual se modifica no tempo, juntamente com os fatos urbanos, caracterizando uma arquitetura e uma forma próprias, de acordo com os elementos culturais e sociais da época.

397 Id., ibid., pp. 48-49.

398 PANERAI, Philippe. Op. cit., 2014, p. 125.

399 ROSSI, Aldo. Consideraciones sobre la morfologia urbana y la tipologia contructiva. Aspetti e problemi della tipologia edilizia. Venezia: Cluva, 1964, p. 129.

400 Aspectos de organização funcional – Relacionam-se com as atividades humanas (habitar, instruir-se, tratar-se, comerciar, trabalhar, etc.) e também com o uso de uma área, espaço ou edifício (residencial, escolar, comercial, sanitário, industrial, etc.), ou seja, ao tipo de uso do solo. Uso a que é destinado e uso que dele se faz (LAMAS, José M. Ressano Garcia. Op. cit., 2011, p. 44).

401 Aspectos quantitativos – Todos os aspectos da realidade urbana que podem ser quantificáveis e que se referem a uma organização quantitativa: densidades, superfícies, fluxos, coeficientes volumétricos, dimensões perfis, etc. Todos esses dados quantificáveis são utilizados para controlar aspectos físicos da cidade (Id., ibid., p. 44).

402 Aspectos qualitativos – Referem-se ao tratamento dos espaços, ao conforto e à comodidade do utilizador. Nos edifícios, poderão ser a insonorização, o isolamento térmico, a correta insolação, etc., e, no meio urbano poderão ser características, como o estado dos pavimentos, a adaptação ao clima (insolação, abrigo dos ventos e das chuvas), a acessibilidade, etc. Os aspectos qualitativos podem também ser quantificáveis através de parâmetros (os decibéis que medem a intensidade de conforto sonoro, o lux, como medida do conforto da iluminação, etc.) (Id., ibid., p. 44).

403 Aspectos figurativos – Relacionam-se com a comunicação estética (Id., ibid., p. 44). 404 Id., ibid., p. 44.

Na opinião de Lynch, a forma urbana pode ser desmembrada em diferentes partes como uma hierarquia de elementos morfológicos interligados, os quais se organizam de acordo com o seu nível de atuação e função. Os elementos morfológicos podem se referir a formas físicas, passíveis de uma classificação conveniente em cinco tipos de elementos: vias405, limites406, bairros407, cruzamentos408 e pontos

marcantes409. Nenhum desses elementos morfológicos, no entanto, ocorrem

isoladamente, pois são elementos que se sobrepõem e se interligam entre si constantemente, sendo essenciais no processo de construção de estruturas da forma urbana410.

Salat411 apoia essa visão segregada e considera a morfologia urbana composta

por uma sobreposição de seis estratos que interagem entre si. Os estratos que correspondem às pessoas e respectivas atividades (interações sociais), às redes de ruas e à malha viária da cidade, ao estudo dos lotes e das parcelas, à topografia e ao relevo do terreno, ao uso dos solos e distribuição das atividades e, finalmente, à cidade em três dimensões. Tem ainda em conta, os fatores climáticos e o estudo morfológico do espaço construído.

A morfologia urbana supõe a convergência e a utilização de dados habitualmente recolhidos por disciplinas diferentes (Economia, Sociologia, História, Geografia, Arquitetura, etc.) a fim de explicar um fato concreto: a cidade como fenômeno físico e construído.

Essa explicação visa a compreensão total da forma urbana e do seu processo de formação. No aspecto arquitetônico, muitas vezes as palavras morfologia e forma são usadas indistintamente e sem diferenciação de significado. Importa clarificar que

405 As vias podem ser ruas, passeios, faixas de trânsito, canais, caminhos de ferro (LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. Lisboa: Edições 70, 2014, p. 52).

