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CHAPTER 6 – PARK MANAGEMENT CULTURE

6.2 Management culture in MINAPA

6.2.3 Perceptions

6.2.3.2 Internal and external stakeholders‟ perception of MINAPA

Ao considerar o surgimento do metodismo na Inglaterra do século XVIII, é mister compreender os contextos social, político, econômico e eclesial e avaliar as possíveis condições que contribuíram para a gestação do movimento metodista e sua inserção no espaço público.

Os primórdios do metodismo se dão na Inglaterra do século XVIII que, em período precedente, devido à experiência de duas revoluções, tornara-se a primeira nação a entrar na era moderna. A primeira revolução depôs Charles I e culminou com sua

execução (1649); a segunda exigiu de seu filho Jaques II o abandono do trono (1649) e o refúgio na França (MESQUIDA, 1994, p.94). Em termos políticos, esse fato foi de suma importância, pois proporcionou o aumento de poder do Parlamento, o qual, devido à política liberal desenvolvida pelos reis George I (1714-1727) e George II (1727-1760), consolidou o processo de modernização na Inglaterra. Mesquida assinala que essa experiência deixou uma lição: “a modernização econômica só é possível mediante a democratização política” (1994, p.94).

Esse processo de modernização inglesa provoca significativas mudanças na vida dos indivíduos e de toda a nação. A dinâmica econômica inglesa, caracterizada até então pela estrutura agrária, passa a se desenvolver em função da indústria. O século XVIII, aponta Franz Hinkelammert, representa para a Inglaterra “o século no qual a economia inglesa se transforma no centro da economia mundial; o século no qual o império colonial inglês se constitui em império dominante e em que se acham as bases da industrialização inglesa”.3

Toda essa dinâmica de modernização, denominada Revolução Industrial, além de alterar os meios de produção artesanal da Inglaterra, também torna a mão-de-obra na pecuária desprezível, gerando um expressivo êxodo rural. O século XVIII é marcado por uma grande e contínua migração de pobres para cidade e de ricos para o campo. Outrossim, o processo da privatização da propriedade agrária expulsa as famílias das terras e provoca o inchaço das cidades (SOUZA, 1991, p.9-10).

Nesse tempo, a estrutura social inglesa era, de acordo com Mesquida, constituída da “aristocracia, da pequena burguesia, dos pequenos industriais, dos pequenos comerciantes, dos mineiros, bem como da grande massa, ‘os pobres, que G. King estimava, em fins do século XVII, constituírem metade da população’” (1994, p.94). Dois partidos compunham o parlamento inglês, Tory e Whig. Embora distintos quanto aos interesses políticos e econômicos, eram, na verdade, conservadores.

3 A vitória da Inglaterra sobre a França na guerra pela conquista de Bengala, região-chave para a dominação do

que hoje é a Índia e Paquistão, foi um acontecimento crucial para a formação do império mundial inglês. Também é no século XVIII que se inicia uma influência inglesa cada vez maior sobre a América, mesmo perdendo seu poder na América do Norte, afirma sua influência na América Latina e no Caribe. É nesse sentido, afirma Franz Hinkelammert, que a guerra de independência na América Latina tem a característica de ser “uma guerra de substituição da dependência espanhola para a inglesa, o que implica numa mudança do tipo de dependência: de um país não-industrializado a um país industrializado”. Cf. HINKELAMMERT, Franz, Las condições econômico-sociales del metodismo em la Inglaterra del siglo XVIII. In: José DUQUE et all. La tradición protestante em la teologia latinoamericana. 1983, p. 21.

Segundo bem afirmou Mesquida, “todas as mudanças que proclamavam objetivavam tão somente satisfazer aos grupos dominantes” (1994, p.94). 4

A realidade era difícil e trouxe complicados desdobramentos sociais, descritos assim por Franz Hinkelammert:

Aparece então uma crise social enorme que afeta grande parte da população e leva ao problema da vadiagem. O camponês que perdeu sua terra começa a vagar, busca onde se refugiar na cidade, mas a dinâmica da produção industrial têxtil não é de nenhuma maneira capaz de absorvê-lo. Então esse camponês chegado do campo forma uma população sobrante, migrante e sumamente sem raiz. E frente à vadiagem, o governo não tem outra maneira de reagir senão com a repressão. As “leis contra a vadiagem” se encontram entre as mais cruéis da história moderna (1993, p. 24).

