CHAPTER 5 – PARK MANAGEMENT STRUCTURE
5.2 MINAPA management structure
5.2.2 Social structure of MINAPA
5.2.2.3 Formal rules and procedures
A época de Ellen White foi marcada por alto grau de imoralidade no meio social. Todos os tipos de atitudes degradantes da humanidade eram vistas acontecer em todos os aspectos relacionados à vida em comunidade. Violência, miséria, vícios, ócio e outros tantos dissabores apenas anunciavam os primeiros resultados diretos do processo de industrialização famigerada, que havia provocado o acúmulo de pessoas nas cidades e o alto nível de desemprego resultante.
205MCARTHUR, Benjamin. Divirtiendo a Las Masas. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White.
1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 203, com tradução própria.
206 WHITE, Ellen G. Testemunhos Seletos 3. Tradução de Isolina A. Waldvogel e Rafael de A. Butler. 5. ed.
Para se ter uma ideia da violência em Portland, cidade onde Ellen White vivia por volta da metade do século XIX, registra-se abaixo a transcrição de um informe oficial da polícia da época:
O informe carcerário desta prisão durante 1843 revela os tipos de crimes que se cometiam no Maine: roubos (39 dos 63 prisioneiros aos 31 de dezembro de 1863); incêndio (5); estupro (4); roubos com uso de escadas (3); dois por adultério, tráfico de dinheiro falsificado e falsificação de documentos; e um por assassinato com redução de pena; um por assassinato à espera de sentença de morte; um por homicídio sem premeditação; um por homicídio; um por perjúrio; e um por agravo premeditado.207
Somando-se a tal quadro de violência, e ao mesmo tempo sendo uma de suas causas diretas, estava a miséria causada pelo distanciamento crescente entre ricos e pobres. Os historiadores relatam com clareza a situação e suas causas ao informar que:
As fortunas de alguns estavam acompanhadas pela pobreza alarmante de muitos. A corrupção brotava energicamente no porto, enquanto muitos clamavam por reformas. A sociedade culta aumentava em número; e ao mesmo tempo em vários setores do porto florescia o crime e os bairros pobres se enchiam mais e mais. Com muita frequência, surgiam pelejas e conflitos; de vez em quando, alguém sacava um revólver ou uma pistola para resolver uma disputa. O jornal de Portland noticiava diariamente os roubos de cavalos, trenós, vacas, roupas e comida [...]. Em 1837, o editor do jornal de Portland informava que uma criança de 10 anos de idade havia atirado uma pedra em seu companheiro, deixando-o inconsciente, e em seu editorial insistia que Portland necessitava urgentemente de um lar para crianças delinquentes.208
Em meio a esse quadro, enquanto os ricos multiplicavam seus recursos nos investimentos comerciais e industriais, os pobres amargavam o trabalho excessivo para não morrer de fome. Num ambiente desses, a pobreza se tornara inevitável, e com ela logo veio o aumento do número de doentes, de viúvas, de órfãos, de loucos, de deficientes físicos e mentais, de alcoólatras, de consumidores das drogas daquele tempo, como o ópio, e de indigentes de todo o tipo. Houve considerável aumento geral do quadro de pessoas em
207 HOYT, Frederick. La Ciudad Natal de Elena G. de White: Portland, Maine, 1827-1846. In: LAND, Gary y
Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 20, com tradução própria.
208 SEPÚLVEDA, Ciro. Elena G. de White: Lo Que No Se Contó. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Associación
situação de extrema fragilidade social, ora vítimas das condições urbanas, ora influenciadas pelo alto grau de corrupção moral quase generalizada.209
Violência, miséria e desvios de condutas de variadas formas, como mentira, adultério, prostituição, corrupção, injustiça, exploração, etc. estavam entre as práticas comuns no meio norte-americano da época de Ellen White. Os relatos históricos mostram que, à medida que o século transcorria, as transformações sociais que nele ocorreram iam afastando a sociedade norte-americana de seu puritanismo e mudando suas ideias e hábitos de vida. Cada vez mais a sociedade ia se modificando, assumindo uma prática cotidiana que nada mais era do que o reflexo do novo estilo de vida urbano, industrial, consumista e materialista, pelo qual o urbanismo optara. A nova onda de imoralidade social, que até pouco tempo antes não era conhecida no campo, agora crescia nas cidades, estabelecendo novos valores que afetariam também as populações campesinas, ainda que de forma menos intensa. Diz-se que nesse tempo “os valores tradicionais desapareciam de um dia para o outro. O respeito que os jovens tinham pelos anciãos se extinguia lentamente. Os vícios, o crime, a delinquência juvenil, o roubo e um sem número de anormalidades que não se conheciam no campo floresciam na cidade”210.
Um estilo de vida assim dirigido logo evidenciou o grave problema moral no qual a Nação estava se afundando. O desconhecido mundo do capitalismo selvagem estava eliminando o senso individual e social dos princípios morais sobre os quais a Nação havia sido fundada e erguida. As crescentes anomalias sociais, como os crimes de todas as formas, estavam a evidenciar uma realidade que não podia mais ser passada por alto. A Nação estava degradada moralmente como reflexo da condição moral de seu próprio povo. E isso era evidente na imoralidade social percebida de Leste a Oeste e de Norte a Sul, em todas as camadas sociais. Inúmeros foram os protestos acerca de tal situação. Dentre eles, figura o de Ellen White, que, reconhecendo a situação moral do povo norte-americano de seu tempo, assim se manifestou:
O aumento constante da maldade obstinada está produzindo rápido e quase generalizado senso de culpa nos habitantes das cidades. Predomina atualmente uma “epidemia de crimes” que abate o coração dos sensatos e tementes a Deus. A corrupção dominante está além da capacidade humana
209 HOYT, Frederick. La Ciudad Natal de Elena G. de White: Portland, Maine, 1827-1846. In: LAND, Gary y
Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 20-21.
210 SEPÚLVEDA, Ciro. Elena G. de White: Lo Que No Se Contó. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación
de descrevê-la. Cada dia traz novas revelações de dissensões, corrupção e fraude que campeiam na política; cada dia traz seu doloroso contingente de violências e infrações da lei, de indiferença para com o sofrimento humano, de brutal e diabólico extermínio da vida humana. Cada dia é testemunha do aumento da loucura, homicídio e suicídio.211
Pelo que indicam as advertências registradas pela autora, a licenciosidade e a promiscuidade eram de tal forma ocorrentes no meio social, que não tinham mais dia nem hora para serem praticadas. A situação havia chegado ao ponto de muitos deixarem seus deveres cotidianos para se entregarem diuturnamente às luxúrias e prazeres egoístas dos vícios, e isso ao custo de seu próprio emprego, da família, da saúde, etc. Nesse sentido, pontua a autora:
As cidades modernas estão rapidamente se transformando em Sodomas e Gomorras. Numerosos são os dias de folga; as ondas da agitação e do prazer desviam milhares de pessoas dos austeros deveres da vida. Os esportes enervantes – o teatro, as corridas de cavalos, os jogos de azar, as bebidas e as orgias – despertam ao máximo todas as paixões.212
Imoralidades de todos os tipos, notadamente de ordem sexual, motivaram os mais duros protestos e coerentes conselhos de Ellen White em suas obras. A autora demonstrou quanto a esse tema a mesma atenção dada a outros, que a seu tempo encabeçavam as preocupações sociais. Ela reagiu insistentemente, criticando e aconselhando acerca dos excessos que minavam a sobriedade das pessoas da sociedade de seus dias.