406 Os limites são as fronteiras entre duas partes, interrupções lineares na continuidade, costas marítimas ou fluviais, cortes do caminho de ferro, paredes, locais de desenvolvimento (Id., ibid., p. 52). 407 Os bairros são regiões urbanas de tamanho médio ou grande, concebidos como uma extensão bidimensional; são sempre passíveis de identificação do lado interior e, também, do exterior, no caso de se poderem notar, com diferenças de indivíduo para indivíduo. (Id., ibid., pp. 52-53).

408 Os cruzamentos são pontos, locais estratégicos de uma cidade, através dos quais o observador nela pode entrar, e constituem focos intensivos para os quais e dos quais ele se desloca. Podem ser essencialmente junções, locais de interrupção num transporte, um entrecruzar ou convergir de vias, momentos de mudança de uma estrutura para outra. Os cruzamentos podem, também, ser simples concentrações que se revestem de importância por serem a condensação de alguns hábitos ou pelo seu carácter físico, tais como a esquina de uma rua ou um largo rodeado de outros elementos. (Id., ibid., p. 53).

409 Os pontos marcantes são normalmente representados por um objeto físico, definido de um modo simples: edifício, sinal, loja ou montanha. O seu uso implica a sua distinção e evidência em relação a uma quantidade enorme de outros elementos. (Id., ibid., p. 53).

410 Id., ibid., pp. 52-53.

411 SALAT, Serge. Les villes et les formes: sur l’urbanisme durable (Hermann). CSTB – Laboratoire des Morphologies Urbaines, 2011.

a morfologia urbana é a disciplina que estuda o objeto, a forma urbana, nas suas características exteriores, físicas, e na sua evolução no tempo412.

De acordo com Lamas413, no campo de estudo da morfologia a totalidade do

território será um lugar de transformações produzidas pelo homem ou, em outras palavras, todo o território será lugar de intervenção da arquitetura. A organização formal do território, porém, não ocorre exclusivamente pela organização de atividades humanas, mas se situa, também, em dimensões e escalas que ultrapassam a área ocupada por edificações, utilizando outros elementos morfológicos.

Ao longo da História, essas teorias foram ganhando formas ou composição urbana, podendo ser chamadas de desenho urbano, com seus devidos planos ou projetos de cidade, com diferentes construções e paisagens. Os primeiros estudos foram realizados por historiadores da arte e geógrafos que se preocupavam com as grandes transformações nas principais capitais e grandes cidades brasileiras414.

Na concepção de Morais:

O desenho urbano se relaciona às diferentes partes da forma urbana, pressupondo a avaliação dos conteúdos da própria dimensão física, nomeadamente constituem elementos do meio urbano como o solo, a edificação, o lote, o quarteirão (dispositivo morfológico), a tipologia edificatória, a rua, a praça, os espaços arborizados e o mobiliário urbano415.

O desenho urbano toma lugar aderente à História, pois é manifestado por meio das tipologias urbanas, caracterizado entre o físico, social e cultural, contribuindo com os elementos morfológicos da cidade.

Com relação às paisagens urbanas, Panerai destaca:

De “À nous deux Paris” de Rastignac – em ilusões perdidas de Balzac – às observações de Roland Barthes sobre a Torre Eiffel, a contemplação da cidade como espetáculo, como uma paisagem que se estende diante de nós, possui uma longa tradição. Alimentada por mapas em relevo, perspectivas a cavaleiro e vistas à vol d'oiseau, panoramas e cartões postais, ilustrações de tampas de caixas e globos terrestres nevados, essa tradição favorece a divulgação de imagens. E assim, mesmo sem lá ter estado, foi conhecido Roma vista da Trindade dos Montes, Istambul vista da Torre de Gálata, Barcelona do Monjuic, ou o Rio de Janeiro do alto do Corcovado. A visão é global, e o observador fica do lado de fora do espetáculo416.

412 LAMAS, José M. Ressano Garcia. Op. cit., 2011, p. 38. 413 Id., ibid., p. 70.

414 SILVA, Quentin José Manuel Blanpain. A análise da forma urbana como instrumento de avaliação da sustentabilidade. Lisboa: Técnico Lisboa, 2015, p. 19. Disponível em: <https://fenix.tecnico. ulisboa.pt/downloadFile/1970719973966053/Dissertacao%20Quentin%20Silva.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2018.

