3 Teorigrunnlag
3.5 Design av mobil læringsressurs
3.5.2 Interaksjon- og grensesnittdesign
Nesta seção, procuramos flagrar as situações de uso dos mecanismos hipertextuais pelos tutores nas seções de chats e de e-fóruns analisadas. Ao longo da análise, disponibilizamos os trechos mais relevantes dos turnos para exemplificar os contextos de uso das diversas semioses nos gêneros digitais.
Em uma sessão de chat pelo MSN, cujo objetivo era sanar as dúvidas de um aluno sobre a criação de estilos no editor de textos Microsoft Word XP e orientá-lo para a realização da tarefa, constatamos grande recorrência de emoticons durante os turnos de “fala” da tutora, na tentativa de demonstrar emoções e intenções diante das dúvidas, dos questionamentos e das considerações do aluno a respeito do conteúdo e da tarefa realizada. Vale lembrar que o estudante fazia o curso através do AVA Teleduc, o qual dispõe de recurso de bate-papo em sua estrutura. Entretanto, pelas razões já explicadas na metodologia, optou-se pelo uso de um programa de chat externo ao ambiente.
Diferente das conversas face a face em que os gestos e as expressões faciais complementam o que é verbalizado oralmente e são facilmente observadas enquanto os sujeitos interagem, nas conversas através do MSN, por vezes, são as imagens através de
webcam as responsáveis por deixar transparecer a expressividade dos interlocutores. Mas, como nessa seção em particular não foi feito uso desse equipamento, a tutora precisou utilizar as famosas “carinhas” durante a interação para complementar o que expressa de forma escrita (digitada).
Nas figuras que seguem, ilustramos a situação que acabamos de descrever. Iniciaremos com a figura 10, abaixo.
Figura 10 – Chat do MSN. NCAFAB 1 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: comc erteza! NCATUT2 diz: com certeza! NCAFAB1 diz: de nada! NCATUT2 diz:
Primeiramente, na figura 10, da página anterior, a tutora expôs o problema que o aluno registrou no diário de bordo55 e se mostrou ciente da dificuldade do mesmo em nomear estilos criados no Word. Depois, ela iniciou o processo de interação com o intuito de sanar as dúvidas durante o processo de construção do conhecimento que, segundo Vygotsky (1998), deve ser mediado por alguém mais experiente.
Como mostra a figura 11, subseqüente, a tutora inseriu o emoticon “smiley pensativo” (1), que é acionado mediante um clique do mouse sobre o botão “selecionar um emoticon” (2). Essa imagem, associada ao texto digitado, expressou a curiosidade da tutora em ficar a par da situação, a fim de saber o que deu errado quando o aluno tentou realizar a tarefa. Dessa forma, ela utilizou as linguagens verbal e não-verbal para demonstrar, também, sua preocupação com o fato de o aluno não ter conseguido atingir o objetivo da atividade, cujas orientações são passo a passo. Isso comprova quanto a mediação é necessária em um curso na modalidade a distância virtual, independente da qualidade e de quão detalhado seja o material didático.
55 Ferramenta assíncrona do AVA utilizada pelo aluno para que ele possa registrar as dificuldades, as
dúvidas e os anseios em relação ao curso, a fim de que o tutor leia posteriormente e o oriente nos estudos.
Figura 11 – Chat do MSN. 1 2 NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: NCAFAB1 diz:
Outra situação de interação em que a tutora usa emoticon é percebida na figura 12, que segue. Como tentativa de mediar o conhecimento do aluno, uma vez que ele estava com dúvida e não havia conseguido realizar a tarefa, ela propôs que realizassem a tarefa juntos, apesar da distância física que os separava, cada um em seu respectivo micro. Ambos seguiram passo a passo as orientações contidas no livro e fizeram questão de descrever tudo o que estava aparecendo no Word em suas respectivas telas de computador, a fim de que o aluno chegasse ao resultado exigido na atividade: criar um estilo no editor de texto Microsoft Word e nomeá-lo para ser usado nas formatações dos arquivos.
Conforme pode ser visualizado na figura 12, a proposta da tutora é mostrada na frase “vamos fazer um teste?”, a qual é finalizada com o acréscimo do
emoticon “smiley de boca aberta” (1), cujo objetivo é demonstrar confiança no potencial do aluno, como uma forma de encorajá-lo a essa nova tentativa de execução da atividade. Esse tipo de comportamento da mediadora de acompanhar o estudante durante a execução da tarefa pode ser uma forma, inclusive, de tentar evitar a “frieza” do ambiente virtual, já discutido anteriormente com base nas opiniões das tutoras.
