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Ao longo desta análise, focaremos a prevenção primária da obesidade e baixo

peso, descrevendo quais os principais eixos e estratégias descritas como de

primeira linha para a diminuição da prevalência destas patologias2,39,80.

Segundo a OMS, a prevenção de doenças como a obesidade e o baixo peso

devem ter foco na prevenção primária2,39.

O desenvolvimento destas patologias na infância pode estar associado a

comorbilidades para a criança, que podem transitar para a vida adulta , tornando-se

49 Os primeiros níveis de prevenção permitem-nos não só evitar o

desenvolvimento das patologias descritas, como trabalhar, precocemente, na sua

regressão. Só investindo na prevenção primária e secundária se podem obter

ganhos efetivos em saúde. Ações que visem resolver os problemas

prematuramente, ou evitar o seu desenvolvimento, podem proporcionar um

incremento da saúde pública e um menor gasto económico com o tratamento das

comorbilidades associadas, tornando, consequentemente, a população mais

produtiva, mais ativa, e aumentando a sua qualidade de vida e o seu bem-estar

geral2,11,41,69.

A etiologia destas doenças mostra também que os fatores

modificáveis/exógenos têm um papel determinante no seu desenvolvimento e

progressão, devendo constituir o foco principal das intervenções preventivas13,83.

Fatores como o ambiente, o acesso a alimentos seguros e adequados

nutricionalmente, e o aumento da literacia em alimentação e nutrição são apontados

como os eixos a investir, quando o objetivo é a regressão de problemáticas como a

obesidade e o baixo peso6,9,41.

As crianças estão sujeitas à influência de várias dinâmicas ambientais e de

diferentes meios que já foram anteriormente tratados. Colocada a importância do

meio ambiente no comportamento alimentar do indivíduo, torna-se imperativo que a

família, a escola e as organismos e organizações da sociedade assumam as suas

responsabilidades no processo preventivo, pois são peças fundamentais no controle

50 No que diz respeito ao comportamento alimentar dos indivíduos, é importante

que os meios onde a criança está inserida possam proporcionar um ambiente

alimentar promotor de uma alimentação saudável, adequada às suas necessidades

nutricionais e energéticas41.

Sabe-se que um ambiente obesogénico ou de escassez de recursos

alimentares influencia/ limita fortemente as escolhas alimentares das crianças. Os

meios onde os indivíduos se inserem são altamente relevantes, pois fazem parte de

uma sinergia que é capaz de mudar comportamentos e modelar gostos a longo

prazo, influenciando positivamente a ingestão alimentar das crianças6,11.

Urge investir-se ao nível da prevenção, focando-nos nas determinantes do

comportamento alimentar que serão abordadas ao longo deste trabalho. Seja no

meio familiar, social ou escolar, há uma grande necessidade de intervenções que

visem prevenir os quadros patológicos apresentados, pelo que investir-se na

melhoria dos meios onde as crianças se inserem, são prioridades definidas pela

OMS como preponderantes para o sucesso da prevenção e regressão destes

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4 Alimentação escolar: intervenientes e responsáveis

Ao nível da RAA (Região Autónoma dos Açores), a alimentação nas escolas, no que diz respeito à oferta de refeições e funcionamento dos bares, é gerida autonomamente por cada escola, sob a tutela política, à data da execução deste trabalho, da Direcção Regional da Educação (DRE)107.

A DRE tem por competência a emanação de recomendações alimentares, a definição de modelos de contratualização de refeições escolares, assim como de fiscalização, junto dos estabelecimentos de ensino, do cumprimento das orientações e diretrizes gerais adotadas107,108.

A educação para a saúde é, na RAA, gerida pela Direcção Regional de Saúde (DRS) em integração com a DRE47.

É através do Programa Regional de Saúde Infanto-Juvenil (PRSIJ) que são definidas as diretrizes gerais a colocar em prática, pelo que ao nível específico da alimentação não existe, na região, nenhum plano ou programa de ação estruturado para intervenção nas escolas47.

O PRSIJ contempla temáticas em que se deve investir ao nível da saúde, sendo todas as atividades definidas pelas equipas de saúde escolar locais, não havendo directrizes para a criação de planos e programas de intervenção nas temáticas destacadas como prioritárias47.

Esta organização, baseada em atividades pontuais, em detrimento da criação de programas na temática da alimentação, e em recomendações em prejuízo de

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legislação que não seja de carácter opcional ou de dúbia interpretação, colocam alguns problemas operacionais. Atualmente, na esfera regional, a temática da alimentação nas escolas é deixada à responsabilidade da gestão de cada executivo escolar, transferindo para estes órgãos uma responsabilidade que requer competências técnicas em matéria de alimentação e nutrição que eles não têm condições para assumir, e que pode comprometer a execução de medidas de referência para uma abordagem integrada do tema da alimentação64,65.

Ao nível regional, existem muitos aspectos positivos em contexto organizacional e de gestão da temática da alimentação nas escolas. Será de destacar a presença de nutricionistas nas tutelas da educação e nos centros de saúde, que por sua vez integram equipas multidisciplinares que envolvem as equipas de saúde escolar. No entanto, quando nos confrontamos com a necessidade plasmada pelas entidades de saúde nacionais e internacionais da colocação da alimentação como assunto central, alvo de legislação objetiva, de políticas governamentais e de gestão por profissionais especialistas nesta temática, podemos considerar que o sistema de gestão regional deve redireccionar-se e caminhar neste sentido21,24,58,60,109.

As refeições escolares foram, gradualmente, passando de sistemas de gestão própria de refeições (gestão efetuada por cada escola, com preparação, confecção e distribuição de refeições) para sistemas onde é feita a contratualização de refeições a empresas de restauração coletiva44.

A qualidade das refeições servidas nos antigos sistemas de gestão própria não pode ser comparada com a das refeições fornecidas atualmente pelas empresas de restauração coletiva, uma vez que não existem estudos ou dados que nos permitam

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fazer esta análise. No entanto, após ter-se acesso aos contratos públicos e respetivos cadernos de encargos, podemos aferir que o preço actual de contratualização das refeições escolares pode representar uma dificuldade no cumprimento das recomendações alimentares relativas às refeições escolares76,110.

Esta é uma preocupação que deve ser tida em conta quando se levanta a questão da responsabilização das tutelas na qualidade da alimentação das crianças em meio escolar107.

As tutelas deverão revisitar estas questões e definir um sistema organizado de gestão que permita, através de pressupostos documentados pela evidência científica nesta matéria, criar meios escolares efetivos na prática e promoção de uma alimentação adequada. Os profissionais da área da nutrição devem colocar à disposição dos organismos da tutela qual a estrutura de ação em ambiente escolar que deverá ser adotada, cabendo às escolas, aos seus executivos e aos docentes e não docentes o papel de a respeitar e colocar em prática. Posto isto, não deverão ser invertidos os papéis definidos em prol de uma organização clara, assente em bases que visem uma promoção integral e integrada da alimentação saudável em contexto escolar5,23,56,64.

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5 Métodos de avaliação da oferta alimentar em ambiente escolar