415 MORAIS, João Sousa. Op. cit., 2007, p. 69. 416 PANERAI, Philippe. Op. cit., 2014, p. 25.

Observa-se, com isso, que as paisagens urbanas são marcadas pela história, cultura e arquitetura de cada cidade, bem como pela forma como foram desenvolvidas, deixando um legado para ser lembrado, apreciado e até mesmo para orientar a formação de outras cidades, considerando a cultura e a arquitetura na forma urbana.

A forma urbana, portanto, é um processo contínuo e, ainda que seja possível descrever ou caracterizar uma cidade em um determinado período, bem como compreender seus elementos, tipologias, traçados e paisagens urbanas, não se pode negligenciar estudos anteriores, incluindo ideias e teorias que condicionaram o desenvolvimento da forma urbana e a arquitetura417.

Dentro da revisão crítica destaca-se o Movimento Moderno, cujas ideias se consolidaram como um campo de reflexão da teoria da arquitetura. Capel418 apresenta

uma síntese dessa trajetória desde as diferentes disciplinas. Na Alemanha, segundo o autor, os estudos sobre Morfologia Urbana iniciaram a partir do século XX. Capel cita os trabalhos de Otto Schlüter, que introduziu o conceito de paisagem cultural (Kulturlandschaft). Ainda, segundo o autor:

Na segunda década do século XX seguem os estudos de Siegfried Passargue sobre as paisagens regionais. Nessa linha se realiza, tanto na Alemanha como na Áustria, grande número de investigações de geografia urbana em que estavam presentes de forma destacada a morfologia e a paisagem da cidade. Desde 1916, H. Hassinger estudou os edifícios de Viena, tratando de classificá-los segundo a época de construção, a partir da Idade Média, elaborando mapas de conjunto que culminaram em um atlas histórico dessa capital419.

Capel faz um balanço dos estudos da Morfologia Urbana durante a primeira metade do século XX, destacando os seguintes aspectos:

Primeiro, a atenção à evolução histórica da cidade e aos estágios da formação do plano urbano, com as principais fases do crescimento. Por outro lado, a atenção aos tipos de planos (espontâneo ou irregular e planejado, e dentro deles o ortogonal, linear ou radiocêntrico). Em terceiro lugar, a classificação de edifícios de acordo com diferentes tipologias, do número de pisos a materiais de construção ou as formas de telhados e janelas420.

Assim, a forma urbana como o tecido urbano foi abordado pelas principais bases teóricas, representadas por Michael Robert Gunther Conzen (escola anglo-

417 Id., ibid., p. 55.

418 CAPEL, Horacio. La morfología de las ciudades. Inst. Sociedad y Cultura del Paisaje Urbano. Barcelona: Ed. del Seibal, 2013, p. 24.

419 Id., ibid., p. 24. 420 Id., ibid., p. 30.

saxônica), Gianfranco Caniggia (escola Italiana), Antoine-Chrysostome Quatremère de Quincy (escola francesa), e Karl Kropf e Paul Osmond. Por outro lado, o estudo da forma urbana como a forma dos traçados foi desenvolvido pelos geógrafos alemães no período entre as duas guerras.

Para Kropf, o “traçado da Cidade (Town Plan) pode ser definido como a distribuição espacial dos recursos artificiais dentro de uma área urbana consolidada”421. O traçado é um dos elementos mais claramente identificáveis tanto

na forma de uma cidade como na sua projeção. Segundo Lamas:

O traçado assenta num suporte geográfico preexistente, regula a disposição dos edifícios e quarteirões, liga os vários espaços e partes urbanas. O traçado é encontrado em assentamentos coloniais, nas cidades militares e, de um modo geral, em todas as cidades planejadas. O traçado também estabelece a relação mais direta de assentamento entre a cidade e o território, pois relaciona-se diretamente com a formação e o crescimento da cidade de modo hierarquizado, em função da importância funcional, da deslocação, do percurso e da mobilidade de bens, de pessoas, da arquitetura, intervindo no planejamento e organização da forma urbana a diferentes dimensões422.

