• No results found

Chapter 3 Theoretical Framework to Innovation in Public Services

3.2 Public Administration

3.2.2 Institutional Theory

A Secretaria de Acessibilidade utiliza os recursos da tecnologia assistiva como ferramenta para executar a maioria dos serviços disponibilizados aos estudantes com deficiência, citados anteriormente. Antes de apresentarmos as atividades desenvolvidas pela Secretaria nesse segmento, é necessário compreender que tecnologia assistiva corresponde a "todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão" (BERSCH e TONOLLI, 2006, p.1).

Sonza (2013) complementa que o seu propósito consiste em ampliar a comunicação, a mobilidade, expandir possibilidades de aprendizado, trabalho, bem como a integração da pessoa com deficiência em diversos contextos: familiar e sociedade em geral, por exemplo.

Quanto à assistência nesse aspecto, a Secretaria analisa por meio de entrevista as necessidades por tecnologia assistiva por parte do estudante com deficiência, a partir da sinalização originada pela Unidade a qual o estudante está vinculado, podendo igualmente o estudante indicar sua dificuldade. Os servidores técnico-administrativos também são contemplados com essa assistência. A Secretaria não faz empréstimo de equipamentos de tecnologia assistiva ao estudante, apenas disponibiliza seu uso na própria Unidade. Quanto ao servidor técnico-administrativo, a Secretaria realiza o empréstimo para a Unidade de lotação do servidor.

Na interface software, a Secretaria de Acessibilidade trabalha com a instalação do DOSVOX e NVDA. Consistem em programas leitores de tela com síntese de voz dirigidos a usuários cegos, que possibilitam o uso do computador em operações tais como navegação na internet, uso de correio eletrônico, processamento de textos, dentre outras infinidades de operações, acionados por meio de comandos de teclado sem a necessidade de uso do mouse (MEC, SEESP, SEES, 2007).

Segundo Sonza (2013) o DOSVOX é uma interface especializada com tecnologia totalmente brasileira que permite a comunicação, por meio de síntese de voz, com o usuário com deficiência visual. O programa é um software livre e utiliza padrões internacionais de computação, é simples e de fácil utilização, especialmente para usuários iniciantes. O NVDA trata-se de um software com código também aberto para o ambiente Windows. Operacionaliza em diversos idiomas, inclusive o português do Brasil e possui, ainda, uma versão portátil para viagem que pode ser executada de um CD ou PenDrive.

No que concerne à interface hardware, a Unidade possui como recursos de tecnologia assistiva: 1 leitor autônomo, 1 scanner de voz, 2 impressoras braille, 1 lupa eletrônica, 1 transmissor FM, descritos a seguir:

a) Leitor autônomo (Figura 4a): tem por finalidade o reconhecimento do texto de um documento, fazendo a leitura por meio sonoro. Capaz de realizar a leitura de livros, jornais, relatórios e qualquer outro documento escrito (CATÁLOGO NACIONAL DE PRODUTOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA, 2016).

b) Scanner de voz (Figura 4b): hardware que converte documentos impressos em áudio, permitindo que a pessoa com deficiência visual tenha acesso ao conteúdo do documento. Procedimento feito usando o programa de reconhecimento óptico de caracteres, OCR, instalado no computador (TECASSISTIVA, 2016).

c) Impressora braille (Figura 4c): são similares às impressoras comuns e ligadas ao computador por meio das portas paralelas ou seriais. O diferencial é a capacidade de impressão de textos em braille (SONZA, 2013).

d) Lupa eletrônica (Figura 4d): dispositivo que tem a função de ampliar imagens e textos, facilitando a leitura e escrita de textos por pessoas com baixa visão. Por meio de um sistema eletrônico chamado vídeo reverso e cores artificiais produz contraste ente o fundo da tela e as cores das letras (CATÁLOGO NACIONAL DE PRODUTOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA, 2016).

e) Transmissor FM ou Sistema de Frequência Modulada (Figura 4e): dispositivo capaz de enviar mensagem por meio de ondas de FM do professor ao aluno. É composto por transmissor e microfone que são utilizados pelo professor, e de um receptor que é utilizado pelo aluno com deficiência auditiva. O transmissor envia a mensagem por meio de ondas de FM, essas mensagens por sua vez são recebidas pelo aluno através de seu receptor e amplificadas para um nível de audição confortável (MEC, SEESP, 2006).

Figura 4 – Hardwares de Tecnologia Assistiva existentes na Secretaria de Acessibilidade da UFC.

Fonte: Secretaria de Acessibilidade UFC Inclui.

Figura 4a: leitor autônomo. Figura 4b: scanner de voz. Figura 4c: impressora braille. Figura 4d: lupa eletrônica. Figura 4e: transmissor FM.

Figura 4e

Figura 4a Figura 4b Figura 4c

Observamos que os recursos de tecnologia assistiva existentes na Secretaria de Acessibilidade UFC Inclui são voltados mais acentuadamente para as pessoas com deficiência visual. Destacamos, no entanto, que temos uma Unidade que possui o que há de mais moderno quanto à tecnologia assistiva e que segue em processo de aquisição de recursos tecnológicos.

Ao investigar as políticas e ações em prol da inclusão existentes na Universidade Federal do Ceará, realizada a partir desta seção e percebida por meio das informações fornecida pelos entrevistados, podemos considerar que, no que diz respeito à questão de investimento em uma cultura inclusiva no ambiente acadêmico, somados aos investimentos em tecnologia, serviços oferecidos aos estudantes e servidores com deficiência, expandindo- se à comunidade acadêmica por meio dos programas de extensão, a UFC possui destacados trabalhos e esforços neste sentido, executados por meio da Secretaria de Acessibilidade da UFC, em parceria com a comunidade acadêmica.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Nesta seção apresentamos a metodologia utilizada na presente pesquisa, ou seja, além de detalhar os procedimentos metodológicos (métodos e técnicas utilizadas na pesquisa), procedemos as devidas fundamentações com os teóricos do assunto. Isto considerando que Gerhardt e Silveira (2009) pontua que metodologia e método são definições distintas, afirmando que o interesse da metodologia é a validade do caminho escolhido visando atingir ao objetivo proposto pela pesquisa, e acrescenta: “a metodologia vai além da descrição dos procedimentos (métodos e técnicas), indicando a escolha teórica realizada pelo pesquisador para abordar o objeto de estudo.” (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p. 13).

Embora sendo termos distintos, são dois termos inseparáveis, é o que considera Minayo (2007) ao afirmar sobre eles: “devendo ser tratados de maneira integrada e apropriada quando se escolhe um tema, um objeto, ou um problema de investigação” (MINAYO, 2007, p. 44).