CHAPTER 5 – PARK MANAGEMENT STRUCTURE
5.2 MINAPA management structure
5.2.2 Social structure of MINAPA
5.2.2.1 Hierarchy of authority
Outro desafio que a Nação enfrentava nos dias de Ellen White, além dos já mencionados, era o excessivo consumo de álcool e tabaco em suas mais variadas formas. Esses artigos, desde o princípio do século, eram usados pela iniciante medicina173 norte- americana como supostos remédios no tratamento de doenças. Com o passar dos anos, haviam
170 WHITE, Ellen G. Testemunhos para a Igreja – v. 9. Tradução de Hélio L. Grellmann. 1. ed. Tatuí-SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2006, p. 90.
171 WHITE, Ellen G. Patriarcas e Profetas. Tradução de Flávio L. Monteiro. 16. ed. Tatuí-SP: Casa Publicadora
Brasileira, 2003, p. 101-102: “A extravagância invade todas as rodas da sociedade. A integridade é sacrificada pelo luxo e ostentação. Aqueles que se apressam em se fazerem ricos pervertem a justiça e oprimem os pobres; e „corpos‟ e „almas de homens‟ ainda são comprados e vendidos. Fraude, suborno e roubo ostentam-se, sem que sejam repreendidos, nos meios altos e baixos. As edições do prelo estão cheias de relatos de assassínios, crimes cometidos com tanto sangue frio e sem motivos que parece como se todo o instinto de humanidade estivesse extinguido. E estas atrocidades se tornam uma ocorrência tão comum, que dificilmente provocam um comentário ou despertam surpresa”.
172 WHITE, Ellen G. Conselhos Sobre Saúde. Tradução de Almir A. da Fonseca. 4. ed. Tatuí-SP: Casa
Publicadora Brasileira, 1998, p. 25: “Vivemos em meio de uma epidemia de crime, diante da qual ficam estupefatos os homens pensantes e tementes a Deus em toda parte. A corrupção que predomina está além da descrição da pena humana. Cada dia traz novas revelações de conflitos políticos, de subornos e fraudes. Cada dia traz seu doloroso registro de violência e ilegalidade, de indiferença aos sofrimentos do próximo, de brutal e diabólica destruição de vidas humanas. Cada dia testifica do aumento da loucura, do assassínio, do suicídio”.
173 SEPÚLVEDA, Ciro. Elena G. de White: Lo Que No Se Contó. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación
Casa Editora Sudamericana, 1998, p. 44, informa que a medicina norte-americana da época era baseada em “ignorância e superstição”.
se tornado rapidamente as substâncias mais consumidas na Nação, em decorrência de motivos não mais relacionados à saúde.
Quanto ao álcool, os relatos apontam com estatísticas que “O consumo de bebidas alcoólicas também era uma preocupação nacional. Certo historiador descreveu os Estados Unidos como uma „república de alcoólatras‟. O consumo de álcool anual per capita havia subido de 11,3 litros em 1800 para 15,1 litros em 1830”174. Em apenas três décadas, o consumo aumentara 33,5%, fato que, somado à difícil condição social decorrente dos outros problemas enfrentados pela sociedade da época, transformou a Nação em um povo viciado em álcool, cujo consumo aproximava-se aos piores exemplos mundiais da época.
Historiadores afirmam que o vício não respeitava idade, classe social, raça, sexo nem mesmo nacionalidade. Nem sequer a religião foi poupada de tal degradação. Há relato de inúmeras pessoas que abandonaram a vida religiosa por se entregarem ao vício, como também de outras que praticavam o vício e continuavam frequentando as igrejas da época. O álcool era em tal intensidade consumido pelos norte-americanos, que isso mais tarde motivou historiadores a chamarem a nação da primeira metade do século XIX de “república alcoólica”175.
As reações frente a tal situação variavam, indo desde indiferença até militância política em favor da aprovação de leis que proibissem a produção, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas. Uma das primeiras reações sociais foi a criação das chamadas sociedades de temperança, que nos idos de 1835 chegaram a cerca de 8.000 grupos funcionando ativamente em todos os Estados Unidos176. A questão era tão controversa, que mesmo entre os simpatizantes da causa defendida pelas ditas sociedades – dentreeles políticos e empresários – havia divisão de opiniões:
A maioria deles era a favor de uma abstinência parcial, ou seja, a abstinência de bebidas alcoólicas fortes ou destiladas, tais como o uísque, o conhaque e o rum, porém não o vinho, cerveja ou champanhe. Somente uns poucos defendiam a abstinência de todos os tipos de bebidas alcoólicas177.