Entende-se, pois, que o traçado existe como elemento morfológico em vários níveis ou escalas da forma urbana, como ruas entre edifícios, bairros, quarteirões, travessas, avenidas ou vias rápidas, contribuindo com as suas diferentes formas.

Para Moudon,asanálisesmorfológicas são realizadas a partir de três princípios: 1) A forma urbana é definida por três elementos físicos fundamentais: os edifícios e os seus espaços abertos envolventes, lotes e ruas. 2) A forma urbana pode ser entendida em diferentes níveis de resolução. De forma geral reconhecem-se quatro: o Edifício/Lote, a Rua/Quarteirão, a Cidade, e a Região. 3) A forma urbana pode unicamente ser entendida de forma histórica, desde que os seus elementos constituintes se submetem a transformações e substituições contínuas423.

A identificação dos elementos morfológicos pressupõe conhecer as partes da forma e o modo como se estruturam os espaços urbanos e a arquitetura424. Essa

hierarquia de elementos que estruturam a forma urbana fica clara na ilustração de Osmond (Figura 58).

421 KROPF, Karl S. Op. cit., 1993, p. 50.

422 LAMAS, José M. Ressano Garcia. Op. cit., 2011, p. 100.

423 MOUDON,AnneVernez.Urbanmorphologyasanemerginginterdisciplinaryfield. Urban Morphology, 1997, v. 1, p. 7.

Figura 58. Representação esquemática de uma hierarquia da forma urbana

Fonte: Osmond (2006)425.

A partir disso, procura-se realizar uma abordagem do estudo da Morfologia Urbana com base nas principais escolas: a italiana, a francesa e a anglo-saxônica.

Escola Italiana

A escola italiana, representada pelo arquiteto Saverio Muratori426, caracteriza-

se fortemente pela preocupação com o futuro das históricas cidades italianas, com fortes ressalvas às intervenções do movimento moderno e suas implicações futuras. A escola “Muratoriana”, originada nas investigações de Saverio Muratori (1910-1973) e de Gianfranco Caniggia (1933-1987), na década de 1940, almejou uma “teoria do projeto”, fundamentada na análise da cidade existente427.

Muratori, em sua obra Studi per una Operante Storia di Veneza (1960), utiliza- se dos conceitos de Lavedan sobre as cidades históricas e a evolução urbana de Venezia. O estudo da cidade de Veneza (1959) foi uma obra muito marcante, em que o conhecimento rigoroso e pormenorizado dos edifícios foi a sua base de trabalho. O uso de “tipos”, assim, é a principal ferramenta para o reconhecimento dos períodos históricos e para a caracterização dos tecidos urbanos428.

Panerai429 salienta que o tecido urbano é a sobreposição de várias estruturas

agindo em diferentes níveis, articulado com cada parte da cidade: vias, dentro do papel duplo de movimento e distribuição; parcelamento do solo, que define as questões fundiárias e onde se encontram as iniciativas privadas e públicas; e as

425 OSMOND, Paul. Morphological classification as a common basis for analysis of urban metabolism and ambience. Energy, Material, Urban Environment (EMUE). Conference, Paris, France, 2006, p. 4. 426 Saverio Muratori nasceu em Modena, em 31/08/2010. Entrou para Escola de Arquitetura de Roma onde se formou em 1933 (MURATORI, Saverio. Disponível em: <http://saveriomuratori.blogspot.com. br/>. Acesso em: maio 2018).

427 SILVA, Quentin José Manuel Blanpain. Op. cit., 2015, p. 16. 428 MOUDON, Anne Vernez. Op. cit., 1997, p. 8.

edificações, que acomodam diferentes atividades. Lynch430 salienta, também, que no

interior de um tecido urbano pode-se distinguir elementos singulares, chamados feitos urbanos como, por exemplo, os monumentos, equipamentos, objetos excepcionais, os quais desempenham importante papel na estruturação da forma urbana enquanto elemento de controle de cada tecido.