Essa realidade é caracterizada pelo rápido crescimento da economia, possibilitando a prosperidade do mercantilismo. Também é o período de surgimento dos empresários e do proletariado urbano. Mesquida sintetiza assim esse momento:

As descobertas científicas e técnicas contribuíram para o acúmulo do capital financeiro e para o aparecimento de uma nova classe social: os empresários. Estes fundaram indústrias e as organizaram sob o sistema da divisão de trabalho, utilizando “racionalmente” o capital e as novas descobertas. Ao mesmo tempo em que o crescimento demográfico se acelerava, as cidades “inchavam” com o surgimento de uma enorme massa de trabalhadores atraídos pelas “maravilhas” urbanas. Nas minas, esses trabalhadores eram submetidos a um regime selvagem de exploração da força de trabalho que os obrigava a trabalhar de doze a dezesseis horas por dia. Como as cidades não tinham infra-estrutura para os acolher, homens e crianças eram obrigados a viver na promiscuidade das favelas sem nenhuma proteção contra as doenças. Este proletariado urbano, para aliviar sua situação de penúria, fazia uso do álcool ao mesmo tempo que, para sobreviver, apelava para a mendicância, a prostituição, o roubo (1994, p.94-95).

Nesse contexto, a Igreja Anglicana representava mais uma instituição política que religiosa. Insensível à crítica realidade social, estava mais próxima dos anseios das elites do que das necessidades dos pobres. Era uma igreja caracterizada pelo

4 Dentro dessa mesma análise, Clory T. de Oliveira destaca que os partidos constituíam o mesmo lado de uma

moeda. Cf. OLIVEIRA, Clory T. de. Aspectos políticos e ideológicos do metodismo brasileiro. In: BONINO, José Míguez, et all. Luta pela vida e evangelização, 1985, p.34.

clericalismo e pelo formalismo religioso e litúrgico (MESQUIDA, 1994, p. 95). Diante desse quadro, surge o movimento metodista que, por meio de uma experiência pessoal, como veremos mais adiante, procura responder às necessidades humanas imediatas que apresentam os operários, levando sentido e esperança em meio a essa nova realidade socioeconômica e urbana trazida pela Revolução Industrial. Não faltou em Wesley “a nota profética relativa aos graves problemas da nascente sociedade industrial” (BONINO, 1983, p. 16).

Wesley estava claramente consciente dos novos temas que foram suscitados com o surgimento da nova realidade urbana emergente. Manifesta-se contra a pobreza e rechaça as explicações tradicionais de que ela é fruto do destino ou consequência da preguiça ou vícios. Em seu entendimento, tais explicações são “perversas e diabólicas”. A privatização da propriedade, que deixa milhares de camponeses sem terra, é tenazmente denunciada por ele.

A avareza, que busca prosperar a qualquer preço, também é criticada. Há uma preocupação com os metodistas que prosperam economicamente, pois correm o risco de “pôr seu coração” nas riquezas. De maneira incisiva, denuncia os lucros obtidos de negócios em que o homem é aviltado, como a venda de bebidas alcoólicas e outros nos quais exista exploração, tal como a usura, as casas de penhores, os preços exorbitantes e uma concorrência desleal pela qual cada um “procura arruinar o negócio do próximo para fazer prosperar o seu”. Denuncia o

desemprego e condena radicalmente o tráfico de escravos (BONINO, 1983, p. 9). Por essa razão é que Souza destaca:

Falar da Inglaterra no século XVIII significa falar do império colonial que vai se constituindo nesse momento; significa falar, também, da Revolução Industrial. Por conseguinte, falar de John Wesley (1703- 1791) significa falar exatamente da Inglaterra do século XVIII (1991, p. 9).

O metodismo nascente na Inglaterra “está de um modo bastante natural ligado à história pessoal de John e Charles Wesley” (HEITZENRATER, 1996, p.33). Embora não seja fácil pontuar o começo do metodismo, pois foi um movimento que surgiu de forma espontânea e sem qualquer projeto ou preconcepção, João Wesley, ao decidir escrever a história do povo chamado metodista, em sua História Eclesiástica,

destaca três etapas no desenvolvimento inicial do metodismo: Oxford, Geórgia e Londres (HEITZENRATER, 1996, p.33).