A cada passo realizado, a tutora fazia algum questionamento ao aluno para que ele pudesse entender os procedimentos necessários à criação do estilo no Word e
Figura 12 – Chat do MSN. NCAFAB1 diz: NCAFAB1 diz: NCAFAB1 diz: NCATUT2 diz: 1
para averiguar em que ponto o problema realmente aconteceu. Todo esse processo de construção mediado do saber exemplifica o que Vygotsky chama de Zona de Desenvolvimento Proximal, visto que o conhecimento necessário à criação do estilo ainda não havia sido apropriado pelo aluno, mas poderia vir a ser assimilado com a mediação (como realmente o foi).
Em determinado momento da mediação, quando estavam quase concluindo a tarefa, o próprio aluno detectou qual dos procedimentos não realizara de forma correta anteriormente. Então, ele o refez sozinho e continuou a executar a atividade, sempre informando quais ações estava desenvolvendo em seu micro, como pode ser observado na figura 13, abaixo. Em certo momento da interação, na figura que segue, a tutora inseriu um emoticon chamado “smiley” (1), como indicativo de que os passos que ele executou estavam corretos. Tal emoticon ratificou a expressão “isso!” digitada pela tutora, confirmando o sucesso do aluno na tarefa. Dessa forma, mais uma vez, uma imagem foi associada ao texto digitado para enfatizar a expressividade na comunicação entre os interlocutores, simulando uma expressão facial de incentivo que o professor poderia demonstrar para um aluno em sala de aula presencial.
Esse turno de fala da tutora (“isso!”) comprova que o aluno atingiu o objetivo da tarefa e saiu da ZDP vygotskyana, saindo da zona de desenvolvimento potencial para a zona de desenvolvimento real, pois o conhecimento foi assimilado pelo
Figura 13 – Chat do MSN. NCAFAB1 diz: 1 NCAFAB1 diz: NCAFAB1 diz: NCAFAB1 diz: NCATUT2 diz:
aluno mediante a orientação da tutora. Já na figura 14, que segue, destacamos um exemplo em que certo emoticon é repetido várias vezes para expressar uma situação cômica ocorrida durante a mediação após a conclusão da tarefa.
Em virtude de a interação entre a tutora e o aluno já acontecer há um longo tempo, pois o mesmo já havia participado de outros cursos virtuais de informática, ele se sentiu tão à vontade para conversar durante as explicações, que, para mencionar a possível desorganização de uma de suas tarefas, utilizou-se de uma gíria com uma expressão imprópria para ser mostrada neste trabalho. Como resposta a essa gíria, que foi, naquele momento, bastante engraçada, a tutora inseriu repetidas vezes o emoticon (1) para expressar uma gargalhada, ao mesmo tempo em que alertou o aluno sobre a gravação daquele diálogo.
Consideramos que a naturalidade do aluno em colocar a gíria ocorreu em virtude de ambos estarem bem entrosados durante as interações nos cursos (ele já havia feito um de informática pela EaD virtual, com a mesma tutora), tanto através do gênero
chat, quanto de ferramentas de comunicação próprias do AVA Teleduc. Tal situação é um registro do grau de afetividade mantido entre os sujeitos através dos emoticons (cf. FONTES, 2007). Figura 14 – Chat do MSN. NCAFAB1 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: 1
Um dispositivo hipertextual utilizado uma única vez durante a interação na presente sessão de chat do MSN, e importante de ser mencionado, foi o recebimento de um arquivo pela tutora. Na tela que segue, representada pela figura 15, observe o trecho em azul, indicado pela seta.
Como podemos observar na figura acima, o link que inicia com o texto “Você recebeu” (1) indica que a tutora recebeu um arquivo enviado pelo aluno no final da interação no chat. Não era exatamente uma tarefa do curso, mas algo extra que o aluno compartilhou para que a tutora pudesse ter acesso a um outro trabalho que ele estava desenvolvendo, o qual seria apresentado em um congresso. Essa troca de informações, apesar de não estar diretamente relacionado ao curso de informática no qual o aluno estava matriculado na época, comprova que, durante a interação no chat, o tutor pode receber tarefas através do compartilhamento de arquivos do MSN, acessá-los a partir de um simples clique do mouse sobre o link e dar o feedback ao aluno, sem sair do ambiente.