Trabalhos importantes seguem os conceitos estabelecidos por esta escola, como dos arquitetos Aldo Rossi (1931-1997) e Carlo Aymonino (1926-2010). Seus respectivos textos “A Arquitetura da Cidade” (1966) e “O Significado das Cidades” (1975) encontraram ampla divulgação internacional. Rossi, em sua obra, promoveu um retorno aos tipos de construções tradicionais, acendendo um interesse renovado pelos centros históricos e promovendo a sua significância na arquitetura. A mensagem de Rossi ecoou entre todos os arquitetos britânicos, americanos e franceses431.

As investigações sobre a evolução das cidades pré-industriais na Itália, realizadas na década de 1960, introduziram definitivamente a análise da forma urbana no campo disciplinar da Arquitetura e Urbanismo. O arquiteto italiano Gianfranco

Caniggia deu continuidade à tradição “Muratoriana”, que passou a ser denominada

de “Processo Tipológico”, e significa “o reconhecimento da existência do tipo e das suas respectivas mudanças consecutivas ao longo do tempo”432.

Essa classificação focou o seu objeto de estudo nos tipos de edifícios, considerados por Gianfranco Caniggia como elemento de base da forma urbana433.

O tipo básico é a edificação considerada síntese da cultura local e que pode ser reconhecida por meio das suas transformações, todas baseadas num princípio comum, que se amplia ou reduz, mantendo o formato inicial, perceptível através da análise morfológica434.

O arquiteto propôs uma nova abordagem para o planejamento arquitetônico e urbano com base na compreensão do ambiente construído, no exame aprofundado de suas estruturas e do seu histórico processo formativo (Figura 59).

430 LYNCH, Kevin. Op. cit., 2014, pp. 86-87. 431 MOUDON, Anne Vernez. Op. cit., 1997, p. 8.

432 PEREIRA COSTA, Stael de Alvarenga; SAFE, Simone M.S.; CASTRO, Cleide. Reflexões sobre a Escola Italiana de Morfologia Urbana. In: II CONINTER. Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades. Belo Horizonte, 2013, p. 7. Disponivel em: <http://www.aninter.com.br/ANAIS %20II%20Coninter/artigos/876.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2018.

433 MOUDON, Anne Vernez. Op. cit., 1997, p. 9.

Figura 59. O processo tipológico da escola italiana

Fonte: Gallarati Architetti (2018)435.

Escola Francesa

A escola francesa, assim como a escola italiana, apareceu em reação aos resultados da Arquitetura Moderna. Tem origem nas reflexões sobre a cidade, nos ramos da Geografia e História, de Antoine-Chrysostome Quatremère de Quincy (1755-1849), e da contribuição do sociólogo Henri Lefebvre (1901-1991). Antoine- Chrysostome Quatremère de Quincy foi escultor, arquiteto e acadêmico (Académie des Beaux-Arts) e dedicou sua carreira à criação de um corpus disciplinar para as Artes e a Arquitetura. Foi autor de numerosos artigos e livros. Entre 1788 e 1825 editou a sua obra mais importante, a "Encyclopédie Méthodique", com a qual contribuiu com muitos textos. No terceiro volume dessa enciclopédia, Quatremère de Quincy definiu formalmente o conceito de tipo, relacionando-o às noções de caráter, imitação, decoro e origem da Arquitetura436.

Por volta de 1960, os arquitetos Philippe Panerai e Jean Castex, em parceria com o sociólogo Jean-Charles De Paule, fundaram a Escola de Arquitetura em Versailles, como parte da dissolução das Belas Artes (Beaux-Arts). Procuraram consolidar uma nova “disciplina” com duplo objetivo: primeiro, uma investigação descritiva multidisciplinar do espaço construído a fim de reconhecer os ingredientes de um bom desenho; e, segundo, a identificação e crítica de modelos teóricos de “desenho urbano” enquanto “ideias” e “práticas”437.

435 GALLARATI ARCHITETTI. Scuola italiana di tipologia processuale. Disponível em: <http://www.

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