174 DOUGLASS, Herbert. Mensageira do Senhor. Tradução de José Barbosa da Silva. 3. ed. Tatuí-SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2003, p. 46-47.
175 Além de Herbert Douglass, o historiador CLARK, Jerome L. La Cruzada Antialcohólica. In: LAND, Gary y
Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 147, traz o mesmo relato, que demonstra a intensidade do consumo de álcool por parte dos norte-americanos na época de Ellen White.
176 CLARK, Jerome L. La Cruzada Antialcohólica. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1.
ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 148.
O ativismo das sociedades de temperança ganhou força, e por volta de 1840 o consumo per capita de álcool havia sido reduzido pela metade em relação aos índices da década de 1830, número que ainda se manteria até o fim do século178. Na década de 1850, a campanha contra o álcool já abarcava também um forte ativismo contra as chamadas tabernas ou cantinas, locais onde, além de tal produto, também se oferecia diuturnamente fumo, drogas como ópio, e prostituição sexual179.
Em 1851, o Estado do Maine, no qual Ellen White residia, foi o primeiro a aprovar uma lei de abstinência do álcool em qualquer de suas formas180. Por volta de três anos mais tarde, já em 1854, outros treze Estados haviam aprovado legislações com o mesmo teor181. Nos anos que se seguiram, no entanto, as chamadas forças contrárias, cuja campanha era abertamente antiproibicionista, conseguiram revogar as referidas leis em nove dos quatorze Estados onde já havia restrição. Logo se percebeu que a solução seria dar ao assunto o tratamento devido por uma legislação federal, evitando que a controvérsia fosse tratada no âmbito dos estados.
Na segunda metade do século, enquanto os políticos se embatiam entre aprovações e revogações de leis proibicionistas, a religião se mobilizava com cruzadas contra os vícios e seus lugares de promoção. Assim como acontecia com as leis, inúmeras cantinas eram fechadas, e com o passar dos dias eram reabertas182, num movimento que até o final do século demonstrou a evidente e constante luta entre os interesses financeiros e a saúde pública, como ainda acontece nos dias atuais.
Para a sociedade, ficava cada vez mais claro que eram as cantinas as facilitadoras do vício de todas as formas, os quais à época corrompiam a sociedade em todos os seus níveis. Por isso a campanha anticantinas continuou como parte inseparável da luta antialcoólica para além do século XIX. O sentimento unânime nas ligas e sociedades de temperança era:
178 CLARK, Jerome L. La Cruzada Antialcohólica. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1.
ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 153.
179 SEPÚLVEDA, Ciro. Elena G. de White: Lo Que No Se Contó. 1. ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación
Casa Editora Sudamericana, 1998, p. 129, informa que “A prostituição, ainda que ilegal, floresceu em todas as cidades”, e na p. 178 pontua que “milhares de mulheres sobreviviam vendendo seu corpo como prostitutas.” (tradução própria)
180 CLARK, op. cit., p. 152. 181 Ibid., p. 152.
Sentimos que, como organização, bem podemos convencer as igrejas, as escolas, as organizações de temperança, a consciência e o sentido comum dos homens da erradicação definitiva do hábito de beber por meio da instrução e da persuasão moral se tão-somente conseguirmos acabar com as cantinas. A cantina é a fonte principal do crime. [...] se nos livrarmos das cantinas, poderemos ter esperança de que o tempo, a educação e a propagação da moralidade e das religiões reprovem e erradiquem qualquer outra forma de consumo de álcool.183
Mas nem todos os esforços mencionados impediram que na primeira década do século XX as cantinas se multiplicassem como nunca dantes184. Foi somente no tempo da primeira guerra mundial que o clamor pela temperança encontrou eco na conveniência política do estabelecimento de uma lei seca nacional para os norte-americanos. O preconceito contra os alemães fabricantes de cerveja, a queda na produção de grãos que agora deveriam ser usados apenas como alimentos, e não mais para destilar bebidas, e o clamor apocalíptico das religiosidades que atestavam ser a guerra um aviso de Deus à nação embebida no pecado da intemperança impactaram a consciência política da época, fazendo com que a legislação proibicionista fosse finalmente aprovada.