Vale lembrar que, para que a tutora tivesse acesso ao arquivo, ela necessitou seguir alguns passos os quais somente um usuário cujo letramento digital fosse bem desenvolvido seria capaz de executá-los. E como já foi observado através dos resultados dos questionários, os sujeitos envolvidos nessa pesquisa, incluindo as tutoras, já têm esse letramento digital, até mesmo pelo tempo em que navegam na Internet ser
Figura 15 – Chat do MSN.
9RFrUHFHEHX&?'RFXPHQWVDQG Settings\xxxx\Desktop\
banner.pdf FRPr[LWRGH1&$)$% 1 NCAFAB1 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: NCATUT2 diz: J
suficiente para adquirir conhecimento e prática sobre as ferramentas mais utilizadas por quem utiliza a web.
Dessa forma, comprovamos com a figura 15 a existência dos vários letramentos que Soares (2002) e outros pesquisadores acreditam existir para que o sujeito possa se utilizar da linguagem de forma funcional nas interações sociais, inclusive no meio digital. Senão, vejamos, para receber o arquivo e para ler o conteúdo, a tutora precisaria não apenas conhecer o conteúdo específico do curso (editor de textos
Microsoft Word XP), mas ter o letramento necessário para: fazer o download do arquivo; decidir se quer apenas abri-lo ou se deseja salvá-lo; caso necessite salvar, em que mídia isso acontecerá (disquete, CD, pendrive, disco rígido do computador, entre outros); e precisa saber se no computador em que trabalha existe o programa necessário para abrir o arquivo (cujo tipo é PDF).
Finalizados recortes das sessões do chat do MSN, os quais consideramos importantes para nossa pesquisa, passaremos ao chat do Moodle, que possui dispositivos de som, de imagem e de envio de links bastante úteis para a interação tutor- aluno e aluno-aluno nesse AVA. Conseguimos flagrar alguns desses momentos nas sessões de bate-papo cujas telas com os turnos dos alunos e da tutora serão expostos e descritos a seguir. Vale lembrar que, para participar das sessões do chat do Moodle na turma de pós-graduação em educação ambiental, entramos com o usuário e a senha de uma aluna que havia desistido do curso, visto que somente pessoas regularmente matriculadas têm acesso ao AVA.
Com já foi informado na metodologia, aconteceram alguns problemas técnicos no AVA durante as sessões e, por vezes, a conexão com o Moodle caiu. Quando isso acontecia, infelizmente, a janela do bate-papo era fechada automaticamente e não tinha mais como recuperar as telas originais para capturar e para inserir neste trabalho. A única forma de ter acesso às “falas” dos sujeitos envolvidos na sessão de
chat era através da opção “ver sessões encerradas”, um recurso que existe no próprio AVA, para o caso de tutor e/ou alunos desejarem retornar a uma sessão de bate-papo já concluída para reler calmamente as discussões.
Quando a opção “ver sessões encerradas” foi acionada, tivemos acesso aos turnos conversacionais em arquivo no formato de documento do Word, e não à
conversação tela a tela como capturamos no MSN. Sabendo disso, os turnos que seguem apresentam-se parte em arquivos do Word e parte em telas que conseguimos realmente capturar antes da conexão com o Moodle cair. Através das telas originais capturadas é mais fácil compreendermos como aconteceu realmente a interação, pois nelas constam todos os botões do chat do Moodle. Já nos turnos acessados através do arquivo que o Moodle grava no Word, só temos acesso aos textos e às fotos dos sujeitos e não aos dispositivos que ativam os recursos hipertextuais.
Na figura 16, abaixo, cujo tema discutido era “ONGs e Ambientalismo”, sessão essa em que houve troca de informações sobre o assunto de acordo com a vivência e as pesquisas de cada aluno, temos um exemplo de tela capturada durante as interações, e podemos mostrar como é o layout da tela de um chat no Moodle. Nessa figura em particular, a tutora, em um momento de descontração ao final da sessão, para se despedir de um dos alunos, faz uso de um emoticon (1) que representa um sorriso, o que demonstra que o fato de estarem distantes fisicamente não impede que os sujeitos envolvidos na EaD virtual demonstrem sua simpatia pelo outro. Em outros termos, a afetividade se faz presente no turno da tutora, durante a despedida através de mais um
emoticon.
Figura 16 – Chat do Moodle (capturada durante a sessão de bate-papo). 1
2
MCAALE1:
MCAALE1:
MCAOTA4: Valeu MCAALE1
MCAALE1