O resultado veio na redação da décima oitava emenda constitucional norte-americana, que em seu teor proibia “a elaboração, venda ou transporte de bebidas alcoólicas no território dos Estados Unidos”185. A emenda, proposta em nível federal em 1917, seria ratificada apenas dois anos mais tarde e entraria em vigor em 1920186, depois de mais de meio século de ativismo religioso, político e social das sociedades de temperança.
Ellen White morreu em julho de 1915, e por essa razão não chegou a conhecer a referida legislação nacional. Mas a despeito da lei dos homens, ela pode ser considerada uma ativista em favor da Lei de Deus, que, segundo ela, era contrária à fabricação, comercialização, uso ou qualquer forma de conivência com os males do álcool, fumo e outras drogas como o ópio, já consumidas à época. Durante sua vida, ocupou-se em boa parte de suas obras com a questão da temperança, ampliando o assunto de maneira significativa em relação ao que era ensinado pelas ligas de temperança. Enquanto estas últimas se ocupavam apenas de vícios mais degradantes, Ellen White se ocupou de inúmeros outros temas relacionados à saúde humana, cujos maus hábitos, a seu ver, poderiam causar a ruína do
183 CLARK, Jerome L. La Cruzada Antialcohólica. In: LAND, Gary y Otros. El Mundo de Elena G. de White. 1.
ed. Flórida (Buenos Aires): Asociación Casa Editora Sudamericana, 1995, p. 158, com tradução própria.
184 Ibid., p. 158. 185 Ibid., p. 159. 186 Ibid., p. 159.
homem. Além disso, dedicou-se a analisar a relação de um vício com o outro. No tocante ao álcool e ao fumo, declarou, em 1875: “Males gêmeos, o fumo e o álcool andam juntos”187. Sensível à situação de seu tempo, quanto a tais vícios, chegou a declarar:
Há no mundo uma multidão de seres humanos degradados, os quais, cedendo em sua juventude à tentação do fumo e do álcool, envenenaram os tecidos da estrutura humana e perverteram sua capacidade de raciocínio, até que o resultado fosse justamente o que Satanás tinha em vista. As faculdades do pensamento ficaram obscurecidas. As vítimas cedem à tentação de beber, e vendem toda razão que tiverem por um copo de bebida alcoólica.188
Quanto às fortunas que se gastava no atendimento de tais vícios, Ellen White não poupou palavras para pontuar, em 1887, que:
O amor do fumo é uma concupiscência em luta. São assim esbanjados meios que ajudariam na boa obra de vestir os nus, alimentar os famintos e enviar a verdade a pobres almas longe de Cristo. Que registro aparecerá quando as contas da vida forem postas em balanço nos livros de Deus! Ver-se-á então que vastas somas de dinheiro foram gastas para o fumo e as bebidas alcoólicas. Para quê? Assegurar a saúde e prolongar a vida? Oh, não! Para ajudar no aperfeiçoamento do caráter cristão e na adaptação para a sociedade dos anjos? Oh, não! Mas para servir a um desejo depravado, antinatural, daquilo que envenena e mata não só ao que o usa, mas àqueles a quem ele transmite seu legado de doença e imbecilidade. Signs of the Times, 27 de outubro de 1887.189
As citações transcritas são apenas exemplos das inúmeras abordagens que a autora fez quanto ao tema dos vícios, cujas consequências a mantinha atenta e protestante, a exemplo de outros tantos desafios de seus dias. Ellen White deixou claro sua preocupação e desaprovação aos vícios, ao mesmo tempo em que se preocupou em incentivar e aconselhar meios para que pessoas viciadas fossem esclarecidas e ajudadas para vencerem tais fracassos. Mais do que simplesmente apontar o problema, a autora sempre procurava apontar a sua solução. Suas críticas eram sempre acompanhadas de propostas de superação do problema.
187 WHITE, Ellen G. Temperança. Tradução de Isolina A. Waldvogel. 3. ed. 2.ª Impressão. Tatuí-SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2005, p. 72.
188 Ibid., p. 36. 189 Ibid., p. 66.